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sábado, 30 de novembro de 2013

GÊNIO EXECUTIVO



Max Gehringer

Mello tinha mandado derrubar uma parede do escritório, e atrás dela descobriu uma garrafa velha, com uma forma estranhíssima. Quando ele tentava tirar a poeira da garrafa, ela fez "puf!" e um sujeito apareceu do nada. Executivo experimentado e acostumado a avaliar pessoas num relance, o Mello percebeu logo de cara que o "aparecido" era suspeito, porque não estava usando o crachá de visitante. Mas, fora isso, era até uma figura normal: terno e gravata, sapato combinando com o cinto, abotoaduras douradas, turbante, meias da cor da camisa... Opa, turbante?!??
- Eu sou o gênio da garrafa, e vou atender a um desejo seu.
Se não estivesse sonhando, o Mello acharia que aquilo era alguma gozação do pessoal do quinto andar. Mas, como pesadelo tem dessas licenças poéticas, o Mello respondeu:
- Um desejo? Mas não são três?
- Costumavam ser três - o gênio desengarrafado explicou. Mas a direção da empresa dele havia feito um downsizing no quadro de gênios para melhorar a produtividade sistêmica. Então o serviço acumulou, e alguns desejos estavam com o prazo de entrega estourado. Por isso, só ia dar para atender a um.
- Então tá - o Mello falou. - Eu quero um milhão de dólares.
- Não é uma boa idéia... - o gênio ponderou.
- Peraí, que raio de gênio é você? Nunca vi gênio discutir desejo...
- Sou um gênio consultivo. Meu cartão. E, antes de mais nada, você precisa assinar este contrato de "Prestação de Serviços Geniais". Todas as cinco vias, por gentileza.
Um gênio consultivo, o Mello ficou sabendo enquanto assinava o contrato, era diferente desses gênios mambembes que andam por aí e que viram fumaça depois de atender ao desejo. Gênios consultivos são comprometidos com os resultados, e por isso tem de primeiro entender as necessidades do cliente, para depois desenvolver e apresentar uma proposta que maximize a solução mais viável para cada caso especifico.
- Como você alocaria o milhão de dólares? - o gênio perguntou para o Mello.
- E eu sei lá? Com todo esse dinheiro, eu nunca mais vou me preocupar com alocações.
- Engano seu. Antes de atender a seu desejo, precisamos elaborar um cronograma de investimentos e um cash flow descontado para os próximos 20 anos. Você está pensando em aplicações de alto ou de baixo risco? Local ou offshore?
- Offsh... Escuta, não dá para você me dar logo o meu milhãozinho, e depois eu resolvo?
- De jeito nenhum. Temos um nome a zelar no mercado. Posso lhe fazer uma sugestão?
- Bom, o gênio aqui é você!
- Não peça dinheiro. Peça debêntures conversíveis em ações. Tenho aqui uma dica de uma empresa cujas projeções de médio prazo indicam que o Ebitda...
- Hã?
- Ebitda. Earnings Before Income...
- Eu sei o que é Ebitda! Não é esse o ponto!
- Claro que não. O ponto é se as projeções irão se materializar após o turnaround.
- Não! O ponto é que você está complicando meu desejo! O que eu quero é simples. Uma milha! Uma verdinha em cima da outra, e pronto!
- Você teve muita sorte de eu ser um gênio consultivo, e não um gênio picareta, como há muitos no mercado atualmente. Você tem idéia de quanto é um milhão em cash? Mesmo descontando os impostos...
- O quê??? Eu ainda vou ter de pagar imposto???
- Claro. Mas não se preocupe. Um gênio associado lhe dará todas as coordenadas para o recolhimento. E ainda há a nossa comissão. Dezoito por cento. Sobre o valor bruto.
- Mas aí não sobra nem metade do dinheiro!
- Correto. E do valor líquido serão deduzidas as despesas extraordinárias, abatidas em parcela única.
- Despesa? E gênio tem despesa?
- Gênio consultivo tem. Você não leu o contrato antes de assinar?
- Não! São quase 100 páginas! Só me diz: no fim das contas, quanto vai me sobrar?
- É difícil calcular antes de comprarmos o sistema de informática e instalarmos o software tailor-made. Mas eu estimaria algo entre 70.000 e 100.000 dólares.
- Mas eu não preciso de sistema, nem de software!
- Sinto, mas está no contrato. Página 49. É inegociável. Além, lógico, dos custos para acompanhamento posterior ao atendimento do desejo, que nós chamamos de "pós-venda in loco". Designaremos um GJ, Gênio Junior, para lhe dar toda a assistência técnica e jurídica necessária. Os detalhes estão na página 74.
- Mas isso vai torrar o resto do dinheiro. Nesse caso, aumenta aí meu pedido para 2 milhões!
- Hmmm... Ok, tudo bem. Nosso gênio especializado em webdesign havia mesmo solicitado um reforço na verba, para turbinar o site.
- Que site?
- O seu. Mello Dias ponto-com. Imprescindível para a venda de violinos via Internet.
- Mas eu não quero vender violino pela Internet!!!
- Ai, meu são Eugênio, padroeiro dos gênios! Você tem de diversificar, entende? Abrir novas perspectivas. Avaliar cenários. Assumir que seu portfólio atual vai ficar obsoleto.
- Mas eu não tenho portfólio nenhum. Sou um diretor de uma empresa que vende xampu! Olha, quer saber, esquece o milhão, me dá só um cafezinho, volta pra garrafa e estamos conversados!
- Açúcar ou adoçante?
- Açúcar!
- Não é uma boa idéia...


Moral da História:
Só tem uma coisa pior que sonhar com gênio que pensa que é consultor.
É ter de conviver com consultor que pensa que é gênio... 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Metáfora: O sapo e o boi




Há muito, muito tempo existiu um boi imponente. Um dia o boi estava dando seu passeio da tarde quando um pobre sapo todo mal vestido olhou para ele e ficou maravilhado. Cheio de inveja daquele boi que parecia o dono do mundo, o sapo chamou os amigos.
– Olhem só o tamanho do sujeito! Até que ele é elegante, mas grande coisa; se eu quisesse também era.
Dizendo isso o sapo começou a estufar a barriga e em pouco tempo já estava com o dobro do seu tamanho normal.
– Já estou grande que nem ele? – perguntou aos outros sapos.
– Não, ainda está longe!- responderam os amigos.
O sapo se estufou mais um pouco e repetiu a pergunta.
– Não – disseram de novo os outros sapos -, e é melhor você parar com isso porque senão vai acabar se machucando.
Mas era tanta vontade do sapo de imitar o boi que ele continuou se estufando, estufando, estufando – até estourar.

Moral: Seja sempre você mesmo.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Resista Um Pouco Mais

"A cada um de nós compete uma tarefa específica, na difusão do bem. Erga-se, para trabalhar, por­que as tarefas são muitas e importantes, e poucos são os que tem consciência delas."

Há dias em que temos a sensação de que chegamos ao fim da linha.

Não conseguimos vislumbrar uma saída viável para os problemas que surgem em grande quantidade.

Com você não é diferente. Você também faz parte deste mundo cheio de provas e expiações. Desta escola chamada terra.

E já deve ter passado por um desses dias, e pensado em desistir...

No entanto vale a pena resistir...

Resista um pouco mais, mesmo que as feridas latejem e que a sua coragem esteja cochilando.

Resista mais um minuto e será fácil resistir aos demais.

Resista mais um instante, mesmo que a derrota seja um ímã... Mesmo que a desilusão caminhe em sua direção.

Resista mais um pouco mesmo que os pessimistas digam para você parar... mesmo que sua esperança esteja no fim.

Resista mais um momento mesmo que você não possa avistar, ainda, a linha de chegada... mesmo que a insegurança brinque de roda a sua volta.

Resista um pouco mais, ainda que a sua vida esteja sendo pesada na balança dos insensatos, e você se sinta indefeso como um pássaro de asas quebradas.

As dores, por mais amargas, passam...

Tudo passa...

A ilusão fascina, mas se desvanece...

A posse agrada, porém se transfere de mãos...

O poder apaixona, entretanto, transita de pessoa.

O prazer alegra, todavia é efêmero.

A glória terrestre exalta e desaparece.

O triunfador de hoje, passa, mais tarde, vencido...

Tudo, nesta vida, tem um propósito...

A dor aflige, mas também passa.

A carência aturde, porém, um dia se preenche.

A debilidade física deprime, todavia, liberta das paixões.

O silêncio que entristece, leva à meditação que felicita.

A submissão aflige, entretanto fortalece o caráter.

O fracasso espezinha, ao mesmo tempo ensina o homem a conquistar-se.

A situação muda, como mudam as estações...

O verão brinca de esconde-esconde com a brisa morna, mas cede lugar ao outono, que espalha suas tintas sobre a folhagem. O inverno chega e, sem pedir licença, congela a brisa e derruba as folhas.

Tudo parece sem vida, sem cor, sem perfume...

Será o fim? Não! Eis que surge a primavera e estende seus tapetes multicoloridos, espalhando perfume no ar e reverdecendo novamente a paisagem...

Assim, quando as provas lhe baterem à porta, não se deixe levar pelo desejo de desistir... resista um pouco mais.

Resista, porque o último instante da madrugada é sempre aquele que puxa a manhã pelo braço...

E essa manhã bonita, ensolarada, sem algemas, nascerá para você em breve, desde que você resista.

Resista, porque alguém que o ama está sentado na arquibancada do tempo, torcendo muito para que você vença e ganhe o troféu que tanto deseja: a felicidade...

.....................................

Não se deixe abater pela tristeza.

Todas as dores terminam.

Aguarde que o tempo, com suas mãos cheias de bálsamo, traga o alívio.

A ação do tempo é infalível, e nos guia suavemente pelo caminho certo, aliviando nossas dores, assim como a brisa leve abranda o calor do verão.

Mais depressa do que supõe, você terá a resposta, na consolação de que necessita.

Por tudo isso, resista... e confie nesse abençoado aliado chamado tempo

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Por que os dias da semana acabam com feira?


No Império Romano, a astrologia introduziu no uso popular a septimana, ou seja, sete manhãs, de origem babilônica. Inicialmente, os nomes dos deuses orientais foram substituídos por equivalentes latinos. No cristianismo, o dia do Sol, solis dies, foi substituído por dominica, dia do Senhor; e o saturni dies, dia de Saturno, por sabbatum, derivado do hebraico shabbath, dia do descanso, consagrado pelo Velho Testamento. Os outros dias eram dedicados a: Lua (segunda), Marte (terça), Mercúrio (quarta), Júpiter (quinta) e Vênus (sexta).
O termo "feira" surgiu em português porque, na semana de Páscoa, todos os dias eram feriados - férias ou feiras - e, além disso, os mercados funcionavam ao ar livre. Com o tempo, a Igreja baniu das liturgias os nomes pagãos dos dias, oficializando as "feiras". O domingo, que seria a primeira feira, conservou o mesmo nome por ser dedicado a Deus, fazendo a contagem iniciar-se na secunda feira, a segunda-feira. O sábado foi mantido em respeito à antiga tradição hebraica. Apesar da oposição da Igreja, as designações pagãs sobreviveram em todo o mundo cristão, menos no que viria a ser Portugal, graças ao apostolado de São Martinho de Braga (século VI), que combatia o costume de "dar nomes de demônios aos dias que Deus criou".

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Diário de Um Gato


Caso você não saiba o que os gatos pensam, dê uma olhada nisto. Acho que você vai gostar ...  



DIA 752 - Meu algoz continua a me torturar com pequenos e bizarros objetos que balançam e fazem estranhos sons. 
Ele janta lautamente, só comida fresca, enquanto eu sou forçado a comer cereal seco. 
A única coisa que me mantém vivo é a esperança de conseguir fugir e a gentil satisfação que alcanço ao arruinar uma peça da mobília. Amanhã talvez eu destrua outro vaso de plantas...

DIA 761 - Hoje , quase que minha tentativa de matar meu algoz perambulando entre suas pernas enquanto anda foi bem sucedida, preciso tentar quando ele estiver no alto das escadas.
Numa tentativa de mostrar minha repulsa por ele, mais uma vez vomitei em sua poltrona favorita, preciso fazer isto na cama dele...

DIA 762 - Dormi o dia todo, assim pude deixá-lo desesperado, sem conseguir dormir com meus incessantes miados pedindo por comida, altas horas da noite.

DIA 765 - Decapitei um rato e trouxe o corpo decapitado para a cozinha mostrando do que sou capaz e tentando incutir um pouco de medo em seu coração. Ele só balbuciou alguma bobagem sobre que pequeno e bom gato eu sou. Hummm. Isto não está funcionando de acordo com meus planos.

DIA 768 - Agora, estou consciente do quanto ele é sádico. Sem razão nenhuma fui escolhido para a tortura da água. Desta vez incluindo uma coisa química melosa e abrasiva que eles chamam de sabão. Que mente doentia pode ter inventado tal coisa? Meu consolo é um pedaço do dedo dele que continua entre meus dentes.

DIA 771 - Ele fez uma reunião com os cúmplices. Fiquei preso na solitária durante o evento. Mas pude ouvir o barulho e sentir o cheiro do estranho odor dos tubos de vidro que eles chamam "cerveja". Mais importante, descobri que meu confinamento foi devido ao meu poder de "alergias" . Preciso aprender o que é isto e usar como vantagem.

DIA 774 - Estou convencido que os outros presos são puxa-saco ou delatores. O cão é periodicamente solto e parece mais do que feliz em voltar. Obviamente é um idiota. 
O pássaro por outro lado deve ser o informante, ele aprendeu a macabra língua que eles falam e conversa com eles regularmente. Estou certo que reporta todos os meus movimentos. Apesar de seu quarto de metal assegurar sua saúde, eu posso esperar, é só uma questão de tempo... 

domingo, 24 de novembro de 2013

Lenda oriental

Conta uma lenda popular do oriente que um jovem chegou a um oásis, próximo de um povoado, e aproximando-se de um velho sábio, perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive neste lugar?
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde vens? - Perguntou o sábio.
- É um grupo de pessoas egoístas e malvadas, replicou o rapaz, estou satisfeito de ter saído de lá.
O sábio respondeu.
- Aqui encontrarás o mesmo.
No mesmo dia, um outro jovem aproximou-se do oásis para beber água e, vendo o sábio, perguntou-lhe:
- Que tipo de pessoas vive aqui?
O sábio respondeu com a mesma pergunta:
- Que tipo de pessoas vive no lugar de onde vens?
O rapaz respondeu-lhe:
- É um magnífico grupo de pessoas amigas, honestas e hospitaleiras. Fiquei um pouco triste por ter de deixá-las.
- O mesmo encontrarás aqui, respondeu o sábio.
Um homem que havia escutado as duas conversas perguntou ao sábio:
- Como é possível dar respostas tão diferentes à mesma pergunta?
O sábio respondeu-lhe:
- Cada um carrega no seu coração o meio em que vive. Aquele que nada encontrou de bom nos lugares por onde passou não poderá encontrar outra coisa por aqui. Aquele que encontrou amigos ali, também encontrará aqui. Somos todos viajantes no tempo, e o futuro de cada um está escrito no passado; ou seja, cada um encontra na vida exatamente aquilo que traz dentro de si mesmo.
MORAL DA HISTÓRIA:
O ambiente, o presente e o futuro somos nós que criamos, e isso só depende de nós mesmos.

sábado, 23 de novembro de 2013

Quantos rins nós temos?

No Curso de Medicina, o professor se dirige ao aluno e pergunta:
– Quantos rins nós temos?
– Quatro! – Responde o aluno.
– Quatro? – Replica o professor, arrogante, daqueles que sentem prazer em destacar os erros dos alunos.
– Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala! – Ordena o professor a seu auxiliar.
– E para mim um cafezinho! – Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala.
O aluno era, entretanto, Apparício Torelly ou Apporelly, mais conhecido como o Barão de Itararé.
Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
– O senhor me perguntou quantos rins nós temos... Nós temos quatro: dois meus e dois seus. Tenha um bom apetite e delicie-se com o capim.
A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento! Às vezes as pessoas, por terem um pouco mais de conhecimento ou acreditarem que o tem, se acham no direito de subestimar os outros. Pobres arrogantes; diminuem para não se sentirem diminuídos.

Autor: Desconhecido

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

O Elogio

Poucas coisas motivam mais as pessoas que elogios. As pessoas respondem na justa medida de nossa expectativa a respeito delas. Dizer que elas fizeram um bom trabalho faz com que se esforcem ainda mais para continuar fazendo um bom trabalho.
Quando os elogios são feitos publicamente, seus benefícios multiplicam-se. A pessoa elogiada não só se esforça mais, mas também passa a ter uma reputação positiva. Isso aumenta o valor da pessoa diante dos outros e os motiva a serem como ela.
Certa vez ouvi uma história que mostrava como isso funcionava.
Poucos meses depois de se mudar para uma pequena cidade, uma mulher reclamava a seu vizinho sobre o péssimo serviço que havia recebido de uma mercearia local. Ela sabia que seu vizinho era amigo do proprietário e esperava que ele transmitisse sua queixa.
Na visita seguinte que ela fez a mercearia o proprietário recebeu-a com um largo sorriso e disse o quanto estava feliz em vê-la novamente. Esperava que ela estivesse gostando de sua cidade e, ainda, disse que teria imenso prazer em ajudá-los a se estabelecerem. Atendeu pronta e eficientemente o pedido que ela fez. Mais tarde, a mulher relatou a miraculosa mudança para seu novo amigo.
"Suponho que você tenha dito a ele como achei ruim seu atendimento, não disse?" ela perguntou.
"Bem, não", respondeu o vizinho. "A bem da verdade, espero que não se importe - disse-lhe que você estava surpresa de ele ter conseguido montar numa cidade pequena uma das mercearias mais bem dirigidas que você já havia visto."

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Um Presente Inesquecível

Linda tinha 7 anos quando ouviu sua mãe comentar com uma de suas amigas que, no dia seguinte, faria 30 anos. Jamais Linda soubera que sua mãe fazia aniversário. Também nunca a vira ganhar um presente.
Por isso, foi até seu cofrinho, juntou todas as moedas e se dirigiu à loja da esquina.
Procurou um presente que pudesse se encaixar naquele preço. Havia bibelôs, mas ela pensou que sua mãe teria que espaná-los todos os dias.
Havia caixinhas de doces, mas sua mãe era diabética.
Finalmente, conseguiu comprar um pacote de grampos de cabelo.
Os cabelos de sua mãe eram longos e escuros. Ela os enrolava duas vezes na semana e, quando os soltava, ficava parecendo uma artista de cinema.
Em casa, linda embrulhou os grampos em uma página de histórias em quadrinhos do jornal, porque não sobrou dinheiro para papel de presente.
Na manhã seguinte, à mesa do café, entregou o pacote à sua mãe e disse: "Feliz aniversário, mamãe!"
Em silêncio, entre lágrimas, a mãe abriu o pacote. Já soluçando de emoção, mostrou ao marido, aos outros filhos: "Sabe que é o primeiro presente de aniversário que recebo na vida?"
Beijou a filha no rosto, agradecendo e foi para o banheiro lavar e enrolar os cabelos, usando os grampos novos.
Quando a mãe saiu da sala, o pai aproximou-se de linda e confidenciou: "Linda, quando eu era menino, lá no sertão, não nos preocupávamos em dar presentes de aniversário para adultos. Só para as crianças. E, na família de sua mãe, eles eram tão pobres que nem isso faziam. Mas você me fez ver, hoje, que isso precisa mudar. Você inaugurou uma nova fase em nossa vida."
Depois desse dia, a mãe de Linda ganhou presentes em todos os seus aniversários.
Os filhos cresceram. As condições da família melhoraram.
Então, quando a mãe de linda completou 50 anos, os filhos todos se reuniram e lhe compraram um anel com uma pérola rodeada de brilhantes.
Programaram uma festa e o filho mais velho foi quem, em nome dos irmãos, entregou o anel.
Ela admirou o presente e mostrou a todos os convidados.
"Não tenho filhos maravilhosos?" Ficava repetindo de um em um.
Depois que todos os convidados se retiraram, linda foi ajudar na arrumação.
Estava lavando a louça na cozinha, quando ouviu seus pais conversando na sala.
"Bem", dizia o pai. "que lindo anel seus filhos lhe deram. Acho que foi o melhor presente de aniversário de sua vida."
Depois de um breve silêncio, Linda ouviu a voz de sua mãe responder docemente: "Sabe, Ted, é claro que este anel é maravilhoso. Mas o melhor presente que ganhei, em toda minha vida, foi aquela caixa de grampos. Aquele presente foi inesquecível."
Os atos que colocam colorido especial nas vidas são pequenos, silenciosos, e podem se manifestar a qualquer tempo.
É suficiente querer, usar a imaginação e deixar extravasar o coração.
Se nunca brindamos alguém com flores, com um cartão escrito de próprio punho;
Se nunca surpreendemos alguém com uma festa surpresa, um presente inesperado, tentemos hoje.
Hoje é sempre o melhor tempo para começar o que é bom, novo e portador de felicidade.

A Flor da Honestidade



Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte do país, estava às vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa e relatar o fato a jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio:
Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu as profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc... O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido.
Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação a moça comunicou a sua mãe que, independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.
Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
Se para vencer, estiver em jogo a sua honestidade, perca. Você será sempre um Vencedor!

domingo, 17 de novembro de 2013

A Sra. Link

Eu tinha dezoito anos, ia começar a faculdade e estava dura. Para arrumar algum dinheiro, percorri uma rua tranqüila de casas antigas, vendendo livros de porta em porta. Ao me aproximar de um portão, uma mulher alta e vistosa, na faixa dos oitenta anos, saiu de casa vestida com seu roupão de banho e aproximou-se sorrindo.
-Você chegou, querida! Estava esperando! Deus me disse que você viria hoje.
A Sra. Link precisava de ajuda em sua casa e em seu jardim, e estava convencida de que eu tinha sido enviada para ajudá-la. Quem era eu para discutir com Deus?
No dia seguinte, trabalhei durante seis horas seguidas, mas do que jamais havia trabalhado antes. A Sra. Link me mostrou como plantar bulbos, que flores e ervas daninhas eu devia arrancar e onde jogar fora as plantas murchas. Terminei o dia aparando a grama com um cortador que parecia uma antigüidade. Quando terminei, a Sra. Link me cumprimentou pelo trabalho e verificou a lâmina debaixo do cortador.
-Parece que você acertou uma pedra. Vou buscar a lixa.
Logo descobri porque tudo o que pertencia à Sra. Link funcionava como se fosse novo. Ela era extremamente cuidadosa. Depois de consertar o cortador, ela foi buscar sua bolsa. Por seis horas de serviço, me pagou apenas três dólares. E com cheque! Deus é engraçado algumas vezes, não é?
Na semana seguinte, voltei à casa da Sra. Link. Ela me mostrou exatamente como limpar o antiqüíssimo tapete persa com um aspirador igualmente antigo. Enquanto eu tirava o pó de seus bolos tesouros, ela me contava onde tinha comprado cada objeto. A Sra. Link viajara o mundo todo e adorava contar histórias. Para o almoço, ela refogou legumes frescos de seu jardim. Tivemos uma refeição deliciosa e um lindo dia.
Às vezes, eu fazia papel de motorista. O último presente do Sr. Link tinha sido um fantástico carro novo. Quando eu o conheci, o carro tinha trinta anos, mas ainda era fantástico. Ela nunca pudera Ter filhos, mas sua irmã e seus sobrinhos moravam ali perto. Os vizinhos também gostavam dela. E a Sra. Link participava ativamente das questões comunitárias.
Um ano e meio se passou. Os estudos, o trabalho e a igreja ocupavam mais tempo da minha vida e eu via a Sra. Link cada vez menos. Encontrei outra garota para ajudá-la.
O Natal se aproximava e, como eu era pouco expansiva e estava sem dinheiro, a lista de pessoas para quem mandaria cartões era curta. Mamãe deu uma olhada nos nomes e disse:
-Você deveria mandar um cartão para a Sra. Link.
Incrédula, perguntei:
-Por quê? A Sra. Link tem muitos parentes, amigos e vizinhos. Ela é ativa na comunidade. Eu nem tenho me encontrado com ela nos últimos meses. Por que a Sra. Link iria querer que eu lhe enviasse um cartão?
Mamãe não se deu por vencida:
-Mande um cartão para a Sra. Link – insistiu.
No Natal, meio sem graça, dei à Sra. Link um pequeno buquê, que ela aceitou graciosamente.
Algum tempo depois, tornei a visitar a Sra. Link. No meio do console da lareira, na sua sala de estar cheia de coisas bonitas, estava meu buquê murcho – o único presente de Natal que a Sra. Link recebera naquele ano.
Susan Daniels Adams
Jack Canfield & Mark Victor Hansen & Kimberly Kirberger Sextante

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

O Julgamento


Conta uma antiga lenda que na idade média um homem muito virtuoso foi injustamente acusado de haver assassinado uma mulher.
Na realidade o verdadeiro autor era uma pessoa muito influente do reino, por isso, desde o primeiro momento, se procurou um bode expiatório para encobrir o culpado.
O homem foi levado à julgamento já sabendo que tinha pouca ou nenhuma chance de escapar ao terrível veredito... a forca!!
O juiz que fazia parte do complô, tratou de dar um aspecto de julgamento justo e para isso disse ao acusado: Conhecendo tua fama de homem justo e devoto ao Senhor deixaremos nas mãos Dele o teu destino, vamos escrever em dois papéis separados as palavras culpado e inocente tu escolherás um deles e será a mão de Deus que decidirá o teu destino.
Logicamente o mau juiz havia preparado os dois papéis com o mesmo escrito CULPADO e a pobre vítima mesmo sem saber os detalhes dava-se conta que o sistema proposto era uma armadilha.
Não havia escapatória. O juiz ordenou ao homem que tomasse um dos papéis dobrados.
Este respirou fundo, ficou em silêncio por alguns segundos com os olhos fechados, e quando a sala começava a ficar impaciente, abriu os olhos e com um estranho sorriso pegou um dos papéis levou-o à boca e o engoliu rapidamente. Surpreendidos e indignados os presentes o reprovaram sonoramente: " O que você fez? E agora? Como vamos saber o veredito? "
"É muito simples respondeu o homem:
É só ler o papel que ficou e saberemos o que dizia no que eu engoli."
"Com reclamação e raiva mal dissimulada tiveram de libertar o acusado que jamais voltaram a molestar.
 
Quando te vejas perdido, lembra-te, só a audácia te salvará!

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O 5S e Você

O investimento em qualidade é a premissa básica para toda a organização que objetiva manter-se competitiva. O mesmo se dá conosco. As diretrizes  e conceitos da qualidade total do 5 S, são perfeitamente aplicáveis a nós.

O 5S é uma metodologia que visa tornar todo e qualquer ambiente de trabalho mais limpo e organizado. Se você transita pelo mundo corporativo é bastante improvável que não conheça o conceito ou desconheça em como ele se transformou numa grande ferramenta para os japoneses na reconstrução de seu país, na década de 50. O que talvez você não saiba é que este conceito tão popular no meio organizacional também se aplica a você e pode ser o caminho para uma grande virada no modo como você encara o seu dia a dia.

Não estou falando de implantar os cinco sensos em seu guarda-roupa! Falo sobre como utilizá-lo na gestão de sua qualidade de vida.

O primeiro é o Senso é o de utilização, segundo este só devem permanecer no ambiente aquelas ferramentas essenciais à sua atividade e sua aplicação para nosso cotidiano não poderia ser diferente. Se pensarmos em relação ao nosso organismo, quanto "lixo emocional" estamos acumulando? Quanta energia deixa de ser gasta, e por que inundamos nosso corpo com uma sobrecarga tão desnecessária? Que tal separar um tempo para se livrar daquilo que não usa mais? Ódio, mágoa, preguiça e ressentimento devem ter prioridade nesta faxina.

O Senso de ordenação trata da ordem em que as coisas devem ser realizadas ou organizadas e é bastante útil se o aplicarmos na escolha de nossas prioridades. Não se trata de escolher fazer algo pensando em sua lucratividade, rapidez e facilidade, mas realizar suas escolhas pessoais e profissionais a partir da resposta para a seguinte pergunta: o que lhe faz mais feliz? Acredite você não economizará talento e dedicação quando começar olhar as coisas por este ângulo.

O Senso de limpeza é bem parecido com o de utilização, mas é o a condição para que o ciclo do primeiro funcione. Ele lhe permite a que aquilo que não é necessário não mais se acumule. Utilize este para bloquear a entrada de novos vícios e sobrecargas. A qualquer sinal de oportunidade de acumulo, limpe!

No contexto de qualidade de vida  o Senso de ordenação também conhecido como Senso de padronização, refere-se ao modo como transformaremos os preceitos anteriores em hábitos do nosso dia a dia. O modo como lidamos com nossos sentimentos, nossa forma de nos alimentar e tudo aquilo que está relacionado com a qualidade de vida, exige prática, para criar novos padrões primeiramente devemos mudar nossos hábitos.

O último, o Senso de autodisciplina trata-se justamente do compromisso com o qual você cumprirá os quatro passos anteriores. É o passaporte para o sucesso desta nova gestão que será em implantada em sua trajetória.

Sabemos que ter disciplina é um grande desafio para maioria das pessoas, enquanto em uma nação como o Japão ser disciplinado é uma questão de cultura, para nós trata-se de um grande diferencial, que a maioria não tem. O comprometimento está diretamente ligado à recompensa dele decorrente, por isso é tão difícil de ser praticado já na maior parte das vezes, resultados e recompensas não acontecem na velocidade que gostaríamos, e vivemos dando esta desculpa para a decisão de não sermos assim.

A boa noticia é que ainda hoje você pode quebrar este ciclo vicioso, e começar a colher os resultados deste novo posicionamento. A implantação do 5S não está condicionado ao tempo oportuno e ao momento ideal, e com um pouco disciplina e paciência você pode alcançar resultados melhores que os atuais.

Que tal começar agora?

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Círculo dos 99

Era uma vez um Rei muito triste; que tinha um pajem, que como todo pajem de um Rei triste, era muito feliz. Todas as manhãs, o pajem chegava com o desjejum do seu Amo, sempre rindo e cantarolando alegres canções. O sorriso sempre desenhado em seu rosto, e a atitude para com a vida sempre serena e alegre. Um dia o Rei mandou chamá-lo:
-Pajem - disse o Rei - qual é o seu segredo?
-Qual segredo, Alteza?
-Qual o segredo da tua alegria?
-Não existe nenhum segredo, Majestade.
-Não minta, pajem...bem sabes que já mandei cortar muitas cabeças por ofensas menores do que a sua mentira!
-Mas não estou mentindo! Não guardo nenhum segredo.
-E por que estás sempre alegre e feliz?
-Majestade, eu não tenho razões para estar triste: muito me honra servir à Vossa Alteza, tenho minha esposa e meus filhos, e vivemos na casa que a Corte nos concedeu; somos vestidos e alimentados, e sempre recebo algumas moedas de prata para satisfazer alguns gostos... como não estar feliz?
-Se você não me disser agora mesmo qual é o seu segredo, mandarei decapitá-lo - disse o Rei. Ninguém pode ser feliz por essas razões que você me deu!
-Mas Majestade, não há nenhum segredo... Nada me satisfaria mais do que sanar a Vossa curiosidade, mas realmente não há nada que eu esteja escondendo.
-Vá embora daqui antes que eu chame os guardas.
O pajem sorriu, fez a habitual reverência e deixou o Rei em seus pensamentos. O Rei estava como louco. Não podia entender como o pajem poderia ser feliz vivendo em uma casa que não lhe pertencia, usando roupas de terceira mão e se alimentando dos restos dos cortesãos. Quando se acalmou mandou chamar o mais sábio de seus conselheiros, e lhe contou a conversa que tivera com o pajem pela manhã.
-Sábio, por que ele é feliz?
-Ah, Majestade! O que acontece é que ele está fora do Círculo...
-Fora do Círculo?
-Sim.
-E é isso o que faz dele uma pessoa feliz?
-Não, Majestade. Isso é o que não o faz infeliz...
-Vejamos se entendo: estar no Círculo sempre nos faz infelizes?
-Exato.
-E como ele saiu desse tal Círculo?
-Ele nunca entrou.
-Nunca entrou? Mas que Círculo é esse?
-É o Círculo dos 99...
-Realmente não entendo nada do que você me diz.
-A única maneira para que Vossa Alteza entenda seria mostrando pelos fatos.
-Como?
-Fazendo com que ele entre no Círculo.
-Isso! Então o obrigarei a entrar!
-Não, Alteza, ninguém pode ser obrigado a entrar...
-Então teremos que enganá-lo?
-Não será necessário... se lhe dermos a oportunidade, ele entrará por si mesmo.
-Por si mesmo? Mas ele não notará que isso acarretará sua infelicidade?
-Sim, mas mesmo assim entrará... Não poderá evitar!
-Me diz que ele saberá que isso será o passo para a infelicidade e que mesmo assim entrará?
-Sim. O senhor está disposto a perder um excelente pajem para compreender a estrutura do Círculo? -Sim.
-Então nesta noite passarei a buscar-lhe. Deves ter preparada uma bolsa de couro com 99 moedas de ouro. Mas devem ser exatas 99, nem uma a mais, nem uma a menos.
-O que mais? Devo levar escolta para proteger-nos?
-Nada mais do que a bolsa de couro, Majestade...
-Então vá. Nos vemos à noite.
Assim foi... Nessa noite o sábio buscou o Rei e juntos foram até os pátios do Palácio. Se esconderam próximo à casa do pajem, e lá aguardaram o primeiro sinal. Quando dentro da casa se acendeu a primeira vela, o sábio pegou a bolsa de couro e junto a ela atou um papel que dizia as seguintes palavras: "Este tesouro é teu. É o prêmio por ser um bom homem. Aproveite e não conte a ninguém como encontrou esta bolsa". Logo deixou a bolsa com o bilhete na porta da pajem. Golpeou uma vez e correu para esconder-se. Quando o pajem abriu a porta, o sábio e o Rei espiavam por entre as árvores para verem o que aconteceria. O pajem viu o embrulho à sua porta, olhou para os lados, leu o papel, agitou a bolsa e, ao escutar o som metálico, estremeceu dos pés à cabeça, apertou a bolsa contra o peito e rapidamente entrou em sua casa. O Rei e o sábio se aproximaram então da janela para presenciar a cena. O pajem havia despejado todo o conteúdo da bolsa sobre a mesa, deixando somente a vela para iluminar. Havia se sentado e seus olhos não podiam crer no que estavam vendo...Era uma montanha de moedas de ouro! Ele, que nunca havia tocado em uma dessas, de repente tinha um mote delas...Ele as tocava e amontoava, acariciava e fazia brilhar à luz da vela. Juntava e esparramava, fazendo pilhas... E assim, brincando, começou a fazer pilhas de 10 moedas. Uma, duas, três, 4, 5.... e enquanto isso somava 10, 20, 30, 40, 50... até que formou a última pilha... 99 moedas? Seu olhar percorreu a mesa primeiro, buscando uma moeda a mais, logo o chão e finalmente a bolsa. "Não pode ser" – pensou. Pôs a última pilha ao lado das outras 9 e notou que realmente esta era mais baixa.
-Me roubaram! Me roubaram – gritou. Uma vez mais procurou por todos os cantos, mas não encontrou o que achava estar faltando...Sobre a mesa, como que zombando dele, uma montanha resplandecia e lhe fazia lembrar que haviam SOMENTE 99 moedas."99 moedas... é muito dinheiro" – pensou.
-"Mas falta uma... Noventa e nove não é um número completo. 100 é, mas 99 não..."
O Rei e o sábio espiavam pela janela e viam que a cara do pajem já não era mais a mesma: ele estava com as sobrancelhas franzidas, a testa enrugada, os olhos pequenos e o olhar perdido... sua boca era uma enorme fenda, por onde apareciam os dentes que rangiam. O pajem guardou as moedas na bolsa, jogou o papel na lareira e olhando para todos os lados e constatar que ninguém havia presenciado a cena, escondeu a bolsa por entre a lenha. Pegou papel e pena e sentou-se a calcular. Quanto tempo teria que economizar para poder obter a moeda de número 100? O tempo todo o pajem falava em voz alta, sozinho...Estava disposto a trabalhar duro até conseguir. Depois, quem sabe, não precisaria mais trabalhar... com 100 moedas de ouro ninguém precisa trabalhar. Finalizou os cálculos. Se trabalhasse e economizasse seu salário e mais algum extra que recebesse, em 11 ou 12 anos conseguiria o necessário para comprar a última moeda." Mas 12 anos é tempo demais... Se eu pedisse à minha esposa que procurasse um emprego no vilarejo, e se eu mesmo trabalhasse à noite, em 7 anos conseguiríamos" - concluiu depois de refazer os cálculos.
"Mesmo sendo muito tempo, é isso o que teremos que fazer..."
O Rei e o sábio voltaram ao Palácio. Finalmente o pajem havia entrado para o Círculo dos 99!!! Durante os meses seguintes, o pajem seguiu seus planos conforme havia decidido naquela noite. Numa manhã, entrou nos aposentos reais com passos fortes, batendo nas portas, rangendo dentes e bufando com todo o mau humor típico dos últimos tempos...
-O que lhe acontece, pajem? - perguntou o Rei de bom grado.
-Nada, não acontece nada...
-Antigamente, não faz muito, você ria e cantava o tempo todo...
-Faço ou não o meu trabalho? O que Vossa Alteza esperava? Que além de pajem sou obrigado a estar sempre bem por que assim o deseja?
Não se passou muito e o Rei despediu o seu pajem, afinal, não era nada agradável para um Rei triste ter um pajem mau humorado o tempo todo...
Você, Eu e todos ao redor fomos educados nessa psicologia: sempre falta algo para estarmos completos, e somente completos podemos gozar do que temos. Portanto, nos ensinaram que a Felicidade deve esperar até estar completa com aquilo que falta. E como sempre falta algo, a idéia volta ao início e nunca se pode desfrutar plenamente da vida.
Mas, o que aconteceria se a Iluminação chegasse às nossas vidas e nos déssemos conta, assim, de repente, que nossas 99 moedas são os nossos 100%? Que nada nos faz falta? Que ninguém tomou aquilo que é nosso? Que não se é mais feliz por ter 100 e não 99 moedas? Que tudo é uma armadilha posta à nossa frente para que estejamos sempre cansados, mau humorados, desanimados, infelizes? Uma armadilha que nos faz empurrar cada vez mais e ainda assim tudo continue igual... eternamente iguais e insatisfeitos....
Quantas coisas mudariam se pudéssemos desfrutar de nosso tesouro tal como é! Se este é o seu problema, a solução para sua vida está em saber valorizar o que você tem ao seu redor, e não lamentar-se por aquilo que não tem ou que poderia ter...

A importância do domínio de uma segunda língua

Um rato estava na cozinha de uma casa tranquilamente, saboreando queijos e doces. De repente, aparece o gato.

Foi aquela correria. Até que o rato conseguisse se esconder num armário.
Passado alguns minutos, o rato ouviu latidos de cachorro e então, pensou: "o cachorro chegou, o gato foi embora".

Saiu do armário despreocupadamente..., e foi pego imediatamente pelo gato.

-OK, sr. gato, o senhor me pegou. Mas, antes de me matar, por favor, explique-me: eu ouvi latidos do Rex aqui ao lado desse armário... Por que o senhor não correu?

- Não, ratinho, não foram latidos do Rex. Eu é que lati!
- Mas como, sr. gato???

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Descomplicando a Vida

Perdoa esta franqueza exagerada
que vês jorrar aqui no meu cantar.
Perdoa se o seu tudo é quase nada
no meu que já passou do despertar.
 
Perdoa o meu sorriso sem barreira
e a voz que não se cala censurada,
o não da minha tarde passageira
vingando o sim da nossa madrugada
 
Perdoa se esqueço o importante
que dizes, em encontros casuais,
se acho que o pouco é bastante
em meio a tantos falas informais.
 
Perdoa se me atenho a este momento
buscando um só acerto nos errados,
se pago muito só por um lamento
e pouco por dezenas de pecados.
 
Perdoa! Não te ofendas se a ousadia
permeia cada passo sem tropeço.
Perdoa se esta ausência de euforia
demonstra que não ligo ao que mereço.
 
Perdoa! Nosso tempo é meu amigo
e já me perdoou  pela demora.
Entende o meu anseio tão antigo
e sopra-me bons ventos num agora,.

Cleide Canton.

domingo, 10 de novembro de 2013

Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir

O viajante caminhava pela estrada, quando observou o pequeno rio que começava tímido por entre as pedras. Foi seguindo-o por muito tempo. Aos poucos, ele foi tomando volume e se tornando um rio maior. O viajante continuou a segui-lo.
Bem mais adiante, o que era um pequeno rio se dividiu em dezenas de cachoeiras, num espetáculo de águas cantantes.
A música das águas atraiu mais o viajante, que se aproximou e foi descendo pelas pedras, ao lado de uma das cachoeiras. Descobriu, finalmente, uma gruta.
A natureza criara com paciência caprichosa, formas na gruta. Ele a foi adentrando, admirando sempre mais as pedras gastas pelo tempo.
De repente, descobriu uma placa. Alguém estivera ali antes dele. Com a lanterna, iluminou os versos que nela estavam escritos. Eram versos do grande escritor Tagore, prêmio Nobel de literatura de 1913:

"Não foi o martelo que deixou perfeitas estas pedras, mas a água, com sua doçura, sua dança, e sua canção.
Onde a dureza só faz destruir, a suavidade consegue esculpir."

sábado, 9 de novembro de 2013

A Pedra da Felicidade

Nos tempos das fadas e bruxas, um moço achou em seu caminho uma pedra que emitia um brilho diferente de todas as que ele já conhecera. Impressionado, decidiu levá-la para casa. Era uma pedra do tamanho de um limão e pertencia a uma fada, que a perdera por aqueles caminhos, em seu passeio matinal. Era a Pedra da Felicidade. Possuía o poder de transformar desejos em realidade.
A fada, ao se dar conta de que havia perdido a pedra, consultou sua fonte de adivinhação e viu o que havia ocorrido. Avaliou o poder mágico da pedra e, como a pessoa que a havia encontrado era um jovem de família pobre e sofredora, concluiu que a pedra poderia ficar em seu poder, despreocupando-se quanto à sua recuperação. Decidiu ajudá-lo.
Apareceu ao moço em sonho e disse-lhe que a pedra tinha poderes para atender a três pedidos: um bem material, uma alegria e uma caridade. Mas que esses benefícios somente poderiam ser utilizados em favor de outras pessoas. Para atingir o intento, cabia-lhe pensar no pedido e apertar a pedra entre as mãos.
O moço acordou desapontado. Não gostou de saber que os poderes da pedra somente poderiam ser revertidos em proveito dos outros. Queria que fossem para ele. Tentou pedir alguma coisa para si, apertando a pedra entre as mãos, sem êxito. Assim, resolveu guardá-la, sem muito interesse em seu uso.
Os anos se passaram e este moço tornou-se bem velhinho. Certo dia, rememorando seu passado, concluíu que havia levado uma vida infeliz, com muitas dificuldades, privações e dissabores. Tivera poucos amigos, porém, reconhecia ter sido muito egoísta. Jamais quisera o bem para os outros.
Antes, desejava que todos sofressem tanto quanto ele. Reviu a pedra que guardara consigo durante quase toda sua existência. Lembrou-se do sonho e dos prováveis poderes da pedra. Decidiu usá-la, mesmo sendo em proveito dos outros.
Assim, realizou o desejo de uma jovem, disponibilizando-lhe um bem marterial. Proporcionou uma grande alegria a uma mãe revelando o paradeiro de uma filha há anos desaparecida e, por último, diante de um doente, condoeu-se de suas feridas, ofertando-lhe a cura.
Ao realizar o terceiro benefício, aconteceu o inesperado: a pedra transformou-se numa nuvem de fumaça e, em meio a esta nuvem, a fada, vista no sonho que tivera logo ao achar a pedra, surgiu dizendo:
"Usaste a Pedra da Felicidade. O que me pedires, para ti, eu farei. Antes, devias fazer o bem aos outros, para mereceres o atendimento de teu desejo. Por que demoraste tanto tempo para usá-la?"
O homem ficou muito triste ao entender o que se passara. Tivera em suas mãos, desde sua juventude, a oportunidade de construir uma vida plena de felicidade, mas, fechado em seu desamor, jamais pensara que fazendo o bem aos outros colheria o bem para si mesmo.
Lamentando o seu passado de dor e seu erro em desprezar os outros, pediu comovido e arrependido:
"Dá-me, tão somente, a felicidade de esquecer o meu passado egoísta."

Viva e Sirva, pois "Quando estais a serviço de vosso próximoestais somente a serviço de vosso Deus" Mosias 2:17.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Limites

Qual o seu limite para sonhar e realizar objetivos em sua vida?
Nenhum.
O limite é você quem impõe.
Você é a única pessoa que pode colocar restrições nos seus desejos.
Veja que as grandes realizações do nosso século aconteceram quando alguém resolveu vencer o impossível...
Nas navegações, encontramos um Colombo determinado a seguir viagens pelo mar, mesmo estando cansado de ouvir que o mar acabava e estava cheio de monstros terríveis.
Santos Dumont, foi taxado de louco tantas vezes que nem mais ligava para os comentários, até fazer subir seu 14 Bis...
Ford foi ignorado por banqueiros e poderosos que não acreditavam em carros em série.
Einstein foi ridicularizado na Alemanha... Desistir de nossos projetos, ou aceitar palpites infelizes em nossas vidas é mais fácil do que lutar por eles.
Renunciar, chorar, aceitar a derrota é mais simples pelo simples fato de que não nos obriga ao trabalho.
E ser feliz, dá trabalho.
Ser feliz é questão de persistência, de lutas diárias, de encantos e desencantos.
Quantas pessoas passaram pela sua vida e te magoaram ???
Quantos passarão pela sua vida só para roubar tua energia ???
Quantos estarão realmente preocupados com você???
A questão é como você vai encarar essas situações.
Como ficarão seus projetos...eles resistirão as amarguras e desacertos do dia a dia???
O objetivo você já tem: ser feliz !!!
Como alcançar você já sabe: lutando !!!
Resta saber o quanto feliz você realmente quer ser.
E principalmente; qual o limite que você colocou em seus sonhos.
Lembre-se: não há limites para sonhar...
Não se limite, vá a luta!
O impossível é apenas algo que alguém ainda não realizou !!!
E sempre Sorria !!!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Só mais um passo

Guillormée pilotava sobre a cordilheira quando seu pequeno monomotor sofreu uma pane, caindo sobre a montanha de neves eternas. Embora não tivesse se ferido gravemente, suas pernas apresentaram profundos cortes e sérios ferimentos. Com muito esforço, sentindo fortes dores, ele abandonou a cabine do avião destroçado. Ao constatar a extensão dos ferimentos, compreendeu que não teria como sair dali sozinho. Perscrutou o horizonte em todas as direções e só viu solidão gelada.
Conhecedor da região, após rápida análise, entendeu que seu fim estava próximo, principalmente em razão dos sérios ferimentos que sofrera nas pernas. Por um instante sentiu-se tomado de pânico e pela dor de saber que chegava ao fim de seus dias. Pensou na família que não tornaria a ver, nos amigos, nas tantas coisas que ainda pretendia realizar e na impotência de não ter a quem pedir socorro.
Depois, já mais conformado, pôs-se a pensar sobre as medidas a tomar. Não havia nada a fazer no sentido de sobrevivência, portanto o mais sensato seria deitar-se na neve e esperar que o torpor causado pelo frio tomasse conta de seu corpo, permitindo-lhe ser envolvido, sem dor, pelo manto da morte.
Deitado sobre a neve, Guillormée dirigiu o pensamento a seus filhos, que ele não veria crescer e à esposa, de quem tanto gostava. Aquele homem de espírito forte, batalhador, lutava consigo mesmo para resignar-se à situação.
"Meu consolo - pensava ele - é saber que eles não ficarão desamparados; meu seguro de vida tem cobertura suficiente para proporcionar-lhes subsistência por muito tempo. Menos mal! Felizmente tive o bom senso de estar preparado para uma situação destas; tão logo seja liberado meu atestado de óbito, a companhia de seguros...".
Neste instante, Guillormée teve um sobressalto; sua apólice rezava que o seguro só seria pago mediante a apresentação do atestado de óbito. Ora, naquele lugar inacessível, seu corpo jamais seria encontrado; ele seria dado por desaparecido. Não haveria, pois, atestado de óbito. Passar-se-iam anos de privações para sua família, antes que ele fosse oficialmente considerado morto. Apavorado com essa idéia, ele pensou: "A primeira tempestade de neve que cair soterrará meu corpo; nunca irão me achar. Preciso caminhar até um lugar onde meu corpo possa ser encontrado".
As dores que sentia eram cruciantes, mas sua determinação era maior. Ele sabia que, ao pé da cordilheira, havia um povoado cujos moradores costumavam aventurar-se até certa altura da montanha, para caçar. A distância era longa - vários quilômetros -, mas ele precisava realizar a última proeza de sua vida: chegar até onde seu corpo pudesse ser encontrado por um caçador. Reunindo todas as forças que ainda lhe restavam, obrigou-se a ficar em pé. Foi preciso um esforço hercúleo para não cair.
Consciente da distância que teria de percorrer e sabedor de que não podia permanecer naquele local, apesar de seu estado lastimável, Guillormée estabeleceu a meta de dar um passo. Jogou um passo a frente e disse: "Só um passo!". Com extrema dificuldade empurrava a outra perna e repetiu: "Só mais um passo!", e de novo: "Só mais um passo!".
Concentrando toda a sua energia apenas no próximo passo e estabelecendo um forte condicionamento positivo - através do comando "só mais um passo" ele caminhou quilômetros pela neve. Não se permitia pensar na distância que ainda faltava percorrer, ou em sua dificuldade para se locomover; concentrava-se apenas no espaço a ser vencido pelo passo seguinte. Assim caminhou o dia todo.
A tarde já ia avançada quando seus olhos, turvos pela dor e pelo cansaço, vislumbraram alguns vultos à sua frente; firmou o olhar e percebeu que se tratava de pessoas que olhavam estupefatas, para ele. "Agora eu já posso morrer", pensou, e deixou-se escorregar para o nada.
Dias depois, já no hospital, abriu os olhos e a primeira imagem que viu foi a da esposa, a seu lado.
Guillormée teve alguns dedos de um dos pés amputados, que foram congelados pela neve. Passou algum tempo hospitalizado, até readquirir forças, mas continuou vivo ainda por muito tempo.
Ao narrar esse episódio acontecido com seu amigo, Saint-Exupéry relata a determinação desse homem valente e ressalta o fato de que foi a fixação da meta em curtíssimo prazo ("só mais um passo") que lhe proporcionou força e ânimo bastante para vencer a dura prova pela qual passava. Tivesse ele pensado na enorme distância a ser percorrida, na situação física precária em que se encontrava, e muito provavelmente não teria encontrado forças para alcançar o objetivo a que se determinou no alto da montanha.
Esse exemplo deixa bem clara a importância da estipulação de metas bem definidas; em curto prazo (só mais um passo); em médio prazo (chegar ao pé da montanha); em longo prazo (ter seu corpo localizado), para a realização de qualquer objetivo proposto. 
Se uma emergência obrigá-lo a fazer mudanças nos planos, os ajustes também poderão ser feitos com pequenos passos complementares. Mas para tanto é necessário saber para onde você quer ir. A primeira condição para se realizar alguma coisa, é não querer fazer tudo ao mesmo tempo.