domingo, 4 de março de 2012

Não Dar Mais Lugar ao Inimigo de Minha Alma


JEFFREY R. HOLLAND

Do Quórum dos Doze Apóstolos



Jeffrey R. Holland
Que a alegria de nossa fidelidade ao que há de mais elevado dentro de nós seja nossa ao mantermos nosso amor e nosso casamento, nossa sociedade e nossa alma tão puros como devem ser.
Quando minha mulher e eu desembarcamos recentemente em um distante aeroporto, três belas jovens que saíam do mesmo voo vieram correndo cumprimentar-nos. Identificaram-se como membros da Igreja, o que não foi surpresa, porque geralmente são os membros que correm para cumprimentar-nos nos aeroportos. Em uma conversa inesperada, descobrimos em meio a lágrimas que as três tinham-se divorciado recentemente, que o marido de cada uma delas tinha sido infiel e que as sementes de alienação e transgressão começaram com a atração pelapornografia.
Com essa amarga introdução a este discurso, que me é muito difícil de proferir, sinto-me como o antigo profeta Jacó, que disse: “[Entristece-me] ter que usar uma linguagem tão forte (…) perante (…) muitos [que] têm sentimentos sumamente ternos e castos e delicados”.1 Mas precisamos ser firmes. Pode ter sido o pai ou o avô que existe em mim, mas as lágrimas daquelas jovens encheram de lágrimas meus olhos e os da minha mulher, e suas perguntas me fizeram questionar o mesmo que elas: “Por que há tanta decadência moral ao nosso redor, e por que tantas pessoas e famílias, inclusive dentro da Igreja, estão-se tornando vítimas dessas coisas, ficando tragicamente marcadas”?
Porém, sem dúvida, eu sabia ao menos parte da resposta para minha pergunta. Quase todos os dias, somos atacados por todos os lados por uma enxurrada de mensagens imorais de algum tipo. Os setores mais sombrios da indústria cinematográfica, televisiva e musical chafurdam cada vez mais na linguagem ofensiva e na conduta sexual imprópria. Além disso, angustio-me além do que posso expressar pelo fato de que os mesmos serviços de computadores e de Internet que me possibilitam realizar a história da família e preparar nomes para o templo permitam, sem filtros nem controle, que meus filhos ou netos acessem uma latrina global de imagens que podem deixar uma terrível cicatriz no cérebro deles para sempre.
Lembrem-se de que aquelas jovens esposas disseram que a infidelidade do marido delas começou com a atração pela pornografia, mas essa prática imoral não é apenas um problema masculino, e não são apenas os maridos que pecam. O perigo que está a um clique do mouse — inclusive o que pode acontecer nas salas de bate-papo e de encontros virtuais — não faz acepção de pessoas, homem ou mulher, jovens ou idosos, casados ou solteiros. E para garantir que a tentação esteja cada vez mais acessível, o adversário se empenha em ampliar sua cobertura — como se diz, caprichosamente — de modo a incluir celulares, videogames e aparelhos de MP3.
Se pararmos de ficar aparando os galhos do problema e atacarmos mais diretamente a raiz da árvore, certamente encontraremos a luxúria esgueirando-se furtivamente ali. Luxúria é uma palavra repulsiva e, para mim, um tema sem dúvida repugnante de abordar, mas há um bom motivo pelo qual em algumas tradições ela é considerada a mais mortal dos “sete pecados capitais”.2
Por que a luxúria é um pecado tão “mortal”? Além do impacto espiritualmente destrutivo que tem sobre a alma, acho que é um pecado porque macula o mais elevado e santo relacionamento que Deus nos concede na mortalidade: o amor que um homem e uma mulher sentem um pelo outro e o desejo que o casal tem de gerar filhos em uma família planejada para ser eterna. Alguém disse que o verdadeiro amor deve incluir o conceito de permanência. O amor verdadeiro perdura, mas a luxúria muda tão rapidamente quanto o virar de uma página de material pornográfico ou a olhada para outro objeto potencial de satisfação que passa pela pessoa, seja homem ou mulher. O amor verdadeiro é algo que nos deixa totalmente entusiasmados, tal como o que sinto por minha mulher. Queremos proclamá-lo do alto do telhado. Mas a luxúria caracteriza-se pela vergonha e pelo segredo e é quase patologicamente clandestino: quanto mais tarde da noite e escuro for, melhor; com tranca dupla na porta, por via das dúvidas. O amor nos leva instintivamente a estender a mão para Deus e para outras pessoas. A luxúria, por outro lado, afasta-se de tudo o que é divino, venerando a autoindulgência. O amor vem de braços e coração abertos. A luxúria vem apenas com um apetite insaciável.
Esses são apenas alguns dos motivos pelos quais a corrupção do verdadeiro significado do amor — seja em nossa imaginação ou com outra pessoa — é tão destrutiva. Ela destrói o que vem logo depois de nossa fé em Deus, ou seja, a fé que temos naqueles a quem amamos. Abala os pilares de confiança sobre os quais edificamos nosso amor atual ou futuro, e leva muito tempo para reconquistar essa confiança, depois de perdida. Se o problema se tornar suficientemente sério, seja em âmbito pessoal, como no caso de um membro da família, ou público, como no caso de governantes eleitos, de líderes empresariais, de astros da mídia e ídolos esportivos, bem logo o local edificado para abrigar uma sociedade moralmente responsável ostentará a placa “terreno baldio”.3
Sejamos solteiros ou casados, jovens ou idosos, falemos um pouco sobre os meios de nos protegermos da tentação. Talvez não sejamos capazes de curar todos os males da sociedade hoje, mas falemos sobre algumas ações individuais que podemos praticar.
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     Acima de qualquer coisa, comecem afastando-se de pessoas, materiais e situações que os colocarão em risco. Assim como sabem aqueles que se debatem com coisas como o alcoolismo, a atração exercida pela proximidade pode ser fatal. O mesmo acontece com as questões morais. Tal como José na presença da mulher de Potifar4, simplesmente fujam correndo, o mais rápido que puderem, de tudo e de todos que os seduzam. E, por favor, ao fugirem da tentação, nãodeixem seu endereço com ela.
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     Conscientizem-se de que pessoas escravizadas pelas cadeias de vícios reais precisarão de mais ajuda do que podem conseguir sozinhas. Vocês podem ser uma dessas pessoas. Procurem e aceitem essa ajuda. Conversem com seu bispo. Sigam o conselho dele. Peçam uma bênção do sacerdócio. Usem o auxílio dos Serviços Familiares da Igreja ou busquem ajuda profissional adequada. Orem sem cessar. Peçam que os anjos os ajudem.
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     Além dos filtros nos computadores e o refreamento das paixões, lembrem-se de que o único controle real na vida é o autocontrole. Exercitem seu controle mesmo nos momentos de natureza questionável com que se depararem. Se o programa de televisão for indecente, desliguem o aparelho. Se o filme for de mau gosto, saiam do cinema. Se estiverem desenvolvendo um relacionamento impróprio, cortem-no. Muitas dessas influências — ao menos no início — podem não ser tecnicamente más, mas têm o poder de embotar nosso julgamento, diminuir nossa espiritualidade e conduzir-nos para algo que pode ser mau. Um velho provérbio diz que uma jornada de mil milhas começa com um passo5; por isso, tenham cuidado onde pisam.
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     Como ladrões na noite, pensamentos inoportunos procuram invadir nossa mente. Mas, não temos de convidá-los para entrar, servir-lhes café e bolinhos e dizer-lhes onde estão os talheres (na verdade não devem servir café de jeito nenhum!). Ponham os malandros para fora! Substituam os pensamentos lascivos por imagens de esperança e lembranças felizes, visualizem a imagem daqueles que os amam e que seriam abalados se vocês os decepcionassem. Muitos homens já foram impedidos de cometer pecados ou alguma tolice ao se lembrarem do rosto de sua mãe, de sua esposa ou de seus filhos esperando por eles em casa. Quaisquer que sejam os pensamentos que tiverem, certifiquem-se de que sejam recebidos em seu coração apenas por convite. Como disse um antigo poeta, deixe a força de vontade ser sua razão.6
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     Promovam a presença do Espírito do Senhor e estejam onde Ele está. Cuidem para que isso inclua sua própria casa ou seu apartamento, determinando o tipo de obras de arte, música e literatura que colocam ali. Se tiverem sua investidura, frequentem o templo o máximo que puderem. Lembrem-se de que o templo os arma “com o poder de Deus, coloca Sua glória sobre vocês e os coloca sobre a guarda dos anjos”.7 E quando saírem do templo, lembrem-se dos símbolos que carregam consigo e nunca os deixem de lado ou os esqueçam.
A maioria das pessoas com problemas acaba exclamando: “Onde eu estava com a cabeça?” Seja lá no que estivessem pensando, não era em Cristo. Contudo, como membros de Sua Igreja, prometemos todos os domingos tomar sobre nós Seu nome e “recordá-lo sempre”.8 Portanto, vamos esforçar-nos um pouco mais para lembrar-nos Dele, que Ele “tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; (…) foi ferido por causa das nossas transgressões, (…) e pelas suas pisaduras fomos sarados”.9 Certamente nossas ações seriam guiadas com eficiência se nos lembrássemos que toda vez que transgredimos não magoamos apenas aqueles a quem amamos, mas também magoamos a Deus. Mas, se pecarmos, por mais grave que seja o pecado, podemos ser resgatados por esse mesmo Ser majestoso, cujo nome é o único dado abaixo do céu pelo qual todo homem ou mulher pode ser salvo.10 Quando contemplarmos nossas transgressões e nossa alma for dilacerada pelo sofrimento, que nos lembremos de Alma, que, ao arrepender-se e mudar o curso de sua vida, clamou: “Ó Jesus, tu que és Filho de Deus, tem misericórdia de mim”.11
Irmãos e irmãs, amo vocês. O Presidente Thomas S. Monson e as outras Autoridades Gerais os amam. Muito mais importante, seu Pai Celestial os ama. Procurei falar hoje sobre o amor — o amor real e verdadeiro — sobre o respeito por ele e a própria representação dele em toda a sociedade humana que conhecemos; sobre a santidade do amor entre um homem e uma mulher casados e a família que o amor por fim gera. Tentei falar sobre a manifestação redentora do amor, a personificação da caridade, que vem a nós pela graça do Próprio Cristo. Por necessidade, também falei sobre o diabo, aquele ser diabólico, pai das mentiras e da luxúria, que fará tudo o que puder para dissimular o amor real, profanar e desvirtuar o amor verdadeiro quando e onde quer que ele o encontre. E falei de seu desejo de destruir-nos, se puder.
Quando enfrentamos tais tentações, devemos declarar como o jovem Néfi fez ao enfrentar as dele: “[Não darei] lugar ao inimigo de minha alma”.12Podemos rejeitar o maligno. Se quisermos isso de modo suficientemente sincero e profundo, aquele inimigo pode e será repreendido pelo poder redentor do Senhor Jesus Cristo. E ainda mais, prometo-lhes que a luz de Seu evangelho eterno pode brilhar e brilhará novamente com esplendor nos momentos em que vocês temiam que sua vida pudesse se tornar irrecuperavelmente tenebrosa. Que a alegria de nossa fidelidade ao que há de mais elevado dentro de nós seja nossa ao mantermos nosso amor e nosso casamento, nossa sociedade e nossa alma tão puros como devem ser. É minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Glossário atualizado da novilíngua lulista


Em fevereiro de 2010, para socorrer os brasileiros que nem sempre conseguem entender o que diz a turma do PT, o comentarista Marcelo Fairbanks coordenou a edição de um pequeno dicionário da novilíngua lulista, contendo as expressões usadas com mais frequência tanto pelos pastores do rebanho quanto pelas ovelhas. O esforço feito pela companheirada para rebatizar de “concessão” a entrega do controle de três aeroportos à iniciativa privada induziu a coluna a publicar um glossário atualizado do estranho dialeto. Confira:
aloprado. Companheiro pilhado em flagrante durante a execução de bandalheiras encomendadas pela direção do partido ou pelo Palácio do Planalto.
analfabetismo. 1. Deficiência que ajuda um enviado da Divina Providência a virar presidente da República. 2. Qualidade depreciada por reacionários preconceituosos, integrantes da elite golpista e louros de olhos azuis.
asilo político. Instrumento jurídico que beneficia todo companheiro ou comparsa condenado em outros países por crimes comuns ou atos de terrorismo.
base aliada. 1.Bando formado por parlamentares de diferentes partidos ou distintas especialidades criminosas , que alugam o apoio ao governo, por tempo determinado,  em troca de ministérios com porteira fechada (cofres incluídos), verbas no Orçamento da União, nomeações para cargos público, dinheiro vivo e favores em geral. 2. Quadrilha formada por deputados e senadores.
blecaute. Apagão
Bolívar (Simón). Herói das guerras de libertação da América do Sul que reencarnou no fim do século passado com o nome de Hugo Chávez.
bolivariano. Comunista que finge que não é comunista.
Bolsa Família. Maior programa de compra oficial de votos do mundo.
camarada de armas.  Companheiro diplomado em cursinho de guerrilha que só disparou tiros de festim; guerrilheiro que ainda não descobriu onde fica o gatilho do fuzil. (Ex.: Dilma Rousseff e José Dirceu são camaradas de armas.)
cargo de confiança. 1. Empregão reservado a companheiros do PT ou parceiros da base alugada, que nem precisam perder tempo com concurso para ganhar um tremendo salário sem trabalhar. 2. Cala-boca (pop.).
cartão corporativo. Objeto retangular de plástico que permite tungar o dinheiro dos pagadores de impostos sem dar satisfação a ninguém e sem risco de cadeia.
caixa dois. Dinheiro extorquido sem recibo de donos de empresas que enriquecem com a ajuda do governo, empreiteiros de obras públicas ou publicitários presenteados com contratos sem licitação.
Comissão da Verdade. 1. Grupo de companheiros escalados para descobrir qualquer coisa que ajude a afastar a suspeita, disseminada por Millôr Fernandes, de que a turma da luta armada não fez uma opção política, mas um investimento. 2. Entidade concebida para apurar  crimes cometidos pelos outros.
companheiro. Qualquer ser vivo ou morto que ajude Lula a ganhar a eleição.
concessão. Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos do PT. (Verprivatização).
controle social da mídia. Censura exercida por censores treinados pelo PT para adivinhar o que o povo quer ver, ler ou ouvir. (Ver democratização da mídia).
corrupção. 1. Forma de ladroagem praticada por adversários do governo. 2. Forma de coleta de dinheiro que, praticada por companheiros, deve ser tratada como um meio justificado pelos fins. 3. Hobby preferido dos parceiros da base alugada.
Cuba. 1. Ditadura que só obriga o povo a ser feliz de qualquer jeito. 2. Forma de democracia que prende apenas quem discorda do governo.
cueca. Cofre de uso pessoal utilizado no transporte de moeda estrangeira adquirida criminosamente.
democratização da mídia. 1. Erradicação da imprensa independente. 2. Entrega do controle dos meios de comunicação a jornalistas companheiros, estatizados ou arrendados. (Ver controle social da mídia). 
ditador. Tirano a serviço do imperialismo estadunidense. (Ver líder).
ditadura do proletariado. Forma de democracia tão avançada que dispensa o povo de votar ou dar palpites porque os companheiros dirigentes sabem tudo o que o povo quer.
erro. 1. Crime cometido por companheiros. 2. Caso comprovado de corrupção envolvendo ministros ou altos funcionários do segundo escalão ou de empresas estatais.
Fernando Henrique Cardoso. 1. Ex-presidente que, embora tivesse ampla maioria no Congresso, fez questão de aprovar a emenda da reeleição com a compra de três votos no Acre só para provocar o PT. 2. Governante que, depois de oito anos no poder, só conseguiu inaugurar a herança maldita.
FHC. 1. Grande Satã; demônio; capeta; anticristo;. satanás; diabo. 2. Assombração que vive aceitando debater com Lula só para impedir que o maior governante de todos os tempos se dedique a ganhar o Nobel da Paz. 3. Sigla que, colocada nas imediações do SuperLula, provoca no herói brasileiro efeitos semelhantes aos observados no Super-Homem perto da kriptonita verde.
líder. Ditador inimigo do imperialismo estadunidense. (Ver ditador).
malfeito. Ato criminoso praticado por bandidos companheiros.
MST. 1. Entidade financiada pelo governo para fazer a reforma agrária e levar à falência a agricultura. 2. Movimento formado por lavradores que não têm terra e, por isso mesmo, não sabem plantar nem colher.
no que se refere. Expressão usada pela Primeira Companheira para avisar que lá vem besteira.
nuncaantesnestepaís. 1. Expressãdecorada pelo Primeiro Companheiro para ensinar ao rebanho que o Brasil começou em 1° de janeiro de 2003 e que foi ele quem fez tudo, menos Fernando Henrique Cardoso. 
ou seja. Expressão usada pelo Primeiro Companheiro para avisar que, por não saber o que dizer, vai berrar o que lhe der na cabeça.
pedra fundamental. Obra do PAC inaugurada antes de começar a ser construída.
privatização:  Entrega ao controle da iniciativa privada de empresas, atividades ou setores administrados até então por governos inimigos do PT. (Ver concessão).

A Vassoura Separa o Louco do Doido Varrido.





Luis Fernando Veríssimo na Terapia ... 
O melhor da Terapia é ficar observando os meus colegas loucos. Existem dois tipos de loucos. O louco propriamente dito e o que cuida do louco: o analista, o terapeuta, o psicólogo e o psiquiatra. Sim, somente um louco pode se dispor a ouvir a loucura de seis ou sete outros loucos todos os dias, meses, anos. Se não era louco, ficou.

Durante quarenta anos, passei longe deles . Pronto, acabei diante de um louco, contando as minhas loucuras acumuladas. Confesso, como louco confesso, que estou adorando estar louco semanal.

O melhor da terapia é chegar antesalguns minutos e ficar observando os meus colegas loucos na sala de espera. Onde faço a minha terapia é uma casa grande com oito loucos analistas. Portanto, a sala de espera sempre tem três ou quatro ali, ansiosos, pensando na loucura que vão dizer dali a pouco.Ninguém olha para ninguém. O silêncio é uma loucura. E eu, como escritor, adoro observar pessoas, imaginar os nomes, a profissão, quantos filhos têm, se são rotarianos ou leoninos, corintianos ou palmeirenses. 
Acho que todo escritor gosta desse brinquedo, no mínimo, criativo. E a sala de espera de um "consultório médico", como diz a atendente absolutamente normal (apenas uma pessoa normal lê tanto Paulo Coelho como ela), é um prato cheio para um louco escritor como eu. Senão, vejamos:

Na última quarta-feira, estávamos:
1. Eu
2. Um crioulinho muito bem vestido ,
3. Umsenhor de uns cinqüenta anos e
4. Uma velha gorda.

Comecei, é claro, imediatamente a imaginar qual seria o problema de cada um deles. Não foi difícil, porque eu já partia do princípio que todos eram loucos, como eu. Senão, não estariam ali, tão cabisbaixos e ensimesmados.

(2) O pretinho, por exemplo. Claro que a cor, num país racista como o nosso, deve ter contribuído muito para levá-lo até aquela poltrona de vime . Deve gostar de uma branca, e os pais dela não aprovam o namoro não conseguiu entrar como sócio do "Harmonia do Samba "? Notei que o tênis estava um pouco velho. Problema de ascensão social, com certeza. O olhar dele era triste, cansado. Comecei a ficar com pena dele. Depois notei que ele trazia uma mala . Podia ser o corpo da namorada esquartejada lá dentro. Talvez apenas a cabeça. Devia ser um assassino, ou suicida, no mínimo. Podia ter também uma arma lá dentro. Podia ser perigoso. Afastei-me um pouco dele no sofá. Ele dava olhadas furtivas para dentro da mala assassina.(3)E o senhor de terno preto, gravata, meias e sapatos também pretos? Como ele estava sofrendo, coitado. Ele disfarçava, mas notei que tinha um pequeno tique no olho esquerdoCorno, na certa. E manso. Corno manso sempre tem tiques. Já notaram? Observo as mãos. Roía as unhas. Insegurança totalmedo de viver. Filho drogado? Bem provável. Como era infeliz esse meu personagem. Uma hora tirou o lenço e eu já estava esperando as lágrimas quando ele assoou o nariz violentamente, interrompendo o Paulo Coelho da outra.Faltava um botão na camisa. Claro, abandonado pela esposa. Devia morar num flat, pagar caro, devia ter dívidas astronômicas. Homossexual? Acho que não. Ninguém beijaria um homem com um bigode daqueles. Tingido.
(4) Mas a melhor, a mais doida, era a louca gorda e baixinha. Que bunda imensa. Como sofria, meu Deus. Bastava olhar no rosto dela.Não devia fazer amor há mais de trinta anos. Será que se masturbaria? Será que era esse o problema dela? Uma velha masturbadora? Não! Tirou um terço da bolsa e começou a rezar. Meu Deus, o caso é mais grave do que eu pensavaEstava na quinta dezena em dez minutos. Tensa. Coitada. O que deve ser dos filhos dela? Acho que os filhos não comem a macarronada dela há dezenas e dezenas de domingos. Tinha cara também de quem mentia para o analista. Minha mãe rezaria uma Salve-Rainha por ela, se a conhecesse.


Acabou o meu tempo. Tenho que ir conversar com o meu psicanalista.

Conto para ele a minha "viagem" na sala de espera.

Ele ri... Ri muito, o meu psicanalista, e diz:

- O Ditinho é o nosso office-boy.

- O de terno preto é representante de um laboratório multinacional de remédios lá no Ipiranga e passa aqui uma vez por mês com as novidades.

- E a gordinha é a Dona Dirce, a minha mãe.


-"E você, não vai ter alta tão cedo..."

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Como a salsicha é feita?



Aí vai uma postagem diferente, vou ensinar como se fazer salsicha! Vamos lá?
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.Como fazer salsichas?
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 1. Depois de uma higienização, pegue aqueles restos de carnes congeladas de frango, boi e porco – são as bochechas, vísceras, gorduras e aquelas partes que ninguém tem coragem de comer - e pique minuciosamente. Depois, esfarele a preparação no liquidificador.

2. Para deixar esse farelo com cara de salsicha jogue amido de milho, temperinhos e muitos aditivos químicos - principalmente nitrito de sódio e fosfatos.

3. Ok! Quase uma salsicha, mas a pasta agora precisa ganhar forma! É só pegar tripas de carneiro ou envoltórios feitos de plástico, enchê-los e amarrá-los.
4. Cozinhe as salsichas e depois jogue uma água gelada para matar os microorganismos. Para dar a cor de salsicha mergulhe no urucum e depois mergulhe no ácido fosfórico para ajudar a manter a cor.
5. Pronto, agora é só estocar e ferver antes de comer.
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Saiba que o processo acima é real, sendo apenas “adaptado” das reportagens da revista Mundo Estranho  e Escola . Assim, você acaba de descobrir o que tem na salsicha – restos de carnes bem temperadas e com algumas substâncias que fazem muito mal a saúde (nitritos, fosfatos, sódio em excesso etc). Se puder, evite consumir esse tipo de alimento!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Ditos populares, dicas do Prof. Pasquale


E a gente pensa que repete corretamente os ' ditos populares'
Dicas do Prof. Pasquale:

No popular se diz: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bichocarpinteiro' "Minha grande dúvida na infância... Mas que bicho é esse que é carpinteiro, um bicho pode ser carpinteiro???"
Correto:
 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro' "Tá aí a resposta para meu dilema de infância!" EU
NÃO SABIA. E VOCÊ?

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.'

Enquanto o correto é: ' Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'"Se a batata é uma raiz, ou seja, nasce enterrada, como ela se esparrama pelo chão se ela está embaixo dele?"

'Cor de burro quando foge.'

correto é: 'Corro de burro quando foge!'"Esse foi o pior de todos!
Burro muda de cor quando foge??? Qual cor ele fica??? Porque ele muda de cor???"

Outro que no popular todo mundo erra:'Quem tem boca vai a Roma.'
"Bom, esse eu entendia, de um modo errado, mas entendia! Pensava que quem sabia se comunicar ia a qualquer lugar!" O correto é:'Quem tem boca vaia Roma.'(isso mesmo, do verbo vaiar).
Discordo um pouco do Prof. Pasquale, ou seja, o outro ditado também está correto"Perguntando, vai à Roma".

Outro que todo mundo diz errado,
'Cuspido e escarrado'
 - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
correto é: 'Esculpido em Carrara.' (Carrara é um tipo de mármore)

Mais um famoso.... 'Quem não tem cão, caça com gato.' "Entendia também, errado, mas entendia! Se não tem o cão para ajudar na caça o gato ajuda! Tudo bem que o gato só faz o que quer, mas vai que o bicho tá de bom humor!"
correto é: 'Quem não tem cão, caça como gato.... ou seja, sozinho!'