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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Com o dinheiro do povo



Carlos Alberto Sardenberg – O Estado de S.Paulo
Mesmo que a abertura da Copa do Mundo de 2014 não aconteça no estádio do Corinthians, o time paulista já está no lucro. E que lucro! Uma arena novinha em folha, totalmente financiada com dinheiro público, parte emprestada, parte dada. Desde já, é o primeiro dono de um belo legado da Copa.
O Corinthians tinha um terreno em Itaquera – doado pela Prefeitura de São Paulo – e um projeto de estádio, para o qual teria de buscar financiamento privado, como, por exemplo, está fazendo o Palmeiras em seu novo Palestra Itália. Ao se tornar estádio da Copa e, possivelmente, do jogo inaugural, depois de arquitetada a desclassificação do Morumbi, o empreendimento corintiano habilitou-se aos financiamentos e incentivos especiais. Mesmo não sendo a sede da abertura, o dinheiro público será providenciado, pois a nova arena permanecerá como única alternativa de jogos em São Paulo.
Eis como ficou o pacote de R$ 820 milhões para a construção de um estádio de 48 mil lugares, com capacidade para ser ampliado para 68 mil:
o BNDES emprestará R$ 400 milhões – isso, claro, não é dinheiro dado, pois o empréstimo terá de ser pago. Mas os juros são subsidiados e as condições gerais, melhores, por ser obra da Copa;
e a Prefeitura de São Paulo concederá um benefício fiscal de R$ 420 milhões. Isso é praticamente dinheiro dado.
A propósito, cabe aqui uma retificação. Tratamos deste assunto em artigos anteriores, salientando, então, que incentivo fiscal não é doar dinheiro. Como isso ocorreria? O empreendimento será administrado por um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) e construído pela Odebrecht. O incentivo tradicional seria cancelar a cobrança dos impostos municipais (IPTU e ISS) sobre as atividades diretas ali, no canteiro de obras. Por exemplo: a subcontratação de pequenas construtoras não pagaria ISS.
Mas será mais do que isso. A Prefeitura emitirá uma espécie de títulos – Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento – e os entregará para o FII responsável pela construção da arena. Esse fundo poderá vender os certificados para empresas que tenham IPTU e ISS a pagar. Assim, contribuintes que pagariam seus impostos em dinheiro para a Prefeitura vão entregar certificados comprados do fundo.
Por que fariam isso? Porque obviamente vão adquirir os certificados com desconto no mercado financeiro. Assim, um certificado com valor de face de R$ 1 milhão pode sair por, digamos, R$ 900 mil. O fundo “corintiano” embolsa os R$ 900 mil, cash, e a outra empresa abate R$ 1 milhão de ISS e IPTU. A Prefeitura recebe os títulos e os cancela. E deixa de receber cash os R$ 420 milhões. Todo o dinheiro fica para o fundo aplicar no estádio. Sem precisar devolver nada.
Isso não cabe na expressão “dinheiro dado”?
Há, ainda, um problema aqui. Construtora e Corinthians dizem que o estádio sairá por R$ 820 milhões, a serem cobertos pelo financiamento do BNDES e pelos certificados da Prefeitura. Mas como estes serão vendidos com desconto, o fundo construtor receberá por eles algo em torno de R$ 375 milhões, supondo um deságio de 10%. Feitas as contas, faltarão uns R$ 45 milhões para os R$ 820 milhões orçados. De onde virá isso?
Além disso, se for confirmada como o palco do jogo de abertura (com a Seleção Brasileira), a arena corintiana vai receber mais investimento público. O governo paulista vai colocar algo entre R$ 60 milhões e R$ 70 milhões para instalar ali os 20 mil lugares provisórios e, assim, chegar aos 68 mil necessários para um “estádio abertura de Copa”. Como dizem diretores do Corinthians: o timão precisa de um estádio de 48 mil lugares; se a Prefeitura e o governo estadual querem a abertura, têm de pagar por isso.
O governador Alckmin sustenta que o investimento é para obter a abertura da Copa, evento que considera muito positivo para melhorar a imagem mundial de São Paulo. O prefeito Kassab bate na mesma tecla. Ambos acrescentam que o evento trará muita gente e muitos negócios para a cidade.
Será? Começa que essa conta é sempre muito duvidosa. Além disso, o caixa do governo é um só. O dinheiro que se gasta com Copa é subtraído de outras áreas e objetivos. Assim, cabe a questão: o que traz mais benefícios duradouros para o contribuinte-pagador, o evento Copa ou metrô, corredores de ônibus, escolas, hospitais, etc.?
Isso vale para todos os governos estaduais e prefeituras de cidades-sede. Todos colocam cada vez mais dinheiro na Copa.
Políticos e governantes fazem isso alegremente, tendo a certeza de que o povo quer a Copa e vai curti-la. Mas não pode ser assim, tão ligeiro. O certo seria ter colocado a questão claramente ao contribuinte. Assim: “Querem a Copa? O.k., mas é cara. Vai custar tantos bilhões de reais, a maior parte disso virá do governo, ou seja, do seu bolso. E esse dinheiro poderia ir para hospitais e escolas. Tudo bem?”.
Não houve debate. Só se pensou naquilo: ganhar a Copa no Maracanã. E muitos governantes garantiram que não colocariam dinheiro em estádios e obras que não fossem permanentes. Agora, estão invertendo as responsabilidades e os compromissos. E nos dizem: “Não queriam a Copa? Então vamos ter de gastar, e rápido, porque já está atrasado”.
Como se não fossem responsáveis por nada disso.
Todos os países gostam de fazer Copas e Olimpíadas. Alguns fizeram bem feito, outros foram muito mal. Estamos indo pelos maus exemplos. Mas quem sabe o debate ajude a salvar a Olimpíada.
E, para piorar tudo, a Seleção não joga bola. Já pensaram, gastar um dinheirão, gastar mal e ainda perder?

Drogas e Lixos Mortais da Engenharia Social



Liberadores da maconha – e outras drogas lícitas ou ilícitas menos votadas -, uni-vos no Inferno! Pois lá é o único lugar permitido para contabilizar mais uma perda gerada, precocemente, pelo vício, pela vaidade, pela gula, pela mentira, pelos falsos valores e, enfim, pelas ilusões de poder mundanas. O mundo das celebridades se chocou ontem com a perda da cantora britânica Amy Winehouse, de 27 anos, achada morta, na própria residência, em Camden, no norte de Londres, Inglaterra.

Terrível ironia do destino. Mais uma derrota simbólica para os engenheiros sociais daquele Reino Unido. A agora vítima Amy Winehouse era um instrumento do processo de Engenharia Social. Somos bombardeados pelo processo político-ideológico de construção psicossocial de regras padronizadas de conduta humana. Os ideólogos tentam regular nossa linguagem e nosso modo de agir, através da adoção prática de termos e expressões politicamente corretos. A Comunicação - o instrumento básico de construção do Poder Real – é usada para deformar mentes, construir, destruir e reconstruir conceitos que interessam ao sistema dominante.

A Engenharia Social usa a Comunicação, suas mídias e seus profissionais (agentes conscientes e inconscientes) para difundirem ideologias e conceitos subjetivos, imprecisos ou sem base na verdade concreta e objetiva. Tudo para moldar a sociedade dentro do pensamento globalitário da Nova Ordem Mundial – sob comando da Oligarquia Financeira Transnacional. Em uma sociedade com Educação precária, o terreno fica escancarado para a midiotização em massa (isto é, o uso da mídia para formar idiotas coletivos).

No clima pesado da morte da jovem Amy Winehouse, e do terror gerado na Noruega pelo nem tão velho assim Anders Behring Breivik, de 32 anos, o Brasil quase serviu de palco para exibição de mais um produto da engenharia da insanidade. Por ter cenas de necrofilia, pedofilia (estupro de um recém-nascido) e violência extrema, "A serbian Film: Terror sem limites" - dirigido por Srdjan Spasojevic - foi censurado dentro da lei e da ordem constitucional.

A juíza Katerine Jatahy Nygaard, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, proibiu a exibição do longa-metragem que estava na programação da mostra RioFan (Festival Fantástico do Rio), na Caixa Cultural, e passaria, sábado à noite, na telona do Odeon, na Cinelândia carioca. Previsto para estrear no circuito brasileiro no dia 5 de agosto, "A serbian Film” é um lixo de primeira qualidade, pois contém anti-valores que atentam contra a vida e a liberdade humanas.

A juíza Katerine Jatahy Nygaard não agiu com falso moralismo. Tomou uma decisão humana e técnica. Justificou sua censura com base no Estatuto da Criança e do Adolescente, que “veda expressamente a filmagem, reprodução, divulgação por qualquer meio de cenas de sexo explícito ou pornográfico envolvendo crianças ou adolescentes”. Também alegou que “não se pode admitir que, em favor da liberdade de expressão, um pretenso manifesto político exponha de tal forma a degradação do ser humano, a ponto de violar sexualmente um recém-nascido”.

Não podemos nem devemos ser coniventes com lixos da engenharia social - como o sucesso da falecida Amy Winehouse (que celebra a pretensa liberdade de dizer não a um tratamento anti-drogas), ou como o “Serbian Film” de Srdjan Spasojevic,ou como o insano ato terrorista-ideológico de Anders Behring Breivik.

Vale repetir sempre. Se não formos capazes de conter os efeitos negativos da Engenharia Social contra a humanidade, seremos vítimas do pior dos totalitarismos: aquele que não parece autoritário, pois é travestido pelo pensamento “politicamente correto” da Nova Ordem Mundial. A imbecilidade coletiva – e suas pretensas “unanimidades” e “consensos” operam a todo vapor. Não podemos radicalizar, para não cair no jogo do inimigo.

Devemos ser tolerantes. Mas não podemos ser coniventes com os erros. Precisamos oferecer democracia, liberdade, valores humanos e virtudes para enfrentar e superar o destrutivo sistema de engenharia social proposto pela Nova Ordem Mundial. O equilíbrio é a única estratégia possível para derrotar o radicalismo da ignorância, dos preconceitos e dos erros.

Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog e podcast Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos.


© Jorge Serrão 2006-2011. Edição do Blog Alerta Total de 25 de Julho de 2011. A transcrição ou copia deste texto é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas.

sábado, 23 de julho de 2011

Por que não respondem meus emails?


Ter suas mensagens ignoradas é difícil, mas acontece com todo mundo. Entenda os motivos e como lidar com a espera

NYT  | 18/07/2011 06:44

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É mais confortável achar que esses silêncios sejam resultado de algum problema técnico. Mas, geralmente, o culpado é mesmo a falta de cortesia.



“Quando as pessoas não respondem meus emails, sempre acho que alguma tragédia aconteceu”, diz o escritor e ator John Leguizamo, cujo primeiro casamento acabou quando sua esposa pediu o divórcio via correio eletrônico. “Acho que foram atingidos por um meteorito ou algo assim”.

Betsy Rapoport, editora e coach, diz: “Acho que nunca recebi resposta para nenhum email que tenha mandado para meus filhos, hoje com 21 e 18 anos”. O linguista David Crystal diz que sua mulher recebeu recentemente uma resposta a um email enviado em 2006. “Foi como receber um cartão-postal da Segunda Guerra”, diz. 

 O incômodo silêncio. A pausa que não termina. O mundo está cheio de exemplos de como as características da internet nos fazem escrever e publicar coisas de que nos arrependemos. Mas e quando essas características nos deixam esperando uma resposta no vácuo?

“A internet é algo muito informal, que aconteceu a uma sociedade que, por sua vez, já era informal”, diz P.M. Forni, especialista em etiqueta e autor de “Choosing Civility.” “A infinita quantidade de pessoas que podemos contatar significa que não somos tão cuidados ou gentis quanto deveríamos. De forma consciente ou inconsciente, pensamos em nossos interlocutores como substituíveis ou descartáveis”.

"Não-relacionamento"
 A escritora Diana Abu-Jaber conta que, há alguns anos, teve “um não-relacionamento” com uma colega também escritora que aparentemente se recusava a clicar em “responder”. As duas tinham amigos em comum, e começaram a se dar bem quando saíram para almoçar. Depois do encontro, a colega passou a enviar frequentes emails propondo novos encontros; mas nunca respondia quando Abu-Jaber retrucava com a proposta de horários e lugares.

“Eu não recebia resposta nenhuma e, de repente, semanas depois, chegvam emails com “Você está ocupada? Adoraria te encontrar”. Ou até: “Nossa, que loucura, há quanto tempo! Estou com saudade”.”
 A comediante Jean Villepique passou por um aperto ainda pior há cinco anos, quando desenvolveu uma paixonite por um colega. Depois de um flerte mínimo, ela sentou-se em seu computador e escreveu “um texto terrível que incluía frases como ‘compreensão especial’ e ‘não estou com vontade de me fazer de tímida ‘. Esperar a resposta foi como tentar manter a cabeça erguida em uma sala que aos poucos vai enchendo de água. Tentava me convencer de que não ia me afogar na humilhação. E ele nunca respondeu”.

 Rapoport, a editora que nunca recebe respostas dos filhos, não é a única que culpa os jovens. “Há uma cortesia profissional que você aprende quando já tem vinte e tantos anos”, diz Leguizamo. “Depois de já ter sido demitido muitas vezes”.

 Independentemente da idade do remetente, uma boa olhada nas razões para as pessoas não responderem, ou responderem de maneira seca, pode ajudar a vida dos não-destinatários.

Um dos cenários foi elucidado por Erin McKean, ex-editora de dicionários da Oxford University Press - emails que exigem esforço são mais ignorados. “Se me mandam um email que requer que eu vá atrás de alguma informação ou desça as escadas, ele vira pedra na minha caixa de entrada. Aí acho que devia mandar algo a mais, como um link engraçadinho para compensar meu atraso – e a procrastinação piora”. Da mesma forma, muitos de nós enrolamos para responder “não” a um RSVP, por exemplo.

Algumas pessoas não respondem porque recebem coisas demais, como o advogado Lawrence Lessig, que em 2004 se livrou da obrigação de responder ao criar uma declaração de “falência de email” que é enviada para todos os remetentes das 200 mensagens que chegam por dia à sua caixa. Desculpando-se por sua falta de “cyber-decência”, Lessig dizia aos remetentes que, se eles reenviassem a mensagem, um programa marcaria seus emails para receberem atenção especial, mas que, mesmo assim, era possível que ele não conseguisse quitar a “dívida”.

Por fim, alguns responsabilizam a falha humana. A atriz Sarah Thyre admite que deleta emails sem querer em seu iPhone. “O ícone da lixeira fica exatamente onde o dedo para depois de dar um scroll!”, lamenta. 
 Então checamos neuroticamente nossas caixas de spam e temos pensamentos rabugentos sobre a pessoa que não nos escreve. Lutamos com quão difícil é se sentir esperando e carente. Em alguns casos, nos dizem que o email foi parar na caixa de spam, uma afirmação que desperta nosso ceticismo ou simpatia (“é a tal mentirinha branca”, diz McKean. “Equivalente a dizer que não pode ir a uma festa porque está mal do estômago”.)

Como lidar

 No fim, além de ativar as confirmações de recebimento, o que muitos acham grosseria, a única esperança é mudar de atitude. “Nós nos comunicamos porque podemos, não porque temos algo importante a dizer”, afirma Forni. “Investimos tempo precioso de nossas reflexões na troca de trivialidades. Quero acreditar que quando nós topamos com esses “buracos negros” de silêncio na internet, isso em parte significa pelo menos que alguém está reagindo à tirania da hiperconexão”. “Devem haver almas espertas e corajosas que perceberam que pensar é mais importante do que comunicar”, acredita. 

 O monge budista Jisho Perry ensinou, 75 horas depois do email com pedido de entrevista ter sido enviado, que “a paciência é a habilidade de acabar com nossas expectativas”.