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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Estou Farto

Como cidadão brasileiro, ciente de minhas obrigações e de meus direitos. Ainda tenho a liberdade de dizer o que penso, de me indignar,  mesmo que isso contrarie a muitos.       

        Pois estou farto dessa mistificação com que encobrem descaradamente a realidade brasileira. Estou farto desses discursos demagógicos, dessas pesquisas que não condizem com a verdade que vivenciamos no dia a dia, farto de estatísticas que colocam falsamente a minha Pátria num patamar fictício como se, realmente, ela estivesse crescendo.

               Sinceramente, a cada vez que me deparo com a realidade, mais me convenço que não temos vontade, que não temos vergonha, que não temos objetivos claros, que somos um povo desprovido de capacidade de agir, com uma visão deturpada pelo egoísmo, voltado cada qual exclusivamente para os seus problemas, engajados numa luta para ter mais, usando de todos os vícios para justificar ações fraudulentas, culpando uns aos outros sem assumir sua culpa pelo que acontece ao seu redor.
       
        Ora, meus queridos compatriotas ( também estou farto do termo "companheiro" porque tenho a sensação de que esse vocábulo, independente de seu real significado, serve mais para designar cada qual que pertença a uma corja cujos ideais afrontam de maneira vil a sociedade como um todo), não acredito que essa passividade egoísta, que parece dominar a todos, esteja sendo aplaudido pelo que resta de bom senso que eu "ainda" acredito haver dentro de nós mesmo.
       
         Reclamamos, mas fazemos nada. Culpamos, mas não assumimos nossa culpa. Julgamos o outro mas não permitimos que nos julguem, exigimos respeito mas sequer respeitamos regras imprescindíveis para o bom convívio, reclamamos da corrupção mas não enxergamos que nós somos responsáveis pela sua existência, somos fracos e covardes quando, na gana de encobrirmos nossas falhas, alegamos que o mundo inteiro esta assim. Perdemos, meus compatriotas, a nossa vergonha, o nosso brio. Perdemos o elo com o cantado "varonil" daqueles que ainda vislumbravam a brasilidade.
       
        Estou farto de ligar os aparelhos de comunicação para saber o que está acontecendo no mundo. E o que vejo? Desgraças contadas nos seus detalhes mais sórdidos, crimes torpes sendo alardeados e verdadeiras aulas de como executá-los (outra Universidade do Crime), repórteres policiais comprando audiência com o escabroso, vangloriando-se do auto índice de audiência porque o "maravilhoso povo brasileiro" gosta dessa sordidez", e ainda sendo enaltecidos pelo seu compromisso em divulgar a "verdade". Não percebem que, a cada relato ou milhões de repetições do relato, mais o povo vai aceitando aquela barbárie como natural. Chora, esperneia, desmaia na primeira vez que assiste, mas, na décima, vai até achar natural. Acostuma-se, incorpora ao seu contexto de vida. Visão caótica que contribui para a aceitação tácita dos fatos como se nada pudesse ter sido feito para evitar essa catástrofe. É claríssimo que poderia ter sido evitada, com um mínimo de inteligência e lógica, se houvesse apenas uma centelha de amor à Pátria. E por falar nisso, até hoje não "entendi" porque as matérias de moral e civismo, estudo de problemas brasileiros e similares foram retirados do currículo escolar. Não entendi como é que uma sociedade aceitou sem reservas, esse fato. Será mesmo que consideraram fundamentos de somenos relevância?
       
        Também não "entendi" porque as nossas forças de defesa da Pátria foram tão relegadas a segundo plano. Por que nossos jovens não tem mais um espaço, aos dezoito anos para "servir à Pátria" numa demonstração de amor, de civilidade? Lembro-me, com saudade, do tempo em que os “meninos” iam para o “Tiro de Guerra” e, após um ano, “estavam” homens.  Perdão, acho que isso não seria tão importante nos dias de hoje. Demonstrar ou treinar qual civilidade? Nossos jovens nem mais sabem o que é isso! Ainda sem falar que, quando não assistimos as notícias da violência, estamos sujeitos a programas explorando o sexo sem necessidade alguma ( mas se não houver sexo não dá IBOPE ), filmes idem, ou então, desenhos deseducativos. Ah! Bendita TV! Quanto poderia fazer em benefício do povo! Mas alegam que produzem apenas o que o povo gosta de ver. Então, devo ser burro mesmo! Sempre pensei que esse gosto fosse imposto, que o povo tivesse sido levado a engolir. Mas é justamente o contrário?
       
        Vejamos a Amazônia, a maior maravilha da natureza, a fonte da continuidade da vida. Estamos aí, gritando que ela é nossa. Já faz muito tempo que não é. O que temos de fazer agora é lutar para recuperá-la. Fico aqui, pensando com meus botões, tentando "perceber" ( desculpem-me, sou "lento demais" para entender as coisas) o "porquê de chegarmos a estes extremos. Já ouviram falar nas "forças ocultas"? Houve um tempo em que pensei que elas fossem mais uma expressão fantasmagórica, usada para justificar falhas que não souberam evitar ou consertar. Hoje, "desconfio" que não são fantasmas e até tem nome próprio. Pior! Estão aí, sem mais a preocupação do oculto. Afinal, o brasileiro é um povo tão tolerante!... Aceita tudo, é tão "pacífico"! Hoje até usa como chavão o "rouba mas faz", "estupra mais não mata", "relaxa e goza". Lá fora até fomos exaltados como um povo que aceita a corrupção. Mas o que importa isso, não é? Estamos crescendo tanto! Que mal poderia haver nessa "aceitação"? Os nossos pobres estão comendo mais, tem escolas para os filhos, bolsas para tudo. Gente! Vejam que maravilha! O Brasil está sendo cotado lá fora como o país que mais trabalha para diminuir as diferenças sociais. E aí, novamente me pergunto:como é que se opera este milagre? Vou além...O pobre, com uns míseros reais a mais no bolso, vai sobreviver a uma doença? Se precisar de uma cirurgia para sobreviver, é operado de pronto? Se precisar do remédio indispensável, encontra-o sempre? Não vai mais morrer com uma bala perdida ou arrastado por veículos conduzidos pelos "do mal" ou pelos "de menor" inimputáveis? Vai poder circular pelas ruas sem a preocupação de ser assaltado? O bolsa-escola, afinal, é usado para que os pobres tenham acesso ao conhecimento, à formação esmerada, à cultura, ou é apenas mais uma camuflagem para diminuir essa vergonha que é o índice de analfabetismo? O que adianta essa bolsa, se o que é oferecido por ela é um ensino medíocre? E não venham dizer que isso é invenção.
Faça um teste com seus filhos, sobrinhos, vizinhos... Melhor ainda, com os menos favorecidos...       
        Se eles tiverem a sorte de não serem corrompidos pelos grupos a que pertencem, se forem levados a ter "Interesse" para conhecer sempre o máximo, se tiverem exemplos de que o saber é primordial para o crescimento pessoal, que um diploma não vale apenas pelo papel timbrado e o canudo, mas pelo aprendizado que ele proporciona, quem sabe suas cabeças comecem a funcionar para o que é lógico, comecem, por si mesmo, a exigir o que lhes é de direito: aprendizado de qualidade. Já que nós não percebemos essa verdade, pelo menos devemos aos nossos jovens a oportunidade de poder perceber.
       
        Agora nós temos a realidade e não podemos fugir dela. Do jeito como andam as coisas, nossos profissionais serão cada vez piores. Depois, como reclamar do médico que errou no diagnóstico, do advogado que nos permitiu ser injustiçados, do técnico que não consegue encontrar solução para o problema que se lhe apresenta, do caixa que erra na sua conta, do serviço que necessita e que não encontra, do político que discursa sem conhecer o mínimo de sua língua, de um governo que engana, de uma igreja que só pensa em lucros (vendem até o seu lugar no céu)?...
       
        Enfim, como exigir que um povo enxergue a verdade, que dirija seu destino, que lute pelos seus ideais, pelos seus direitos, que possa analisar com sabedoria os fatos sem se deixar levar pelas falsas verdades que lhe são impostas?
       
        Aqui, deixo para você pensar: qual o agente causador de tamanha parafernália?
       
        Para mim, se não começarmos a atacar o mal pela raiz, de nada servirão essas ações todas. Nada se consegue se ficarmos apenas na preocupação com as consequências, sem nada mudarmos na sua causa. E a causa é única: falta-nos EDUCAÇÃO, falta-nos MORAL, falta-nos ÈTICA.
       
      
Um boa semana.





domingo, 26 de agosto de 2012

Nada animador, mas real...



Prezado amigo(?), ou Prezado colega(?), ou ainda, Menosprezado inimigo, seja lá o que essa pessoa foi ou ainda é pra você, é aconselhável observar as seguintes regras que existem, nunca-as esqueça, caso esquecer, fatalmente você está inserido em qualquer uma delas, obviamente, como amigo, colega ou inimigo.

Regra número 1:

Colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de
uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa
de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais
cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém
estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: se você estendeu a mão
para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2007.

Regra número 2:

A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a
importância de uma desfeita aumenta. favor é como um investimento de curto
prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será
cobrado, e com juros.

Regra número 3:

Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que,
durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor
amigo. mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela
pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa.
Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma
coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender. Durante sua
carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos
e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo. mas
Não é. 



A "Lei da Perversidade Profissional" diz que, no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais poderá ajuda-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos. Portanto, profissionalmente falando e pensando, a longo prazo, o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazer inimigos.

Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que tem boa memória.

Max Geringer (Colunista da CBN e do Fantástico da Rede Globo de Televisão)

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O Lado Bom das Coisas Ruins

por Maurício Horta, Revista Super interessante Março 2012


A mulher mais rica do Reino Unido ganhou sua fortuna escrevendo um livro juvenil durante uma crise dedepressão, enquanto sustentava sua filha com ajuda do governo. Tinha acabado de perder o emprego e de se divorciar. O maior filósofo do século 20 não passou no vestibulinho do colegial e sofreu bullying na escola por escrever errado, ter péssima memória e não fazer amizades - não se interessava em conviver com pessoas. Humanos também não eram os seres prediletos do mais conhecido intérprete de J. S. Bach, que não tocava para plateias nem deixava que pessoas encostassem nele. E o inventor da lâmpada era tão avoado que foi expulso da escola aos 8 anos e precisou estudar em casa.

J. K. Rowling, Ludwig Wittgenstein, Glenn Gould e Thomas Edison. Essas pessoas atingiram o sucesso não apesar de suas falhas, mas por causa delas. Certos padrões de personalidade e de ânimo considerados até mesmo transtornos mentais foram selecionados ao longo da evolução. Talvez essas adaptações não sejam tão vantajosas hoje quanto na época em que vivíamos fugindo de predadores, lutando com rivais e caçando presas. Mas tais peculiaridades preenchem os buracos criados pela normalidade da maioria das pessoas.

Desatentos conseguem captar ao mesmo tempo vários estímulos do ambiente e, com isso, fazer associações inesperadas, criativas. Outras pessoas não conseguem se interessar pelo que há à sua volta, mas exatamente por isso concentram-se dias a fio num só raciocínio e chegam a conclusões geniais. Aansiedade nos protege de pagar para ver uma ameaça, e a tristeza e o pessimismo nos fazem desistir de ilusões.

Portanto, se você tem amigos esquisitos, sinta-se sortudo. Você se acha meio diferente? Saiba nas próximas páginas por que isso pode ser bom.

DEPRESSÃO
Do ponto de vista clínico, não há nada de bom na depressão. Ela aprisiona no sofrimento pessoas que, paralisadas, não conseguem tomar atitudes que melhorariam sua vida. Isolam-se socialmente e tendem a remoer um problema. Às vezes, até a morte. Mas não. Até ela tem seu lado positivo. Para começar a entender qual é esse lado, temos que responder a uma pergunta: por quê, afinal, a depressão existe? Uma hipótese é a de que, conforme a civilização se desenvolveu, o homem alterou seu ambiente numa velocidade maior do que sua capacidade de adaptar-se a ele. Evoluímos para viver em grupos de 50 a 70 membros seguindo o ciclo do Sol, com a preocupação de obter alimento e procriar. Agora as coisas mudaram um pouco: temos de nos preocupar com contas, imagem, carreira... E muitos planos acabam frustrados - talvez mais do que a cabeça foi feita para aguentar. Pior: temos hábitos sedentários e, graças à luz artificial, fazemos nosso corpo funcionar no tempo do relógio, e não no do Sol. Tudo isso explicaria por que a prevalência da depressão tem aumentado. "É o mesmo que ocorre com nosso sistema cardiovascular, que não evoluiu para dar conta de alimentos gordurosos e pouco exercício", afirma Paul Gilbert, da Universidade de Derby, no Reino Unido.

Mas não é só isso. Outra corrente defende que a depressão existe porque foi talhada pela seleção natural, ou seja: porque oferece vantagens a seus portadores. Segundo o médico Randolph Nesse, da Universidade de Michigan, ela teria a mesma função da dor: garantir nossa sobrevivência diante de um risco. Quando um tecido está prestes a ser lesionado durante alguma atividade física, nossos neurônios transmitem um estímulo que nos impede de seguir além de nossos limites. A depressão funciona da mesma forma - mas, em vez de impedir fisicamente que você assuma um risco, ela atua no ânimo. A euforia e a depressão serviriam para regular nossas ações na busca por um objetivo. Um dos primeiros cientistas a pensar isso como uma adaptação foi o psicólogo americano Eric Klinger. Num artigo de 1975, ele analisou como o humor melhora conforme o progresso na busca de um objetivo. Isso motiva a pessoa a continuar a se esforçar e assumir riscos cada vez maiores. Quando esses esforços começam a falhar, uma piora no ânimo a faz voltar atrás, preservar suas reservas e reconsiderar opções. Essa piora, essa depressão leve, abre espaço para a introspecção e o autoexame necessários para tomar decisões difíceis, como desistir de objetivos inalcançáveis e buscar novas metas. Foi justamente o que observaram pesquisadores da Univerdidade da Colúmbia Britânica, no Canadá. Por 19 meses, eles acompanharam 97 adolescentes, analisando sua capacidade de deixar de lado objetivos muito difíceis (ou inalcançáveis), como virar um músico famoso, e abraçar outras metas, como dar duro para entrar numa boa faculdade. Enquanto isso, os pesquisadores também observaram sintomas de depressão nos voluntários. Conclusão: as pessoas com sintomas de depressão leve conseguiam abrir mão com mais facilidade de objetivos irrealistas. Elas davam menos murro em ponta de faca. E tendiam a sair da adolescência menos machucados, mais felizes, do que os esmurradores de lâminas. 

ANSIEDADE
Você está perdido no meio do nada. E ouve um ruído longínquo de animal. O bicho pode ser um tatu ou uma onça. Se você ficar apavorado e sair correndo até um lugar seguro antes que uma possível onça se aproxime, vai ter gasto 200 calorias em 10 minutos. Se não correr e depois for surpreendido por um leão, perderá seu corpinho inteiro - isto é, 200 mil calorias. Por esse raciocínio frio e puramente matemático, valeria a pena ter um ataque de pânico se a probabilidade de o ruído ser de um leão for maior que 1 em 1 000, conclui Randolph Nesse em sua empreitada em busca das causas evolutivas de transtornos mentais. Isso justifica por que é bom sentir medo mesmo quando a ameaça é pequena. Eansiedade é isto: medo de algo que não é necessariamente real. Mais: tal como o amor, ela é uma emoção. E uma emoção é um padrão de resposta diante de situações que podem trazer riscos ou oportunidades. A paixão ajuda a cortejar um parceiro, a raiva nos afasta de alguém quando desconfiamos que fomos traídos, e a ansiedade nos faz fugir ou lutar quando sentimos ameaçados. E isso acontece sem que pensemos. Quando bate a ansiedade, o fígado começa a liberar glicose, a frequência cardíaca aumenta, menos sangue circula pela pele e mais vai para os músculos. Assim, o corpo fica preparado para reagir - a animais, à altura, a trovões, à escuridão ou ao escrutínio público. E também a coisas mais sutis, como um trabalho insuportável ou um relacionamento falido. Ou seja: aansiedade também pode funcionar como um alarme para que você mude de vida quando necessário. Um alarme que não temos como fingir não escutar.

PESSIMISMO
Para começar, precisamos de pessimistas por perto. Como diz o psicólogo americano Martin Seligman: "Os visionários, os planejadores, os desenvolvedores, todos eles precisam sonhar com coisas que ainda não existem, explorar fronteiras. Mas, se todas as pessoas forem otimistas, será um desastre", afirma. Qualquer empresa precisa de figuras que joguem a dura realidade sobre os otimistas: tesoureiros, vice-presidentes financeiros, engenheiros de segurança...

Esse realismo é coisa pequena se comparado com o pessimismo do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860). Para ele, o otimismo é a causa de todo sofrimento existencial. Somos movidos pela vontade - um sentimento que nos leva a agir, assumir riscos e conquistar objetivos. Mas essa vontade é apenas uma parte de um ciclo inescapável de desilusões: dela vamos ao sucesso, então à frustração - e a uma nova vontade.

Mas qual é o remédio, então? Se livrar das vontades e passar o resto da vida na cama sem produzir mais nada? Claro que não. A filosofia do alemão não foi produzida para ser levada ao pé da letra. Mas essa visão seca joga luz no outro lado da moeda do pessimismo: o excesso de otimismo - propagandeado nas últimas décadas por toneladas de livros de autoajuda. O segredo por trás do otimismo exacerbado, do pensamento positivo desvairado, não tem nada de glorioso: ele é uma fonte de ansiedade. É o que concluíram os psicólogos John Lee e Joane Wood, da Universidade de Waterloo, no Canadá. Um estudo deles mostrou que pacientes com autoestima baixa tendem a piorar mais ainda quando são obrigados a pensar positivamente.

Na prática: é como se, ao repetir para si mesmo que você vai conseguir uma promoção no trabalho, por exemplo, isso só servisse para lembrar o quanto você está distante disso. A conclusão dos pesquisadores é que o melhor caminho é entender as razões do seu pessimismo e aí sim tomar providências. E que o pior é enterrar os pensamentos negativos sob uma camada de otimismo artificial. O filósofo britânico Roger Scruton vai além disso. Para ele, há algo pior do que o otimismo puro e simples: o "otimismo inescrupuloso". Aquelas utopias que levam populações inteiras a aceitar falácias e resistir à razão. O maior exemplo disso foi a ascensão do nazismo - um regime terrível, mas essencialmente otimista, tanto que deu origem à Segunda Guerra com a certeza inabalável da vitória. E qual a resposta de Scruton para esse otimismo inescrupuloso? O pessimismo, que, segundo ele, cria leis preparadas para os piores cenários. O melhor jeito de evitar o pior, enfim, é antever o pior.

TIMIDEZ
Escolas valorizam trabalho em grupo. Processos seletivos jogam candidatos em dinâmicas para identificar líderes natos. Empresas colocam seus funcionários em amplos escritórios sem divisórias e colhem ideias em brainstorms com uma dezena de pessoas - vale tudo, menos ter vergonha de falar besteira. Vivemos no mundo dos extrovertidos. Mas há pesquisadores que veem essa valorização do trabalho coletivo e da extroversão como um tiro no pé. "O mundo está desperdiçando o talento das pessoas tímidas", defende Susan Cain em seu livro Quiet (Quieto, sem versão brasileira), que compila estudos sobre o assunto.

Mas como a timidez pode ser positiva, afinal? Para responder a isso, precisamos esclarecer uma coisa - ser introvertido não significa ser fechado ao exterior. Muito pelo contrário. É ser sensível demais a ele. É o que tem demonstrado desde a década de 1960 o psicólogo Jerome Kagan. Em seu estudo mais importante, ele juntou 500 bebês de 4 meses em seu laboratório em Harvard para observar como reagiam quando estimulados com sons, imagens coloridas em movimento e cheiros. Então separou o grupo dos que reagiam muito - 20% deles - e o dos que reagiam pouco - 40%. Suas pesquisas anteriores lhe permitiram predizer o contrário do que a intuição sugere: os muito reativos se tornariam os futuros introvertidos. Aos 2, 4, 7 e 11 anos de idade, essas crianças voltaram ao laboratório de Kagan. As que haviam sido classificadas como muito reativas desenvolveram personalidades sérias, cuidadosas, enquanto as pouco reativas se tornaram mais relaxadas e autoconfiantes - a futura turma do fundão. Isso porque a amídala (estrutura do sistema límbico, responsável por reações instintivas, como apetite, libido e medo) é mais facilmente estimulada em crianças muito reativas. Ou seja, são mais alertas, mais sensíveis a estímulos novos. Suas pupilas se dilatam mais, suas cordas vocais ficam mais tensas, sua saliva tem mais cortisol - um hormônio do estresse - e seu batimento cardíaco se acelera mais. Um pouco de novidade já implica em vontade de se proteger. O lado negativo é que são mais vulneráveis àdepressão e à ansiedade. Mas, ao mesmo tempo, podem ser mais empáticas, cuidadosas e cooperativas, desde que se sintam em sua zona de conforto. "Crianças muito reativas podem ter maior probabilidade para se tornar artistas, escritores, cientistas e pensadores, pois sua aversão a estímulos novos as faz passar mais tempo no ambiente familiar - e intelectualmente fértil - de sua própria cabeça", diz Cain. Um introvertido concentra a mente numa só atividade, em vez de dissipar energia em assuntos não relacionados ao trabalho - estudos do programador americano Tom DeMarco com 600 colegas mostram que o que define a produtividade no setor de TI não é o salário nem a experiência, mas o quão isolado é o ambiente de trabalho. A solidão também permite focar-se nas próprias falhas e treinar até chegar à perfeição. É esse tipo de prática que cria grandes atletas e virtuoses musicais.

AUTISMO
Ludwig Wittgeinstein, gênio da filosofia, começou a falar só aos 4 anos. Estudou com tutores particulares em sua casa, em Viena, até os 14 anos. Sem conseguir passar no vestibulinho do colegial, foi parar em 1903 na escola técnica de Linz (a mesma de Adolf Hitler, de quem não foi colega, pois o futuro ditador estava dois anos atrasado nos estudos). Mas ele simplesmente não se interessava pelos colegas. A solidão e a dislexia fizeram dele um perfeito alvo de bullying. "Nunca consegui expressar metade do que queria. Na verdade, não mais que um décimo", contou em suas memórias. 

Assim foi o jovem Wittgenstein. Mas sua excentricidade e o fato de ter revolucionado a filosofia no século 20 não são uma contradição, segundo o professor Michael Fitzgerald, do Trinity College, em Dublin. O psiquiatra vê em sua biografia sintomas que caracterizam a síndrome de Asperger - um tipo deautismo que, aliado a um intelecto avantajado, pode ser a base da genialidade.

Todo autista se foca obsessivamente em interesses muito específicos, tem comportamentos repetitivos e não se interessa em interagir com outras pessoas. Mas, enquanto a imagem mais comum é a da criança ensimesmada balançando para a frente e para trás, o espectro do autismo vai desde o atraso mental até o desenvolvimento linguístico e cognitivo completo - caso da síndrome de Asperger. Quem tem essa síndrome não se interessa em dividir experiências e emoções, tem padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento e de interesses e não abre mão de sua rotina. Isso torna o convívio difícil - mas pode ter um efeito colateral inesperado. 

"Muitas características da síndrome de Asperger aumentam a criatividade", escreve Fitzgerald em Autism and Creativity (Autismo e Criatividade). "Pessoas assim têm uma capacidade extraordinária para focar-se em um tópico por um longo período - dias, sem interrupção nem mesmo para as refeições. Não desistem diante de obstáculos." E não é apenas a concentração. A forma como entendem o mundo é diferente. Quando veem uma coisa, apreendem o detalhe para então sistematizar como funciona o geral - enquanto a maioria das pessoas apreende o geral para depois se afunilar em detalhes. Isso é um enorme ponto positivo para engenheiros, físicos, matemáticos, músicos.

Não que não haja um lado negativo. Portadores da síndrome de Asperger também têm dificuldade em aceitar e adotar regras sociais. Por isso, muitas vezes parecem ter personalidade infantil. Quando entrou para a faculdade de engenharia, Wittgenstein se fascinou pela obra Os Princípios da Matemática, de Bertrand Russell. Em 1911, mudou-se para a Universidade de Cambridge para estudar com Russell. Nos primeiros dias, chegava à sala do mestre à noite e seguia até a manhãzinha desdobrando suas ideias como que em um monólogo. Em 1926, quando terminou a defesa oral de sua tese de doutorado, deu um tapinha nos ombros dos examinadores. "Não se preocupem. Eu sei que vocês nunca conseguirão entender", disse. Wittgenstein começou então a dar aulas. Em seus seminários, era como se não houvesse uma audiência. Lutava com seus pensamentos e volta e meia caía em silêncios que nenhum estudante ousava interromper. Qualquer comentário que considerasse estúpido era retrucado brutalmente.

Para escrever Investigações Filosóficas, sua maior obra, ficou isolado numa cabana na Irlanda. Certa vez, o caseiro, que o havia visto conversando, perguntou-lhe se tivera uma boa companhia. A resposta foi: "Sim, falei muito com um ótimo amigo - eu mesmo". Numa carta a Bertrand Russell, escreveu: "Estar sozinho me faz um bem infinito, e não acho que agora poderia suportar a vida entre pessoas". O único grande prazer social do filósofo era discutir seus interesses - lógica, linguística e música. O mundo real pouco lhe importava.
O gene da engenharia
Todo engenheiro é um pouco autista. Essa é a conclusão, polêmica, do psiquiatra Simon Baron-Cohen, de Cambridge. Simon buscava identificar se estudantes com sintomas da síndrome de Asperger tinham predisposição a escolher alguma área específica de conhecimento. Fez um levantamento com graduandos de Cambridge e viu que alunos de exatas eram os mais propensos a ter os sintomas. O estudo fez barulho suficiente para que os pais de alunos de Eindhoven, na Holanda, entrassem em contato com ele depois de identificarem uma epidemia de autismo na cidade, conhecida pela concentração de empresas tecnológicas. Baron-Cohen comparou Eindhoven com Haarlem e Utrecht - que têm número semelhante de habitantes - e levantou a porcentagem de pessoas empregadas em tecnologia: 30, 16 e 17%, respectivamente. Depois, pesquisou a prevalência de autismo diagnosticado nas cidades: 229 por 10 mil crianças em Eindhoven, contra 84 e 57 nas outras. Para Baron-Cohen, isso é indício de que regiões onde pais têm empregos relacionados à "sistematização", como o da tecnologia da informação, terão uma taxa de autismo maior em suas crianças. É um resultado polêmico: indica que as pessoas naturalmente mais aptas para as ciências exatas carregam mais genes ligados ao autismo do que a média da população. E mais: é uma evidência de que essa aptidão seja, por si só, uma forma leve de autismo.

Einstein, o autista
O psiquiatra Michael Fitzgerald identificou traços da síndrome de Asperguer, uma forma moderada de autismo, em 42 personalidades históricas. Conheça algumas delas.

ALBERT EINSTEIN
"Meu senso de justiça e de responsabilidade social sempre se contrastou com minha falta de necessidade de contato direto com outras pessoas ou comunidades. Sou de fato um viajante solitário e nunca pertenci a meu país, à minha casa, aos meus amigos ou mesmo à minha família", escreveu o físico nos ensaios Como Vejo o Mundo.

GLENN GOULD
Um dos maiores pianistas do século 20 não deixava ninguém tocá-lo e, quando mais velho, só se comunicava com o resto do mundo por telefone ou por cartas. Aos 32 anos parou de tocar em público e se fechou no estúdio. Afinal, para ele tocar música era um ato tão íntimo que não dava para conciliá-lo com a audiência.

LEWIS CARROLL
O escritor americano Mark Twain chegou a dizer que Carroll, matemático autor de Alice no País das Maravilhas, era interessante "somente para olhar." Era o homem "mais estiloso e mais tímido" que já tinha visto. Não dava autógrafos nem deixava ser retratado - mesmo sendo ele mesmo um fotógrafo amador. "Minha aparência e minha escrita pertencem somente a mim", escreveu em uma carta.

FRACASSO
Quando destruímos um relacionamento, somos demitidos ou vivemos qualquer outra grande frustração nessa linha, não tem muito jeito: sentimos não só que um plano deu errado, mas que falhamos como pessoa.

Nossa mente, porém, evoluiu com uma defesa contra isso: ela ignora o que não quer saber. Uma área do cérebro chamada córtex cingulado anterior é ativada quando percebemos que alguma coisa deu errado. É como se fosse o mecanismo do "putz!". Com ele, excitamos mais uma região - o córtex pré-frontral dorso-lateral. Ele é o "censor" da mente, responsável por apagar determinado pensamento.

Esse mecanismo duplo - primeiro o "putz" e depois o "esquece" - permite editar nossa consciência conforme nossa vontade. Assim, conseguimos deixar para trás nossos fracassos.

Isso também acontece com cientistas. No início da década de 1990, Kevin Dunbar começou a observar os laboratórios de bioquímica da Universidade de Stanford. Descobriu que a metade dos dados obtidos nas pesquisas não batia com o que suas respectivas teorias previam. Os resultados às vezes simplesmente não faziam sentido. A reação então era típica: primeiro, os pesquisadores procuravam um bode espiatório - alguma enzima ou máquina devia não ter funcionado direito. Então repetia-se o experimento. Quando o resultado inesperado acontecia de novo, o experimento inteiro era considerado um fracasso e acabava arquivado. O que os pesquisadores não percebiam é que o mecanismo "putz, esquece" de sua mente os cegava. Dunbar então observou grupos de estudo com pesquisadores de diferentes áreas - biólogos, químicos e médicos. O fato de ter pessoas com um olhar de fora fez com que os bioquímicos, em vez de jogar fora o experimento, abrissem os olhos e repensassem suas teorias. Assim puderam reavaliar suas convicções e muitas vezes encontrar o caminho que funcionava. Moral da história: entender o porquê de um fracasso pode ser o melhor atalho para o sucesso.

É mais ou menos o que aconteceu com a britânica Joanne Rowling. Quando era adolescente, tudo o que seus pais esperavam dela era que não fosse pobre como eles. E tudo o que ela queria era ser escritora. Para arranjar um meio-termo entre seu desejo e o dos pais, fez faculdade de letras. Terminados os estudos, sua vida virou uma sucessão de fracassos. Tentou agradar os pais trabalhando num escritório, mas não suportava a chatice do dia a dia. Quando a mãe morreu, mudou-se para Portugal para dar aula de inglês. Em 3 anos, casou-se, teve uma filha e se divorciou. Desempregada e descasada, mudou-se para a Escócia, onde, deprimida, foi viver da ajuda financeira do Estado. Quando Joanne estava no ponto mais fundo de seu fracasso, começou a escrever um livro. Levou um "não" de 8 editoras - até conseguir uma que publicasse seu Harry Potter e a Pedra Filosofal. Adotou o nome artístico de J. K. Rowling e, em 3 anos, se tornaria a mulher mais rica do Reino Unido. E, para ela, o ingrediente de seu sucesso foi o fracasso. "O fracasso significa eliminar tudo o que não for essencial. Parei de fazer de conta para mim mesma que era uma pessoa diferente e comecei a direcionar toda minha energia em terminar o único trabalho que importava para mim", disse a uma plateia de graduandos de Harvard durante uma conferência do TED (instituição que organiza conferências sobre novas ideias). E arrematou: "Me senti liberta, porque meu maior medo já tinha acontecido. E ainda assim eu continuava viva".

DÉFICIT DE ATENÇÃO
De 3 a 5% das crianças em idade escolar são daquelas distraídas e agitadas, que perdem tudo, não conseguem fazer a lição, não esperam sua vez e agem sem pensar. Têm o transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Quando crescem, os sintomas diminuem, mas os problemas, não. Podem até piorar - afinal, as responsabilidades são outras. O que se esquece não é mais a lição de casa, mas prazos e reuniões. Trabalhos são abandonados pela metade, ordens são ignoradas. A impulsividade pode custar o emprego ou o relacionamento. Por que isso é tão comum? A resposta é semelhante à daansiedade e da depressão - essa característica já foi uma vantagem adaptativa, até que a cultura e o ambiente mudaram. Em sociedades nômades, quem tem foco de atenção disperso é capaz de cuidar melhor de seu gado, explorar áreas desconhecidas e ficar alerta para ameaças. Dan Eisenberg, da Northwestern University, EUA, observou em tribos africanas nômades e sedentárias. Entre os nômades, os que tinham o alelo 7R (ligado ao TDAH) eram mais bem nutridos do que os sem. Já nas sedentárias, acontecia o contrário. Em outras palavras, conforme o homem se estabeleceu num só lugar e começou a viver de atividades que exigem mais foco, a atenção dispersa virou desvantagem. Mas não tanto. Os mesmos genes que hoje estão associados ao risco são responsáveis por revoluções nas artes, ciência e exploração, acredita o psiquiatra Michael Fitzgerald, do Trinity College. Michael, que já tinha procurado traços de autismo na biografia de personalidades, não demorou para fazer o mesmo com o TDAH. Segundo ele, sintomas de déficit de atenção estão presentes em Thomas Edison, Oscar Wilde, Kurt Cobain (que foi diagnosticado quando criança) e até em Che Guevara. Quem tem a cabeça na Lua pode encontrar lá em cima coisas que pessoas com o pé no chão não veem.
Superávit de criatividade
Quem tem TDAH é ótimo em brainstorms, pois não se sente inibido para dar ideias aparentemente estranhas. As psicólogas americanas Holly White e Priti Shah testaram um grupo de 90 universitários divididos entre os com e os sem TDAH. Elas pediram para que cada grupo propusesse usos para um tijolo e para um balde em 2 minutos. Resultado: os desatentos se deram melhor no número de usos, na diversidade dele e, principalmente, na originalidade. Entre as soluções do grupo com TDAH estavam usar o tijolo para escrever em superfícies como concreto ou o balde como guitarra - se você adicionar cordas e um pau ali. Só faltava verificar isso no mundo real. As pesquisadoras, então, fizeram isso num segundo estudo, de 2011. Deram a 60 universitários um questionário sobre quais seus êxitos em 10 áreas criativas: artes cênicas, humor, música... Os desatentos tiveram níveis mais altos em todas as categorias.

Para saber mais

QUIET
Susan Cain, Ed. Crown, 2012.

THE OPTIMISM BIAS
Tali Sharot, Ed. Random House, 2011 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Serviço Abnegado


Élder Dallin H. Oaks 

Do Quórum dos Doze Apóstolos
Nosso Salvador nos ensina a segui-Lo, fazendo os sacrifícios necessários para entregar-nos inteiramente ao serviço abnegado ao próximo.
Élder Dallin H. OaksNosso Salvador entregou-Se ao serviço abnegado. Ensinou que todos devemos segui-Lo, deixando para trás os nossos interesses egoístas a fim de servir ao próximo.
“Se alguém quiser vir após mim [disse Ele], renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me;
Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á” (Mateus 16:24–25; ver também Mateus 10:39).

I.

Conjuntamente, os santos dos últimos dias são incomparáveis no cumprimento desse ensinamento — são incomparáveis em prestar serviço abnegado.
Todos os anos, dezenas de milhares de santos dos últimos dias enviam seus papéis para o serviço missionário de tempo integral. Os idosos deixam de lado as diversões da aposentadoria, o conforto do lar e a companhia amorosa dos filhos e netos, e partem para servir pessoas desconhecidas em lugares desconhecidos. Rapazes e moças adiam o trabalho e os estudos e se colocam à disposição para servir no lugar que lhes for determinado. Centenas de milhares de membros fiéis prestam um serviço abnegado que chamamos de “trabalho no templo”, o qual não tem outra razão exceto o amor e o serviço ao próximo, tanto para vivos como para mortos. Esse mesmo serviço abnegado é prestado por legiões de líderes e professores em nossas estacas, alas e ramos. Tudo isso é realizado sem remuneração, mas por seu compromisso para com o serviço cristão ao próximo.
Não é fácil desistir de nossas prioridades e desejos pessoais. Há muitos anos, certo missionário que começava a servir na Inglaterra sentiu-se frustrado e desanimado. Escreveu para casa dizendo que achava estar desperdiçando seu tempo. Seu sábio pai respondeu: “Esqueça-se de si mesmo e trabalhe”.1 O jovem Élder Gordon B. Hinckley ajoelhou-se e fez convênio com o Senhor de que tentaria esquecer-se de si mesmo e entregar-se totalmente ao serviço do Senhor.2 Anos depois, como servo experiente do Senhor, o Élder Hinckley diria: “Quem vive só para si mesmo murcha e fenece, ao passo que aquele que se esquece de si mesmo a serviço do próximo cresce e floresce nesta vida e na eternidade”.3
Em janeiro passado, o Presidente Thomas S. Monson ensinou aos alunos da Universidade Brigham Young que seus dias como estudante incluíram “a questão da preparação espiritual”, que envolvia o serviço ao próximo. A missão do Mestre caracterizava-se por uma “atitude de amor”, disse o Presidente Monson. “Ele deu visão ao cego, fez o coxo andar e deu vida ao morto. Talvez, quando estivermos diante de nosso Criador, Ele não perguntará: ‘Quantos cargos você teve?’, mas, sim, ‘Quantas pessoas você ajudou?’ Na verdade”, concluiu o Presidente Monson, “não podemos amar o Senhor até que O sirvamos, servindo ao Seu povo”.4
Um exemplo conhecido de dedicar a vida ao serviço ao próximo — que não é atributo exclusivo dos santos dos últimos dias — é o sacrifício que os pais fazem pelos filhos. As mães sentem dor e desistem de prioridades e confortos pessoais para dar à luz e criar cada filho. Os pais adaptam a vida e as prioridades para sustentar a família. A lacuna que separa os que estão e os que não estão dispostos a fazer isso está aumentando no mundo atual. Um de nossos familiares ouviu recentemente um jovem casal num avião explicando que decidiram ter um cão em vez de filhos. “Os cachorros dão menos problemas”, disseram. “Eles não respondem de modo malcriado e nunca precisam ser colocados de castigo.”
Regozijamo-nos com o fato de que são muitos os casais santos dos últimos que fazem parte do grupo abnegado que está disposto a desistir de suas prioridades pessoais para servir ao Senhor, gerando e criando os filhos que nosso Pai Celestial envia para seu cuidado. Também nos regozijamos com aqueles que cuidam de familiares deficientes e pais idosos. Ninguém que presta esse serviço pergunta: “O que ganho com isso?” Todos precisam deixar de lado suas conveniências pessoais para prestar serviço abnegado. Tudo isso contrasta com a fama, fortuna e outras satisfações imediatas que são o estilo de vida mundano de tantas pessoas nos dias de hoje.
Os santos dos últimos dias são um povo especialmente comprometido a sacrificar-se. Ao tomar o sacramento a cada semana, prestamos testemunho de nosso compromisso de servir ao Senhor e ao próximo. Nas sagradas cerimônias do templo, fazemos o convênio de sacrificar e consagrar nosso tempo e talentos para o bem-estar dos outros.

II.

Os santos dos últimos dias também se destacam por sua capacidade de unir-se em trabalho cooperativo. Os pioneiros mórmons que colonizaram a região montanhosa do oeste dos Estados Unidos estabeleceram nossa tradição honrosa de cooperação abnegada para o bem comum. Seguindo essa tradição, temos hoje os modernos projetos do programa “Mãos Que Ajudam” em muitos países.5 Em recentes votações populares, os santos dos últimos dias se uniram a outras pessoas que compartilham a mesma opinião em defesa do casamento. Para alguns, esse serviço envolveu grande sacrifício e sofrimento pessoal contínuo.
A fé religiosa e o serviço de nossos membros da Igreja os ensinaram a trabalhar em serviços cooperativos para o bem da comunidade maior. Por esse motivo, os voluntários da Igreja são muito requisitados na educação, nos governos locais, nas causas caritativas e em inúmeras outras tarefas que exigem grande aptidão no trabalho cooperativo e no sacrifício abnegado de tempo e recursos.
Alguns atribuem a disposição de nossos membros em sacrificar-se e sua capacidade de cooperação à organização eficaz da Igreja, ou ao que os céticos erroneamente chamam de “obediência cega”. Nenhuma dessas explicações está correta. Nenhuma imitação de nossa organização e nenhuma aplicação de obediência cega poderia reproduzir o trabalho realizado por esta Igreja ou o desempenho de seus membros. Nossa disposição em sacrificar e nossa capacidade de cooperação provêm de nossa fé no Senhor Jesus Cristo, dos ensinamentos inspirados de nossos líderes e dos compromissos assumidos e convênios feitos voluntariamente.

III.

Infelizmente, alguns santos dos últimos dias parecem deixar o serviço abnegado para outros, decidindo em vez disso determinar suas prioridades pelos padrões e valores do mundo. Jesus advertiu que Satanás deseja cirandar-nos como trigo (ver Lucas 22:31; 3 Néfi 18:18), o que significa tornar-nos comuns como as pessoas a nosso redor. Mas Jesus ensinou que nós, que O seguimos, temos que ser preciosos e especiais, “o sal da Terra” (Mateus 5:13) e “a luz do mundo”, para brilhar para todos os homens (Mateus 5:14, 16; ver também 3 Néfi 18:24).
Não serviremos bem a nosso Salvador se temermos mais ao homem do que a Deus. Ele repreendeu alguns líderes de Sua Igreja restaurada por procurarem o louvor do mundo e por terem a mente voltada para as coisas do mundo mais do que para as coisas do Senhor (ver D&C 30:2; 58:39). Essa repreensão nos lembra que fomos chamados para estabelecer os padrões do Senhor, e não para seguir os padrões do mundo. O Élder John A. Widtsoe declarou: “Não podemos andar como os outros homens, ou falar como os outros homens, ou fazer como os outros homens fazem, porque temos diferente destino, obrigação e responsabilidade sobre nós, e precisamos adequar-nos a essas coisas”.6Essa realidade tem uma aplicação atual em toda conduta ligada à moda, inclusive as roupas pouco recatadas. Como uma sábia amiga observou: “Você não pode ser salva-vidas se estiver parecido com todos os outros banhistas da praia”.7
Aqueles que estão tentando salvar a vida buscando o louvor do mundo estão, na verdade, rejeitando o ensinamento do Salvador de que o único caminho para salvar nossa vida eterna é amar-nos uns aos outros e perder nossa vida no serviço ao próximo.
C.S. Lewis explicou esse ensinamento do Salvador: “Assim que o eu passa a existir, surge a possibilidade de se colocar em primeiro lugar — querendo estar no centro — querendo, de fato, ser Deus. Esse foi o pecado de Satanás: e esse foi o pecado que ele ensinou à raça humana. Algumas pessoas pensam que a queda do homem teve algo a ver com sexo, mas isso está errado. (…) O que Satanás colocou na mente de nossos remotos antepassados foi a noção de que eles podiam ‘ser como os deuses’ — que podiam estabelecer-se como se tivessem criado a si mesmos — ser seus próprios mestres — inventar um tipo de felicidade para si mesmos, deixando Deus de fora. Essa inútil ambição resultou (…) na terrível história da humanidade, que procura encontrar algo além de Deus para sentir-se feliz”.8
O egoísta está mais interessado em agradar ao homem, principalmente ele mesmo, em vez de agradar a Deus. O egoísta só enxerga suas próprias necessidades e desejos. “Anda em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo” (D&C 1:16). Essa pessoa se torna desligada das promessas de convênio feitas por Deus (ver D&C 1:15) e das amizades e auxílios que também precisamos ter na vida mortal nesta época turbulenta. Em contraste, se amarmos e servirmos uns aos outros, como o Salvador ensinou, permanecemos ligados a nossos convênios e às pessoas de nosso convívio.

IV.

Vivemos numa época em que o sacrifício está absolutamente fora de moda, em que as forças externas que ensinaram a nossos antepassados a necessidade do serviço cooperativo diminuíram. Alguém chamou esta geração de a geração do “eu”: uma época egoísta em que todos parecem estar perguntando: “O que eu ganho com isso?” Até alguns que deveriam ter melhor entendimento parecem estar-se esforçando para conquistar o louvor dos zombadores e ridicularizadores do “grande e espaçoso edifício” identificado em visão como o orgulho do mundo (ver 1 Néfi 8:26–28; 11:35–36).
A grande aspiração do mundo atual é conseguir algo em troca de nada. O antigo mal da ganância mostra sua face na declaração de direito: Tenho direito a isso ou aquilo por ser quem sou: filho ou filha, cidadão, vítima ou membro de algum outro grupo. A declaração de direito geralmente é egoísta. Exige muito e dá pouco ou nada em troca. Seu próprio conceito faz com que procuremos nos elevar acima das pessoas a nosso redor. Separa-nos do padrão divino e justo da recompensa, pelo qual quando alguém recebe alguma bênção de Deus é pela obediência à lei na qual se baseia aquela bênção (ver D&C 130:21).
Os efeitos da ganância e da exigência de direito são evidentes nos bônus de muitos milhões de dólares concedidos aos executivos de algumas empresas. Mas esses exemplos são mais disseminados do que isso. A ganância e a ideia de direitos são conceitos que também alimentaram a difundida e negligente prática de empréstimos e consumismo excessivo, que gerou a crise financeira que ameaça varrer o mundo.
Os jogos de azar são outro exemplo de ganância e egoísmo. O jogador investe uma quantia mínima na esperança de receber em troca uma imensa quantia, que é tirada de outras pessoas. Não importa como seja disfarçado, receber algo em troca de nada é contrário à lei da colheita do evangelho: “Tudo que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7; ver também II Coríntios 9:6).
Os valores do mundo ensinam erroneamente que “eu sou o centro de tudo”. Essa atitude perniciosa não produz nenhuma mudança e nenhum crescimento. É contrária ao progresso eterno rumo ao destino que Deus identificou em Seu grande plano para Seus filhos. O plano do evangelho de Jesus Cristo nos eleva acima de nossos desejos egoístas e nos ensina que esta vida está centralizada naquilo em que podemos nos tornar.
Um grande exemplo de serviço abnegado foi o da falecida Madre Teresa de Calcutá, cujos votos permitiram que ela e suas companheiras de trabalho “de todo coração prestassem serviço voluntário aos mais pobres dos pobres”.9 Ela ensinou que “uma coisa sempre garantirá o céu para nós: os atos de caridade e bondade com que enchermos nossa vida”.10 “Talvez não façamos coisas grandiosas”, explicou a Madre Teresa, “apenas coisas pequenas com grande amor”.11 Quando aquela maravilhosa serva católica faleceu, a mensagem de condolências da Primeira Presidência declarou: “Sua vida de serviço abnegado é uma inspiração para o mundo inteiro, e seus atos de bondade cristã serão um memorial para as gerações vindouras”.12 É isso que o Salvador chamou de perder a vida no serviço ao próximo.
Todos devemos aplicar esse princípio em nossa atitude ao frequentar a Igreja. Alguns dizem “Não aprendi nada hoje” ou “Ninguém foi gentil comigo” ou “Fiquei ofendido” ou “A Igreja não satisfaz minhas necessidades”. Todas essas respostas são egocêntricas e retardam o crescimento espiritual.
Por outro lado, um sábio amigo escreveu:
“Há vários anos, mudei de atitude ao frequentar a Igreja. Deixei de ir à Igreja por minha causa, mas para pensar nos outros. Tomei a decisão de cumprimentar todas as pessoas que se sentavam sozinhas, de dar boas-vindas aos visitantes, (…) de me oferecer para cumprir uma tarefa. (…)
Em resumo, vou à Igreja toda semana com a intenção de ser ativo, e não passivo, e de ser uma influência positiva na vida das pessoas. Consequentemente, minha frequência às reuniões da Igreja tornou-se muito mais agradável e recompensadora”.13
Tudo isso ilustra o princípio eterno de que somos mais felizes e realizados quando agimos e servimos por causa do que doamos, e não pelo que recebemos.
Nosso Salvador nos ensina a segui-Lo, fazendo os sacrifícios necessários para entregar-nos inteiramente ao serviço abnegado ao próximo. Se fizermos isso, Ele nos promete a vida eterna, “o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7), a glória e a alegria de viver na presença de Deus, o Pai, e de Seu Filho Jesus Cristo. Presto testemunho Deles e de Seu grande plano para a salvação de Seus filhos. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas

1. Citado em Gordon B. Hinckley, “Taking the Gospel to Britain: A Declaration of Vision, Faith, Courage, and Truth”, Ensign, julho de 1987, p. 7.
2. Ver Ensign, julho de 1987, p. 7.
3. Teachings of Gordon B. Hinckley, (1997), p. 588.
4. Thomas S. Monson, “Grandes Esperanças”, Transmissão Via Satélite do SEI, 11 de janeiro de 2009, www.ldsces.org.
5. Ver “O Programa Mãos Que Ajudam Completa Dez Anos de Serviço”, A Liahona, março de 2009, p. N1.
6. John A. Widtsoe, Conference Report, abril de 1940, p. 36.
7. Ardeth Greene Kapp, I Walk by Faith, (1987), p. 97.
8. C.S. Lewis, Mere Christianity, (1980), p. 49; grifo do autor.
9. The Joy in Loving: A Guide to Daily Living with Mother Teresa, comp. Jaya Chaliha e Edward Le Joly (1996), p. 15.
10. Life in the Spirit, organizado por Kathryn Spink (1983), p. 42.
11. Life in the Spirit, p. 45.
12. “News of the Church”,Ensign, novembro de 1997, p. 110.
13. Mark Skousen para Dallin H. Oaks, 15 de fevereiro de 2009.

Convite para a Sessão Solene - Título de Cidadão Goiano


sábado, 11 de agosto de 2012

Feliz Dia dos Pais!


Pais e Filhos: Um Relacionamento Extraordinário

Élder M. Russell Ballard
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Pais e filhos podem desempenhar um papel muito importante ao ajudar um ao outro a se tornarem o melhor que puderem ser.
Élder M. Russell BallardÉ uma visão maravilhosa contemplar todos vocês, pais, sentados lado a lado com seus filhos para ouvir os ensinamentos do Senhor e receber conselho das Autoridades Gerais da Igreja. É sempre uma alegria estar reunido com os homens e rapazes do sacerdócio, mas há algo especial em ver pais e filhos juntos neste local. É um lembrete visual de dois dos elementos mais poderosos da nossa teologia: sacerdócio e família. O sacerdócio é o poder divino por meio do qual as famílias são seladas para sempre. Tudo no evangelho restaurado de Jesus Cristo, incluindo as ordenanças do templo sagrado, é centrado na possibilidade de as famílias se tornarem parte da família eterna de Deus.
Esta noite quero falar a vocês, pais e filhos, sobre como conversar um com o outro. Não há outro relacionamento como esse que possa e deva existir entre um rapaz e seu pai. Ele pode ser um dos relacionamentos mais edificantes e alegres na vida, um relacionamento que pode exercer uma grande influência em quem os rapazes se tornam e também em quem os pais se tornam. Entendo que alguns de vocês, rapazes, não têm pais com quem possam ter esse tipo de conversa. E alguns de vocês, homens, não têm filhos ou perderam seus filhos em acidentes ou por motivo de doença. Mas muito do que eu disser hoje à noite se aplicará a tios, avós, líderes do sacerdócio e a outros conselheiros que algumas vezes preenchem a lacuna nessas importantes relações entre pai e filho.
Vocês entendem que estamos todos em uma jornada. Os pais estão um pouco adiante na estrada, mas nenhum de nós chegou ainda ao nosso destino final. Estamos todos no processo de nos tornarmos quem queremos nos tornar um dia. Pais e filhos podem desempenhar um papel muito importante ao ajudar um ao outro a se tornarem o melhor que puderem ser.
Sei que os relacionamentos entre pai e filho nunca são perfeitos, mas tudo o que vou sugerir a vocês esta noite é possível se vocês se esforçarem para que aconteça.
Rapazes, vocês são o orgulho e a alegria dos seus pais. Eles veem em vocês um futuro promissor e esperam que sejam uma versão aprimorada deles mesmos. As suas realizações são fonte de alegria para eles. As preocupações e problemas que vocês têm são as preocupações e problemas deles.
Pais, vocês são o principal modelo de hombridade para seus filhos. Vocês são os conselheiros mais importantes e, acreditem se quiserem, vocês são seus heróis de várias maneiras. As suas palavras e o seu exemplo exercem uma grande influência sobre eles.
Nesta noite quero dar a vocês, rapazes, três sugestões simples de como obter pleno proveito do relacionamento com o seu pai. E depois quero dar a vocês, pais, três sugestões sobre relacionamento e comunicação com seus filhos.
Acredito que vocês, portadores do Sacerdócio Aarônico, ao praticarem essas três coisas simples, podem tornar o relacionamento com seu pai ainda melhor do que agora.
Primeiro, confiem em seu pai. Ele não é perfeito, mas ele os ama e sempre fará o que considera ser o melhor para vocês. Então conversem com ele. Compartilhem com ele os seus pensamentos e sentimentos, seus sonhos e seus temores. Quanto mais ele conhecer sobre a sua vida, mais facilidade terá de entender suas preocupações e de dar-lhes bons conselhos. Quando vocês demonstram confiança em seu pai, ele sente a responsabilidade dessa confiança e faz mais esforços do que nunca para entender e ajudar. Como seu pai, ele tem direito à inspiração para o seu benefício. O seu conselho para vocês será a expressão sincera de alguém que os conhece e ama. Seu pai quer, mais do que qualquer outra pessoa, que vocês sejam felizes e bem-sucedidos, então por que não confiar em alguém assim? Rapazes, confiem em seu pai.
Segundo, tenham interesse na vida do seu pai. Perguntem sobre o seu trabalho, seus interesses, suas metas. Como ele decidiu pela profissão que exerce? Como ele era quando tinha a sua idade? Como ele conheceu sua mãe? Ao aprender mais sobre ele, vocês podem descobrir que as experiências dele os ajudarão a entender melhor porque ele reage de determinada maneira. Observem seu pai. Observem como ele trata a mãe de vocês. Observem como ele serve nos seus chamados na Igreja. Observem como ele se relaciona com as outras pessoas. Vocês ficarão surpresos com o que aprenderão sobre ele apenas ao observá-lo e escutá-lo. Pensem sobre o que vocês não sabem sobre ele e descubram. O seu amor, a sua admiração e o seu entendimento por ele aumentarão com o que vocês descobrirem sobre ele. Rapazes, tenham interesse pela vida do seu pai.
terceiro, aconselhem-se com o seu pai. Sejamos francos: ele provavelmente vai dar-lhes conselhos, quer peçam ou não, mas funcionará melhor quando vocês pedirem! Aconselhem-se com ele sobre as atividades na Igreja, sobre as aulas, os amigos, a escola, o namoro, esportes e outros passatempos. Peçam o conselho dele sobre suas designações na Igreja, sobre a preparação para a missão, sobre as decisões que tenham que tomar ou escolhas que tenham que fazer. Nada mostra mais respeito por uma pessoa do que pedir seu conselho, porque o que vocês realmente estão dizendo quando pedem um conselho é: “Sou grato pelo que você sabe e pelas experiências que teve. Valorizo suas ideias e sugestões”. Essas palavras são muito boas para o pai ouvir de um filho.
Pela minha experiência, os pais a quem os filhos pedem conselhos se esforçam mais para dar conselhos bons, sadios e úteis. Ao pedir conselhos a seu pai, vocês não apenas recebem o benefício da sua opinião, mas vocês também dão a ele motivação extra para se empenhar em ser um pai melhor e um homem melhor. Ele vai pensar com mais cuidado no assunto sobre o qual o aconselhará e vai-se esforçar para “praticar o que disser”. Rapazes, aconselhem-se com seu pai!
Certo, pais, agora é a sua vez. Vamos conversar sobre algumas coisas que vocês podem fazer para melhorar o relacionamento com seus filhos. Vocês notarão que há certa conexão entre as sugestões que vou-lhes dar e as sugestões que dei para os seus filhos. Não é coincidência.
Primeiro, pais, escutem seus filhos — realmente escutem-nos. Façam as perguntas certas e ouçam o que seus filhos têm a dizer sempre que passarem algum tempo juntos. Vocês precisam saber — não adivinhar, mas saber — o que está acontecendo na vida de seu filho. Não presumam saber como ele se sente apenas por já terem sido jovens. Seus filhos vivem em um mundo muito diferente daquele em que vocês cresceram. Enquanto eles falam sobre o que está acontecendo, vocês têm que escutar atentamente, sem julgar, para entender o que estão pensando e vivenciando.
Encontrem a melhor maneira de se comunicarem. Alguns pais gostam de levar seus filhos para pescar ou para eventos esportivos. Outros gostam de sair para um passeio tranquilo ou trabalhar juntos no quintal. Alguns descobrem que seus filhos gostam de conversar à noite, antes de dormir. Façam aquilo que funciona melhor para vocês. Um relacionamento pessoal deve ser parte da rotina em sua mordomia com os filhos. Todo pai precisa ter pelo menos uma conversa individual e de qualidade com seus filhos todos os meses, em que eles falarão sobre assuntos específicos como escola, amigos, sentimentos, videogames, mensagens de texto, dignidade, fé e testemunho. Onde ou quando isso acontece não é tão importante quanto o fato de que aconteça.
E, oh, como os pais precisam escutar! Lembrem-se de que a conversa em que vocês falam 90 por cento do tempo não é uma conversa. Empreguem a palavra “sentir” tantas vezes quantas se sentirem à vontade para usá-la durante as conversas com seus filhos. Perguntem: “Como você se sente sobre o que está aprendendo na aula?” “Como se sente a respeito do que o seu amigo disse?” “Como se sente a respeito do seu sacerdócio e da Igreja?”
Não pensem que vocês têm que consertar tudo ou resolver tudo durante esses encontros. Na maior parte do tempo, a melhor coisa que vocês podem fazer é apenas escutar. Os pais que escutam mais do que falam descobrem que os filhos compartilham mais sobre o que realmente está acontecendo em sua vida. Pais, escutem seus filhos.
Segundo, orem com seus filhos e por eles. Ministrem a eles bênçãos do sacerdócio. Um filho que está preocupado com um exame importante ou com um evento especial certamente será beneficiado por uma bênção paterna do sacerdócio. Ocasiões como o início de um ano escolar, aniversário ou quando ele começar a namorar podem ser épocas adequadas para invocar ao Senhor para que abençoe seu filho. Orarem apenas os dois juntos e compartilharem o testemunho pode tanto aproximá-los um do outro quanto torná-los mais próximos do Senhor.
Não me esqueço de que muitos de vocês, pais, sofrem grande tristeza por causa de filhos que se desviaram e foram subjugados pelo mundo, assim como Alma e Mosias se entristeceram por causa dos filhos. Continuem a fazer tudo o que puderem para manter relacionamentos familiares fortes. Nunca desistam, mesmo que tudo o que puderem fazer seja orar com fervor por eles. Esses filhos preciosos são seus para sempre! Pais, orem com os filhos e abençoem-nos.
Terceiro, ousem ter “conversas sérias” com seus filhos. Vocês sabem o que quero dizer: conversas sobre drogas e bebidas, sobre os perigos da mídia de hoje — a Internet, as cyber tecnologias e a pornografia — e sobre a dignidade do sacerdócio, respeito pelas moças e pureza moral. Embora esses não devam ser os únicos assuntos das conversas com seus filhos, não evitem falar deles. Os rapazes precisam dos seus conselhos, orientação e opinião sobre esses assuntos. Ao falar desses assuntos importantes, descobrirão que a confiança entre vocês crescerá e se desenvolverá.
Uma de minhas preocupações é que conversemos com nossos filhos de maneira aberta e clara sobre assuntos de natureza sexual. Nossos filhos estão crescendo em um mundo que adota e ostenta abertamente um comportamento sexual promíscuo, sem restrições, precoce, casual e despreocupado. Seus filhos não podem simplesmente evitar as evidentes imagens, mensagens e instigações sexuais que os cercam. Os pais e líderes da Igreja precisam ter conversas abertas e regulares que ensinem e esclareçam como os rapazes do sacerdócio podem lidar com esse assunto. Sejam positivos sobre o quão bela e maravilhosa a intimidade pode ser, quando acontece dentro dos limites estabelecidos pelo Senhor, incluindo os convênios no templo e os compromissos do casamento eterno. Os estudos mostram que o melhor freio para a atividade sexual casual é uma atitude saudável que conecta tal relacionamento pessoal com um compromisso genuíno e um amor maduro. Pais, se não tiveram essa “conversa séria” com seus filhos, tenham-na logo.
Agora para encerrar, quero falar a todos vocês, ex-missionários. Tudo o que eu disse nesta noite se aplica a vocês. Confiem em seu pai. Vocês podem aproximar-se mais dele agora do que antes, não importando como era o seu relacionamento antes da missão. Nos próximos anos, vocês tomarão as decisões mais importantes de sua vida. A oração ao Pai Celestial e o conselho do seu pai terreno podem ajudá-los a tomar as decisões relacionadas aos estudos, à escolha profissional e ao casamento. A decisão mais importante que tomarão nesta vida é a decisão de se casar com a moça certa no templo! Embora ninguém deva apressar essa importante decisão, todos os ex-missionários devem estar trabalhando nesse sentido. Estejam onde possam encontrar o tipo certo de amigos. E saiam com uma garota para namorar. “Sair em grupo” não é a maneira nem é o suficiente! “Cortejar” parece ser uma arte esquecida — redescubram-na. Ela realmente funciona! Perguntem a seus pais — eles sabem! Não façam à maneira do mundo. Ao contrário, mantenham a dignidade e o Espírito que desfrutaram na missão. A Igreja precisará da sua liderança no futuro.
E pais, as três sugestões que lhes fiz há alguns momentos se aplicam perfeitamente a seus filhos ex-missionários. Escutem-nos e sintonizem-se com eles por meio de conversas regulares e individuais. Conversem com eles a sério sobre seus sentimentos e desejos. Orem com eles e abençoem-nos quando enfrentarem as decisões importantes para o futuro.
Sou grato por meus filhos e genros, que têm me ensinado tanto, e rogo agora ao nosso Pai Celestial que abençoe a todos nós, como pais e filhos, para que honremos o sacerdócio e amemos uns aos outros, tornando nosso relacionamento pessoal uma das maiores prioridades eternas de nossa vida. Para isso, oro em nome de Jesus Cristo. Amém.
Pais e Filhos: Um Relacionamento Extraordinário