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terça-feira, 9 de abril de 2013

Quem investe nas lideranças tem visão de futuro.

No constante processo evolutivo vivenciado pelas organizações, tornou-se notório que o significado de ser líder ganhou uma conotação totalmente diferente daquela em que apenas "delegar ordens e ficar atrás de uma mesa" eram ações suficientes para qualificar um profissional como um chefe exemplar e digno de ser respeitado por todos seus subordinados. Hoje, as empresas constatam que muitos talentos pedem demissão não das organizações, mas sim dos líderes que estão à frente das equipes e que teoricamente deveriam dar um norte aos liderados e não os desestimularem ao ponto de recorrerem ao desligamento da empresa. Diante disso, investir no desenvolvimento das lideranças no tocante não somente a competências técnicas como também comportamentais, tornou-se indispensáveis para que os times apresentem resultados condizentes com à realidade de cada corporação.

No Grupo Maranhão, por exemplo, o desenvolvimento das lideranças ganhou uma verdadeira guinada em 2011, oportunidade em que a companhia criou a Escola de Líderes Maranhão. De acordo com Alexandre Lopes, gerente de Treinamento & Desenvolvimento, essa iniciativa surgiu para definir que competências deveriam ser desenvolvidas e aprimoradas pelos líderes da companhia. "O mapeamento dessas competências foi desenvolvido ao longo de quatro meses, através de um acompanhamento, in loco, de todos os nossos líderes. A execução da primeira aula aconteceu em dezembro de 2011, onde foi apresentado aos alunos a necessidade, o projeto e o resultado esperado", relembra.


O Grupo Maranhão foi fundando em 1969, na cidade de Catanduva/SP. Atualmente, o Grupo divide-se em dois canais de distribuição. O Canal Direto que é composto pelo varejo (lojas de supermercados) e o Canal Indireto composto pelo atacado/distribuição. Atua no Estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro. Possui cerca de 1.300 colaboradores.

Logo após o trabalho de levantamento das necessidades de treinamento pensou-se, em um primeiro momento, realizar este trabalho de desenvolvimento em parceria com alguma consultoria especializada em treinamento. Todavia, a ideia foi evoluindo, os membros da área de Recursos Humanos envolveram-se e se dedicaram tanto à iniciativa que eles "viviam" Escola de Líderes quase que 24 horas por dia. A paixão pelo trabalho encontrou um campo fértil e o apoio do presidente e dos diretores do grupo Maranhão tornou os coordenadores da iniciativa fortes para consolidar o projeto.

O gerente de T&D explica que a escolar por trabalhar essa forma linear de desenvolvimento surgiu devido à necessidade de adaptação e de evolução dos líderes diante do cenário econômico atual e, no caso das novas lideranças, de desenvolver, as competências necessárias para conduzirem suas equipes que, em sua grande maioria, são formadas por jovens que estão ingressando no mercado de trabalho. "Somado a isso ainda tínhamos a necessidade de desenvolver um backup de líderes que foi constituído por colaboradores que foram avaliados e definidos como potenciais futuros líderes e que viriam a sustentar o nosso processo de expansão orgânica", argumenta Alexandre Lopes.

Público-alvo - Atualmente, a Escola de Líderes trabalha com três grupos. O primeiro é formado por líderes administrativos - responsáveis pelos departamentos da matriz do Grupo Maranhão. O segundo grupo é composto por todas as lideranças líderes de departamentos das unidades de vendas e o terceiro grupo é constituído por colaboradores com potencial para se tornarem futuros líderes. Ao todo, somam 110 "alunos", como são chamados pela área de T&D.

Implantação da Escola - Quando questionado sobre as fases que envolveram a criação da Escola de Líderes e que envolveu desde sua idealização até a concretização da iniciativa, Alexandre Lopes comenta que assumiu pessoalmente a condução do projeto desde o momento da concepção até a coordenação do mesmo. Chegou, inclusive, a ministrar módulos para as lideranças da companhia, ao passo que também contou com o empenho de toda a sua equipe de T&D. Paralelamente, contou com o suporte de parceiros internos, especialistas para suprir as necessidades de assuntos mais técnicos como, por exemplo: logística, DRE (Demonstrativo do Resultado do Exercício), contabilidade, entre outros.

Vale ressaltar que na fase de elaboração da escola de Líderes, equipe de T&D dedicou-se ao planejamento de cada atividade que seria realizada junto às lideranças. Isso incluiu: os planos de aulas; a escolha das dinâmicas de grupo, escolha de vídeos, realização de debates, enfim, todo o material que seria utilizado junto aos líderes foi trabalhado em detalhes. Inclusive, a coordenação do projeto também chegou a cogitar o que os alunos precisariam, o que poderia ser questionado durante as aulas. Ou seja, para oferecer um desenvolvimento de qualidade, a coordenação do projeto colocou-se no lugar das lideranças que passariam a integrar a Escola de Líderes.

"Após realizamos o Levantamento das Necessidades de Treinamento e desenharmos o escopo alinhado à missão, à visão e aos valores do Grupo Maranhão, desenvolvemos uma apresentação sobre o conceito da Escola de Líderes, a metodologia que iríamos utilizar e os objetivos que pretenderíamos alcançar, assim como as ferramentas de mensuração de resultado e de acompanhamento do desenvolvimento. Todas essas informações foram distribuídas em slides apresentados à diretoria que, de imediato, apoiou a ideia. Na sequência, reunimos os gerentes e os diretores dos departamentos para explicar como seria a Escola de Líderes, combinamos as datas para a execução dos 12 módulos. Divulgamos o projeto à companhia e apresentando os módulos, o calendário, a relação dos alunos e suas respectivas turmas. Também envolvemos o departamento de marketing que desenvolveu a identidade visual do projeto", especifica o gerente de T&D.

Segundo Alexandre Lopes, além de inscreverem todos os líderes do Grupo Maranhão para participarem das atividades da Escola de Líderes, a área de Treinamento & Desenvolvimento formou uma turma de alunos com colaboradores que compõem a "pipeline de liderança". "Esses alunos precisam passar pelo período de experiência e adaptação à empresa e em seguida são avaliados, comportamental e tecnicamente pelos seus líderes imediatos, pelos gerentes ou diretores do departamento e pelo RH. Identificado que o aluno tem potencial e seus valores vão ao encontro dos valores do Grupo Maranhão, passamos a investir neles matriculando-os na escola", cita.

Escola de Líderes do Grupo Maranhão
Atividades da Escola de Líderes - Esses alunos precisam passar pelo período de experiência e adaptação à empresa e em seguida são avaliados em suas competências técnicas e comportamentais pelos seus líderes imediatos, pelos gerentes ou diretores do departamento e pela área RH. Identificado que o aluno tem potencial e seus valores vão ao encontro dos valores do Grupo, passamos a investir neles matriculando-os na escola.



Como o principal objetivo da Escola de Líderes Maranhão é o desenvolvimento das habilidades e das atitudes necessárias para que as lideranças coloquem em prática todo o conhecimento adquirido em sala de aula, o dia de treinamento é dividido entre a teoria e a prática. No primeiro momento, é desenvolvido um pensamento sobre o conceito e no segundo, o mesmo é aplicado através de recursos para a sedimentação do conceito o lúdico, ou seja, via dinâmicas individuais ou em grupos. Muitas vezes, os exercícios práticos são executados no ambiente de trabalho do próprio líder que frequenta a escola. Na aula seguinte, o aluno realiza uma apresentação dos resultados alcançados.

"Criamos uma sequência lógica entre os módulos. Por exemplo, detectamos no LNT que deveríamos desenvolver ou aprimorar a competência feedback em nossos lideres. Porém antes de apresentarmos o Módulo Feedback aos alunos, foi passado para eles o Módulo Comunicação - desde o conceito de comunicação, comunicação assertiva, uso do controle emocional, composição da comunicação, a força da expressão corporal, os canais de comunicação sensoriais, leitura corporal, para somente depois passarmos as técnicas de feedback. Com isso ficou muito mais fácil construir e praticar os feedbacks. Seguimos essa mesma lógica para o Módulo Liderança quando discutimos na aula anterior Quociente Emocional e eles puderam fazer exercícios práticos para entenderem melhor a estrutura das suas personalidades e como, através do controle emocional, poderiam melhor exercer seus papéis de líderes diante das adversidades", resume o gerente de T&D do Grupo Maranhão, ao sinalizar que as lideranças que frequentam a Escola de Líderes têm mais chances de crescerem internamente. Isso porque, o conhecimento aliado à prática os torna mais capazes em conduzirem reuniões, apresentarem projetos, discutirem ideias e liderarem suas equipes. Dessa forma, ganham mais visibilidade e, consequentemente, são mais lembrados em momentos de promoções internas.

Mensuração de Resultados -
Para avaliar os resultados proporcionados pela Escola de Líderes, todos os módulos passam por uma avaliação de retenção, aplicada no início e ao final das aulas. Para a mensuração do resultado em campo existe a pesquisa de clima organizacional realizada por departamento. "Realizamos focus group conduzidos pelos profissionais do RH, onde podemos constatar as mudanças tanto no campo comportamental quanto técnico. Contamos ainda com a ajuda do software de Gestão de Pessoas, onde temos as descrições de cargos e suas respectivas competências, e seus graus de importância. Lançamos os resultados de aproveitamento dos alunos neste software e conseguimos acompanhar o desenvolvimento individual. Ainda não implantamos o nosso Scorecard, mas estamos a caminho. Temos, ainda, claro em nossa organização que toda necessidade de treinamento surge da necessidade de sanar um gap de competência, que vem influenciando negativamente o desempenho profissional e, consequentemente, levando a empresa a deixar de ganhar em algum momento. O melhor resultado que o RH pode entregar é fazer com que a companhia deixe de perder e comece a ganhar. E quando digo ganhar, estou me referindo não somente a bens tangíveis, mas também aos valores intangíveis", enfatiza Alexandre Lopes.

Receptividade das Lideranças - O gerente de T&D mostra-se muito animado, ao ser indagado sobre a receptividade que a Escola de Líderes tem obtido junto ao público-alvo. Ele explica que o modelo "escola" para a formação dos profissionais tem sido um sucesso e afirma que a Escola de Líderes culminou na criação de uma equipe mais entrosada e participativa. Os "alunos" passaram a serem cúmplices em relação do desenvolvimento, pois um ajuda ao outro quando alguma dificuldade é percebida.

Os Benefícios - A Escola de Líderes trouxe benefícios para o Grupo Maranhão. Dentre esses, destacam-se os diretor como o desenvolvimento profissional e pessoal de líderes e das futuras lideranças da companhia. Já entre os benefícios indiretos, podem ser citados os resultados alcançados que deixaram de ser projetados na concepção da escola. "Não é difícil os alunos nos procurarem para comentarem que determinado assunto aprendido na Escola de Líderes os ajudou também em casa, no relacionamento com a esposa ou o com o marido e até mesmo com os filhos. Isso é gratificação em dobro", pontua Alexandre Lopes.

Ainda na opinião do gerente de Treinamento & Desenvolvimento do Grupo Maranhão, investir em ações como a Escola de Líderes torna-se importante à Gestão de Pessoas porque ele acredita que a diferença é algo como estar no jogo ou estar fadado ao desaparecimento ou à estagnação. Hoje, comenta ele, vivemos um momento de pleno emprego no país, a mobilidade dos profissionais está muito acentuada. Os talentos querem desafios, são muito ávidos por mudanças, novidades, conhecimento, tudo chega e vai muito rápido e, diante desse cenário, se a empresa não proporciona aos seus líderes e às futuras lideranças, desafios, novos conhecimentos, novas práticas, esses profissionais, cedo ou trade irão buscar o que desejam em outras organizações.

"Vivendo uma reinvenção das relações humanas e trabalhista, não obstante iremos ver sumir o modelo tradicional de hierarquia, aquele que conhecíamos como pirâmide hierárquica onde o presidente está no topo, depois vem vice-presidente, diretores, gerentes, entre outros. Atualmente, o modelo está mais para rede do que para pirâmide. O colaborador da base não tem receio de falar e de expor suas ideias e frustrações ao presidente da empresa. Aliás, ele faz isso todos os dias, quando está no Facebook, no Twitter, no LinkedIn, em blogs, basta prestarmos atenção. É nesse cenário que os novos líderes estão assumindo departamentos e equipes de trabalho. Então, é papel fundamental do RH preparar esses líderes e futuros líderes para lidar com equipes multidisciplinares, multiculturais, digitais e questionadoras", conclui Lopes.
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