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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Lobos Internos

Um dia um velho avô foi procurado por seu neto, que estava com raiva de um amigo que o havia ofendido. 

O sábio velhinho acalmou o neto e disse com carinho: "Deixe-me contar-lhe uma história. 

Eu mesmo, algumas vezes, senti muito ódio daqueles que me ofenderam tanto, sem arrependimento. todavia, o ódio corrói a nossa intimidade mas não fere nosso inimigo. É o mesmo que tomar veneno desejando que o inimigo morra. 

Lutei muitas vezes contra esses sentimentos. 

O neto ouvia com atenção as considerações do avô. E ele continuou: "é como se existissem dois lobos dentro de mim. um deles é bom. Não magoa ninguém. Vive em harmonia com todos e não se ofende. 

Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta. Mas, o outro lobo, ah!, esse é cheio de raiva. 

Mesmo as pequenas coisas desagradáveis o levam facilmente a um ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. É tão irracional que nunca consegue mudar coisa alguma! 

Algumas vezes é difícil de conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito". 

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou: "E qual deles vence, vovô?" 

O avô sorriu e respondeu baixinho: "Aquele que eu alimento mais freqüentemente". 

E você, qual dos dois lobos tem alimentado com mais freqüência? 

A figura do lobo é significativa, uma vez que representa o grau de animalidade que ainda rege as nossas ações. 

Enquanto o ser humano não desenvolver todas as virtudes que o elevarão à categoria de espírito superior, sempre haverá em sua intimidade um pouco dos irracionais. E essa luta interna é que irá definindo o nosso amanhã, de acordo com o lado que mais alimentamos. 

Por vezes, um simples ato impensado, uma simples ação infeliz, pode nos trazer conseqüências amargas por longo tempo. 

Paulo, o grande apóstolo do cristianismo, identificou muito bem essa luta íntima quando disse: "o bem que eu quero, esse eu não faço, mas o mal que não quero, esse eu faço." 

Indignado por algumas vezes ainda ser dominado pelo "homem velho", em prejuízo do homem novo que desejava ser, Paulo desabafou e nos deixou esta grande lição: é preciso perseverar. 

É preciso deixar que esse lobo sedento de vingança e obcecado pela ira, que ainda encontra vitalidade em nosso íntimo, não receba alimento e desapareça de vez por todas, cedendo lugar ao homem moralmente renovado que desejamos ser. 

Agindo dessa maneira poderemos um dia, não muito distante, dizer, como o próprio apóstolo Paulo disse, depois de vencer a si mesmo: "já não sou eu quem vive, é o cristo que vive em mim." 

Mas, para que cheguemos a esse ponto, temos que travar muitas batalhas internas a fim de fazer com que os ensinamentos e os exemplos de Jesus, o mestre por excelência, façam sentido para nós a ponto de se constituir em força motriz, a impulsionar os nossos pensamentos e atos. 

Você sabia? 

Você sabia que Paulo de tarso renunciou a muitas coisas para seguir a Jesus? 

Ele, que foi um dos primeiros perseguidores dos cristãos em nome da sua crença religiosa, depois que viu o mestre às portas da cidade de damasco, tornou-se seu seguidor fiel até os últimos dias de sua vida. 


Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte.
2 Coríntios 12:10

Mas, para isso, foi preciso silenciar muitas vezes a fera interna que tentava falar mais alto. 

Foi preciso renunciar a si mesmo, deixar o orgulho de lado, tomar da sua cruz e seguir os passos luminosos do Mestre de Nazaré.



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