domingo, 3 de novembro de 2013

Lembrando de Esquecer

Clara Barton, que fundou a Cruz Vermelha americana quando tinha cinqüenta e um anos, era considerada "tímida como um rato, mas brava como um leão". Comprometida com sua missão, continuou a exercê-la mesmo na velhice. Não deixou que a idade a atrapalhasse.
Ela ia aonde quer que houvesse alguém precisando de conforto, em áreas de guerra, locais onde havia enchentes, terremotos ou febre amarela. Aos setenta e sete anos, estava nos campos de batalha de Cuba, na guerra hispano-americana. Clara continuou seu trabalho até morrer, aos noventa e um anos.
Um dia, já bem velhinha, alguém a lembrou de uma ofensa que lhe fora dirigida, anos antes. Mas ela agiu como se jamais tivesse ouvido falar daquilo.
– Não se recorda? – a amiga perguntou.
– Não. – Clara respondeu. – Lembro-me nitidamente de ter esquecido isso.


Do Livro Histórias para Aquecer o Coração das Mulheres 
Jack Canfield & Mark V. Hansen & Jennifer R. Hawthorne & Marci Shimoff - Sextante

sábado, 2 de novembro de 2013

O Fazendeiro e o Cavalo

Um fazendeiro, que lutava com muitas dificuldades, possuía alguns cavalos para ajudar nos trabalhos em sua pequena fazenda.
Um dia, seu capataz veio trazer a notícia de que um dos cavalos havia caído num velho poço abandonado.
O poço era muito profundo e seria extremamente difícil tirar o cavalo de lá. O fazendeiro foi rapidamente até o local do acidente, avaliou a situação, certificando-se que o animal não se havia machucado.
Mas, pela dificuldade e alto custo para retirá-lo do fundo do poço, achou que não valia a pena investir na operação de resgate.
Tomou, então, a difícil decisão: determinou ao capataz que sacrificasse o animal jogando terra no poço até enterrá-lo, ali mesmo.
E assim foi feito: os empregados, comandados pelo capataz, começaram a lançar terra para dentro do buraco de forma a cobrir o cavalo.
Mas, à medida que a terra caía em seu dorso, os animal a sacudia e ela ia se acumulando no fundo, possibilitando ao cavalo ir subindo.
Logo os homens perceberam que o cavalo não se deixava enterrar, mas, ao contrário, estava subindo à medida que a terra enchia o poço, até que, finalmente, conseguir sair.
Sabendo do caso, o fazendeiro ficou muito satisfeito e o cavalo viveu ainda muitos anos servindo, fielmente, a seu dono na fazenda.
Se você estiver "lá embaixo", sentindo-se pouco valorizado, quando, certos de seu "desaparecimento", os outros jogarem sobre você a "terra da incompreensão, da falta de oportunidade e de apoio", lembre-se desta história.
Não aceite a terra que jogaram sobre você, sacuda-a e suba sobre ela.
E quanto mais jogarem, mais você vai subindo... subindo... subindo ...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O fracasso é um evento que aponta para o sucesso

Estou reeditando um post que foi publicado há alguns meses. Vale a pena Ler
Você já foi mal avaliado? Já disse algo que foi considerado negativo para alguém? Pois bem, saiba que vivemos em um ambiente em que as críticas são comuns. Parece que as pessoas sentem mais prazer em falar mal, do que bem do outro.

E o pior é que isso quase sempre ultrapassa os relacionamentos entre amigos, e chega a alcançar o convívio familiar. Infelizmente, muitas vezes quando estressados, os pais escolhem o cominho das críticas destrutivas, em vez de adotarem o discurso construtivo. Daí, quase sempre, o que se vê são filhos revoltados, inconformados, marcados por mágoas e muitas vezes infelizes e malsucedidos não apenas na infância ou na adolescência, mas também na fase adulta.

Há pais que em momento de descontrole gritam com os filhos, enfatizando frases cruéis, do tipo: "Você nunca vai ser nada na vida", "Você não consegue fazer nada direito", "Você é burro", "É um imprestável", "Você nunca aprendeu nada", "Nunca faz nada direito" e por ai vai.

Pais que agem desta forma não percebem que o filho pode cometer erros, mas ele não é um erro. O filho, como todos nós, pode fazer uma coisa ruim. No entanto, isso não significa que a criança seja ruim. Os pais que atuam assim não se dão conta do poder das palavras, não percebem que o elogio é melhor do que a critica. Também, não notam que somos fortemente influenciados pela opinião das pessoas que são mais importantes em nossas vidas.

Na infância as críticas são gravadas mais facilmente nas mentes das crianças e, quando adultos, sempre que uma pessoa passar por alguma dificuldade tende a associar o que está acorrendo com as críticas ocorridas no passado. Por exemplo, uma criança que tenha sido, muitas vezes, chamada de burra, depois de adulta poderá alcançar uma carreira de sucesso. Porém, diante de eventual fracasso, como perder o emprego, poderá pensar: "Meu pai dizia que eu nunca conseguiria nada na vida: acho que ele tinha razão".

Esse tipo de comportamento é péssimo, pois reduz enormemente a capacidade de recuperação. Quando algo assim ocorrer, a melhor solução é navegar do negativo para o positivo. A melhor maneira de fazer isso é se lembrar de que o fracasso é um evento passageiro, não algo definitivo. Além disso, o fato de você ter fracassado não quer dizer que você será um eterno perdedor.

Fernando Pessoa nos ensina que "Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".

Portanto é preciso entender, o quanto antes melhor, que o fato de você ter sido marcado com desmerecimentos não faz de você um desmerecido, e muito menos que você tenha que conviver o resto de seus dias com esse pensamento. Pois, "quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções".

Caso você tenha sido vítima de críticas iníquas, encare-as como um desafio a ser superado, uma oportunidade para você obter novas conquistas e se tornar uma pessoa melhor.

Considere ainda o que nos revelou Mary Pickford: "Você pode ter um novo começo a qualquer momento que você escolher. Esta coisa que chamamos de 'fracasso' não é cair, mas permanecer no chão". Então, reestruture o quanto antes os seus pensamentos, preparando a mente para armazenar tudo que é positivo e eliminar o negativo.

Assim, você estará mais bem preparado para vencer e educar adequadamente os seus filhos e até mesmo seus liderados. Comesse elogiando e se policiando para não permitir que críticas destrutivas saiam de sua boca, pois uma palavra má é como a bala do revolver que depois de disparada, não poderá ser interrompida.

Então, da próxima vez que a criança lhe entregar o boletim escolar ou alguém da sua equipe cometer um erro, não se concentre nas notas negativas e sim nas positivas. Elogie os melhores resultados e pergunte sobre a pessoa está pensando em fazer para recuperar os piores indicadores. Crie incentivos e desafios. Não permita que o descuido do negativismo domine a sua mente.

Pense nisso e ótima semana!

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

O apoio ao mais fraco

No outono, quando se vêem bandos de aves voando, formando um grande V no céu, indaga-se o porquê de voarem desta forma. Sabe-se que quando cada ave bate as asas, move o ar para cima, ajudando a sustentar a ave imediatamente de trás. Ao voar em forma de V, o bando se beneficia com muito mais força de vôo do que uma ave voando sozinha.
Pessoas que têm a mesma direção e sentido de comunidade podem atingir seus objetivos de forma mais rápida e fácil, pois viajam beneficiando-se de um impulso mútuo.
Sempre que uma ave sai do bando, sente subitamente o esforço e a resistência necessários para continuar voando sozinha. Rapidamente, ela entra outra vez em formação para aproveitar o deslocamento de ar provocado pela ave que voa imediatamente à sua frente.
Se tivéssemos o mesmo sentido, manter-nos-íamos em formação com o que lideram o caminho para onde também desejamos seguir.
Quando a ave líder se cansa, ela muda de posição dentro da formação e outra assume a liderança.
Vale a pena nos revezarmos em tarefas difíceis, e isto serve tanto para as pessoas quanto para as aves que voam juntas. As aves de trás gritam encorajando as da frente para que mantenham a velocidade.
Finalmente quando uma ave fica doente ou, se fere, duas aves saem da formação e a acompanham para ajudá-la e protegê-la. Ficam com ela até que consiga voar novamente ou morra. Só então, levantam vôo, sozinhas, ou em outra formação.
Se tivéssemos o sentido das aves também ficaríamos da mesma forma um ao lado do outro para apoiar o mais fraco.
Livro: Códigos da Vida
Autor: Legrand
Editora: Soler Editora

Credibilidade: melhor gerenciar a sua


Difícil de construir, fácil de perder
Quando nos comunicamos, é comum ouvirmos afirmações, como por exemplo fui, fiz, farei, disse ou as negativas correspondentes. Uma das coisas que fazemos é buscar sustentação para o que ouvimos: procede, é fato, vai acontecer, éverdade? Uma razão para isso é planejamento. Por exemplo, se alguém virá ao nosso jantar e ficou de trazer o arroz, contamos que aquele prato vai chegar antes que a comida seja servida. Se marcarmos um encontro, vamos nos planejar para chegar no horário combinado. O chefe espera que o prazo que o empregado informou para conclusão da atividade seja cumprido. De fato, precisamos de um nível mínimo de certeza para planejar.
Outra possível razão para buscar sustentação para afirmações é para poder aplicar critérios em um processo de tomada de decisão. Por exemplo, se você vai contratar um empregado, vai se basear nas informações disponíveis sobre o que ele sabe fazer para avaliar sua compatibilidade com a função; a qualidade da sua decisão depende da veracidade do que ele e seu currículo dizem. Para decidir se relacionar com alguém, você usa seus modelos mentais sobre a pessoa; descobrir depois da decisão que alguma referência não estava bem sustentada abre possibilidades para desapontamentos.
Muitas vezes não temos informação suficiente para verificar uma afirmação, e temos que recorrer ao histórico de quem fala: essa pessoa tem tradição de falar a verdade, de cumprir o que promete? O padrão que identificamos na pessoa a esse respeito constitui a sua credibilidade perante nós. Como recebemos as informações através da comunicação da pessoa, de fato a credibilidade da pessoa está mais especificamente associada à sua palavra e à relação da palavra com asações.
Assim, a credibilidade da palavra é um fator extremamente importante para nos relacionarmos. Imagine uma criança que seguidamente escuta promessas do pai ou da mãe que não são cumpridas: como fica a credibilidade da palavra deles? E há um potencial agravante: as palavras não seguidas podem ser relativas a um contexto apenas, como passeios ou encontros, mas outros contextos podem ser "contaminados" pela falta de credibilidade.
Nos casos em que as pessoas não podem validar o que dizemos, teremos somente a credibilidade construída até então. Por exemplo, um marido injustamente suspeito de infidelidade dificilmente terá como provar que não fez nada; mas, se tiver boa credibilidade, suas chances são maiores.
Conseqüências adicionais
Há outros possíveis inconvenientes em fazer afirmações não devidamente sustentadas. Por exemplo, em uma padaria, uma senhora aguardava na fila do caixa com uma garotinha. Esta queria algo e pediu à mãe, que negou. A menina insistiu, a mãe negou, e isso se repetiu várias vezes. Em certo momento, a mãe finalmente cedeu e comprou o que a menina queria. Vendo aquilo, senti-me, com certa consternação, testemunhando um momento de perda de credibilidade da mãe, que confirmou - provavelmente mais uma vez - que a insistência consegue resultados junto a ela. Neste caso, haverá conseqüências também para a autoridade dessa mãe.
Essa relação entre a credibilidade e a autoridade pode ser observada também em classe: se um professor disser aos alunos que se alguém conversar será mandado para fora da classe, os alunos vão avaliar se aquilo pode acontecer realmente em função do padrão anterior do professor de fazer acontecer o que disse.
Pode também acontecer o que se quer evitar. Por exemplo, muitos filhos pedem opiniões a pai, mãe ou irmão sobre a roupa com que pretendem sair. Uma mãe que elogia incondicionalmente a roupa, talvez com receio de ferir, de fato pode causar um sofrimento maior ao não falar a verdade, se o filho for para a rua vestido inadequadamente. Talvez você já tenha visto algum concurso de cantores em que alguém canta pessimamente mas se acha ótimo, e não aceita a rejeição; acreditamos que comentários críveis dos pais e pessoas próximas devem ser os principais fatores para esse quadro.
Em casos extremos, as conseqüências podem ir além da perda da credibilidade; um caso, real, ilustrará melhor. Uma pessoa de um círculo de amigos foi convidada para um churrasco, disse que ia e não foi, nem telefonou. Depois foi convidada para uma festa, não foi e nada disse. Isso ocorreu ainda uma terceira vez. Nesse caso, a própria relação de amizade foi posta em dúvida.
Efeitos sistêmicos
O alcance das conseqüências da perda de credibilidade pode ser ainda maior, atingindo o nível social. Por exemplo, uma pessoa que descobre que vários políticos mentiram pode generalizar sua opinião para a categoria e, quando vê um político, atribui a este as características da categoria - sem que ele tenha dito uma palavra. Julgar o indivíduo pela categoria, aplicar o genérico ao específico nem sempre é apropriado e justo, mas acontece. De maneira análoga, um prestador de serviços que fala muito e faz pouco pode estar contribuindo para afetar a reputação de toda a sua classe, na medida em que muitos colegas seus façam o mesmo.
Direções para construir credibilidade
Uma importantíssima distinção que deve ser feita é que a credibilidade não é uma característica usa, mas sim de você com relação a alguém. Esse pensamento evita por exemplo que você espere que alguém acredite em você só porque é você que está falando.
Sua credibilidade também pode ser contextual: você pode ter credibilidade quando fala de sua área profissional, mas isso não assegura credibilidade quando você falar de outros temas.
Agora considere que é você que pede opinião sobre sua roupa para alguém. Qual será o valor da opinião para você se:
a) A pessoa sempre fala só coisas positivas.
b) A pessoa de vez em quando diz que algo não está bom, ou chama a atenção para pontos positivos e negativos.
O fato é que, se alguém só fala coisas positivas, você não poderá ter certeza de que, quando ela acha que algo é negativo, ela vai dizer. Ou seja, fato de alguém dizer também o negativo reforça suas opiniões positivas. Isso é exatamente o oposto do que pensam as pessoas que acham que para ter credibilidade é preciso só elogiar e saber - ou parecer - que sabe tudo.
Uma linha de opções para aumentar sua credibilidade então é dizer a verdade: se sei, digo, se não sei, digo que não sei e se acho, digo que acho. Se concordo ou não, se aprovo ou não, digo o que acho.
Há alguns condicionantes dessa direção. Por exemplo, se você deveria saber e não sabe, como no caso de um professor, então melhor buscar saber. Em algumas situações dizer a verdade, sequer afirmar algo, será irrelevante. Um exemplo é o tocador de violão que erra uma posição ou o cantor que desafina uma nota: comentar sobre o erro não só não vai contribuir como ainda vai atrapalhar o que vier depois. A melhor resposta depende do contexto: se você estiver treinando dança, por exemplo, o erro será informação para melhorar; se for uma apresentação, retomar o fluxo passa a ser o objetivo imediato.
Em relacionamentos românticos, quanto mais transparente você for, melhor será a qualidade da decisão da outra pessoa de ficar com você: ela não se surpreenderá quando algum defeito seu se manifestar; ela estará preparada. Mas transparência demais no início pode contribuir para que o relacionamento nem se consume; talvez seja interessante dosar um pouco!
Esses ajustes são normais em qualquer escolha: verificar a aplicabilidade das referências ao contexto e, se necessário, fazer adaptações.
Síntese
Podemos sintetizar essas idéias como uma disciplina, a “gerência da credibilidade”, pela qual você faz escolhas do que fazer e do que dizer de forma a construir e preservar sua credibilidade junto a outros; essa construção e manutenção são seus objetivos. Claro, não necessariamente com todos e qualquer um, mas com as pessoas relevantes. Ou potencialmente relevantes no futuro. Ou quem sabe também com aquelas para quem somos relevantes.

Por Virgílio Vasconcelos Vilela