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sábado, 9 de março de 2013

Todo mundo tem um sonho

Há alguns anos, aceitei uma atribuição numa cidade do sul para trabalhar numa obra assistencial do governo. O que eu queria era mostrar que todo mundo tem capacidade de ser auto-suficiente, basta que essa capacidade seja ativada. Pedi à cidade que selecionasse um grupo de pessoas da obra assistencial, pessoas de diferente grupos raciais e famílias. Assim, eu veria essas pessoas, em grupo, durante três horas, todas as sextas-feiras. Pedi também uma pequena quantia em dinheiro para o trabalho, conforme minha necessidade.
A primeira coisa que eu disse depois de apertar as mãos de todos foi: "Quero saber quais são seus sonhos." Todos me olharam como se eu fosse alguma desequilibrada.
Sonhos? Não temos sonhos.
Eu disse:
Bem, o que aconteceu quando você era criança? Não tinha algo que queria fazer?
Uma mulher me disse:
Não sei para que servem os sonhos. Os ratos estão comendo meus garotos.
Oh! eu disse. Isso é terrível. Não, é claro, você esta muito envolvida com os ratos e seus garotos. Como pode se resolver isto?
Bem, eu poderia utilizar uma nova porta de tela porque há buracos na minha.
Perguntei:
Há alguém aqui que saiba consertar uma porta de tela?
Havia um homem no grupo, que disse:
Eu costumava fazer coisas assim há muito tempo, mas agora tenho uma terrível dor nas costas. No entanto, vou tentar.
Eu disse a ele que tinha algum dinheiro, se ele iria até a loja comprar um pouco de tela para consertar a porta da senhora.
Acha que pode fazer isso?
Sim, vou tentar.
Na semana seguinte, quando o grupo se sentou, eu disse:
Bem, sua porta de tela está consertada?
Oh, sim - ela disse.
Podemos então começar a sonhar, não podemos?
Ela deu um meio sorriso.
Eu disse ao homem que havia feito o trabalho:
Como se sente?
Ele disse:
Bem, sabe, é muito engraçado. Estou começando a me sentir muito melhor.
Aquilo ajudou o grupo a começar a sonhar. Estes aparentemente pequenos sucessos permitiram que o grupo visse que os sonhos nao eram insanos. Estes pequenos passos começaram a fazer as pessoas sentirem que algo podia realmente acontecer.
Comecei a perguntar a outras pessoas sobre seus sonhos. Uma mulher contou que sempre quisera ser secretária. Eu disse:
Bem, o que a impede? (Esta é sempre minha próxima pergunta.)
Ela disse:
Tenho seis filhos e ninguém que tome conta deles enquanto estou fora.
Vamos ver - eu disse - Há alguém aqui que tome conta de seis crianças por um dia ou dois na semana enquanto esta mulher faz um treinamento na faculdade da comunidade?
Uma mulher disse:
Também tenho filhos, mas poderia fazer isso.
Mãos à obra - eu disse. Então criou-se um plano e a mulher foi para a escola.
Todos encontraram algo. O homem que instalou a porta de tela tornou-se faz-tudo. A mulher que tomou conta das crianças transformou essa atividade em profissão. Em doze semanas, todas aquelas pessoas estavam fora da obra assistencial. E eu não fiz isso uma única vez, tenho feito muitas vezes.

                
Do livro: "Canja de galinha para a alma"
Jack Canfield e Mark Victor Hansen - Ediouro
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