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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

O Lobo, o Leão e a Raposa

Achando-se gravemente enfermo, um velho leão decrépito exigia que arranjassem um remédio capaz de curá-lo de seus ataques e de lhe restituir as forças. Alegar impossibilidade aos reis constitui "crime de lesa-majestade", portanto, cada espécie daquele vasto reino apressa-se em apresentar um remédio ao rei leão. Comparecerem animais de toda parte, cada qual trazendo um receita especial: alguns eram doutores, outros charlatães, uns adivinhos, outros feiticeiros. A multidão subia e descia a escadaria que levava ao antro do real enfermo, numa solicitude comovedora. Só a raposa não apareceu, preferindo ficar dormindo em sua casinha.
O lobo não deixou de armar uma intriga contra a raposa. E contou ao leão sobre a ausência da raposa. O leão, bravo manda seus soldados desentocá-la e que a obriguem a comparecer. A astuta raposa veio imediatamente e tendo sabido que o lobo fora o autor do mexerico, apresenta-se com mesuras requintadas e diz:
- Receio, meu senhor, que uma falsa denúncia tenha imputado como desprezo o fato de ter retardado até agora seu chamado. Entretanto, se tardei em vir apresentar-vos os meus respeitos, é porque andava de romaria para cumprir um voto que fiz pela saúde de Vossa Majestade. Em minha peregrinação não negligenciei em consultar as mais altas sumidades a respeito de vossa doença, que com justa razão, vos traz assim tão preocupado. Descrevi a todo os sintomas do vosso mal e o seu progresso. Eis que me foi explicado que careceis apenas de calor, deste calor que os anos tiraram de vossos membros. Para reconquistardes esse calor é necessário que mandeis escorchar vivo um lobo e em seguida, envolvei o vosso corpo com a sua pele ainda quente e fumegante. O resultado é infalível para esse gênero de fraqueza que sentis. Se a receita for do vosso agrado, o mestre Lobo está aqui presente e prestar-se-á de bom grado a servir-vos de agasalho.!
O rei achou interessante a sugestão e aproveitou o conselho. No mesmo instante foi o lobo esfolado vivo, retalhado e feito em postas, enquanto sua pela escaldante aquecia o corpo do leão agonizante.
A maldade da raposa dispensa aqui maiores comentários. Todavia o exemplo serve como advertência aos áulicos, para que se abstenham de intrigas, pois o mal que se faz a outrem recai quadruplicado sobre quem o faz. Aos intrigantes sempre chega a hora do ajuste de contas de uma forma ou de outra e sempre acabam por pagar o mal que fizeram.
Autor desconhecido

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Como Estabelecer e Realizar os Objetivos Desejados


 Sabe-se que aquelas pessoas que têm os seus objetivos claramente definidos são as que têm mais sucesso naquilo que elas fazem.
 Uma antiga lenda fala da Esfinge que ficava à beira da estrada. Cada viajante que passava tinha que parar e lhe era pedido para decifrar um enigma. Se este não fosse capaz de responder certo, seria devorado.
 Do mesmo modo, cada um de nós é um viajante, deparando diariamente com problemas. São os enigmas da Esfinge, e sofremos quando deixamos de dar a resposta certa.
 O viajante bem-sucedido foi sempre aquele que compreendeu a pergunta que lhe foi feita. O viajante infeliz muitas vezes encontra o seu fim, não porque o enigma lhe exceda a capacidade, mas porque não chega sequer a ouvir a pergunta. Ao deparar com a Esfinge, a sua mente é dominada pelo medo e ele se acha então incapaz de até começar a pensar.
 Muitas pessoas têm sido derrotadas por seus problemas porque nunca souberam do que se tratava, e muito menos da situação onde se encontravam.
 Isso sugere a primeira pergunta que se deve fazer toda vez que surge um problema: "Onde estou?" 
ONDE ESTOU?
 Depois de ter comido o fruto proibido e com isto franqueado ao homem o mundo dos problemas, Adão escondeu-se amedrontado. Segundo o Gênese, Deus chamou-o dizendo: "Adão, onde estás?" Os estudiosos têm considerado o porquê de Deus, que tudo sabe, ter que perguntar. A resposta por eles apresentada é que Deus sabia onde Adão estava, mas queria que ele próprio o soubesse também.
 A pergunta: "Onde estou?" deve ser feita com muito cuidado. Esta pergunta simboliza uma avaliação calma e de todos os pontos de vista possíveis da situação, o mais isento possível de rótulos ou de julgamentos. Em outras palavras, significa fazer o uso de toda a sua acuidade sensorial para obter as informações sensoriais precisas e completas necessárias.
Para definir o problema de modo eficiente, será útil ter em mente o significado da palavra PROBLEMA. O professor Karl Duncker, que tem realizado consideráveis pesquisas sobre a psicologia da solução dos problemas, apresenta a sua conclusão com as seguintes palavras: "O problema surge quando o ser vivo possui um objetivo, mas não sabe como consegui-lo."
 Baseado na definição de Duncker, o problema é a distância entre o lugar onde nos encontramos (Estado Atual) a aquele onde desejamos estar (Estado Desejado), quando não existe aparentemente nenhum meio de transporte à vista. Quase sempre o elemento que falta é o segundo, o Estado Desejado. 
Estado atual e Estado desejado
 Muitas pessoas reclamam que têm objetivos na vida, mas nunca conseguiram realizá-los. Isto porque os objetivos que querem são inespecíficos e muito generalizados, do tipo "eu quero ser rico", "quero ser feliz", "quero ficar em paz", etc.; ou são formulados em negativo como "não quero mais sofrer", "nunca mais quero me sentir assim", "não vou acabar desse jeito", etc.. Ou os seus objetivos dependem da iniciativa e controle dos outros, como "só vou ter tranqüilidade se ele/ela parar de fazer isto", "eu quero que ele/ela me faça feliz", "quando ele/ela mudar, eu posso ser o que eu quero", etc.
 Muitos ainda têm os seus objetivos em mente e a "intelectualização" das soluções. São verdadeiras enciclopédias ambulantes em matéria de teorias e de informações, porém, fracassam em atingir os seus resultados desejados por faltar-lhes algo muito importante chamado de AÇÃO. 
Portanto, meus amigos, mãos à obra! 
CONDIÇÕES DE BOA FORMULAÇÃO DE RESULTADOS DESEJADOS
As condições de uma boa formulação de resultados desejados são: 
  1. Ser expresso em termos positivos.
  2. Iniciado e controlado pela própria pessoa (você).
  3. Evidências sensoriais específicas.
  4. Bem contextualizado.
  5. Que seja ecológico para a pessoa.
  6. Testável na experiência da pessoa, isto é, dentro do poder da pessoa de realizá-lo.
 Pegue uma caneta ou lápis agora e procure responder a essas perguntas da melhor forma que puder: 
QUESTÕES PARA ELICIAR O OBJETIVO DESEJADO 
  • Dito em termos positivos; 
      1. "O que você quer, especificamente?"
Se você ou alguém que você está ajudando neste exercício disser: "Não quero me sentir mal", você pergunta: "Muito bem, como é que você gostaria de se sentir?" e, se você ou outro responder "Eu vou saber quando não tremer mais", diga "OK, isso é o que você não vai fazer, e o que você VAI fazer?"
      1. Que o objetivo seja iniciado e controlado por você:
Se você é do tipo que costuma dizer: "Consertem minha mulher/marido/filho!" Saiba que isto não está bem formulado, já que o desejo é de mudar algo que está fora do seu alcance. Você pode pegar este objetivo e transformá-lo em algo iniciado, sob controle seu, acrescentando uma ou duas proposições:
"Então o que eu quero é ter respostas diferentes por parte da minha mulher ou do meu marido ou daquela pessoa".
Se isso fizer sentido para você, já terá uma base para um objetivo bem estruturado: trabalhar a mudança do SEU comportamento para conseguir respostas melhores por parte daqueles que interessam a você.
  • Descrição baseada em dados sensoriais: 
      1. "Como você vai saber quando atingir este resultado desejado?"
Imagine, vividamente, você, num futuro próximo, já realizando o seu objetivo. Faça uma descrição COMPORTAMENTAL completa, vendo como você se comporta, sua postura, sua voz, seus gestos, sua respiração, seu tônus muscular e as coisas que estaria fazendo quando já tiver alcançado o seu objetivo.
Verifique se o seu procedimento de evidência (qualquer informação exterior) está sendo dado de forma efetiva. Um feedback apropriado sobre o momento em que atingiu a mudança desejada. Exemplo: Se o objetivo é chegar a ser um professor eficiente, e a sua evidência é de se sentir bem no final do dia, você precisará de algum OUTRO tipo de evidência. Pois é ótimo se sentir bem no final do dia, mas isso não se relaciona automaticamente com o fato de ser um bom professor. Se deseja ser um profissional eficiente e se a evidência é a de que outros DIGAM que você é bom (apenas verbalmente) você estará usando uma evidência que pode ser enganadora.
- "Mostre-me como você seria se tivesse confiança em si mesmo. O que os outros iriam ver, ouvir ou sentir quando você conseguisse esse objetivo?"
Descrição sensorial dos seus comportamentos, fazendo com que você se concentre na sua auto-imagem como se estivesse sendo visto por outra pessoa.
- "Quando você tiver alcançado o resultado desejado, o que você estará fazendo e como estará se comportando?" É para você descrever sensorialmente as experiências exteriores que você imagina que estará fazendo, agindo, os seus movimentos, comportamentos, tensão muscular, quando tiver realizado o seu objetivo.
- "Quando você atingir o resultado desejado, que tipos de sensações você irá sentir?"
Isto faz com que você se concentre nas suas sensações interiores.
- "Quando você atingir o resultado desejado, que tipos de pensamentos você estará tendo com você mesmo?"
Isto focaliza a sua atenção no seu Diálogo Interno.
  • Tamanho apropriado do objetivo: 
Observei uma vez, na empresa onde sou sócio, que os operários perdiam, aparentemente, muito tempo em várias caminhadas por dia até os depósitos de materiais para retirar peças. Parecia mais lógico trazer as caixas mais perto das máquinas. Isto foi feito, e pouco tempo depois os supervisores ficaram perplexos com o resultado. A produção caiu bruscamente, apesar da economia em tempo e movimento.
A explicação era simples. Ver a grande quantidade de matéria-prima sugeria aos funcionários o infindável trabalho que teriam que fazer. "Parece que nunca se consegue terminar nada." Era a forma de alguns deles descreverem o seu motivo para a demissão. Não há percepção de progresso porque não há um objetivo definido e realizável que a pessoa possa usar como ponto de referência para assinalar o terreno que já se caminhou entre o Estado Atual e o Estado Desejado.
Hoje, a maioria dos psicólogos industriais aconselha a gerência a fazer todo o possível para quebrar em unidades visíveis e atingíveis o fluxo de trabalho. Então, à medida que as peças ficam prontas, vão para caixas ou bandejas de 10, de 100 ou de 200 unidades, o número que for mais conveniente. Resulta daí a sensação contínua de "missão cumprida" e disposição renovada para outro esforço em direção a novo objetivo específico.
O mesmo acontece conosco. Se o objetivo é inespecífico, grande ou global, pergunte a si mesmo sobre uma parte específica do que deseja, em pequenos sub-objetivos visíveis e realizáveis. Certifique-se de que as informações aqui criadas sejam informações sensorialmente descritas e não julgamentos:
- "Com quem eu quero experimentar este resultado?"
- "Onde, especificamente, eu quero experimentar este resultado em primeiro lugar?"
- "Quando eu quero experimentar este resultado?"
- "Em que situação específica eu não quero este resultado?"
    1. Ecologia:
      - "De que maneira este resultado afetará a sua vida?"
      - "De que forma este objetivo poderia trazer problemas para você?"
      - "De que maneira este objetivo poderá afetar as pessoas importantes de sua vida?"
      - "Você poderia machucar alguém ao atingir o que você está pedindo?"
    2. Limitações:
      - "O que impede você de atingir o objetivo desejado?"
      Faça uma lista de obstáculos que estão impedindo você de realizar o seu objetivo. Separe os obstáculos dependentes de terceiros e pegue cada um dos obstáculos pessoais (crenças ou auto-conceitos limitantes) e trabalhe cada um deles com a Técnica do Aprendizado Dinâmico.
    3. Recursos disponíveis:
- "Que capacidades ou habilidades você já tem para atingir o resultado desejado?"
Pegue cada recurso que puder se lembrar e utilize a seqüência de Ancoragem para resgatar as sensações desses recursos desejados.
    1. Alternativas:
- "Como você vai chegar até lá?" (Descreva quatro ou cinco passos importantes que você vai fazer para alcançar o seu resultado desejado. Responda da melhor forma que puder, e se não souber, FAÇA DE CONTA que sabe e descreva.)
- "Você tem mais de uma maneira de atingir o objetivo?"
- "De que outra maneira você pode atingir o seu objetivo?" Quanto mais alternativas melhor.
- "Os quatro ou cinco passos estão bem especificados e são possíveis de serem atingidos?" Segmentar processos torna mais fácil atingi-los. 
CRIE SEU DIA IDEAL: 
Releia agora as respostas anotadas por você e imagine agora um dia ideal para você, quando este objetivo já estiver alcançado e as coisas estejam acontecendo dentro das suas expectativas. Veja-se a si mesmo, dentro dessa experiência imaginária, observando os seus comportamentos, a sua forma de falar, suas atitudes, e as suas sensações à medida que as cenas imaginárias vão se desenrolando na sua mente, cenas de cores vívidas, nítidas, brilhantes. Observe também quais diferenças existem em relação ao como você é hoje. Não pare até que consiga uma experiência imaginária desse seu dia ideal de manhã até a hora de ir para cama, com todos os melhores acontecimentos possíveis desse seu objetivo, como se você já o tivesse realizado. Faça de uma forma que realmente o motive para isso. 
Ajudar a si próprio e aos que estão ao seu redor, os seus próximos mais próximos, a identificar objetivos positivos contribui para criar estados emocionais mais eficazes para realizar estes objetivos. Ajudar o seu parceiro ou sua parceira ou filhos ou amigos a construir objetivos através desses passos estratégicos, é um presente inestimável que você proporciona a eles em termos de sucessos futuros. 
"A imaginação é de longe muito mais importante que o conhecimento."
                                                                Albert Einstein
MEIOS E FINS 
Somente quando mantidos na mente os objetivos finais, podem os meios serem adequados. Um carpinteiro não pode escolher as ferramentas que necessita antes de saber o que deseja construir. Muitas pessoas seguem tropeçando num frenesi de atividades improdutivas porque não são capazes de diferenciar os meios dos fins.
 A seguir descrevo um caso em que fui testemunha numa firma onde participei de uma transação comercial. A diretoria acabara de decidir a compra de um galpão industrial, mas tinha já adquirido um terreno anteriormente com a intenção de nele se construir um prédio. Portanto agora queria vender este terreno se aparecesse um comprador. 
"Quem possui a escritura desse terreno?" perguntou um dos membros da diretoria, um professor universitário notável. Em resposta a sua pergunta, tornou-se claro que haviam perdido a escritura. 
"Não se preocupem com isso," disse outro membro da diretoria, que era advogado, "podemos conseguir uma cópia no cartório por mil cruzeiros." 
Muito bem," disse o professor, "proponho que arranjemos um cofre no banco para guardar nossos documentos." Sua moção foi aprovada por unaminidade. "Proponho, a seguir, que o nosso advogado seja autorizado a gastar os mil cruzeiros para conseguir uma cópia da escritura do terreno e que esta seja colocada no cofre do banco." 
"Isto não é necessário", disse o advogado. "Quando tivermos um comprador podemos arranjar uma cópia da escritura. Para que nos incomodarmos agora?" 
Se não tivermos uma cópia da escritura, o que colocaremos no cofre do banco", disse o professor com lógica triunfante. 
"Proponho", disse o advogado, "que coloquemos os mil cruzeiros no banco.
 Uma confusão como essa, onde os meios se tornam os fins, às vezes pode parecer sem importância. Porém, o que se tem observado é que a mesma coisa acontece em escala muito maior, entre nações, por exemplo.
Os tolos sempre ficam perdidos entre meios e fins. Um policial irlandês conta a história de um viajante que foi abordado na estrada por um desconhecido que lhe disse: "A bolsa ou a vida!" O viajante respondeu: "Fique com a minha vida. Preciso do dinheiro para quando for velho." 
Do livro: Magia da Mente em Ação Livro Esgotado
Dr. Tom Chung

Double Tree Editora 

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Como A Postura Influencia Sua Personalidade

Manter a coluna ereta não só produz uma imagem mais positiva e atraente, mas também pode promover transformações pessoais

Corrigir a postura do corpo pode dar resultados impressionantes, como mostra a série de fotos “Illusions of the Body” (Ilusões do Corpo), criada pela fotógrafa norte-americana Gracie Hagen. 
Mas o trabalho de Gracie também deixa claro que a postura é capaz de transformar a imagem de alguém em poucos segundos.
A série, na verdade, é mais uma crítica aos padrões de beleza do que uma  ao corpo humano. No entanto, para a psicóloga social e professora na Universidade de Harvard Amy Cuddy, manter a postura ereta pode ser decisivo na sua vida.
Em um estudo, Amy aponta que as posturas influenciam a nossa química cerebral e nosso poder de decisão. Com o peito aberto, tronco reto e queixo levemente levantado (postura expansiva), os pesquisados apresentaram aumento em 19% de testosterona, o hormônio da liderança, e 25% de redução do cortisol, responsável pelo estresse. O inverso ocorreu com aqueles que ficaram sentados, de braços cruzados.
Isso significa que se quiser mudar seu estado emocional, ou sentir-se mais poderoso, basta manter a coluna ereta e abrir o peito por dois minutos. Pequenos ajustes podem resultar em grandes transformações, Amy garante. Na vida profissional, dar um forte aperto de mão, manter o bom humor e o contato visual durante uma reunião ajudam a conquistar território.
O especialista em linguagem corporal Paulo Sérgio de Camargo afirma que, apesar de silenciosa, a linguagem corporal revela muito. Cerca 65% da nossa comunicação é não-verbal.

 Só os mais treinados conseguem disfarçar gestos e movimentos, não revelando o que realmente pensam.
Transformação
Se no início a postura adotada parece apenas um “fingimento”, uma máscara corporal, com a prática, os especialistas acreditam que é possível imprimir uma transformação interior.
Segundo o especialista em linguagem corporal Ronaldo Antonio Cavalli, ocupar mais espaço -- literalmente, usando a sua envergadura -- 
demonstra uma atitude de vencedor. O gesto se traduz na postura de vitória de um corredor, que ao cruzar a linha de chegada levanta os braços em V.
Assim como líderes natos, que ao serem fotografados, envergam a coluna e põe o peito para frente, a fim de transmitir segurança e notoriedade.
 No outro oposto, baixar a cabeça e curvar-se, remetendo-se à posição fetal, são posturas ligadas ao retraimento e à falta de coragem.
Gestos como tocar o rosto, especialmente o pescoço, cruzar os braços e deixar os ombros caídos também expressam fraqueza e o colocam em uma posição de submissão.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Páginas Novas

- Acorde! - disse uma vozinha fina.
Tommy acordou e sentou-se. Ao pé da cama viu um menino da sua idade, todo de branco, como neve fresca. Tinha os olhos muito brilhantes e olhava direto para Tommy.
- Quem é você? - perguntou Tommy.
- Eu sou o Ano Novo! - disse o menino. - Hoje é o meu dia, e trouxe para você páginas novas.
- Que páginas? - perguntou Tommy.
- Páginas bem novinhas, pode Ter certeza! - disse o Ano Novo. - Tenho ouvido más notícias de você pelo meu pai…
- Quem é o seu pai? - perguntou Tommy.
- O Ano Velho, é claro! - disse o menino. - Ele falou que você fazia perguntas demais, e estou vendo que ele tinha razão. Ele também me disse que você guarda rancor, que às vezes belisca sua irmã mais nova e que, um dia, você jogou seu livro da escola no fogo. Agora, tudo isso tem que acabar!
- Ah, é mesmo? - disse Tommy. Ele ficou tão espantado que nem sabia o que dizer.
O menino fez que sim com a cabeça.
- Se não parar - disse ele - , você só vai piorar a cada ano, até virar o Homem Horrível. Você quer ser o Homem Horrível?
- N-não! - disse Tommy.
- Então você tem que parar de ser um menino horrível! - disse o Ano Novo. - Pegue as suas páginas!
E estendeu um maço do que parecia serem folhas de caderno, todas completamente brancas, como suas roupas.
- Todo dia, vire uma dessas páginas - disse - e logo você será um menino bom em vez de horrível.
Tommy pegou as folhas de papel e ficou olhando. Em cada uma, estavam escritas algumas palavras:
"Ajude sua mãe e seu pai!"
"Cate seus brinquedos!"
"Pare de sujar o chão de lama!"
"Seja bom para sua irmãzinha!"
"Não brigue com o Billy Jenkins!"
- Ah, não! - gritou Tommy. - Eu tenho que brigar com Billy Jenkins! Ele falou que…
- Adeus! - disse o Ano Novo. - Vou voltar quando estiver velho, para ver se você foi um bom menino ou um menino horrível. Lembre-se:
Se bom ou horrível vai ser,
Só você pode resolver.
Ele virou-se e abriu a janela. Um vento frio soprou, varrendo as folhas das mãos de Tommy.
- Pare! Pare! - gritou ele. - Diga-me…
Mas o Ano Novo tinha ido embora, e Tommy viu sua mãe entrando no quarto.
- Meu filho! - disse ela. - O vento está desarrumando tudo!
- Minhas páginas! Minhas folhas! - gritou Tommy.
Pulando da cama, procurou pelo quarto todo, mas não achou nenhuma.
- Não tem importância - disse Tommy. - Consigo ir virando-as do mesmo jeito, e juro que vou. Não vou virar o Homem Horrível.
E não virou mesmo.
Do livro: O Livro das Virtudes II - O compasso moral
William J. Bennett - Ed. Nova Fronteira

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A Procura da Felicidade


Um infeliz homem que, amargurado por não encontrar a felicidade, fechou a pobre casa, e foi mundo afora, à procura deste estado intimo do espírito. Percorreu todos os caminhos, todas as nações, todos os povos, sem descansar, até encontrar o lugar que acharia para ser feliz. Onde chegava, reunia ele um pequeno grupo ao qual explicava os planos que tinha para ser feliz...
Afirmava que seus seguidores seriam felizes na posse de regiões gigantescas, onde haveria montes de ouro... Mas o povo lamentava e ninguém o seguia... No dia seguinte, recomeçava a caminhada.
Assim, foi percorrendo cidades e cidades, de país em país, anos a fio... Um dia percebeu que estava ficando velho, seus cabelos brancos, suas mãos enrijecidas e cansado de tanto procurar essa tal felicidade...
Foi quando parou em frente a uma casa antiga, janelas de vidro quebradas, o mato cobrindo o canteiro do jardim, poeira invadindo todos os cantos dela, e ninhos de passarinhos construídos pelos pardais. PENSOU E TOMOU UMA DECISÃO: Vou tratar de ser feliz aqui. Arrumaria o telhado, colocaria novas janelas e vidros novos, cuidaria do jardim, pintaria as paredes...e cantaria a canção da felicidade.
Foi quando parou e ficou imóvel, qual estátua de pedra: AQUELA CASA ERA A PRÓPRIA RESIDÊNCIA QUE ELE ABANDONARA HÁ TANTOS ANOS, À PROCURA DA FELICIDADE...

domingo, 14 de dezembro de 2014

O discípulo e o balaio

Um discípulo chegou para seu mestre e perguntou:
- Mestre, por que devemos ler e decorar tantas orações se não conseguimos memorizá-las completamente e com o tempo as esquecemos?
O mestre não respondeu imediatamente. Ele ficou olhando para o horizonte e depois ele ordenou ao discípulo:
- Pegue aquele balaio de junco, desça até o riacho, o encha de água e o traga até aqui.
O discípulo olhou para o balaio, que estava bem sujo, e achou muito estranha a ordem do mestre, mas mesmo assim, obedeceu. Pegou o balaio sujo, desceu os 100 degraus da escadaria até o riacho, encheu o cesto de água e começou a subir de volta.
Como o balaio era todo cheio de furos, a água foi escorrendo e quando o discípulo chegou até o mestre, já não restava mais água nenhuma.
O mestre, então, perguntou:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo olhou para o cesto vazio e disse:
- Aprendi que um balaio de junco não segura a água.
O mestre ordenou-lhe que repetisse o processo.
Quando o discípulo voltou com o balaio vazio novamente, o mestre perguntou:
- Então, meu filho, e agora, o que você aprendeu?
O discípulo novamente respondeu com sarcasmo:
- Balaio furado não segura água.
O mestre, então, continuou ordenando que o discípulo repetisse a tarefa.
Depois da décima vez, o discípulo estava todo molhado e exausto de tanto descer e subir as escadas. Porém, quando o mestre perguntou de novo:
- Então, meu filho, o que você aprendeu?
O discípulo, olhando para dentro do balaio, percebeu admirado:
- O balaio está limpo! Apesar de não segurar a água, ela acabou por lavá-lo!
O mestre, por fim, concluiu:
- Então, meu filho, não importa que você não consiga decorar todas as orações. O que importa, na verdade, é que elas purificam sua mente e sua alma.
Antiga história de um mosteiro chinês

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Como Sobreviver?

Certo dia, um homem estava cuidando do jardim que beirava um deserto no Arizona. Anoitecia, e ele ouviu a distância o som de motocicletas. Uma gangue do Hell's Angels se aproximou, atacou-o, amarrou-o a uma das motos e levou-o até o deserto. Lá, ele foi deixado, quase à morte, ao cair da noite. Ele sobreviveu à noite, e começou a recuperar consciência quando o sol apareceu acima do horizonte.
Ele sabia que sol no deserto significa morte certa. Sem comida, água ou abrigo, ele não tinha chance de sobrevivência. Foi então que notou ao seu lado um pequeno arbusto. Ele engatinhou para baixo arbusto e ficou agachado, usando a pequena sombra que havia para se proteger dos raios do sol escaldante. Desesperou-se - ninguém sabia onde ele estava.
Justo nesse momento, avistou um falcão que aterrissava no galho do arbusto. Para a surpresa do homem, o falcão falou, e perguntou:
- Posso ajudá-lo?
Chocado, o homem respondeu:
- Estou morrendo de sede, minha boca e língua estão inchadas. Preciso de água para sobreviver.
- Olhe para trás - disse o falcão. - Há uma cobra. Siga-a, pois ela sabe onde a água se esconde nas pedras. Lá você poderá beber água.
O homem voltou ao arbusto e, no dia seguinte, o falcão voltou.
- Como está?- perguntou o falcão.
- Consegui beber água, mas preciso de comida para sobreviver- a água só não basta.
- Fique quieto e espere até o antílope passar. Quando ele passar, siga-o - ele pode lhe mostrar onde estão os cactos, cuja polpa você pode comer.
Quando o homem seguiu o antílope, encontrou comida e conseguiu comer. Sentindo-se mal, ele voltou ao arbusto e, mais uma vez, o falcão chegou.
- Posso fazer alguma coisa por você?
- Sim - respondeu o homem. - Embora eu já tenha matado a sede e a fome, ainda preciso de sal para sobreviver. Como posso consegui-lo?
- Não tenha medo - disse o falcão. - A raposa também precisa de sal. Se seguir a raposa, você verá onde ela encontra pedras para lamber que lhe darão o sal necessário.
O homem fez o que o falcão disse e voltou, para descobrir que o arbusto embaixo do qual se escondia havia se queimado.
- O que farei agora? - perguntou. - Não tenho abrigo, morrerei queimado.
Foi então que o homem percebeu que estivera no deserto todo o dia seguindo animais. Havia aprendido a encontrar comida, água e sal. Sabia como sobreviver. Notou as ricas cores do céu à medida que o sol afundava no horizonte, os azuis, os roxos e o dourado do próprio sol. Ouviu canções estranhas dos pássaros na distância e sentiu uma enorme paz e alegria internas.
- Quer que eu lhe mostre o caminho de casa?- perguntou o falcão.
O homem pensou por um momento e disse:
- Acho que vou ficar mais um pouco.


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

O DNA dos Vencedores

Existe um lugar em que todos querem chegar. Neste local, os problemas são superados, as barreiras vencidas e a vontade converte-se em satisfação. Este lugar não possui um endereço fixo, não pode ser encontrado no mapa, não significa a mesma coisa para todos e exatamente neste momento existem pessoas em locais completamente diferentes, que estão desfrutando a sensação de ter chegado lá. Este lugar se chama SUCESSO e talvez você o esteja buscando avidamente, sem entender porque parece estar tão distante.
Se você já o experimentou pode ser que sua permanência seja longa ou momentânea, mas uma coisa é certa: apenas uma característica fará a diferença entre permanecer e se consolidar ou simplesmente conhecer e se despedir - O seu DNA!
Se na genética o DNA é um fator determinante para as características de um indivíduo, aa vida existe um conjunto de atitudes determinante para o sucesso que buscamos. Elas formam o DNA dos vencedores.
Os vencedores são diferentes!
É incrível como podemos reconhecê-los de longe: os olhos brilham, a fala motiva e seus ideais contagiam. É muito difícil ver um vencedor satisfeito com a zona de conforto. O sucesso é o destino do vencedor e este não obedece a um modelo único e não se traduz nos mesmos resultados. Pessoas diferentes, resultados diferentes e um fato em comum: elas possuem e usam em perfeito equilíbrio o seu DNA - Desejo - Necessidade de Mudança - Atitude.
O Desejo é o princípio de tudo, ele é o start para o caminho do sucesso. Desejar é visualizar no presente algo que se planeja para o futuro. Todos os grandes projetos começaram como um simples desejo que foi levado a sério o suficiente para se tornar uma realidade. Se você tem um desejo em seu coração está no caminho para suas conquistas. Mas este é o primeiro passo, diferente do que costumamos falar, seu desejo não é uma ordem! E você precisará avançar mais um pouco para transformar seu sonho em realidade.
A necessidade de mudança é o grande diferencial dos vencedores. Seu desejo normalmente os guia para querer fazer diferente. Enquanto os indivíduos comuns prezam o "status quo", estes buscam evoluir todos os dias. Ávidos pelo novo, eles não querem fazer mais do mesmo jeito, tornam-se grandes entusiastas da mudança e conseguem tirar do cotidiano a inspiração para fazer a diferença.
Os vencedores estão em todos os lugares, eles melhoram a vida das pessoas, ajudam no crescimento das empresas, atuam fortemente na área social. A sociedade tende a associar fama ao sucesso, mas é preciso muito cuidado, pois existe inúmeros famosos vazios, assim como muitas pessoas bem-sucedidas anônimas, existe diferença entre um e outro...
A capacidade de transformar em resultados aquilo que muitos enxergam apenas como ideia
A atitude é a característica que valida as anteriores, não adianta desejar fazer algo novo se você não está disposto a agir pelo que acredita! A ação é a mãe de todas as vitórias e por isto esta é a principal característica do DNA dos vencedores. Só obtém êxito aquele que além de planejar tem a capacidade de fazer sem esperar que outros o mandem.
Quer vencer em seus projetos?
Faça valer o seu DNA! Não se intimide com os risco ou fracassos, eles fizeram parte do caminho de todos os vitoriosos! E como disse o experiente General Sun Tzu "Você é seu próprio general. Então, tome agora a iniciativa, planeje e marche decidido para a vitória".

domingo, 23 de novembro de 2014

Um Conto de Kahlil Gibran

Eu estava andando nos jardins de um asilo de loucos, quando encontrei um jovem rapaz, lendo um livro de filosofia.
Pelo seu jeito, e pela saúde que mostrava, não combinava muito com os outros internos.
Sentei-me ao seu lado e perguntei:
- O que você está fazendo aqui?
O rapaz olhou surpreso. Mas, vendo que eu não era um dos médicos, respondeu:
- É muito simples. Meu pai, um brilhante advogado, queria que eu fosse como ele. Meu tio, que tinha um grande entreposto comercial, gostaria que eu seguisse seu exemplo. Minha mãe desejava que eu fosse a imagem do seu adorado pai. Minha irmã sempre me citava seu marido como exemplo de um homem bem-sucedido. Meu irmão procurava treinar-me para ser um excelente atleta como ele.
Parou um instante e continuou:
- E o mesmo acontecia com meus professores na escola, o mestre de piano, o tutor de inglês - todos estavam determinados em suas ações e convencidos de que eram o melhor exemplo a seguir. Ninguém me olhava como se deve olhar um homem, mas como se olha no espelho.
"Dessa maneira, resolvi me internar neste asilo. Pelo menos aqui eu posso ser eu mesmo."
Do livro: Histórias para pais, filhos e netos - Paulo Coelho - Editora Globo

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Afinal, o que é inteligência?


Quando eu estava no exército, fiz um teste de aptidão, solicitado a todos os soldados, e consegui 160 pontos. A média era 100. Ninguém na base tinha visto uma nota dessas e durante duas horas eu fui o assunto principal. (Não significou nada. No dia seguinte eu ainda era um soldado raso da KP - Kitchen Police.)
Durante toda minha vida consegui notas como essa, o que sempre me deu uma ideia de que eu era realmente muito inteligente. E eu imaginava que as outras pessoas também achavam isso.
Porém, na verdade, será que essas notas não significam apenas que eu sou muito bom para responder um tipo específico de perguntas acadêmicas, consideradas pertinentes pelas pessoas que formularam esses testes de inteligência, e que provavelmente têm uma habilidade intelectual parecida com a minha?
Por exemplo, eu conhecia um mecânico que jamais conseguiria passar em um teste desses. Acho que não chegaria a fazer 80 pontos. Portanto, sempre me considerei muito mais inteligente que ele.
Mas, quando acontecia alguma coisa com o meu carro e eu precisava de alguém para dar um jeito rápido, era ele que eu procurava. Observava como ele investigava a situação enquanto fazia seus pronunciamentos sábios e profundos, como se fossem oráculos divinos. No fim, ele sempre consertava meu carro.
Então imagine se esses testes de inteligência fossem preparados pelo meu mecânico. Ou por um carpinteiro, ou um fazendeiro, ou qualquer outro que não fosse um acadêmico.
Em qualquer desses testes eu comprovaria minha total ignorância e estupidez. Na verdade, seria mesmo considerado um ignorante, um estúpido.
Em um mundo onde eu não pudesse me valer do meu treinamento acadêmico ou do meu talento com as palavras e tivesse que fazer algum trabalho com as minhas mãos ou desembaraçar alguma coisa complicada eu me daria muito mal. A minha inteligência, portanto, não é algo absoluto mas sim algo imposto como tal, por uma pequena parcela da sociedade em que vivo.
Vamos considerar o meu mecânico, mais uma vez. Ele adorava contar piadas. Certa vez ele levantou sua cabeça por cima do capô do meu carro e me perguntou:
-- Doutor, um surdo-mudo entrou numa loja de construção para comprar uns pregos. Ele colocou dois dedos no balcão como se estivesse segurando um prego invisível e com a outra mão, imitou umas marteladas. O balconista trouxe então um martelo. Ele balançou a cabeça de um lado para o outro negativamente e apontou para os dedos no balcão. Dessa vez o balconista trouxe vários pregos, ele escolheu o tamanho que queria e foi embora. O cliente seguinte era um cego. Ele queria comprar uma tesoura. Como o senhor acha que ele fez?
Eu levantei minha mão e "cortei o ar" com dois dedos, como uma tesoura.
-- Mas você é muito burro mesmo! Ele simplesmente abriu a boca e usou a voz para pedir?
Enquanto meu mecânico gargalhava, ele ainda falou: "Tô fazendo essa pegadinha com todos os clientes hoje”.
-- E muitos caíram?? perguntei esperançoso.
-- Alguns. Mas com você eu tinha certeza absoluta que ia funcionar?
-- Ah é? Por quê??
-- Porque você tem muito estudo doutor, sabia que não seria muito esperto.
E algo dentro de mim dizia que ele tinha alguma razão nisso tudo.
Extraído da autobiografia pelo Dr. Isaac Asimov (1920-1992): It's Been a Good Life

domingo, 16 de novembro de 2014

A Lamparina

Algumas de minhas irmãs trabalham na Austrália.
Numa reserva, entre os aborígines, havia um homem bastante velho. Posso assegurar-lhes que vocês nunca viram uma situação de pobreza tão alarmante como a desse pobre ancião. Todos o ignoravam. Seu lar era desarrumado e sujo.
- Por favor, disse-lhe eu certa vez, deixe-me limpar sua casa, lavar suas roupas e fazer sua cama.
- Estou bem assim, respondeu ele, não se preocupe.
- Pois ficará ainda melhor, insisti, se permitir que eu faça isso.
Ele concordou finalmente. Pude, portanto, limpar sua casa e lavar as suas roupas.
Encontrei no meio da bagunça uma lamparina inteiramente coberta de poeira. Só Deus sabe o tempo transcorrido desde que o homem a acendera pela última vez.
- O senhor não acende a sua lamparina? - perguntei-lhe. Não costuma usá-la?
- Não, respondeu ele, não recebo a visita de ninguém. Não preciso de luz. Para quem deveria acendê-la?
- O senhor a acenderia todas as noites se as irmãs passassem a visitá-lo?
- Naturalmente! respondeu ele.
Desse dia em diante, as irmãs combinaram entre si, visitar o pobre ancião todas as noites.
Dois anos se passaram.
Eu tinha esquecido completamente esse homem, quando ele enviou esta mensagem:
"Contem à minha amiga, que a luz que ela acendeu em minha vida continua acesa".
Madre Tereza de Calcutá

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A árvore Confusa


Era uma vez um belo jardim com maçãs, laranjas, peras e lindas rosas. Tudo era alegria no jardim, com exceção de uma árvore que estava profundamente triste. A árvore tinha um problema: “Não sabia quem era, nem o que tinha de fazer”.
A macieira lhe disse que era muito fácil fazer saborosas maçãs. "Por que não tentar?"
“Não a escute, lhe disse a roseira. É melhor ter rosas. Não vê como elas são belas?”
E a árvore desesperada, tentava tudo o que lhe sugeriam, porém não lograva ser como as demais, se sentia cada vez mais frustrada.
Um dia chegou ao jardim uma coruja, o mais sábio dos pássaros, e ao ver o desespero da árvore, exclamou:
-Não se preocupe, seu problema não é grave, muitos seres sobre a Terra o têm. Vou lhe mostrar uma nova possibilidade:
- "Não dedique sua vida para ser como os outros querem que você seja... Busque ser você mesmo, conhecendo e ouvindo a sua voz interior, ela irá dizer-lhe qual é a sua vocação, a sua missão nesta vida." E dito isso, a coruja desapareceu.
- Minha voz interior...? Ser eu mesmo?... Conhecer-me?... Vocação?... Missão?...
Perguntava a si mesmo a árvore desesperada, quando de repente ela percebeu... E fechando os olhos e os ouvidos, pode abrir o seu coração, e ouvir uma voz interior dizendo:
"Você jamais dará maças porque você não é uma macieira, nem irá florescer a cada primavera, porque você não é uma roseira. Você é um carvalho, e seu destino é crescer grande e majestoso. Proporcione abrigo para pássaros, sombra para os viajantes, beleza para a paisagem... Essa é a sua vocação. É para isso que você nasceu. "Descubra como se manifestar e cumpra a sua missão."
A árvore se sentiu forte e segura de si mesmo e se preparou para ser tudo aquilo para o qual foi concebida. Assim, logo cresceu e passou a ser admirada e respeitada por todos.
Só então o jardim ficou completamente feliz.
Um conto da Índia.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Estranha

Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu uma estranha, recém-chegada à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com esta encantadora personagem e, em seguida, a convidou a viver com nossa família. A estranha aceitou e, desde então, tem estado conosco.
Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial. Meus pais eram instrutores complementares: minha mãe ensinou-me o que era bom e o que era mau e meu pai ensinou-me a obedecer. Mas a estranha era nossa narradora. Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias, mostrando imagens de suas narrativas.
Ela sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência. Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro! Levou minha família ao primeiro jogo de futebol. Fazia-me rir, e me fazia chorar.
A estranha nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava. Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, ia sozinha à cozinha para ter paz e tranquilidade, pois nós já estávamos com a estranha. (Agora me pergunto se, alguma vez, ela não teria rezado para que essa estranha fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas a estranha nunca se sentia obrigada a honrá-las. As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nossa visitante de longo prazo usava sem problemas sua linguagem inapropriada que, às vezes, queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar. Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas a estranha nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente. Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos. Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outros sugestivos, e geralmente vergonhosos.
Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pela estranha. Repetidas vezes a criticaram, mas ela nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar. Passaram-se mais de cinquenta anos desde que a estranha veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era no princípio. Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda a encontraria sentada em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia…
Seu nome?
Bom… nós a chamamos de TELEVISÃO.
Agora a estranha tem um marido que se chama Computador, um filho que se chama Vídeo Game, outro que se chama Celular e uma filha chamada Internet; todos penetraram em nossa casa, completaram a desagregação de nossa família, e o Celular anda até em nosso bolso, levando consigo a Internet.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Gotas de Óleo

Num quarto modesto, o doente grave pedia silêncio.
Mas a velha porta rangia nas dobradiças cada vez que alguém a abria ou fechava.
O momento solicitava quietude, mas não era oportuno para a reparação adequada.
Com a passagem do médico, a porta rangia, nas idas e vindas do enfermeiro, no trânsito dos familiares e amigos, eis a porta a chiar, estridente.
Aquela circunstância trazia, ao enfermo e a todos que lhe prestavam assistência e carinho, verdadeira guerra de nervos.
Contudo, depois de várias horas de incômodo, chegou um vizinho e colocou algumas gotas de óleo lubrificante na velha dobradiça e a porta silenciou, tranqüila e obediente.
A lição é singela, mas muito expressiva.
Em muitas ocasiões há tumulto dentro de nossos lares, no ambiente de trabalho, numa reunião qualquer.
São as dobradiças das relações fazendo barulho inconveniente.
São problemas complexos, conflitos, inquietações, abalos...
Entretanto, na maioria dos casos nós podemos apresentar a cooperação definitiva para a extinção das discórdias.
Basta que lembremos do recurso infalível de algumas gotas de compreensão e a situação muda.
Algumas gotas de perdão acabam de imediato com o chiado das discussões mais calorosas.
Gotas de paciência no momento oportuno podem evitar grandes dissabores.
Poucas gotas de carinho, penetram as barreiras mais sólidas e produzem efeitos duradouros e salutares.
Algumas gotas de solidariedade e fraternidade podem conter uma guerra de muitos anos.
É com algumas gotas de amor que as mães dedicadas abrem as portas mais emperradas dos corações confiados à sua guarda.
São as gotas de puro afeto que penetram e dulcificam as almas ressecadas de esposas e esposos, ajudando na manutenção da convivência duradoura.
Nas relações de amizade, por vezes, algumas gotas de afeição são suficientes para lubrificar as engrenagens e evitar os ruídos estridentes da discórdia e da intolerância.
Dessa forma, quando você perceber que as dobradiças das relações estão fazendo barulho inconveniente, não espere que o vizinho venha solucionar o problema.
Lembre-se que você poderá silenciar qualquer discórdia lançando mão do óleo lubrificante do amor, útil em qualquer circunstância, e sem contra-indicação.
Não é preciso grandes virtudes para lograr êxito nessa empreitada.
Basta agir com sabedoria e bom senso.
Às vezes, são necessárias apenas algumas gotas de silêncio para conter o ruído desagradável de uma discussão infeliz.
E se você é daqueles que pensa que os pequenos gestos nada significam,
lembre-se de que as grandes montanhas são constituídas de pequenos grãos.
Autor desconhecido