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terça-feira, 3 de junho de 2014

A Síndrome do Mais


Em um evento de autoajuda, o palestrante pergunta ao público: qual sua principal motivação para participar deste workshop? – “Melhora da situação financeira” foi o ponto de maior relevância.

Parece que as pessoas estão sempre descontentes com seu saldo bancário. E o mais interessante é que isso acontece em todas as classes sociais, seja A, B ou C, todos têm o desejo de possuir mais – ninguém se sente pleno com o que possui. Culpa do sistema? Talvez, embora ele instigue nas pessoas o consumo crescente – e inconsciente – como forma de se obter satisfação pessoal, o coletivo é apenas um reflexo do indivíduo. Não há dúvida de que o grande motivador pra que isso aconteça existe dentro de cada um – as sementes florescem apenas onde o terreno é fértil…

A sedução do concurso público

Há cerca de 50 anos atrás, bem apessoado era aquele que se tornava médico ou trabalhava no Banco do Brasil. Atualmente, temos em alta outra forma de tentação chamada concurso público: a promessa de um bom salário e estabilidade profissional – evidentemente, as custas de muito sacrifício. A julgar pelo grande número de candidatos por vaga, a primeira vista parece uma ideia realmente fascinante. Mas esta é verdadeiramente a solução para os nossos problemas? Parece contraditório, mas a palavra “estabilidade” oculta um sentimento comum a quem o procura: o medo de viver um dia após o outro. Um emprego, seja qual for, está longe de ser sinônimo de saúde ou imunidade a acidentes…

Como generalizar é uma característica da mente humana, vamos investigar a questão um pouco mais a fundo: existem pessoas com um talento natural para desempenhar funções que apenas um concurso pode dar, como por exemplo, um juiz. Seguramente, existem excelentes magistrados. Mas faça uma análise mais ampla agora, lembrando que a árvore se conhece pelos frutos: como você define a qualidade dos serviços prestados por repartições públicas em nosso país? Baixo e ineficiente são palavras que fazem parte das estatísticas como consequência da rotina estressante que este ambiente geralmente proporciona…

E o que dizer da cadeira universitária mais concorrida? Nos últimos meses, temos observado médicos fugindo de convênios por causa do que consideram baixo valor pago pelas consultas. Nestas horas, o Juramento de Hipócrates vale pouco ou nada diante da supervalorização financeira a que o profissional se auto estabelece. E não é por falta de pacientes, qualquer pessoa sabe que a condição de saúde humana é cada vez mais precária…
E isso é para citar apenas dois exemplos. De engenheiros a garis, empresários a cozinheiras, parece que a síndrome da insatisfação profissional afeta todas as categorias.
Não é novidade que profissionais ruins existem em todas as áreas, e isso se deve, entre outros motivos, a que muitos dos seus servidores encontraram em sua profissão apenas uma tábua de salvação financeira, sem levar em consideração o ponto mais importante: amar aquilo que se faz.

O problema não é a profissão e sim a motivação para exercê-la!

Algumas pessoas exercem determinadas profissões por acreditar que não têm uma escolha melhor; outras escolhem buscando o caminho mais fácil para a estabilidade, muitas vezes deixando-se levar por pressões da família ou sociedade. Ambos os casos apresentam forte tendência a serem pontos geradores de frustração porque são buscas iniciadas com base nas emoções negativas básicas geradoras dos problemas humanos: o medo (de não ter algo melhor, de ganhar pouco, de pobreza…) ou desejo (de possuir mais).

Em médio prazo, acontecerá apenas o óbvio: baixo desempenho profissional, adicionado de bônus extras como cansaço, irritabilidade, stress e demais consequências relacionadas a escolhas embasadas no medo. Afinal, a negatividade continua presente, ela não desaparece com algo que se faz externamente, seja um bom emprego, bens ou relacionamentos. É como um câncer: se a causa não for curada, ele apenas muda sua forma de manifestação e vai aflorar novamente…

Precisamos ser muito sinceros conosco mesmos para enxergar as muitas motivações ocultas geradas pelo nosso inconsciente como forma de suprir medos e carências. E esse é o ponto em que a maioria não se dá conta: necessidades internas somente podem ser sanadas com trabalho interior – isso implica autoconhecimento e autotransformação.

Toda busca iniciada sem a devida consciência torna-se superficial e, portanto, cedo ou tarde transforma-se em… problemas! Em termos profissionais, ao escolher um meio de subsistência motivando-nos apenas como uma maneira de atingir um fim – seja dinheiro, estabilidade ou status – passaremos nossa vida em função deste futuro aparentemente maravilhoso mas, ao chegar lá, ele já não irá nos satisfazer. Ou ainda, quando isso acontece, dura muito pouco – fazendo então com que a busca recomesse…

Num dos seus livros, Carl Jung fala de uma conversa que teve com um chefe nativo americano que lhe fez notar que, na sua opinião, os homens brancos possuem rostos tensos, um olhar fixo e um comportamento cruel. Dizia ele: “Andam sempre à procura de alguma coisa. Que procuram eles? Os homens brancos querem sempre alguma coisa. Estão sempre inquietos e insatisfeitos. Não sabemos o que querem. Pensamos que são loucos. ”

Há cerca de um ano atrás atendi uma pessoa que estava entrando em colapso nervoso depois de um ano e meio de estudos para prestar concurso. Foi, em suas palavras, “um ano e meio sem vida social”. Ela foi aprovada, mas entrou em choque quando recebeu a informação que o prazo para ser chamada era de mais um ano e meio! Somente aí ela se deu conta do óbvio: a perspectiva de perder quase 3 anos de vida “esperando por dias melhores” enquanto a vida escoava por suas mãos…

Também conheci uma juíza que precisava de medicamentos para dormir. Ela se orgulhava de contar que tinha “se matado de estudar pra chegar onde estava” – mas não se dava conta do prejuízo que já estava vivendo…

Essa é uma de nossas maiores ilusões: acreditar que algo no futuro nos salve, mas não vai! A salvação é aqui, agora. O futuro é apenas uma antecipação distorcida do tempo, mas quando ele chegar vai ser tão presente quanto agora, o sabor será o mesmo, nem vamos nos dar conta, permaneceremos como o cão correndo atrás do próprio rabo…

O poder da intenção

Sabemos que a energia vai para onde está a atenção, mas existe um segundo aspecto importante: a intenção modula esta energia e altera seus resultados. A questão é mais ou menos assim: você pode guardar dinheiro para momentos ruins, ou fazer uma poupança para viajar com a família. Embora ambas as situações envolvam economia, o destino das duas foi determinado pela intenção em sua criação: emergência ou dias felizes. E assim funciona nossa vida.

Se você busca um emprego que lhe confira estabilidade, acabou de informar ao Universo sua motivação oculta: insegurança – e isso será o que vai encontrar em qualquer uma de suas variantes, a começar por ansiedade ou insônia. Você não resolveu sua insegurança com o emprego, apenas a empurrou para baixo do tapete por mais algum tempo esperando que um dia as coisas melhorem…

Quem vive à procura de segurança perceberá, com a experiência muitas vezes amarga, que essa busca na verdade é muito efêmera. Muitos trabalham a vida toda buscando acumular, e quando estão prestes a desfrutar do momento em que consideram o ápice de seus esforços, a vida lhe dá um revés. Pode ser um acidente ou a morte (que ninguém sabe quando chegará), ou a simples percepção de que perdeu os melhores anos de seus filhos.

Se você vai em busca do dinheiro e suas consequências (carro, casa, status) acabou de limitar seu mundo a símbolos externos e transitórios. É como se tivesse trocado a viagem por um cartão postal. Como você iniciou definindo um fim em si mesmo, suas consequências indiretas virão em forma de ansiedade e vazio interior, tornando-o prisioneiro de necessidades mundanas, preocupações triviais, desespero passivo e tristeza. Isso sem falar que a necessidade de acumular dinheiro é o mais evidente sinal da verdadeira motivação: a consciência da pobreza.

Existe ainda outra consequência desta maneira de viver: você se divide em 2 – um para o trabalho, outro para o lazer e a família – “Vivo uma rotina insuportável de 8 as 18h, mas relaxo em casa”. Mas as coisas não funcionam bem assim, porque somos uma pessoa só, e acabamos levando a pressão e o stress de um mundo para outro através do mecanismo inconsciente das projeções…

A solução é rever conceitos e valores

Avalie sua situação profissional agora: se você vive esgotado, sem energia, e não vê a hora de bater seu ponto, então já está pagando o preço pela escolha errada. É claro que dá pra remediar: faça EFT para todas estas questões, remova suas resistências, encontre “o quê” dentro de você sabota seus dias. Uma mãe de família, por exemplo, não tem opção e esta ferramenta será muito útil pra que ela possa dar o melhor de si cumprindo com seu papel.
Mas em algumas situações, vai perceber que isso é paliativo, e que muitas vezes é necessário mudar tudo. Tudo mesmo!

Pra começar, pratique a renúncia e o desprendimento. Isto significa que não se deve prender à expectativa de um resultado específico, mas sim viver com o conhecimento da incerteza. Significa que devemos desfrutar todos os momentos da vida, mesmo desconhecendo seus resultados, ao invés de viver pensando em resultados sem considerar o modo como chegamos lá.

A incerteza é precisamente enfrentar o dia como ele se apresenta. É desta maneira que a própria natureza vive: nem animais, nem plantas vivem ansiosos pela comida. Eles cavalgam, alguns voam, com a certeza de que todas as suas necessidades já estão atendidas. O ser humano é o único que sobrevive da ansiedade, do medo, acreditando que o dia será conforme suas próprias expectativas pré-estabelecidas. E quando isso não acontece, toda a carga emocional acumulada por anos costuma vir à tona de uma só vez…

Isso não significa que devemos desistir da intenção de criar ou viver algo. Devemos desistir da nossa ligação ao resultado, do apego aos frutos da ação. Em outras palavras, isto se chama “Ação Santificada”: fazer do momento presente um meio em si mesmo, não uma forma de atingir um objetivo no futuro.

A ligação ao resultado significa consciência de pobreza, pois esta ligação prende-se sempre aos símbolos; também é sinônimo de apego, que a seu tempo irá sempre gerar seu oposto: a perda daquilo ao que mais nos prendemos.

Ao viver com desprendimento, a profissão se torna um instrumento infinitamente mais poderoso, eficiente e gratificante. Deixa de ser um fardo e transforma-se em entusiasmo, em um motivo a mais pra se viver. Pode parecer incrível, mas as pessoas que vivem desta maneira são as que apresentam maior desempenho, trabalham mais e sentem-se mais dispostas. Desaparecem as frustrações, medos e angustias, porque estão vibrando em sintonia com a vida.

Desprendimento significa consciência da riqueza, pois ele traz-nos a liberdade para criar. Só com um envolvimento desprendido se pode obter alegria e prazer. Só assim obtemos os símbolos de riqueza, com espontaneidade, sem esforço e sabendo que se um dia você vier a perder tudo – e isso vai acontecer inevitavelmente, porque a morte nivela todos os nossos valores – irá em paz com a certeza de que fez o seu melhor. Sempre!

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