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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

O Menino que Mentia

O modo mais rápido de perder o caráter é deixar de ser honesto.
Um pastor costumava levar seu rebanho para fora da aldeia. Um dia resolveu pregar uma peça nos vizinhos.
– Um lobo! Um lobo! Socorro! Ele vai comer as minhas ovelhas!
Os vizinhos largaram o trabalho e saíram correndo para o campo para socorrer o menino. Mas encontraram-no às gargalhadas. Não havia lobo nenhum.
Ainda outra vez ele fez a mesma brincadeira e todos vieram ajudar. E ele caçoou de todos.
Mas um dia o lobo apareceu de fato, e começou a atacar as ovelhas. Morrendo de medo, o menino saiu correndo.
– Um lobo! Um lobo! Socorro!
Os vizinhos ouviram, mas acharam que era caçoada. Ninguém socorreu e o pastor perdeu todo o rebanho.

Ninguém acredita quando o mentiroso fala a verdade.

Autor: Esopo

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Frieza

Seis homens ficaram bloqueados numa caverna por uma avalanche de neve. Teriam que esperar até o amanhecer para poderem receber socorro. Cada um deles trazia um pouco de lenha e havia uma pequena fogueira ao redor da qual eles se aqueciam. Se o fogo apagasse - eles sabiam -, todos morreriam de frio antes que o dia clareasse. Chegou a hora de cada um colocar sua lenha na fogueira. Era a única maneira de poderem sobreviver.
O primeiro homem era um racista. Ele olhou demoradamente para os outros cinco e descobriu que um deles tinha a pele escura. Então ele raciocinou consigo mesmo:
- "Aquele negro! Jamais darei minha lenha para aquecer um negro". E guardou-a, protegendo-a dos olhares dos demais.
O segundo homem era um rico avarento. Ele estava ali porque esperava receber os juros de uma dívida. Olhou ao redor e viu no círculo em torno do fogo bruxuleante, um homem da montanha, que trazia sua pobreza no aspecto do semblante e nas roupas velhas e remendadas. Ele fez as contas do valor da sua lenha e enquanto mentalmente sonhava com o seu lucro, pensou:
- "Eu? Dar a minha lenha para aquecer um preguiçoso?" E reservou-a.
O terceiro homem era um negro. Seus olhos faiscavam de ira e ressentimento. Não havia qualquer sinal de perdão ou mesmo aquela superioridade moral que o sofrimento ensina. Seu pensamento era muito prático:
- "É bem provável que eu precise desta lenha para me defender. Além disso, eu jamais daria minha lenha para salvar àqueles que me oprimem". E guardou suas lenhas com cuidado.
O quarto homem era um pobre da montanha. Ele conhecia mais do que os outros os caminhos, os perigos e os segredos da neve. Ele pensou:
- "Esta nevasca pode durar vários dias. Vou guardar minha lenha."
O quinto homem parecia alheio a tudo. Era um sonhador. Olhando fixamente para as brasas. Nem lhe passou pela cabeça oferecer da lenha que carregava. Ele estava preocupado demais com suas próprias visões (ou alucinações?) para pensar em ser útil.
O último homem trazia, nos vincos da testa e nas palmas calosas das mãos, os sinais de uma vida de trabalho. Seu raciocínio era curto e rápido.
- "Esta lenha é minha. Custou o meu trabalho. Não darei a ninguém nem o menor dos meus gravetos".
Com estes pensamentos, os seis homens permaneceram imóveis. A última brasa da fogueira se cobriu de cinzas e finalmente se apagou. Ao alvorecer do dia, quando os homens do Socorro chegara à caverna, encontraram seis cadáveres congelados, cada qual segurando um feixe de lenha. Olhando para aquele triste quadro, o chefe da equipe de Socorro disse:  
- "O frio que os matou não foi o de fora, mas o frio que veio de dentro". 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Amigo se Faz Presente

Um homem que amontoara sabedoria, além da riqueza, auxiliava diversas famílias a se manterem com dignidade. 

Sentindo-se envelhecer, chamou o filho para instruí-lo na mesma estrada de bênçãos. 

Para começar, pediu ao moço que fosse até o lar de um amigo de muitos anos, a quem destinava 300 dinheiros mensais. 

O jovem viajou alguns quilômetros e encontrou a casa indicada. Esperava encontrar um casebre em ruínas mas o que viu foi uma casa modesta, mas confortável. 

Flores alegravam o jardim e perfumavam o ambiente. O amigo de seu pai o recebeu com alegria. Depois de inteligente palestra, serviu-lhe um café gostoso. 

Apresentou-lhe os filhos que se envolviam num halo de saúde e contentamento. 

Reparando a fartura, o portador regressou ao lar sem entregar o dinheiro. 

Para quê? Aquele homem não era um pedinte. Não parecia ter problemas. E foi isso mesmo que disse ao velho pai, de retorno ao próprio lar. 

O pai, contudo, depois de ouvir com calma, retirou mais dinheiro do cofre, dobrou a quantia e disse ao filho: 

"Você fez muito bem em retornar sem nada entregar. Não sabia que o meu amigo estava com tantos compromissos. Volte à residência dele e em vez de trezentos, entregue-lhe seiscentos dinheiros, em meu nome. De agora em diante, é o que lhe destinarei. A sua nova situação reclama recursos duplicados." 

O rapaz relutou. Aquela pessoa não estava em posição miserável. Seu lar tinha tanto conforto quanto o deles. 

"Alegro-me em saber", falou o velho pai. "Quem socorre o amigo apenas nos dias do infortúnio, pode exercer a piedade que humilha, em vez do amor que santifica. 

Quem espera o dia do sofrimento para prestar favor, poderá eventualmente encontrar silêncio e morte, perdendo a oportunidade de ser útil. 

Não devemos esperar que o irmão de jornada se converta em mendigo a fim de socorrê-lo. 

Isso representaria crueldade e dureza de nossa parte. 

Todos podem consolar a miséria e partilhar aflições. Raros aprendem a acentuar a alegria dos seres amados, multiplicando-a para eles, sem egoísmo e nem inveja no coração. 

O amigo verdadeiro sabe fazer tudo isto. Volte pois e atenda ao meu conselho. 

Nunca desejei improvisar necessitados em torno da nossa porta e sim criar companheiros para sempre." 

Entendendo a preciosa lição, o rapaz foi e cumpriu tudo o que lhe havia determinado seu pai. 

O verdadeiro amigo é aquele que sabe se alegrar com todas as conquistas. 

Se ampara na hora da dor e da luta, também sabe sorrir e partilhar alegrias. 

O amigo se faz presente nas datas significativas e deixa seu abraço como doação de si próprio ao outro. 

Incentiva sempre. Sabe calar e falar no momento oportuno. 

Pode estar muito distante, mas sua presença sempre perto. 

O verdadeiro amigo é uma bênção dos céus aos seres na Terra.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

"Podemos dizer a mesma coisa de formas diferentes."



Tamerlão, o Coxo, poderoso rei assírio do século XIII, era um soberano muito cheio de si e consciente das deferências de que se julgava credor por parte de todos os súditos. Ele tinha uma particularidade física notável: um grande e monstruoso nariz, o que muito o aborrecia. Por isso, jamais tinha se deixado retratar.
Quando, porém, já idoso, seu filho e sucessor, preocupado com a possível ausência do retrato do pai na galeria real, tanto insistiu que conseguiu dele a anuência para retratá-lo.
O monarca estabeleceu uma condição: só aceitaria o retrato, como sua estampa oficial, se encontrasse um artista que o pintasse a contento. E os artistas que tripudiassem sua imagem, seriam executados, conforme a tradição do Reino, na forca.
Aceita a condição, mensagens foram espalhadas por todo o Reino, convocando os artistas para a importante e perigosa tarefa. Não obstante os riscos, três se apresentaram, para tentar o que seria a suprema obra de sua vida e ganhar assim fama, reconhecimento e muitas moedas de ouro. Justamente os três melhores mestres da arte pictórica do Reino se apresentaram para o comedido.
O primeiro retratou o monarca tal e qual, com o narigão enorme e tudo. O rei, vendo o quadro acabado, embora admirando o gênio artístico, enfureceu-se com a figura horrenda e mandou enforcar o infeliz artista.
A franqueza rude, contundente, que não hesita em expor toda a realidade dos fatos, doa a quem doer, acabou condenando o primeiro artista. Pessoas com essa atitude podem revelar o mérito da coragem e do desinteresse, mas tiram nota zero em relações humanas.
Veio o segundo e, temeroso, pintou o rei fielmente, com exceção do aberrante apêndice nasal, em cujo lugar colocou irrepreensível narizinho. O soberano, sentindo-se ridicularizado, assinou igualmente a pena capital do segundo, sem comiseração.
Isso se chama "hipocrisia interesseira" e pode revelar inteligência e engenhosidade para distorcer os fatos, a fim de agradar aqueles a quem desejam conquistar.
Chegou a vez do terceiro artista, o qual habilidoso, conhecendo a paixão do rei pela caça, retratou-o portanto um arco, a atirar numa raposa. E o antebraço na arma tapava-lhe justamente o nariz. Vendo o resultado do trabalho, o monarca sorriu satisfeito e recompensou-o generosamente.
Esta é a essência da verdade construtiva, evidenciando o que é útil, edificante e elegante, e, omitindo sutilmente os aspectos menos agradáveis da vida do próximo.


Autor desconhecido
Códigos da Vida
Legrand
Editora Soler

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Nó Górdio

Conta-se que o rei da Frígia (Ásia Menor) morreu sem deixar herdeiro e que, ao ser consultado, o Oráculo anunciou que o sucessor chegaria à cidade num carro de bois. A profecia foi cumprida por um camponês, de nome Górdio, que foi coroado. Para não esquecer de seu passado humilde ele colocou a carroça, com a qual ganhou a coroa, no templo de Zeus. E a amarrou com um nó a uma coluna, nó este impossível de ser desatado e que por isso ficou famoso.
Górdio reinou por muito tempo e quando morreu, seu filho Midas assumiu o trono. Midas expandiu o império, porém, ao falecer não deixou herdeiros. O Oráculo foi ouvido novamente e declarou que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor. O único motivo da fama de Frigia residia nesta carroça especial estacionada em um dos pátios. A carroça estava presa a uma canga pelo nó górdio. Durante mais de 100 anos, o nó górdio desafiara todos os esforços de inteligentes reis e guerreiros.
Até que em 334 a.C. Alexandre, o Grande, ouviu essa lenda ao passar pela Frígia. Intrigado com a questão foi até o templo de Zeus observar o feito de Górdio. No dia designado, o pátio encheu-se de curiosos. Todos haviam falhado, pensavam, e dessa forma, com que novo método poderia Alexandre ter êxito?
Após muito analisar, desembainhou sua espada e cortou o nó facilmente em dois, desatando-o. Lenda ou não o fato é que Alexandre se tornou senhor de toda a Ásia Menor poucos anos depois.
É daí também que deriva a expressão "cortar o nó górdio", que significa resolver um problema complexo de maneira simples e eficaz.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A canção da sobrevivência

Durante a Segunda Guerra Mundial, num imundo campo de concentração em Sumatra, um bando de mulheres magras e desnutridas foram se sentindo sempre mais fracas. 

Até que idealizaram algo que as pudesse aliviar da tortura do aprisionamento e das péssimas condições de alimentação e higiene. 

Foi em dezembro de 1943 que as prisioneiras principiaram a serem avisadas que suas colegas promoveriam um concerto. 

Ao ar livre, em um espaço cercado, a multidão de crianças e mulheres se apinhou. 

Alguém escreveu no chão sujo: orquestra. 

As participantes foram entrando, uma após a outra, cada qual portando um banquinho e algumas folhas de papel. 

Nenhum instrumento à vista. Estranha orquestra. Seria uma brincadeira engendrada pelos guardas brutais, com o fim único de abater o ânimo, já tão escasso daqueles seres sofridos? 

Então, uma missionária presbiteriana, magra, de grossas lentes destacou-se do grupo miserável de vestidos remendados e gastos, de pés descalços, cabeças raspadas e ataduras nas pernas e nos pés, para cobrir as feridas. 

Sua voz soou clara, como um arauto de boas novas: Esta noite vocês ouvirão um coro de vozes femininas produzindo música, geralmente executada por orquestras. 

Fechem os olhos, imaginem-se num teatro imponente e ouçam a música imortal. 

As prisioneiras passaram a imitar o som da orquestra. Num crescendo, as sinfonias invadiram o pavilhão. 

Pelas mentes cansadas das mulheres que ouviam, as imagens se sucediam como por encanto. A Pastoral do Messias do compositor Handel evocou o Natal, um prelúdio do polonês Chopin reavivou lembranças de um amor que um dia existira na fase do namoro e do casamento de muitas delas. 

O som de violinos podia ser ouvido. Em certo momento, o guarda de baioneta no rifle, furioso, investiu contra o grupo. 

No exato momento, o coro atingiu o auge de sua apresentação e ele permaneceu imóvel, como que hipnotizado pelos acordes vocais. 

Por mais três ou quatro vezes, o coro fez concertos. A música lhes renovava as esperanças e o sentido de dignidade humana. 

Quando cantavam, esqueciam que se encontravam num campo de concentração, entre ratos e mau cheiro. 

Suas almas alçavam o vôo da liberdade e em suas asas conduziam as companheiras. 

Além das cercas, dos maus tratos elas andavam nos campos, aspiravam o perfume das flores, adentravam salões de festa, teatros e participavam do grandioso concerto. 

Seu canto as levava para muito além dos muros, da miséria e do desamor. 

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A Vida e a Viagem de Trem

A vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, agradáveis surpresas em muitos embarques e grandes tristezas em alguns desembarques.
Quando nascemos, entramos nesse magnífico trem e nos deparamos com algumas pessoas, que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco, nossos pais.

Infelizmente isso não é verdade, em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos do seu carinho, amizade e companhia insubstituível. Isso porém não nos impedirá que durante o percurso, pessoas que se tornarão muito especiais para nós, embarquem. Chegam nossos irmãos, amigos, filhos e amores inesquecíveis!

Muitas pessoas embarcarão nesse trem apenas a passeio, outras encontrarão no seu trajeto somente tristezas e ainda outras circularão por ele prontos a ajudar quem precise.

Vários dos viajantes quando desembarcam deixam saudades eternas, outros tantos quando desocupam seu assento, ninguém nem sequer percebe.

Curioso é constatar que alguns passageiros que se tornam tão caros para nós, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos, portanto somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não nos impede é claro que possamos ir ao seu encontro. No entanto, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já haverá alguém ocupando aquele assento.

Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas, porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com os outros passageiros, procurando em cada um deles o que tiverem de melhor, lembrando sempre que em algum momento eles poderão fraquejar e precisaremos entender, porque provavelmente também fraquejaremos e com certeza haverá alguém que nos acudirá com seu carinho e sua atenção.

O grande mistério afinal é que nunca saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros de viagem, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado. Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades. Acredito que sim, me separar de muitas amizades que fiz será no mínimo doloroso, deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos será muito triste com certeza... mas me agarro na esperança que em algum momento
estarei na estação principal e com grande emoção os verei chegar. Estarão provavelmente com uma bagagem que não possuíam quando embarcaram e o que me deixará mais feliz será ter a certeza que de alguma forma eu fui uma grande colaboradora para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.

Amigos, façamos com que a nossa estada nesse trem seja tranqüila, que tenha valido a pena e que quando chegar a hora de desembarcarmos o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Um Exercício de Atenção

Plena Atenção, Eficaz Ação
sala de casa
Para o bom observador, uma tarefa complexa, tende a se tornar coisa bastante simples...
De onde ele estava, podia ver todo movimento da casa. Era começo de inverno, e nessas ocasiões a casa ficava repleta de mosquitos. Bastavam os primeiros trovões, e então todos saiam de suas tocas, para fundarem novas colônias. Quantos insetos existiriam no mundo dos insetos? Ele conhecia muito pouco sobre suas origens, uma vez que se especializara desde cedo, apenas em seus hábitos naturais, que era a coisa necessária à sua sobrevivência.

Afinal de contas, aquilo era a única coisa que para ele importava. Mas agora, refletindo melhor, era estranho aquele sentimento, aquele questionamento. Era algo que vinha do fundo da sua mente, ou seria alma? Era um pensamento que não conseguia reter. Questionar a origem das coisas era uma novidade para si. Lembrou que entre seus amigos, nunca escutara conversa alguma sobre isso, pois a coisa era considerada uma espécie de tabu, algo que devia ser, naturalmente, evitado.

Pensou em ir falar com a sua mãe sobre aquilo, talvez ela soubesse mais para lhe esclarecer, nem que fosse o básico. Ao contrário dos outros da sua idade, ele conversava coisas assim com sua mãe. Ela sempre lhe dera essa confiança, tanto que agora a considerava, além de mãe, como uma grande amiga. O problema é que se aproximava da hora do jantar, e todos aqueles insetos pelas paredes da casa, desviavam sua atenção, disso que classificou como um chamado interior.

Essa dúvida teria que esperar um pouco mais. Depois de anos de prática, talvez fosse próprio de sua fisiologia, pois conseguia, se quisesse, ficar completamente imóvel. Algumas vezes fazia de propósito, apenas para ver a reação das pessoas da casa. Como as pessoas da casa já o conheciam, não se importavam com isso. Assim, ele ficava um tempão, estático, parado. Podia ser na sala, podia ser no quarto, e todos respeitavam, deixando-o quieto.

Lembrou de um documentário sobre um campeão olímpico. Disseram no filme, que ele era capaz de andar tão sutilmente, que parecia estar parado. Seus amigos também diziam o mesmo a seu respeito. E embora a convivência na casa fosse boa, sabia que não podia haver exageros. Ser discreto era a certeza de um convívio harmonioso. A correta higiene, também era um fator de longevidade, pois as pessoas gostam de ambientes limpos, ao menos aquelas que ali moravam.

E como ele também era um morador do local, seguia as regras da casa. Mas isso não era problema, pois desde cedo, aperfeiçoara suas técnicas de limpeza. Uma senhora mais velha, que ele considerava como uma segunda mãe, o ensinara muita coisa, que agora sabia ser bastante útil e necessário para uma vida saudável.

Sobre insetos ele conhecia bastante. Sabia por exemplo, que eles não conseguem ficar voando para sempre, e eventualmente, precisam pousar nas paredes ou no chão, para descansar um pouco. Era nesse momento que ele deveria agir. Se eles descansassem o bastante para alçar vôo outra vez, sua investida seria em vão. Assim, o ideal era fazer a abordagem, imediatamente, logo após seu pouso. Havia uma tolerância do tempo de permanência deles na mesma posição, após o pouso, e embora nunca soubesse de quanto era esse tempo, a prática que tinha desenvolvido com a experiência, superava essa falta de informação.

Os menores eram mais irrequietos, mas em compensação, permaneciam parados nas paredes mais tempo que os maiores. Estes, os maiores, além de muito rápidos na retomado de seus vôos, quase não ficavam parados, por isso eram mais difíceis de serem capturados. Naquele momento, observando as coisas à sua volta, se deu conta do quanto era imenso o mundo fora daquela casa. Mas, ele era muito apegado àquela família. Ali todos o tratavam bem. Era uma comunhão onde o respeito mútuo predominava.

A verdade é que se sentia bem ali dentro, pois não havia muito barulho e as pessoas adoravam coisas, tais como, comida orgânica, biodiversidade, equilíbrio natural das espécies. Mantinham enfim, uma postura ecologicamente correta, por assim dizer. Por isso mesmo, não tinha problemas de alergias com os inseticidas, o que certamente não aconteceria, por exemplo, na casa do vizinho, onde a toda semana, uma nova marca de veneno era testada.

Aprendera na escola, que uma classe de insetos do tipo joaninha, ou percevejos do mato, deveriam ser evitados, pois exalavam um forte e tóxico cheiro quando se sentiam ameaçados. Ele lembrava da história de uma guerra entre os primeiros clãs das lagartixas, onde uma bomba de essência de joaninha fora lançada sobre uma cidade distante, no oriente, e diziam que por lá, nunca mais foi visto nenhuma lagartixa.

Mas, ali naquela casa era diferente, pois ele, como Lagartixa, era muito bem vindo, e era até considerado um elemento necessário à limpeza, e como fator de equilíbrio natural do nível de insetos, daquele ambiente.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Será que Realmente Sentem Inveja de Você?

Texto do  Escritor: Alexandre  Henry 


Que a inveja é uma porcaria, a gente já sabe. Tem muita gente que vive para querer o que a pessoa ao lado tem, seja o carro novo, o namorado mais rico, a roupa da nova coleção, o par de brincos que saiu na TV, enfim, para quem é invejoso não há limites para desejar as conquistas de quem está por perto. Isso é fato.

Mas, vamos refletir um pouco: será que realmente você é uma pessoa que provoca inveja em todos os que estão ao seu redor? Pergunto isso porque vira e mexe vejo adesivos em carros ou frases de efeito no Facebook desdenhando a cobiça alheia. Aliás, há uma clássica: “A força da sua inveja é a velocidade do meu sucesso”. O único problema é que nunca vi frase assim em uma Ferrari ou um Porshe, muito menos vi alguém podre de rico, muito famoso ou poderoso ficar no Facebook falando que a inveja dos outros é combustível para o sucesso dele.

Mas, em compensação, estou cansado de ver adesivos do gênero em carros caindo aos pedaços ou pessoas na lama gritando aos quatro ventos na internet que não adianta sentirem inveja, pois isso “não me derrubará”. Derrubar de onde, cara pálida? Do buraco? O que é que você tem assim de tão especial para provocar tamanha cobiça alheia, tamanho olho gordo? Ganhou na Mega Sena? É lindo feito uma estrela de Hollywood? Tem tanto dinheiro quanto o Eike Batista? É tão poderoso quanto um presidente de uma multinacional? Tem a fama de um jogador de futebol talentoso? Se não tem nada disso, então podem até sentir inveja de uma ou outra conquista sua, mas aquela inveja geral e completa, esteja certo que ninguém sente por você.

Então, vamos parar com essas frases de efeito porque elas só denunciam que você está em uma situação tão ruim que precisa ficar provocando os outros para ver se consegue um pouco de atenção. A verdade é que quem realmente é rico, lindo, famoso, poderoso ou querido por todos não tem tempo, necessidade ou interesse de se preocupar com a inveja alheia, muito menos de ficar colando adesivos no carro ou espalhando frases pela internet para desdenhar a cobiça do vizinho. Quem está bem na vida simplesmente vive e se esquece dos outros que podem ter qualquer sentimento negativo. Aliás, quem é realmente digno de inveja normalmente não chega a provocá-la nas outras pessoas, porque o sucesso de verdade causa muito mais admiração do que inveja.

Por isso, o melhor que você faz é se concentrar na sua própria vida, lutar para conseguir o que quer, ser uma pessoa do bem e espalhar sentimentos bons, pois assim, mesmo que você esteja repleto de conquistas capazes de despertar a inveja dos outros, sua energia positiva fará com que as piores pessoas queiram se aproximar de você por admiração, nunca por inveja.

O Oleiro e o Poeta

Há muito tempo, na cidade de Zahlé, ocorreu uma rixa entre um jovem poeta, de nome Fauzi, e um oleiro, chamado Nagib. 

Para evitar que o tumulto se agravasse, eles foram levados à presença do juiz do lugarejo. 

O juiz, homem íntegro e bondoso, interrogou primeiramente o oleiro, que parecia muito exaltado. 

"Disseram-me que você foi agredido? Isso é verdade?" 

"Sim, senhor juiz." - confirmou o oleiro - "fui agredido em minha própria casa por este poeta. Eu estava, como de costume, trabalhando em minha oficina, quando ouvi um ruído e a seguir um baque. 

Quando fui à janela pude constatar que o poeta Fauzi havia atirado com violência uma pedra, que partiu um dos vasos que estava a secar perto da porta. 

Exijo uma indenização!" - gritava o oleiro. 

O juiz voltou-se para o poeta e perguntou-lhe serenamente: "Como justifica o seu estranho proceder?" 

"Senhor juiz, o caso é simples." - disse o poeta. 

"Há três dias eu passava pela frente da casa do oleiro Nagib, quando percebi que ele declamava um dos meus poemas. Notei com tristeza que os versos estavam errados. Meus poemas eram mutilados pelo oleiro. 

Aproximei-me dele e ensinei-lhe a declamá-los da forma certa, o que ele fez sem grande dificuldade. 

No dia seguinte, passei pelo mesmo lugar e ouvi novamente o oleiro a repetir os mesmos versos de forma errada. 

Cheio de paciência tornei a ensinar-lhe a maneira correta e pedi-lhe que não tornasse a deturpá-los. 

Hoje, finalmente, eu regressava do trabalho quando, ao passar diante da casa do oleiro, percebi que ele declamava minha poesia estropiando as rimas e mutilando vergonhosamente os versos. 

Não me contive. 

Apanhei uma pedra e parti com ela um de seus vasos. 

Como vê, meu comportamento nada mais é do que uma represália pela conduta do oleiro." 

Ao ouvir as alegações do poeta, o juiz dirigiu-se ao oleiro e declarou: "que esse caso, Nagib, sirva de lição para o futuro. Procure respeitar as obras alheias a fim de que os outros artistas respeitem as suas. 

Se você equivocadamente julgava-se no direito de quebrar o verso do poeta, achou-se também o poeta egoisticamente no direito de quebrar o seu vaso." 

E a sentença foi a seguinte: "determino que o oleiro Nagib fabrique um novo vaso de linhas perfeitas e cores harmoniosas, no qual o poeta Fauzi escreverá um de seus lindos versos. Esse vaso será vendido em leilão e a importância obtida pela venda deverá ser dividida em partes iguais entre ambos." 

A notícia sobre a forma inesperada como o sábio juiz resolveu a disputa espalhou-se rapidamente. 

Foram vendidos muitos vasos feitos por Nagib adornados com os versos do poeta. Em pouco tempo Nagib e Fauzi prosperaram muito. Tornaram-se amigos e cada qual passou a respeitar e a admirar o trabalho do outro. 

O oleiro mostrava-se arrebatado ao ouvir os versos do poeta, enquanto o poeta encantava-se com os vasos admiráveis do oleiro. 


Cada ser tem uma função específica a desenvolver perante a sociedade. Por isso, há grande diversidade de aptidões e de talentos. 

Respeitar o trabalho e a capacidade de cada um possibilita-nos aprender sobre o que não conhecemos e aprimorar nossas próprias atividades. 

Respeito e colaboração são ferramentas valiosas para o desenvolvimento individual e coletivo.


"O livro de Aladim", de Malba Tahan, páginas 50 e 53, Editora Record, 2001

sábado, 15 de fevereiro de 2014

A verdadeira coragem

Você saberia definir, com exatidão, o que é coragem? 

Muitos, talvez, respondam a esta pergunta fazendo referência a atos impulsivos, impensados, e até mesmo violentos que, não raramente, colocam a vida de alguém em risco. 

Quase sempre esta palavra está associada à impetuosidade e à agressividade nos atos, o que leva os indivíduos a resvalarem na precipitação, incapazes de conter ímpetos de violência sob a desculpa de serem corajosos. 

Mas, então, qual o real significado desta palavra? 

Um dicionário renomado da língua brasileira define coragem como a energia moral perante situações difíceis. 

A coragem verdadeira traz, em si, o equilíbrio como base de todas as decisões, de todos os sentimentos, de todas as atitudes. 

Dá forças para suportar todas as dificuldades sem derrotismo; mas com o entendimento do que está acontecendo, e, consequentemente, com a possibilidade de buscar a melhor maneira de enfrentar qualquer situação. 

Quem é corajoso traz em si a serena confiança nas próprias resistências, não se expondo indevidamente, nem se permitindo os sentimentos inferiores de raiva, ou o desejo de vingança. 

Ter autodisciplina exige coragem. A autodisciplina desenvolve verdadeiros tesouros morais que enriquecem o ser humano. 

Coragem é conquista conseguida na sucessão das experiências evolutivas, entre variadas dificuldades e sofrimentos, mediante os quais se adquire resistência moral e calma. 

É a força moral daqueles que, sendo pobres de haveres materiais, perseveram diante das dificuldades com resignação, sem desistir. 

É a força que impele os idealistas que, com convicção, defendem aquilo em que acreditam, e não forçam outros a neles acreditar. 

É necessário coragem para que o indivíduo mantenha-se humano, comporte-se de maneira adequada, sofra com dignidade, alegre-se sem exageros. 

Pais corajosos educam seus filhos com base em valores morais e éticos. 

Filhos corajosos respeitam e amam seus pais, e não se deixam guiar por modismos ou frivolidades. 

Famílias corajosas mantêm-se unidas, e seus membros apoiam-se mutuamente nas dificuldades, alegrando-se todos com os sucessos de cada um. 

O estudante corajoso valoriza o aprendizado; o mestre corajoso não desiste jamais. 

O cidadão corajoso ama sua pátria e respeita as leis vigentes.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

A essência da liderança servidora


A figura do chefe que apenas emite ordens rigorosamente para que seus liderados as cumpram, já não tem mais espaço no contexto organizacional. Com o passar do tempo, as organizações foram sofrendo transformações, a fim de se tornarem mais competitivas e se expandirem, o que gerou uma necessidade por líderes que desenvolvam suas equipes, reconhecendo talentos e os potencializando, pois o líder é um retrato da cultura de sua organização. Nesse sentido, uma das grandes necessidades do ser humano é a de despertar a sua liderança.

O verdadeiro líder não é aquele que age de forma autoritária, mas sim aquele que serve melhor aos demais, digo servir, pois o líder desempenha um papel importante na transformação e desenvolvimento de sua equipe, sendo agente inspirador para promover ações que sejam congruentes com os objetivos da organização e demonstrem resultados produtivos, além de contribuir para o desenvolvimento dos talentos e potencialidades de seus liderados, fazendo desta forma, uma liderança mais humana. O líder é aquele que em pouco tempo consegue enxergar e reconhecer a capacidade de alguém.

Porém, antes de liderar outras pessoas é necessário desenvolver a liderança da própria vida. Robert Bonarc diz: "Antes de liderar outros, dirigir empresas, comandar exércitos, governar nações, aprenda a ser o líder de si mesmo e a dirigir sua própria vida". Desta forma, aqueles que desejam liderar, precisam primeiro desenvolver a autoliderança, pois como pode alguém liderar uma equipe, se não consegue liderar os próprios pensamentos, sentimentos e ações?

A autoliderança é um processo que gera desenvolvimento, consciência nas ações e poder pessoal para determinar e cumprir com seu projeto de vida e carreira. Neste processo, quanto mais mergulhar dentro de si, com honestidade, procurando se conhecer melhor, mais poder pessoal irá gerar para conquistar objetivos pessoais e profissionais.

A liderança é uma arte que pode ser desenvolvida com paciência e humildade. Todos somos líderes, ainda que alguns de forma inconsciente, e se você acha que não lidera em nenhuma situação, seguem alguns exemplos que talvez façam você mudar de ideia:
- Quando você escolhe que carreira irá seguir, você está liderando.
- Quando você decide dar um passo importante na sua vida, você também está liderando.
- Um professor é o líder de sua sala de aula, os pais são os líderes de seus filhos e você é o líder de suas próprias ações.

Entretanto, muitas vezes esta liderança está adormecida e pode permanecer assim por anos, ou até mesmo por toda a vida, caso o líder interno não seja despertado e desenvolvido. Nesse sentido, ter alguém que lhe apoie é fundamental, um líder no seu trabalho ou alguém que seja modelo e referência de liderança para você, pois a jornada na busca por este desenvolvimento sozinho é um pouco mais trabalhosa, mas não é impossível. Hoje, a busca pelo processo de coaching é muito grande, porque este processo apoia no desenvolvimento das habilidades de liderança e da autoliderança, e traz resultados mais produtivos e mais rápidos.

O líder deve ter bem claro qual é sua visão, seus valores, quais são seus papéis e o que é esperado dele. Também precisa avaliar se possui as competências, as habilidades e as atitudes necessárias para conduzir sua equipe em triunfo, motivando e retendo talentos, transformando dificuldades em oportunidades, trazendo soluções para as questões organizacionais com determinação e agilidade necessárias ao cenário em que as organizações estão inseridas nos dias atuais. Neste cenário, um novo estilo de liderança vem tomando espaço cada vez maior, o líder coach, aquele que através da metodologia do coaching, desempenha um papel transformador e agregador na organização.

O líder coach apoia seus liderados a encontrarem respostas e soluções, fornece feedbacks constantes, ouve com muita atenção e percebe modelos mentais que levam seus liderados a agirem de determinada maneira. Desta forma, o líder coach trabalha com o liderado a fim de encontrar opções rumo a mudança. Busca sempre desenvolver competências, e mantém seu foco na solução.

Esse líder é questionador, instiga e leva seus liderados a um nível mais alto de autoconhecimento e desenvolvimento. Sócrates por exemplo, definia-se como um "parteiro de almas", porque através de seus questionamentos, conduzia o interlocutor ao autoconhecimento. O líder coach é alguém que está em constante aprendizado. E aqueles que aprendem sempre têm muito a ensinar. É esta a cultura que o lídercoach leva para dentro da sua organização, de aprender e ensinar, a fim de gerar o aperfeiçoamento contínuo de si mesmo e daqueles com os quais se relaciona, gerando novos líderes.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um Silêncio Eloquente


O hábito de reclamar é bastante difundido hoje em dia, ante a mínima contrariedade ou decepção, reclamações e discussões costumam surgir. Tem-se a impressão de que todos esperam uma vida perfeita. 

Como a perfeição não é deste mundo, explodem os destemperos e os atritos, quase sempre se a devida necessidade. Vejamos os exemplos:

A esposa se agasta com a pouca atenção que sustenta receber do esposo. 
O empregado reclama das exigências do patrão, o chefe se irrita com as falhas dos subordinados. 
Irmãos se atacam, sob o menor pretexto, hoje vivemos num mundo impaciente, sem a menor tolerância. 
Estudantes blasfemam contra o professor exigente, mestres discursam a respeito da pouca dedicação de seus discípulos. 
Quem tem alguma enfermidade se acha uma vítima da vida, é comum ouvirmos: "o ruim só acontece comigo."
Há aqueles que cuidam de algum parente enfermo, ou idoso também bufam contra a vida. 
De um modo ou de outro, os homens em geral parecem contrariados. Vivem à míngua de um mundo cor-de-rosa no qual possam viver, fazem com que todos saibam que estão descontentes. 
Muitos não têm o cuidado de examinar no próprio íntimo os seus dissabores, não se indagam da razão pela qual passam por dificuldades. Especialmente, olvidam o silêncio como forma de preservar a paz do próximo. 

Mas há um exemplo sobre o qual convém refletir. Trata-se do comportamento de Jesus Cristo. 
No fim de seu ministério, Jesus Cristo passou por momentos difíceis, mas sem jamais  reclamar. Não poder ser acusado de negligência ou de omisso. Se foi firme e jamais buscou culpa em quem quer que seja. Sempre Se posicionou com firmeza, em defesa do bem e da verdade, quando preciso, se levantou com determinação sua voz contra as hipocrisias dos fariseus; esclareceu de modo vigoroso os que faziam do Templo um local de comércio. 

Contudo, na hora de seu testemunho maior, ao invés de reclamar calou a própria voz. 
A caminho do calvário, passou em espetáculo para o povo, com a alma mergulhada em um maravilhoso e profundo silêncio, sem proferir a mais leve acusação, caminhou humilde, coroado de espinhos. Não Se agastou com a ignorância que lhe colocou nas mãos uma cana imunda, à guisa de cetro. 

Não Se incomodou com as cusparadas dos populares exaltados, no momento do calvário, Jesus Cristo atravessou as ruas de Jerusalém em um silêncio pleno de significados. 
Como se desfilasse diante da Humanidade inteira, ensinou a virtude da tranquila submissão à vontade de Deus. 

Antes de reclamar da vida, reflita sobre esse exemplo, Jesus Cristo era puro e não desdenhou o sacrifício dele por nós. 


Porém disse: "Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade”. (João 18:37)

Entretanto, nós certamente ainda carecemos de muitas experiências para completar nosso processo amadurecimento, se a vida lhe faz exigências, vá a luta. 
Não espere a todo momento ser auxiliado e compreendido, habitue-se a ser quem entende e ampara. 
Tendo em mente o maravilhoso silêncio de Jesus Cristo diante dos seus opressores, aprenda a também silenciar suas queixas.

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;. 2E andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus... Efésios 5:1-2

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Alguém Está Vendo Você


Certa vez, um homem resolveu invadir os campos de um vizinho para roubar um pouco de trigo. "Se eu tirar um pouco de cada campo, ninguém irá perceber", pensou. "Mas reunirei uma bela pilha de trigo." Então ele esperou pela noite mais negra, quando grossas nuvens cobriam a lua, e saiu às escondidas de casa, levando consigo sua filha mais nova.
– Filha – ele sussurrou – , fique de guarda para o caso de alguém aparecer.
O homem entrou silenciosamente no primeiro campo e começou a colheita. Logo depois, a criança gritou:
– Papai, alguém está vendo você!
O homem olhou em volta, sem ver ninguém; juntou então o trigo roubado e seguiu adiante para o segundo campo.
– Papai, alguém está vendo você! – gritou a criança de novo.
O homem parou e olhou em volta, mas não viu qualquer pessoa, por isso amarrou o trigo roubado e esqueirou-se para o último campo.
– Papai, alguém está vendo você! – gritou a criança novamente.
O homem parou a colheita, olhou para todos os lados e, mais uma vez, não viu pessoa alguma.
– Por que você fica dizendo que alguém está me vendo? – perguntou ele zangado. – Já olhei para todos os lados e não vejo ninguém.
– Papai – murmurou a criança – , alguém está vendo você lá de cima.

A fé revela que nenhuma ação passa despercebida. Acreditando nisso, agimos melhor.
O Livro das Virtudes para Crianças
William J. Bennett - Editora Nova Fronteira

domingo, 9 de fevereiro de 2014

O PERIGO DO VERDADEIRO INFERNO

Por: Cleide Canton

A força do homem está no lapidar-se. Somos perfeitos na essência mas ainda claudicantes na edificação das estruturas da nossa personalidade.

     Não é fácil o construir-se e erramos desde o princípio. Não sei ainda onde se baseiam os que ainda teimam em dizer que nossos tempos são melhores dos que os de nossos avós em todos os aspectos culturais. Ou são realmente cegos ou se fazem de.

      A sociedade leva o homem às opções de suas ações mas o homem é o responsável pela sociedade da qual faz parte. Então, o erro social é conseqüência do erro do homem. Novamente estamos nos preocupando em tentar consertar os efeitos e esquecer a causa primeira: a educação.

     Acordem, pais! Acordem jovens! Nós estamos todos errando e é preciso uma atitude firme e consciente.

      Acordem mães! Nossos filhos são resultantes da sementinha que nós não mais estamos fornecendo, da rega que não estamos cuidando, da aceitação tácita e confortável de que não há mais nada que fazer, das desculpas da nossa falta de tempo, da anuência ao excesso de liberdade a vista de que isso é conseqüência do modernismo.

      Pais Modernos! Para mim isso já se tornou um papo mais do que inútil! Está aí o resultado. E a culpa foi nossa, sim. Erramos desde o princípio, quando, conscientemente, quisemos dar aos nossos filhos aquilo que não tivemos. Que luta gloriosa, não é? A nossa maior preocupação não deveria ser "dar a eles o que não tivemos" e sim,"favorecê-los para que fossem o que não fomos".

      Perdemos a autoridade a partir do momento que o transformamos em apenas "amigos". E quem é que disse que para ser amigo do filho deve-se tratá-lo de igual para igual? Está aí o resultado: uma juventude sem estímulo, sem o mínimo de respeito a valores, sem cultura, centrados num egoísmo que os faz agir apenas em benefício de si próprios, cobrando-nos um amor baseado apenas no que eles chamam de "direitos", alheios a qualquer sentimento de solidariedade, respeito, religiosidade e patriotismo. Nada querem além de "curtir" o hoje, viver intensa e perigosamente.

      E nós, esperando que um milagre aconteça e os faça enxergar.

      Nossas escolas, no intuito de "prepará-los para a vida, perderam o referencial do "conteúdo". Para evitar as conseqüentes reprovações, promovem sem o mínimo de conhecimento, queimando etapas do aprendizado, lacunas que jamais serão preenchidas e que, mais adiante, provocarão seqüelas irreversíveis.

      E ainda tenho que ouvir os "doutos" afirmarem com convicção, que não tenhamos preocupações, pois na hora certa, dar-se-á o famoso "insight", justificativa daqueles (sempre bondosos e compreensivos) que, novamente e sempre, empurram com a barriga, para o amanhã, o que deveria ser resolvido e consertado hoje. Isto não é bondade, tolerância, compreensão. Isto é falta de ação, de garra. Vou além: Isso é covardia, é cegueira conveniente e conivente.

      Novamente, vamos combater as conseqüências de erros perfeitamente previsíveis, senão pela cabeça dos sensatos, certamente pelos resultados nefastos que se tem visto, desde o princípio.

      Nossos jovens não sabem ler, já perceberam? Talvez não seja bem assim. O que quero dizer é que não sabem ler entendendo o que foi escrito. Os pais dos nossos jovens também. Se antes precisávamos ler para reter, hoje precisamos ler várias vezes para entender ( e olhe que nosso linguajar está cada vez mais pobre).

     Se estamos onde estamos, imaginem aonde chegaremos! Mas afinal, para que nos preocuparmos com isso, não é? Temos tantos problemas "mais importantes"...


      "Quando escrevo sou extremamente egoísta. Escrevo para mim mesma.
Não existe dentro de mim um advogado de defesa muito bom, mas o acusador é terrível! Critico-me, reconsidero, aconselho-me, penitencio-me. Jamais sinta meu dedo acusador apontado para você, mas se a carapuça servir, espero que seu defensor ( aquele que somente fala consigo) seja muito melhor que o meu". 

sábado, 8 de fevereiro de 2014

A arte de cultivar virtudes

Um avô e seu neto caminhando pelo quintal, ora se agachando aqui, ora ali, em animada conversação, não é cena muito comum nos dias atuais. 

O garoto, de 4 anos de idade, aprendia a cultivar e a cuidar das plantas com o exemplo do seu avô, que tinha tempo para o netinho, sempre que este o visitava. 

Era por isso que o pequeno Nícolas acariciava as mudinhas que havia plantado e dizia: Quem planta colhe, né, vovô? 

Mas o avô não é habilidoso apenas no cultivo de plantas, é hábil também na arte de cultivar virtudes. 

Entre uma conversa e outra, entre a carícia numa flor e uma erva daninha que arrancava, ele ia cultivando virtudes naquele coração infantil. 

Ia ensinando que, para obter frutos saborosos e flores perfumadas, é preciso cuidado, dedicação, atenção e conhecimento. 

E que, acima de tudo, é preciso semear, pois sem semeadura não há colheita. 

O cuidado do pequeno Nícolas pelas plantas era fruto do ensinamento que recebeu desde pequenino, pois nem sempre foi assim. 

Quando começou a engatinhar, suas mãozinhas eram ligeiras para arrancar tudo o que via pela frente, como qualquer bebê que quer conhecer o mundo pela raiz... 

E, se não tivesse por perto alguém que lhe ensinasse a respeitar a natureza, talvez até hoje seu comportamento fosse o mesmo, como muitas crianças da sua idade ou até maiores. 

Importante observar que as melhores e mais sólidas lições as crianças aprendem no dia-a-dia, com os exemplos que observam nos adultos. 

É mais pela observação dos atos do que pelos conselhos, que os pequenos vão formando seus caracteres. 

Se a criança cresce em meio ao desleixo, ao descuido, às mentiras, ao desrespeito, vendo os adultos se agredindo mutuamente, ela aprenderá essas lições. 

Assim, se temos a intenção de passar nobres ensinamentos a alguém, se faz necessário que prestemos muita atenção ao nosso modo de vida, às nossas ações diárias. 

Como todo bom jardineiro, os educadores devem ser bons cultivadores de valores e virtudes. 

Devem observar com cuidado as tendências dos filhos e procurar semear na alma infantil, as sementes das virtudes. 

Ao mesmo tempo devem preservá-la das ervas-daninhas, das pragas, da seca e das enchentes. Sem esquecer jamais o adubo do amor. 

A alma da criança que cresce sem esses cuidados básicos, por parte dos adultos, geralmente se torna campo tomado pelas ervas más dos vícios de toda ordem. 

E, de todas as ervas más, as mais perigosas são o orgulho e o egoísmo, pois são as que dão origem às demais. 

Por isso a importância dos cuidados desde cedo. E para se ter êxito nessa missão de jardineiro de almas, é preciso atenção, dedicação, persistência, determinação. 

O campo espiritual exige sempre o empenho do amor do jardineiro para que possa produzir bons resultados. 

E o empenho do amor muitas vezes exige alta dose de renúncia e de coragem. Coragem de renunciar aos próprios vícios para dar exemplos dignos de serem seguidos. 

Os jardins da alma infantil são férteis e receptivos aos ensinamentos que percebem nas ações dos adultos. 

Por essa razão, vale a pena dedicar tempo no cultivo das virtudes, antes que as sementes de ervas-daninhas sejam ali jogadas, nasçam e abafem a boa semente. 

Para que você seja um bom cultivador de almas, é preciso que tenha, na sua sementeira interior, as mudinhas das virtudes. 

Somente quem possui pode oferecer. Somente quem planta pode colher. 

Pense nisso, e seja um cultivador de virtudes.


Autor: Desconhecido

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Gratidão

O homem, por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrina. 

Os olhos da cor do céu brilharam quando viu determinado objeto. 

Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesas azuis. "é para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?" 

O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou: "quanto dinheiro você tem?" 

Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse: "isto dá, não dá?" 

Eram apenas algumas moedas, que ela exibia orgulhosa. 

- Sabe, eu quero dar este colar azul para a minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos seus olhos." 

O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde. 

- Tome, leve com cuidado. 

Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo. 

Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de longos cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis, adentrou a loja. 

Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e indagou: 

- Este colar foi comprado aqui? 

- Sim, senhora. 

- E quanto custou? 

- Ah, falou o dono da loja, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o freguês. 

A moça continuou: "mas minha irmã tinha somente algumas moedas. O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!" 

O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem. 

- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar - disse ele. 

- Ela deu tudo o que tinha. 

O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram pelas faces jovens, enquanto suas mãos tomavam o embrulho e ela retornava ao lar, emocionada. 

...

Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura. 

E a gratidão é sempre a manifestação dos espíritos que têm riqueza de emoções e altruísmo. 

Sê sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. 

Gratidão, como amor, é também dever que não apenas aquece quem recebe, como reconforta quem oferece.

O zelador da Fonte

Conta uma lenda austríaca que em determinado povoado, havia um pacato habitante da floresta que foi contratado pelo Conselho Municipal para cuidar das piscinas que guarneciam a fonte de água da comunidade. 

O cavalheiro com silenciosa regularidade, inspecionava as colinas, retirava folhas e galhos secos, limpava o limo que poderia contaminar o fluxo da corrente de água fresca. 

Ninguém lhe observava as longas horas de caminhada ao redor das colinas, nem o esforço para a retirada de entulhos. 

Aos poucos, o povoado começou a atrair turistas. Cisnes graciosos passaram a nadar pela água cristalina. 

Rodas d´água de várias empresas da região começaram a girar dia e noite. 

As plantações eram naturalmente irrigadas, a paisagem vista dos restaurantes era de uma beleza extraordinária. 

Os anos foram passando. Certo dia, o Conselho da cidade se reuniu, como fazia semestralmente. 

Um dos membros do Conselho resolveu inspecionar o orçamento e colocou os olhos no salário pago ao zelador da fonte. 

De imediato, alertou aos demais e fez um longo discurso a respeito de como aquele velho estava sendo pago há anos, pela cidade. 

E para quê? O que é que ele fazia, afinal? Era um estranho guarda da reserva florestal, sem utilidade alguma. 

Seu discurso a todos convenceu. O Conselho Municipal dispensou o trabalho do zelador da fonte de imediato. 

Nas semanas seguintes, nada de novo. Mas no outono, as árvores começaram a perder as folhas. 

Pequenos galhos caíam nas piscinas formadas pelas nascentes. 

Certa tarde, alguém notou uma coloração meio amarelada na fonte. Dois dias depois, a água estava escura. 

Mais uma semana e uma película de lodo cobria toda a superfície ao longo das margens. 

O mau cheiro começou a ser exalado. Os cisnes emigraram para outras bandas. As rodas d´água começaram a girar lentamente, depois pararam. 

Os turistas abandonaram o local. A enfermidade chegou ao povoado. 

O Conselho Municipal tornou a se reunir, em sessão extraordinária e reconheceu o erro grosseiro cometido. 

Imediatamente, tratou de novamente contratar o zelador da fonte. 

Algumas semanas depois, as águas do autêntico rio da vida começaram a clarear. As rodas d´água voltaram a funcionar. 

Voltaram os cisnes e a vida foi retomando seu curso. 


Assim como o Conselho da pequena cidade, somos muitos de nós que não consideramos determinados pessoas. 

Aqueles que se desdobram todos os dias para que o pão chegue à nossa mesa, o mercado tenha as prateleiras abarrotadas; os corredores do hospital e da escola se mantenham limpos. 

Há quem limpe as ruas, recolha o lixo, dirija o ônibus, abra os portões da empresa. 

Servidores anônimos. Quase sempre passamos por eles sem vê-los. 

Mas, sem seu trabalho, o nosso não poderia ser realizado ou a vida seria inviável. 

O mundo é um gigantesco parque, onde cada um tem uma tarefa específica,

Se alguém não executar o seu papel, muitos pereceram. 

Dependemos uns dos outros; Para viver, para trabalhar e para ser felizes! 


O zelador da fonte, de Charles R. Swindoll, do livro Histórias para o coração, de Alice Gray, ed. United Press.