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quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Xerox reinventa o papel

Xerox reinventa o papel
A última novidade da rainha das copiadoras: a impressão que se apaga sozinha depois de 12 a 24 horas


Fosse na época da Guerra Fria, a mais recente invenção da Xerox poderia compor o roteiro de filmes de espionagem. Explica-se: na era dos e-papers ("papéis eletrônicos") e dos leitores digitais portáteis, a empresa desenvolveu uma forma de imprimir textos e imagens num tipo especial de papel que, algumas horas mais tarde, apaga automaticamente todo o conteúdo e reverte a superfície à sua aparência original, branca como neve. Detalhe: a folha pode, depois, ser usada outras centenas de vezes. "Encontramos componentes químicos em um determinado projeto em que trabalhávamos e descobrimos que eles têm essa característica fantástica. Pensamos: 'por que não usar em uma nova aplicação?'", conta François Ragnet, pesquisador-chefe do grupo de inovação da empresa, em entrevista exclusiva à DINHEIRO, durante visita ao Brasil.

Criado em seus laboratórios, o "papel apagável", como eles o chamam, ainda não é comercializado e não há previsão para isso. Mas a empresa já patenteou a tecnologia e o processo de produção. O valor investido é guardado a sete chaves. Os argumentos de venda já estão sendo desenhados e o principal apelo será ecológico. "Alguns poluentes liberados por impressoras tradicionais, como ozônio, vão desaparecer, porque o processo é completamente diferente. Inclusive, trabalharemos num tipo de impressora específica para essa tecnologia", diz Rodrigo Belluco, diretor da Xerox Global Services. Ragnet completa: "Será ótimo para documentos que você só precisa guardar por um curto período de tempo, como e-mails e notícias", diz ele. Para especialistas, é importante que também o processo químico de produção seja amigável à natureza. "Várias empresas usam o tema sustentabilidade para criar novos mercados e produtos. Mas poucas de fato lançam produtos sustentáveis", aponta João Paulo Altenfelder, consultor em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável. "O que parece válido na iniciativa da Xerox é que eles pensam também na redução de consumo e na reutilização."



Uma dúvida, porém, fica no ar. E se alguém, mal intencionado, utiliza o papel para um documento importante e perene, como uma confissão de dívida ou um contrato? Belucco afirma que a diferença será visível. "O conteúdo não fica tão escuro quanto o de uma impressão a jato de tinta ou laser em papel comum. Fica um sombreado", explica Belluco. A Xerox aplica os compostos à folha e eles reagem à intensidade de raios ultravioleta. Depois, seja pelo calor, seja pela luz ambiente, o papel volta a seu estado original entre 12 e 24 horas. A novidade pode provocar uma queda no já estagnado mercado de papéis, que cresce entre 2% e 3% ao ano. Mas ajudará a Xerox a enterrar agruras do passado recente. No começo da década, a companhia beirou a falência, com dívidas de US$ 17 bilhões. Incapaz de acompanhar o avanço da informática, viu sua receita cair exponencialmente, algo agravado pela descoberta de irregularidades em algumas de suas contas. A retomada só aconteceu quando voltou a investir em novos serviços e produtos. Na segunda-feira 19, a empresa anunciou a primeira distribuição de dividendos aos acionistas depois de seis anos. É a Xerox imprimindo seu próprio futuro.
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