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segunda-feira, 28 de abril de 2014

O Encontro na Quinta Avenida

Eu estava saindo da Igreja de Saint Patrick, em Nova York, quando um rapaz brasileiro se aproximou.
- Que bom encontrá-lo aqui - disse sorrindo. - Precisava muito dizer alguma coisa a você.
Eu também gostei do encontro com um desconhecido. Convidei-o para tomar um café, contei a chatice que foi minha viagem a Denver, sugeri que fosse até o Harlem no Domingo para, para assistir a um serviço religioso.
O rapaz, que devia ter vinte e poucos anos, me escutava sem dizer nada.
Eu continuei a falar. Disse que acabara de ler um livro de ficção sobre um terrorista que toma de assalto a Igreja de Saint Patrick, e o escritor descrevia tão bem o cenário que me chamara a atenção sobre muitas coisas que jamais havia visto em minhas visitas ao local. Assim tomara a decisão de passar por ali naquela manhã.
Ficamos quase uma hora juntos, tomamos dois cafés, e eu conduzi a conversa o tempo todo. No final, nos despedimos, e desejei uma excelente viagem ao rapaz.
- Obrigado - disse ele, afastando-se.
Foi quando notei que seus olhos estavam tristes; alguma coisa tinha dado errado, e eu não sabia exatamente o quê. Só depois de caminhar algumas quadras foi que me dei conta: o rapaz se aproximara dizendo que precisava muito falar comigo.
Durante o tempo que passamos juntos, eu assumira o controle da situação. Em nenhum momento perguntei o que ele queria dizer; na tentativa de ser simpático, preenchi todos os espaços, não permitindo nenhum momento de silêncio, em que o rapaz finalmente pudesse transformar aquele monólogo num diálogo.
Talvez ele tivesse algo muito importante para compartilhar comigo. Talvez, se naquele momento eu estivesse realmente me aberto para a vida, teria também algo para entregar ao rapaz. Talvez tanto a minha vida como a dele tivessem mudado radicalmente depois daquele encontro. Nunca vou saber, e não vou ficar me torturando com o fato de que não soube aproveitar um momento mágico daquele dia; erros acontecem.
Mas, desde então, procuro manter viva na memória a cena da minha despedida e os olhos tristes do rapaz, quando eu não soube receber o que me era destinado, tampouco consegui dar aquilo que eu queria, por mais que me esforçasse.
Do livro: Histórias para pais, filhos e netos
Paulo Coelho - Editora Globo

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A inflação do Povo e dos Economistas

Estão subindo bem acima da média preços que afetam todos: comida e serviços, de corte de cabelo a mensalidade escolar

Em fevereiro deste ano, o Datafolha perguntou em uma de suas pesquisas nacionais: você acha que a inflação vai aumentar ou vai cair? “Vai aumentar”, responderam 59% dos entrevistados. Já mostrava uma expectativa negativa.
No mesmo mês, analistas de fora do governo, consultados pelo Banco Central, estimavam que a inflação chegaria ao fim deste ano em 5,9%, medida pelo IPCA, índice do IBGE. Não chegava a ser uma novidade, pois a média de inflação nos últimos anos tem ficado em torno dos 6%. Mas continuava sendo um número alto, considerando que a meta oficial é de 4,5%, podendo ir até 6,5%, na margem de tolerância.
Vamos para abril. O Datafolha fez a mesma pergunta. E nada menos que 65% disseram que a inflação vai aumentar. Uma alta de seis pontos percentuais.
O BC, como faz toda semana, consultou novamente os analistas. No último dia 17, eles elevaram a previsão de inflação para este ano para 6,51%, conforme mostra o Boletim Focus, que pode ser acompanhado no site do BC. É só um pouquinho acima do teto da meta (a margem de tolerância), mas o movimento tem sido de alta direto. Além disso, é a primeira vez no ano que passa do teto.
Logo, especialistas e povo têm a mesma expectativa. Os economistas não acreditam que a alta de juros promovida pelo Banco Central e a promessa de corte de gastos do governo farão o efeito de bloquear a inflação. As pessoas ou os eleitores não acreditam nas repetidas afirmações da presidente Dilma, do ministro Mantega e do presidente do BC, Alexandre Tombini, segundo os quais o governo vai derrubar o IPCA.
Do ponto de vista técnico, se diz que o BC não está conseguindo “ancorar” as expectativas. No regime de metas, é meio caminho andado quando o mercado acredita que a “autoridade monetária” está mesmo empenhada em colocar a inflação no alvo e tem instrumentos e autonomia para fazer isso. No caso, autonomia para elevar os juros o quanto for necessário. O mercado acha o contrário, neste momento, e opera, negociando taxas de juros, por exemplo, na expectativa de que a inflação é alta e resiliente.
De ponto de vista da população, vale a experiência de compras. Índice de inflação de 6% é uma média entre preços que sobem e caem. Tem cigarro e cerveja no índice. Se você não fuma nem bebe, não percebe a inflação desses itens. Ocorre que estão subindo mais, bem acima da média, preços de itens que afetam todo mundo: comida e serviços em geral, desde corte de cabelo a mensalidade escolar. E, mais recentemente, tarifas de energia elétrica e de transporte público.
Até chegaram a cair preços de alguns eletrodomésticos, por causa da demanda mais fraca e do crédito mais difícil. Muitas pessoas perceberam, mas você não compra geladeira todo ano. Já supermercado e salão de beleza...
Nesse ambiente, acontece algo muito conhecido: quando todos acham que a inflação vai subir... ela sobe.
O empresário trata de colocar no preço a expectativa de alta. Os sindicatos começam a pedida salarial de 7% para cima. Se o mercado está aquecido, o prestador de serviço eleva seus preços mais frequentemente.
A persistência da inflação relativamente alta vai incomodando aos poucos. A pessoa está empregada, com salário em dia, mas toda semana vê que algo ficou mais caro. O dono do negócio, a um determinado momento, não sabe mais que preço estimar — e dá uma parada. O próprio governo vai ficando incomodado, pois seus integrantes percebem que precisam elevar alguns preços e salários.
A sensação de desconforto econômico se transforma em disposição de voto contra o governo. Esse é o maior risco para a presidente Dilma, além, claro, do caso Petrobras: entrar na campanha em ambiente inflacionário.
Mas, pergunta o leitor, não seria possível combater e derrubar essa alta de preços? Sim, é possível, mas, como o governo errou na política econômica, colhendo inflação alta e crescimento baixo, e como tolerou por muito tempo o ritmo elevado dos preços, o remédio necessário é cada vez mais amargo. E de efeitos demorados. Trata-se de juros ainda mais altos e de um forte corte nos gastos públicos, atitudes politicamente negativas e nas quais, a rigor, a presidente Dilma e o ministro Mantega nem acreditam.
Por isso, tentam controlar alguns preços “no braço” e ganhar a batalha das expectativas no grito. Toda hora repetem que a inflação está sob controle. Mas não é o que dizem os analistas e o povo, numa rara combinação.

Por Carlos Alberto Sardenberg
Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/a-inflacao-do-povo-dos-economistas-12277228#ixzz2zxZbbtcf 
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O que é esse tal de arroz parboilizado?



*
O estranhamento começa no nome: parboilizado. O adjetivo vem do inglês parboiled, que junta partial e boiled para expressar a ideia de parcialmente fervido. 

Na verdade, até tentaram emplacar no Brasil o nome mais saboroso de "pré-cozido", vetado pelo Ministério da Agricultura. Acontece que cozinhar é uma coisa, parboilizar é outra. Mais especificamente, é imergir o arroz em água aquecida a uns 50°C. Esse processo faz com ele mantenha os nutrientes do arroz integral (vitamina B, magnésio, fósforo e potássio) e, de brinde, ainda cozinhe um pouco mais rápido que o tradicional arroz branco. 

Um arroz que é mais fácil de preparar, mais nutritivo e tem quase o mesmo gosto do branco. E mais caro, claro, uns 20% no saco de 5 quilos. Mas há quem defenda uma economia final, como a pesquisadora de marketing nutricional da USP, Bianca Bitencourt. "O pré-cozimento diminui o índice de grãos quebrados, compensando, de certa forma, o maior custo industrial."

Dados nutricionais, a cada 100 g

BRANCO
Fibras: 0,2 g
Proteínas: 7 g
Calorias: 120

PARBOILIZADO
Fibras: 0,5 g
Proteínas: 7,3 g
Calorias: 112

INTEGRAL
Fibras: 1 g
Proteínas: 7,3 g
Calorias: 107

Por Bianca Bitencourt, pesquisadora de marketing nutricional da USP.
*Dica da Minha Esposa.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Goste das Pessoas

Kent não era mais do que um adolescente quando aprendeu, com seu amigo da mesma idade, uma das lições que mais lhe encheram de prazer a vida. 

Ambos estavam estudando e, da janela, observaram um dos professores atravessando o estacionamento. 

Kent explicou a Craig que não gostaria de reencontrar aquele instrutor. No semestre anterior, ele e o professor tinham se desentendido. 

O cara não gosta de mim - finalizou. 

Craig observou o professor e falou: 

Talvez você esteja se afastando porque tenha medo de ser rejeitado. E ele provavelmente acha que você não gosta dele, por isso não é simpático com você. Por que não vai falar com ele? 

Hesitante, Kent desceu as escadas, cumprimentou o professor e perguntou como tinha sido seu período de férias. 

Ele se mostrou surpreso, mas respondeu. Juntos caminharam um pouco e conversaram. 

O amigo tinha lhe ensinado algo simples. As pessoas gostam de quem gosta delas. Quando se mostra interesse por elas, elas se interessam por nós. 

A partir daquele dia, o mundo se transformou para Kent numa grande descoberta. 

Certa vez, viajando de trem pelo Canadá, ele começou a conversar com um homem que todos evitavam, porque cambaleava e enrolava a língua, ao falar. Todos pensavam que ele estivesse bêbado. Em verdade, ele estava se recuperando de um derrame. 

Tinha sido engenheiro naquela mesma linha férrea e passou a viagem contando histórias fascinantes passadas naquela ferrovia. 

Quando o trem foi se aproximando da estação, ele segurou a mão de Kent e agradeceu por ele ter ouvido, com tanta atenção. 

Mas Kent sabia que o prazer tinha sido muito maior para ele próprio. 

Em um outro momento, em uma esquina barulhenta, numa cidade da Califórnia, uma família o parou pedindo informações. Eram turistas da isolada costa norte da Austrália. 

Em pouco tempo, tomando café, eles encheram de conhecimento a sua cabecinha, com histórias sobre lugares e costumes que possivelmente ele nunca teria conhecido. 

Cada encontro se tornou uma aventura. Cada pessoa, uma lição de vida. Ricos, pobres, poderosos e solitários: ele percebeu que todos tinham tantos sonhos e dúvidas quanto ele mesmo. 

Todos tinham uma história única para contar. Bastava alguém querer ouvir. 

Uma jovem esteticista lhe confidenciou a alegria que tinha sentido ao ver os moradores de um asilo, sorrindo, depois que ela cortou e penteou seus cabelos. 

Um guarda de trânsito revelou como tinha aprendido alguns dos seus gestos, observando toureiros e maestros. 

Até mesmo um andarilho, com a barba por fazer, lhe contou como tinha conseguido alimentar sua família durante o período da depressão, nos Estados Unidos, recolhendo peixes atordoados que flutuavam na superfície, depois de explosões na água. 

Em suma, todas as pessoas tinham histórias para contar. Histórias ricas de experiências. E todas sonhavam com alguém que as quisesse ouvir. 


Texto extraído do livro Histórias para aquecer o coração dos adolescentes, de Jack Canfield, Mark Victor Hansen, Kimberly Kirberger, ed. Sextante

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Há Diferentes Maneiras de Dizer as Coisas!

       Uma sábia e conhecida anedota árabe diz que, certa feita, um sultão sonhou que havia perdido todos os dentes. Logo que despertou, mandou chamar um adivinho para que interpretasse seu sonho.
       - Que desgraça, senhor! Exclamou o adivinho. Cada dente caído representa a perda de um parente de vossa majestade.
       - Mas que insolente - gritou o sultão, enfurecido. Como te atreves a dizer-me semelhante coisa? Fora daqui!
       Chamou os guardas e ordenou que lhe dessem cem açoites. Mandou que trouxessem outro adivinho e lhe contou sobre o sonho.
       Este, após ouvir o sultão com atenção, disse-lhe:
       - Excelso senhor! Grande felicidade vos esta reservada. O sonho significa que haveis de sobreviver a todos os vossos parentes.
       A fisionomia do sultão iluminou-se num sorriso, e ele mandou dar cem moedas de ouro ao segundo adivinho. E quando este saía do palácio, um dos cortesãos lhe disse admirado:
       - Não é possível! A interpretação que você fez foi a mesma que o seu colega havia feito. Não entendo porque ao primeiro ele pagou com cem açoites e a você com cem moedas de ouro.
       - Lembra-te meu amigo - respondeu o adivinho - que tudo depende da maneira de dizer...
       Um dos grandes desafios da humanidade é aprender a arte de comunicar-se. Da comunicação depende, muitas vezes, a felicidade ou a desgraça, a paz ou a guerra.
       Que a verdade deve ser dita em qualquer situação, não resta duvida. Mas a forma como ela é comunicada é que tem provocado, em alguns casos, grandes problemas. A verdade pode ser comparada a uma pedra preciosa. Se a lançarmos no rosto de alguém pode ferir, provocando dor e revolta. Mas se a envolvemos em delicada embalagem e a oferecemos com ternura, certamente será aceita com facilidade.
       A embalagem, nesse caso, é a indulgência, o carinho, a compreensão e, acima de tudo, a vontade sincera de ajudar a pessoa a quem nos dirigimos.
       Ademais, será sábio de nossa parte, antes de dizer aos outros o que julgamos ser uma verdade, dize-la a nós mesmos diante do espelho.
       E, conforme seja a nossa reação, podemos seguir em frente ou deixar de lado o nosso intento. Importante mesmo, é ter sempre em mente que o que fará diferença é a maneira de dizer as coisas...

domingo, 20 de abril de 2014

O Menino do Palácio do Dragão

Era uma vez, num país distante, um pobre vendedor de flores. Todos os dias ele colhia as flores, descia até o vale e atravessava um rio para chegar à cidade, onde vendia sua colheita. No fim da tarde, ao voltar para casa, atravessava novamente o rio e atirava na corrente os botões não vendidos.
Um dia, devido as fortes chuvas, o rio havia subido de tal forma e tão violenta era a torrente que era impossível cruzá-lo. O vendedor ficou parado, sem saber o que fazer, quando avistou uma tartaruga que veio em sua direção e se ofereceu para transportá-lo. Tão logo ele subiu no casco da tartaruga ela nadou velozmente, submergindo nas profundezas do rio.
Em poucos momentos chegaram a um estranho palácio. Era o palácio do dragão, a morada do senhor da água. Lá, uma linda princesa os aguardava. Ela saudou calidamente o vendedor e agradeceu-lhe pelas flores tão bonitas que as águas do rio todos os dias lhe traziam. Ela o recebeu com um suntuoso banquete, ao som de delicadas melodias e com graciosas danças de peixes. Encantado, o vendedor permaneceu ali por um longo tempo.
Finalmente o deleitado hóspede decidiu que deveria voltar para casa. Quando se despediu da princesa, esta mandou vir à sua presença um menininho maltrapilho.
Por favor – disse ao florista, - cuide deste menino, e ele fará com que seus desejos se tornem realidade.
Quando voltou para casa, acompanhado do menino, o vendedor de flores se deu conta da pobreza de sua cabana. Recordando-se das palavras da princesa, pediu ao menino um novo lar. O menino, então, bateu palmas três vezes e transformou a cabana em um maravilhoso palácio, esplendidamente mobiliado.
O tempo passou, e o vendedor esqueceu-se de sua origem humilde, exigindo mais e mais luxos; em breve, transbordava de riquezas. Em um ambiente tão rico, o homem começou a achar que o menino maltrapilho estava fora de seu lugar. Pediu-lhe então que trocasse as suas roupas por outras mais bonitas. Porém, dizendo que era feliz daquele jeito, o menino se negou a fazê-lo e continuou usando os seus andrajos.
Finalmente, o vendedor, convencido de que possuía tudo aquilo que poderia desejar, sugeriu ao menino que regressasse para o palácio do dragão. Este se recusou a voltar. Porém, ao ver o vendedor tão contrariado, concordou e deixou-se levar até o rio.
Suspirando com alívio, por ter conseguido livrar-se do menino, o homem voltou ao seu palácio. Mas, para seu total assombro, o palácio havia desaparecido por completo. Ele estava novamente em sua humilde cabana, vestido com as mesmas roupas que usava quando era um pobre vendedor de flores, muito tempo atrás. Nervoso, e percebendo o seu erro, correu em direção ao rio chamando o menino.
Mas o menino também havia desaparecido.  
Do livro: Histórias da Tradição Sufi - Editora Dervish

Ele Vive! Glorificado Seja Seu Nome!

RICHARD G. SCOTT
Do Quórum dos Doze Apóstolos

Esta é a manhã da Páscoa, o dia santo designado em toda a cristandade para comemorar a vitória de Jesus Cristo sobre a morte. Sua Ressurreição quebrou as cadeias da morte, que até aquele momento não tinham sido rompidas. Ele abriu o caminho pelo qual cada filho ou filha do Pai Celestial nascido na Terra tem a oportunidade de ressuscitar e viver de novo.
Como deve ter-se regozijado o Pai Celestial naquele dia sagrado em que Seu Filho, totalmente obediente e completamente digno, rompeu os grilhões da morte! Que propósito eterno teria o plano de felicidade do Pai se não fosse vivificado pela Expiação infinita e eterna de Seu Filho gloriosamente obediente? Que propósito eterno teria a Criação da Terra, na qual as inteligências em seu tabernáculo de espírito receberiam um corpo, se a morte fosse o fim da existência e ninguém ressuscitasse? Que ocasião gloriosa foi aquela manhã para todos os que compreenderam seu significado!
A Páscoa é a época sagrada em que o coração de todo cristão devoto se volta em humilde gratidão para nosso amado Salvador. É uma época que deve trazer paz e alegria a todos os que O amam e demonstram isso pela obediência a Seus mandamentos. A Páscoa traz à lembrança Jesus, Sua vida, Sua Expiação, Sua Ressurreição, Seu amor. Ele ressuscitou dos mortos com cura nas suas asas (ver Malaquias 4:2; 3 Néfi 25:2). Oh, como todos precisamos dessa cura que o Redentor pode proporcionar! Quero deixar hoje uma mensagem de esperança com base nos princípios contidos nos ensinamentos do Mestre dos mestres, Jesus Cristo.
Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias podem compreender mais plenamente a amplitude e a grandiosidade da cura promovida por Sua Expiação porque temos a plenitude de Sua doutrina. Sabemos que o que Ele fez voluntariamente à custa de imenso sofrimento e sacrifício não apenas nos afetará nesta vida, mas por toda a eternidade.
Nesta Páscoa, ao lembrar-nos da Ressurreição e do preço pago e da dádiva que foi concedida por meio da Expiação, pondere o que as escrituras ensinam sobre esses acontecimentos sagrados. Seu testemunho pessoal da realidade dessas coisas será fortalecido. É preciso que elas sejam mais do que apenas princípios que você memoriza. Precisam estar incorporadas ao próprio cerne de seu ser como um vigoroso baluarte contra a crescente maré de abominação que infesta nosso mundo.
O profeta Leí declarou uma profunda verdade ao afirmar: “Portanto a redenção nos vem por intermédio do Santo Messias; porque ele é cheio de graça e verdade. Eis que ele se oferece em sacrifício pelo pecado, cumprindo, assim, todos os requisitos da lei para todos os quebrantados de coração e contritos de espírito; e para ninguém mais podem todos os requisitos da lei ser cumpridos” (2 Néfi 2:6–7). Essa escritura indica que, para os orgulhosos e arrogantes, é como se nunca tivesse havido uma Expiação.
Jesus Cristo vive. Ele é nosso Salvador, nosso Redentor. Ele é um Ser ressurreto e glorioso. Tem a capacidade de comunicar um amor que é tão poderoso, tão arrebatador, a ponto de sobrepujar a capacidade humana de expressá-lo adequadamente. Ele deu a vida para romper as cadeias da morte. Sua Expiação tornou plenamente efetivo o plano de felicidade de Seu Pai Celestial.
Jesus administra o equilíbrio entre a justiça e a misericórdia, sob a condição de nossa obediência a Seu evangelho. Ele é a luz para toda a humanidade. É a fonte de toda a verdade. Ele cumpre todas as Suas promessas. Todos os que obedecem a Seus mandamentos receberão as mais gloriosas bênçãos que podemos imaginar.
Sem a Expiação, o plano de felicidade do Pai Celestial não poderia ser plenamente levado a efeito. A Expiação dá a todos a oportunidade de sobrepujar as consequências dos erros cometidos na vida. Se obedecermos a uma lei, recebemos uma bênção. Quando quebramos uma lei, nada resta da obediência anterior para satisfazer às demandas da justiça por aquela lei que foi quebrada. A Expiação do Salvador permite que nos arrependamos de toda desobediência e, assim, nos livremos dos castigos que a justiça nos teria imposto.
Minha reverência e gratidão pela Expiação do Santo de Israel, do Príncipe da Paz e de nosso Redentor aumentam continuamente, à medida que me esforço para compreender mais a respeito dela. Percebo que nenhuma mente mortal pode conceber apropriadamente, nenhum ser humano pode expressar adequadamente o pleno significado de tudo o que Jesus Cristo fez pelos filhos de nosso Pai Celestial por intermédio de Sua Expiação. Mas é vital que cada um de nós procure aprender o que puder a esse respeito. A Expiação é o ingrediente essencial do plano de felicidade de nosso Pai Celestial, sem o qual esse plano não poderia ter sido efetivado. A compreensão que você tem da Expiação e o entendimento que ela proporciona para sua vida vão aumentar imensamente seu uso produtivo de todo conhecimento, experiência e habilidade que adquirir na vida mortal.
Creio que é instrutivo tentar imaginar o que a Expiação exigiu, tanto do Pai quanto de Seu Filho obediente. Três dos desafios enfrentados pelo Salvador foram:
Primeiro, um enorme senso de responsabilidade, porque Ele sabia que a menos que ela fosse realizada perfeitamente, nenhum dos filhos de Seu Pai poderia voltar à presença Dele. Eles seriam eternamente banidos de Sua presença, porque não haveria meio de se arrependerem da violação das leis, e nada impuro pode habitar na presença de Deus. O plano de Seu Pai teria falhado, e todos os filhos espirituais estariam sujeitos ao eterno controle e tormento de Satanás.
Segundo, em Sua mente e Seu coração absolutamente puros, Ele teve que sentir pessoalmente as consequências de tudo o que a humanidade viria a encontrar, até os pecados mais depravados e desprezíveis.
Terceiro, Ele teve de suportar os malignos ataques das hostes de Satanás, sendo física e emocionalmente pressionado até o limite. Então, por motivos que não compreendemos plenamente, no extremo de Sua capacidade, no momento em que o Salvador mais necessitava de Seu socorro, o Pai permitiu que Ele tomasse sobre os ombros aquela onerosa responsabilidade somente com Sua própria força e capacidade.
Tento imaginar quão intenso e pungente deve ter sido para nosso Pai Celestial o momento em que o Salvador clamou da cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46; Marcos 15:34). Não creio que o Pai Celestial tenha abandonado Seu Filho na cruz. Creio que o clamor foi motivado pelo sentimento do Filho de que Lhe fora removido o apoio do Pai do qual Ele sempre havia desfrutado. O Pai reconheceu que o Salvador precisava realizar a Expiação total completamente sozinho, sem ajuda externa. O Pai não desamparou o Filho. Ele possibilitou que Seu Filho perfeito conquistasse os frutos eternos da Expiação.
Nenhum de nós pode entender adequadamente na mortalidade a plenitude das consequências benéficas da Expiação.
Há uma necessidade premente de que todos fortaleçamos a compreensão do significado da Expiação de Jesus Cristo, para que ela se torne o alicerce inabalável sobre o qual edificaremos nossa vida. À medida que o mundo se torna cada vez mais despojado de padrões fundamentais e a honra, a virtude e a pureza são cada vez mais deixadas de lado, na busca da satisfação dos apetites, nossa compreensão e fé na Expiação de Jesus Cristo nos darão a força e a capacidade necessárias para ter sucesso na vida. Também nos proporcionará confiança nos momentos de provação e paz nos momentos conturbados.
Eu o incentivo enfaticamente a estabelecer seu plano pessoal de estudo para compreender melhor e valorizar as consequências incomparáveis, eternas e infinitas do cumprimento perfeito do chamado divino de Jesus Cristo como nosso Salvador e Redentor. A profunda reflexão pessoal sobre as escrituras, acompanhada de uma oração fervorosa e sincera, fortalecerá sua gratidão e compreensão da inestimável Expiação. Outra maneira poderosa de aprender sobre Jesus Cristo e sobre Sua Expiação é por meio de uma frequência constante ao templo.
Espero que cada um de nós renove sua determinação de ensinar princípios verdadeiros na santidade do lar. Ao fazer isso, proporcionaremos a maior oportunidade para que os espíritos que nos foram confiados tenham felicidade. Usem a Igreja como uma ferramenta de retidão para fortalecer o lar, mas reconheçam que, como pais, temos a responsabilidade fundamental e o privilégio de ser guiados pelo Senhor na criação de Seus filhos espirituais que nos foram confiados.
A importância vital de ensinar a verdade no lar é fundamental. A Igreja é importante, mas é no lar que os pais proporcionam a compreensão e a orientação necessárias para os filhos. É verdade que o chamado mais importante nesta vida e na eternidade é o de pai e o de mãe. No devido momento, seremos desobrigados de todos os encargos que recebemos, mas não do encargo de pai e de mãe.
Se você ponderar, e não apenas ler, mas ponderar e meditar sobre as passagens das escrituras, o poder do Espírito santo vai destilar verdades em sua mente e em seu coração, como um alicerce seguro nestes tempos incertos em que vivemos. Como pai ou mãe, prepare seus filhos para os desafios que vão encontrar. Ensine-lhes a verdade, incentive-os a vivê-la, e assim eles estarão bem, por mais severamente que o mundo seja abalado.
Nesta Páscoa, tome a decisão de tornar o Senhor Jesus Cristo o centro vivo de seu lar. Certifique-se de que cada decisão que tomar, de natureza espiritual ou física, seja guiada pelo pensamento: “O que o Senhor Jesus Cristo gostaria que eu fizesse?” Se o Salvador for o centro, seu lar ficará cheio de paz e serenidade. Haverá um espírito de serena confiança a permear o lar, que será sentido tanto pelas crianças quanto pelos adultos.
A melhor maneira de fazer uma mudança positiva e permanente é fazer de Jesus Cristo o seu modelo, e de Seus ensinamentos, o seu guia para a vida.
Se você tiver sido desobediente a Seus mandamentos e sentir-se indigno, saiba que foi por isso que o Senhor Jesus Cristo deu a própria vida. Por meio de Sua Expiação, Ele abriu para sempre a oportunidade de sobrepujarmos esses erros, de nos arrependermos das escolhas erradas e de vencermos os efeitos negativos de uma vida contrária a Seus ensinamentos.
O Salvador ama cada um de nós e possibilitará a satisfação de todas as nossas necessidades se nos qualificarmos, por meio de nossa obediência, para todas as bênçãos que Ele deseja que tenhamos nesta Terra. Eu O amo e adoro. Como Seu servo autorizado, presto solene testemunho, com todas as fibras de meu ser, de que Ele vive. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Estresse = Copo d'água

Uma psicóloga falando sobre gerenciamento do estresse em uma palestra levantou um copo d'água. Todos pensaram que ela perguntaria "Meio cheio ou meio vazio?". Mas com um sorriso no rosto ela perguntou "Quanto pesa este copo de água?"
As respostas variaram entre 100 e 350g.
Ela respondeu:
"O peso absoluto não importa. Depende de quanto tempo você o segura. Se eu segurar por um minuto, não tem problema.
Se eu o segurar durante uma hora, ficarei com dor no braço. Se eu segurar por um dia meu braço ficará amortecido e paralisado. Em todos os casos o peso do copo não mudou, mas quanto mais tempo eu o segurava, mais pesado ele ficava".
Ela continuou:
"O estresse e as preocupações da vida são como aquele copo d'água. Eu penso sobre eles por um tempo e nada acontece. Eu penso sobre eles um pouco mais de tempo e eles começam a machucar. E se eu penso sobre eles durante o dia todo me sinto paralisada, incapaz de fazer qualquer coisa".

Então lembre-se de "largar o copo"...
Autor desconhecido

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Conselhos Úteis

Em uma conferência numa universidade americana, Brian Dyson, ex-presidente da Coca Cola, falou sobre a relação entre o trabalho e outros compromissos da vida, dizendo: "Imagine a vida como um jogo no qual você faz malabarismo com cinco bolas que lança no ar. 

Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. 

O trabalho é uma bola de borracha. Se cair, bate no chão e pula para cima. Mas as quatro outras não são de borracha. Se caírem no chão se quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entenda isso e busque o equilíbrio na vida. E como conseguir isso? Anote aí dez conselhos simples: 

1. Não diminua seu próprio valor, comparando-se com outras pessoas. Somos todos diferentes. Cada um de nós é um ser especial. Não fixe seus objetivos com base no que os outros acham importante. Só você está em condições de escolher o que é melhor para si próprio. 

2. Dê valor e respeite as coisas mais queridas ao seu coração. Apegue-se a elas como à própria vida. Sem elas a vida carece de sentido. Não deixe que a vida escorra entre os dedos por viver no passado ou no futuro. Se viver um dia de cada vez, viverá todos os dias de sua vida. 

3. Não desista quando ainda é capaz de um esforço a mais. Nada termina até o momento em que se deixa de tentar. Não tema admitir que não é perfeito. 

4. Não tema enfrentar riscos. É correndo riscos que aprendemos a ser valentes. 

5. Não exclua o amor de sua vida dizendo que não se pode encontrá-lo. A melhor forma de receber amor é dá-lo. A forma mais rápida de ficar sem amor é apegar-se demasiado a si próprio. A melhor forma de manter o amor é dar-lhe asas. 

6. Não corra tanto pela vida a ponto de esquecer onde está e para onde vai. 

7. Não tenha medo de aprender. O conhecimento é leve. É um tesouro que se carrega facilmente. 

8. Não use imprudentemente o tempo ou as palavras, por ser impossível recuperar. 

9. A vida não é uma corrida, mas sim uma viagem que deve ser desfrutada a cada passo. 

10. Lembre-se: o ontem é história. O amanhã é mistério e o hoje é uma dádiva, por isso se chama "presente". Viva o presente com muita energia! 

Pense nisso! 

Estes conselhos são uma verdadeira lição de vida para quem deseja viver com equilíbrio. 

Simples e objetivos, eles podem nos levar ao sucesso pessoal em todos os setores da vida. 

Pessoas emocionalmente equilibradas têm mais alegria de viver, mais amigos e vivem mais e melhor. 

E lembre-se da comparação das cinco bolas feita por Brian Dyson. 

Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. E somente o trabalho foi comparado a uma bola de borracha, as demais podem quebrar-se e ficar permanentemente danificadas.

Pense nisso!

domingo, 13 de abril de 2014

Coloque mais motivação em seu trabalho


Como está a sua motivação para encarar os desafios de 2014? A motivação é fundamental para o crescimento profissional, pois ela influencia diretamente os resultados. Quando nos sentimos desmotivados, diminuímos as perspectivas de crescimento, ficamos com pouca energia para colocar mais dedicação no que fazemos. Não tem jeito, a motivação é um grande acelerador do nosso potencial. Porém, é evidente que a motivação sempre será diferente de pessoa a pessoa. O que motiva um indivíduo pode não ser motivador para outro.

A automotivação está relacionada à conquista de objetivos, pois são eles que nos colocam em movimento. Todo empenho para se fazer algo começa com um objetivo, um desejo, uma realização que se pretende alcançar. Mas, não basta somente focar no objetivo final, ou seja, não adianta olhar somente para o resultado, é preciso se dedicar e colocar alegria em cada fase que vai conduzir ao resultado.

Muitas pessoas acabam desanimando e até se estressando demasiadamente quando vão à busca dos objetivos, porque ficam olhando predominantemente para o final do percurso, não entendem que o êxito é construído em cada etapa. A forma como uma pessoa enxerga e constrói seus resultados determina o nível de satisfação. Se não soubermos praticar cada tarefa com alegria e entusiasmo, com certeza o nível de estresse será elevado.

Imagine um artista que fica meses pintando um único quadro ou um cientista que faz centenas de experimentos para obter um resultado. Eles se dedicam em cada ação que constituirá o resultado final. Não adianta ficar totalmente focado no objetivo final, isso vai gerar um desgaste muito grande. Claro que é preciso ter um quadro mental do sucesso, ou seja, imaginar-se conseguindo, pois o cérebro ativa substâncias que nos impulsionam à ação quando visualizamos mentalmente o que queremos. Mas, é fundamental se concentrar em cada etapa alimentada pela energia do desejo de realizar o objetivo.

Se uma pessoa escolhe escrever um livro, por exemplo, ela não deve ficar concentrada somente no livro exposto na prateleira da livraria, mas deve se entusiasmar para executar cada tarefa que vai completar o objetivo final. Olhar para o objetivo no futuro é importante, gera energia, mantém a chama da motivação acesa, mas o êxito só acontece com ações empreendidas no aqui e agora. Um resultado sempre será a consequência de cada ação empreendida no presente.

Então, quando se propor a fazer algo, faça com dedicação e entusiasmo. Procure se por num estado emocional positivo para agir com mais qualidade. Aprenda a trabalhar com pequenas metas. Crie recompensas para si mesmo quando conquistar cada pequena meta, isso pode servir de "trampolim motivacional" para se manter firme na busca de um objetivo maior. Não seja mais um que fica esperando que o mundo venha motivá-lo, tenha atitude e dê o seu melhor em cada agora. A motivação nasce dentro de você, a partir de suas decisões. Mantenha o foco no resultado de cada tarefa e termine o que começa.

Lembre-se que o sucesso inicia com algo pequeno, ele está em cada ação que você executa para chegar a algum lugar. Então, faça da motivação o principal combustível para o êxito e conquiste muito mais...Pense nisso!

sábado, 12 de abril de 2014

O Melhor dos Lugares

Conta a tradição persa que uma caravana viajava há dias pelo deserto. Já não havia uma gota de água para aplacar a sede.
De repente, os caravaneiros encontraram um poço. Fizeram descer por ele uma vasilha, mas a corda arrebentou.
Com a segunda e a terceira, aconteceu o mesmo. Decidiram, então, que um dos viajantes desceria amarrado a uma corda.
Ele também não voltou. Desceu o segundo e este também não voltou.
Foi quando um sábio, que viajava com eles, se ofereceu para descer. Assim foi feito.
Ao chegar ao fundo do poço, ele encontrou um monstro horripilante que se achava o guardião do poço.
Ele disse ao sábio:
"Agora você também é meu prisioneiro e só terá sua vida poupada se der a resposta certa à minha pergunta."
"Pois pergunte", disse o sábio. E o monstro questionou:
"De todos os lugares do mundo, qual é o melhor?"
Diante da pergunta, o sábio pensou que estava cativo e impotente nas mãos do monstro. Se dissesse que o melhor lugar seria a sua própria terra, estaria desprezando a morada do monstro.
Por fim, respondeu:
"O melhor lugar do mundo é aquele onde se tem amigo íntimo, ainda que esse lugar seja o fundo da terra."
"Bravo!", exclamou o monstro. "Você é um verdadeiro homem e sua sabedoria salvou a sua vida e de seus amigos."
* * *
O melhor dos lugares é onde se tem um amigo. Amigo sincero,devotado.
Aquele que, no dizer do Mestre Jesus de Nazaré, dá a sua vida pela do seu amigo.
Amigo é alguém que nos fala, olhando nos olhos e diz o que precisamos ouvir.
Contudo, embora diga verdades e nos aponte erros, não nos destrói com sua fala ou com sua argumentação.
Dosa as palavras, utilizando-as na medida certa e como se ofertasse uma pedra preciosa, coloca-a em um estojo aveludado, a fim de que não nos fira a sensibilidade.
Quando nos aponta defeitos, não tem como intuito nos destruir, senão nos auxiliar o amadurecimento de nós mesmos.
Por isso, não nos repreende publicamente, nem expõe nossas mazelas, que conhece intimamente.
Amigo é aquele que está conosco, não para matar o tempo, mas sim para viver em abundância horas de felicidade.
É alguém que assiste um filme, lê um livro e enriquecendo-se com eles, os recomenda, sem, contudo, nos retirar o prazer de os conhecer por nós mesmos.
Amigo é alguém que, quando distante, parece continuar presente.
Sua voz, sua ternura, seus atos são acionados pela nossa memória, a cada vez que a saudade deseja fazer morada n´alma.
Para essa criatura, devemos dar o melhor de nós próprios.
Ele deve receber nossa atenção, nossa afeição, nossa lealdade.
Se ventos borrascosos tentarem empanar o brilho do sentimento que nos une, não esqueçamos dos dias felizes, das horas amargas juntos vividas.
Recordemos de quantas vezes a amizade dele nos socorreu, nos preencheu o vazio.
Lembremos de quantas vezes compartilhamos desejos, ideais, esperanças, sem palavras.
Lembremos... lembremos...
* * *
Cultiva a amizade, preserva os amigos nos dias felizes.
Quando chegarem as horas de solidão e sentires ausência de afagos, sempre encontrarás nas amizades sólidas o preenchimento das tuas necessidades. 

 Conto Persa, de autoria desconhecida.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Macieira Encantada

Era uma vez um reino antigo e pobre, situado perto de uma grande montanha. 
Havia uma lenda de que, no alto dessa montanha havia uma Macieira mágica, que produzia maçãs de ouro. Para colher as maçãs era preciso chegar até lá, enfrentando todas as situações que aparecessem no caminho. Nunca ninguém havia conseguido essa façanha, conforme dizia a lenda.
O Rei do lugar resolveu oferecer um grande prêmio àquele que se dispusesse a fazer essa viagem e que conseguisse trazer as maçãs, pois assim o reino estaria a salvo da pobreza e das dificuldades que o povo enfrentava. O prêmio seria da escolha do vencedor e incluía a mão da princesa em casamento.
Apareceram três valorosos e corajosos cavaleiros dispostos a essa aventura tão difícil.
Eles deveriam seguir separados e, por coincidência, havia três caminhos:
1º - rápido e fácil, onde não havia nenhum obstáculo e nenhuma dificuldade;
2º - rápido e não tão fácil quanto o primeiro, pois havia algumas situações a serem enfrentadas;
3º - longo e difícil, cheio de situações trabalhosas.
Foi efetuado um sorteio para ver quem escolheria em primeiro lugar um desses caminhos. O primeiro sorteado escolheu, naturalmente, o Primeiro caminho. O segundo sorteado escolheu o Segundo caminho. O terceiro sorteado, sem nenhuma outra opção, aceitou o Terceiro caminho.
Eles partiram juntos, no mesmo horário, levando consigo apenas uma mochila contendo alimentos, agasalhos e algumas ferramentas.
O Primeiro, com muita facilidade chegou rapidamente até a montanha, subiu, feliz por acreditar que seria o vencedor e quando se deparou com a Macieira Encantada sorriu de felicidade. O que ele não esperava, porém, é que ela fosse tão inatingível. Como chegar até as maçãs? Elas estavam em galhos muito altos. Não havia como subir. O tronco era muito alto também. Ele não possuía nenhum meio de chegar até lá em cima. Ficou esperando o Segundo chegar para resolverem juntos a questão.
O Segundo enfrentou galhardamente a primeira situação com a qual se deparou, porém logo em seguida apareceu outra, e logo depois mais uma e mais outra, sendo algumas delas um tanto difíceis de superar. Ele acabou ficando cansado, esgotado até ficar doente, e cair prostrado. Quando se deu conta de seu péssimo estado físico, foi obrigado a retroceder e voltou para a aldeia, onde foi internado para cuidados médicos.
O Terceiro teve seu primeiro teste quando acabou sua água e ele chegou a um poço. Quando puxou o balde, arrebentou a corda e ele então, rapidamente, com suas ferramentas e alguns galhos, improvisou uma escada para descer até o poço e retirar a água para saciar sua sede. Resolveu levar a escada consigo e também a corda remendada. Percebeu que estava começando a gostar muito dessa aventura.
Depois de descansar, seguiu viagem e precisou atravessar um rio com uma correnteza fortíssima. Construiu, então, uma pequena jangada e com uma vara de bambu como apoio, conseguiu chegar do outro lado do rio, protegendo assim sua mochila, seus agasalhos e todo o material que levava consigo para o momento que precisasse deles, incluindo a jangada.
Em um outro ponto do caminho ele teve de cortar o mato denso e passar por cima de grossos troncos. Com esses troncos ele fez rodas para facilitar o transporte do seu material, usando também a corda para puxar.
E assim, sucessivamente, a cada nova situação que surgia, como ele não tinha pressa, calmamente, fazendo uso de tudo o que estava aprendendo nessa viagem e do material que, prudentemente guardara, resolvia facilmente a questão.
A viagem foi longa, cheia de situações diferentes, de detalhes, e logo chegou o momento esperado, quando ele se defrontou com a Macieira Encantada. O Primeiro havia se cansado de esperar e também retornara ao povoado.
O encanto da Macieira tomou conta do Terceiro. Ela era tão linda, grande, alta, brilhante. Os raios do sol incidindo nos frutos dourados irradiavam uma luz imensa que o deixou extasiado. Quanto mais olhava para a luz dourada, mais ele se sentia invadir por ela, e percebeu que todo o seu corpo parecia estar também dourado. Nesse momento ele sentiu como se uma onda de sabedoria tomasse conta de seu ser. Com essa sensação maravilhosa ele se deixou ficar, inebriado, durante longo tempo. Depois do impacto ele se pôs a trabalhar e preparou cuidadosamente, seu material, fazendo uso de todos os seus recursos. Transformou a jangada numa grande cesta, para guardar as maçãs dentro, subiu na árvore, pela escada, usou o bambu para empurrar as maçãs mais altas e mais distantes. Tudo isso e mais algumas providências que sua criatividade lhe sugeriu para facilitar seu trabalho, que havia se transformado em prazer.
Depois de encher a cesta com as maçãs, e com a certeza de que poderia voltar ali quando quisesse, por ser a Macieira pródiga, ele agradeceu a Deus por ter chegado, por ter conseguido concluir seu objetivo. Agradeceu principalmente a si mesmo pela coragem e persistência na utilização de todos os seus recursos, como inteligência e criatividade.
Voltou pelo caminho mais fácil, levando consigo os frutos de seu trabalho e de seus esforços, frutos esses colhidos com muita competência e merecimento. Descobriu, entre outras coisas que:
  • tudo que apareceu em seu caminho foi útil e importante para sua vitória;
  • cada uma das situações que ele resolveu, foi de grande aprendizado, não só para aquele momento, mas também para vários outros na sua vida futura;
  • quando você faz do seu trabalho um prazer, suas chances de sucesso são muito maiores;
  • quando seu objetivo vale a pena, não há nada que o faça desistir no meio do caminho;
  • a sua vitória poderia beneficiar a vida de muita gente e também servir de exemplo a outras pessoas, a quem ele poderia ensinar tudo o que aprendeu nessa trajetória.
O resto da história vocês podem imaginar. E como toda história que se preze, viveram felizes para sempre...
Eu gostaria de convidar a todos que lerem essa metáfora a fazerem uma reflexão sobre seu conteúdo e acrescentar, de acordo com a sua própria experiência e compreensão do texto, novas descobertas e possíveis benefícios e aprendizado, tanto para si, quanto para outras pessoas.
Maria Madalena de Oliveira Junqueira Leite
Master Practitioner em Programação Neurolingüística, com especialização em Saúde

terça-feira, 8 de abril de 2014

A Camisa De Um Homem Feliz

Um califa sofrendo de uma doença mortal, estava deitado sobre almofadas de seda. Os raquins, os médicos de seu país, congregados ao seu redor, concordaram entre si em que apenas uma coisa poderia conceder cura e salvação ao califa: colocar sob sua cabeça a camisa de um homem feliz.
Mensageiros em grande número saíram buscando em toda cidade, toda vila e toda cabana, por um homem feliz. Mas cada pessoa por eles interrogada nada expressava senão tristeza e preocupações.
Finalmente após ter abandonado toda a esperança, os mensageiros encontram um pastor que ria e cantava enquanto observava seu rebanho.
Era ele feliz?
" Não posso imaginar alguém mais feliz que eu", disse o pastor rindo-se.
"Então, dê-nos tua camisa" gritaram os mensageiros.
Mas o pastor respondeu: "Eu não tenho nenhuma camisa!".
Essa notícia patética, de que o único homem feliz encontrado pelos mensageiros não possuía uma camisa, deu o que pensar ao califa.
Por três dias e três noites ele não permitiu que nenhuma pessoa se aproximasse dele.
Finalmente no quarto dia, fez com que suas almofadas de seda e suas pedras preciosas fossem distribuídas entre o povo e, conforme conta a lenda, daquele momento em diante o califa outra vez ficou saudável e feliz.

Do livro: O Mercador e o Papagaio - 
Histórias Orientais como Ferramentas em Psicoterapia 
Com cem exemplos para a educação e a auto-ajuda 
Nossrat Peseschkian - Papirus Editora

domingo, 6 de abril de 2014

Livro: Mundo Corparativo Por Max Gehringer - Apresentação

ALGUM DIA, NUM FUTURO NÃO MUITO DISTANTE, UM  HISTORIADOR 

escreverá um relato interessante. Durante 200 anos, ele dirá, mais

ou menos entre 1850 e 2050, existiu um fenômeno chamado “mercado de trabalho”.

Nele, uma pessoa se associava a uma empresa, em uma condição formal conhecida

como “vínculo empregatício”. Em troca do aluguel mensal de seu tempo e de seu

talento, essa pessoa recebia várias compensações. A principal delas era um

pagamento fixo. Mas havia muito mais. Férias anuais, assistência médica, um salário

extra por ano, aposentadoria, cesta básica, vale-transporte, vale-refeição. E tudo isso,

independentemente da situação que a empresa estivesse atravessando. Uma

 O historiador ponderará, também, que nada parecido com isso existiu

no longo período decorrido desde as primeiras civilizações, na ancestral

Mesopotâmia, até o século XIX de nossa era. Durante esse tempo, existiram os

camponeses, que plantavam para o proprietário das terras e ficavam com uma ínfima

parte da colheita, para seu próprio sustento. Existiram soldados, que recebiam um

soldo e eram autorizados a saquear as cidades conquistadas para melhorar seu

orçamento. Existiram escravos, vítimas de uma barbárie social que perdurou até o

final do século XIX. Existiram religiosos, cujo sustento era provido pelos fiéis. E

existiram mercadores e comerciantes autônomos. O que hoje chamaríamos de

“empregados” - pessoas que prestavam um serviço continuado, por um salário fixo -

não perfaziam mais que 1% da população. Sendo que a grande maioria estava

engajada no serviço público.

 Foi o advento do mercado de trabalho que transferiu a maior parte das

populações do campo para a cidade. A atração estava nos benefícios delongo prazo,

inexistentes nas roças, e na possibilidade de uma carreira profissional. Esse

fenômeno atingiu seu auge no período entre 1940 e 1990. A partir daí, a curva

começou a se inverter. A possibilidade de um bom emprego em uma boa empresa

passou a ficar mais difícil. E a quantidade de autônomos começou,

proporcionalmente, a aumentar.

 Mas os jovens que entraram no mercado de trabalho a partir de 1990

não sabiam que estavam no ponto de inflexão da história. Suas referências eram

aquelas que seus pais lhes transmitiram: estude, arranje um emprego, e você poderá

desfrutar das delícias da classe média trabalhadora pelo resto de sua vida. Hoje, 500

mil jovens se formam anualmente no Brasil. E partem em busca de uma realidade

que está deixando lentamente de existir: a das cinco últimas gerações, que puderam

tirar proveito de um mercado em que havia mais vagas do que candidatos.

 É exatamente esse momento de transição que eu venho tentando

traduzir em meus artigos para a revista Época e em meus comentários diários para a

Rádio CBN. Minha melhor credencial é também a mais óbvia: eu trabalhei adoidado.

Filho de um mecânico e de uma tecelã, que jamais na vida conseguiram ganhar mais

que dois salários mínimos por mês, eu posso dizer que tive um pouco de

competência e muita sorte. A sorte foi a de ter entrado no mercado de trabalho em

seu momento mais glorioso, a era do milagre econômico brasileiro, quando havia um

emprego em cada esquina. A competência foi a de ter entendido as regras desse

mercado. Isso me permitiu construir uma carreira que foi muito além do que eu,

quando tinha 18 anos, poderia sonhar.

 Há 7 anos, eu decidi deixar de viver esse mundo corporativo por dentro

e passar a olhá-lo de fora. Deixei a presidência de uma empresa para ser escritor e

palestrante. Duas atividades nas quais minha experiência era zero. Na época, meus

amigos mais generosos me chamaram de “inconseqüente”. Os mais sinceros, de

“debilóide”. Embora o tempo tenha provado que essa foi a decisão mais sensata que

eu tomei na vida, ela já vinha sendo amadurecida havia anos. Eu tinha a consciência

de que o mercado de trabalho iria se transformar, rápida e radicalmente. E queria

poder dizer isso para o maior número possível de pessoas. Principalmente os jovens,

para que eles não se iludissem. E para os profissionais satisfeitos demais, para que

eles não fossem apanhados desprevenidos. E, novamente, dei sorte. Já comecei

escrevendo para as duas maiores revistas de negócios do Brasil. Só que, dessa vez, a

sorte tinha nomes e sobrenomes: Paulo Nogueira, Diretor do Grupo Exame, e Maria

Tereza Comes, na época redatora e mais tarde Diretora de Redação da Você S/A.

 Nessa minha nova carreira de cronista corporativo, a Rádio CBN foi

uma dádiva. Ela é um enorme alto-falante. E me permitiu aumentar meu público,

tanto em quantidade - de milhares de leitores para milhões de ouvintes - quanto em

freqüência - de artigos mensais ou quinzenais para comentários diários. Mas toda

história sempre tem um começo. Um dia, a Mariza Tavares, Diretora da CBN, me

ligou. E me perguntou, assim, na lata: “Além de escrever, você também sabe falar?”.

E eu pensei comigo: “Bom, eu deveria saber, pelo menos por decurso de prazo, já

que aprendi a falar cinco anos antes de aprender a escrever.” Mas, dias depois, ao

conversar com a Mariza sobre os finalmentes, eu ainda tinha um monte de dúvidas.

E ela, nenhuma. Obrigado, Mariza.

 O resultado de toda essa história é este livro. Ele não pretende ensinar

nada, nem ditar regras. O mundo corporativo já tem regras demais. O objetivo é o de

gerar reflexões. Aqui estão os textos integrais dos 120 comentários que provocaram

mais reações da parte dos ouvintes. A favor ou contra. E esse é exatamente o ponto.

Recordar é viver. Discordar é mostrar que estamos vivos.

Max Gehringer


* Irei pubicar um capítulo por dia.