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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Compromisso e Dedicação



Presidente Marion G. Romney


Considerando a questão do compromisso e dedicação, pensei nas muitas grandes personagens da Bíblia e do Livro de Mórmon, e nos dedicados santos dos primórdios da Igreja – todos valentes, corajosos e comprometidos com causas sublimes e nobres. Todos nós devemos igualmente ter um compromisso individual que nos faça estar á altura dos padrões de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Na esperança de que nos incentivem nesse sentido, recordarei algumas que evidenciam as qualidades que precisamos desenvolver.
Não conheço caminho melhor que o seguido pelos filhos de Mosias, Não chegaria a dizer que me sai tão bem quanto eles, mas tenho suficiente experiência pessoal para saber que a fórmula deles funciona para todos os que seguirem. Eles, diz Mórmon, “haviam-se fortalecidos no conhecimento da verdade, porque eram homens de inteligência sã, e haviam examinado diligentemente as escrituras para poder conhecer a palavra de Deus”.
 “E não só isso; tinham se entregado a muitas orações e jejuns; por isso tinham o espírito de profecia e de revelação, e quando ensinavam, faziam –no com poder e autoridade de Deus (Alma 17: 2-3.)
Este é o grande poder que faz as coisas funcionarem na  Igreja de Deus. Sem ele, tudo o mais falha.
Os filhos de Mosias estavam comprometidos em aprender as coisas de Deus. Provavelmente hoje não exista ninguém com compromisso mais forte em aprender, do que os santos dos últimos dias.
Nossos compromissos apóiam-se no fato de o Senhor haver-nos instruído a estudar e aprender, e a nos familiarizarmos “com todos os bons livros, com linguagens, línguas e povos” (D&C 90:15.) Pois, diz ele, “e impossível ao homem ser salvo em ignorância” (D&C 131:6), isto é, em ignorância da verdade. “O homem só pode ser salvo à medida que adquire conhecimento”, acrescenta o profeta Joseph Smith. (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p.212) Disse o Senhor, ainda, que “a glória de Deus é inteligência” (D&C 93:36), e o Profeta Joseph Smith: Qualquer princípio de inteligência que alcançarmos nesta vida, surgirá conosco na ressurreição.
“E, se uma pessoa por sua diligência e obediência adquirir mais conhecimento e inteligência nesta vida do que uma outra, ela terá tanto mais vantagem no mundo futuro,” (D&C 130: 18-19.)
E novamente, diz o Senhor, “ E na verdade vos digo que é da minha vontade que vos apresseis... obter um conhecimento de história, de países e de reinos, das leis de Deus e dos homens, e tudo isto para a salvação de Sião.”(D&C 93:53.)
Agora, apenas uns poucos pensamentos sobre a necessidade de um conhecimento total, de dedicação plena.
“... ó vós que embarcais no serviço de Deus, vede que o sirvais de todo o coração, poder, mente e força, para que possais comparecer sem culpa perante o tribunal de Deus, no último dia”, diz o Senhor. (D&C 4:2.)
Provavelmente conheceis o seguinte episódio da vida de Néfi. Quando seu pai mandou os irmãos mais velhos irem buscar, em Jerusalém, as placas de latão que continham a sua genealogia, eles resmungaram e se lamuriaram. Néfi, porém, disse: Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, pois sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem preparar um caminho pelo qual suas ordens poderão ser cumpridas.” (1 Néfi 3:7.)
Chegando a Jerusalém, coube a Lama a responsabilidade de buscar as placas. Ele foi com relutância, e voltou sem elas. Eles então foram “à terra de (sua) herança, (recolheram)... ouro... prata e... objetos preciosos” (1 Néfi 3:22), a fim de tentar a compra das placas. Labão,  porém, apossou-se do ouro e prata, e eles tiveram de fugir correndo, para salvar a vida. Saindo da cidade, Lamã e Lemuel açoitaram Néfi. Estavam decididos a voltar para junto do pai sem as placas, persistindo neste intento mesmo depois serem repreendidos por um anjo. (ver 1 Néfi 3: 28-31.) Néfi, entretanto, disse: “Voltemos novamente a Jerusalém e sejamos fiéis aos mandamentos do Senhor, pois ele é mais poderoso que todo mundo. Por que há de ser mais poderoso que Labão e seus cinqüenta ou mesmo suas dezenas de milhares?” (1 Néfi 4:1)
Néfi foi e conseguiu as placas. Algum tempo depois, estando Néfi pesaroso com a oposição dos irmãos quando começava a construir o barco, estes pensaram que houvesse perdido o ânimo. Mas Néfi respondeu-lhes com firmeza: “Se o (Senhor) me ordenou que fizesse todas as coisas, eu as poderia fazer.” (1Néfi 17:50.) Néfi cumpriu a tarefa devido à total dedicação e comprometimento.
Quando Paulo compreendeu o conceito e significado do plano de salvação de Deus, quando se conscientizou que o nome de Jesus era o único nome “dado debaixo do céu, mediante o qual o homem (pode) salvar-se” (2 Néfi 25:20), todo seu conhecimento anterior deixou de ser importante. Converteu-se a ponto de na mesma hora e lugar, comprometer-se totalmente a levar a mensagem do evangelho aos semelhantes.
O mesmo se deu com alma. Diz ele, falando de sua conversão: “Desde aquela ocasião até agora, trabalhei sem cessar para conseguir trazer almas ao arrependimento; para fazer com que experimentassem a intensa alegria que eu provei; para que também possam nascer de Deus e encher-se do Espírito de Deus”. (Alma 36:24.)
O registro de seus atos comprova a veracidade de sua declaração. Renunciou ao cargo de Juiz Supremo, como chefe executivo do governo nacional, “Para que ele mesmo pudesse ir entre o povo... e fazer com que... se lembrasse de seus deveres, a fim de que pudesse, pregando-lhes a palavra de Deus, abater todo o seu orgulho, artimanhas e contendas, porque não via outro modo de reformá-los senão pela força de um testemunho puro contra eles”. (Alma 4:19.)
Bem, não estou sugerindo que todos larguemos o trabalho e negócios para nos dedicarmos unicamente ao ministério. Isto fazemos só quando chamados. O que tento dizer é que devemos adquirir conhecimento do plano de salvação, convencendo-nos de que é o único caminho para a paz e felicidade neste mundo, e para a vida eterna no mundo vindouro. Acima de tudo, devemos assumir o compromisso pleno de transmitirmos, por palavra e atos, nosso conhecimento e testemunho ao próximo, para que ele possa aceitar e regozijar-se no evangelho.
Pelo estudo das escrituras, podemos saber o que o Senhor tem revelado, por meio de seus profetas, a respeito do plano de salvação.
Ao orar com regularidade pela manhã e à noite, e seguirmos honestamente os ensinamentos do evangelho, gozaremos da sua paz e espírito. Buscando com sinceridade e determinação, conseguiremos obter e preservar, por intermédio do Espírito Santo, um testemunho da divina verdade contida neste plano.
Devemos estar tão convertidos dedicados a ele, a ponto de nossa vida inteira sofrer sua influência.
O certo e o errado de nossas decisões e atitudes devem ser mantidos consistentemente à sua luz. Se assim fosse, jamais cometeríamos erros em nossos julgamentos e ações, quando frente às nossas exasperantes questões e problemas de nossos dias.
Por exemplo, teríamos a visão correta sobre trabalho e diversão no dia do Senhor. Numa sociedade convertida ao plano de salvação, não haveria necessidade de leis proibindo o comércio e transações no domingo. Ninguém violaria o dia do Senhor, abrindo seu estabelecimento comercial ou fazendo compras. Não precisaria haver leis contra o aborto, tampouco haveria literatura pornográfica, filmes impróprios ou outros tipos de diversão degradante. Não existiria intolerância racial, nem problemas sociais.
Rogo que tomemos decisões à luz do plano de salvação e ajamos de acordo com elas influenciando assim, miríades de nossos semelhantes. Não há mais nada, debaixo dos céus, que seja tão importante para vós ou para mim.
É preciso estarmos comprometidos a viver de modo que nos beneficiemos deste sublime plano, o qual foi elaborado nos céus, desde o princípio, para a redenção do gênero humano, e sua salvação e exaltação na presença de Deus. Cada um de nós deve assumir esse compromisso e viver de acordo com ele.
Independentemente da natureza de nossas ocupações cotidianas, precisamos compreender o plano de salvação, guardar seu espírito, e cumprir nossa parte nele. Podemos da mesma forma influenciar positivamente aqueles a quem servimos e com quem convivemos, ajudando-os a encontrar a verdade.
Creio também que a melhor maneira de encetar o caminho e conservar-se nele é fazer como Jesus: Comprometer-se totalmente a fazer a vontade do Pai. Uma das coisas que ele fez foi familiarizar-se totalmente com a vontade declarada do Pai e, mais importante ainda, comungar com o Pai através da oração. Isto fez não só para conhecer a vontade do Pai, mas também a fim de conseguir forças para cumpri-la. Parece-nos que, durante seu ministério terreno, jamais tomou uma decisão importante ou enfrentou uma crise sem orar. Pelo que as escrituras registram de sua luta no Getsêmani, vemos que, embora nem sempre lhe fosse fácil ou agradável fazer a vontade do Pai, ele sempre a cumpria.
Nesta última dispensação, o Senhor tem ensinado a importância da total dedicação (ou compromisso) ao seu serviço e estrita obediência aos mandamentos, com a mesma ênfase com que o fez durante seu ministério terreno.
Seria bom que cada um de nós seguisse o modelo que Jesus nos deu pro preceito e exemplo: “Vinde a mim, Jesus falou, E seu exemplo nos deixou, Para podermos nos guiar, E seus passos caminhar”. (Hinos Nº 68)


(Élder Marion G. Ronmey, 1º Conselheiro na Primeira Presidência).
(Mensagem da Primeira Presidência, Liahona, Outubro de 1983).


Digitado e formatado na íntegra por Valdir S Malagueta
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