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domingo, 9 de março de 2014

Ética

Certo dia, a Ética desceu do Olimpo sob a forma de uma linda mulher e dirigiu-se a um reino poderoso. Todos, ao vê-la a distância, ficavam maravilhados, mas à medida que se aproximava, fechavam-lhe as portas.
A Ética tentava comunicar-se, mas em vão: ninguém queria defrontar-se com ela. Bastava sua visão longínqua.
Finalmente, acabrunhada, ao retirar-se, encontrou a Verdade, que se espantou com a sua profunda tristeza:
- Que foi, minha irmã? O que tanto a magoou?
- Cheguei em missão de paz, mas ninguém quis receber-me – disse a Ética, não entendendo as razões porque foi rejeitada.
- Olhe-me de frente! – disse-lhe a Verdade. – Ninguém, nem mesmo você, minha cara Ética, foi capaz de perceber: nós somos espelhos. As pessoas têm medo de se verem refletidas em nós.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Série - Não tem nada demais

Dez anos atrás, em uma estrada na Inglaterra, o consultor Chris Huhne excedeu-se um pouco na direção de seu BMW. Nem foi tanto assim: estava a 111 km/hora, quando o limite era de 95km. Mas a câmera flagrou e a multa chegou à casa de Huhne.
Nem era tanto dinheiro, mas os pontos fariam com que ele perdesse sua carteira de motorista. Como sua mulher, a economista Vicky Pryce,  estava com pontuação baixa, pediu a ela que assumisse a culpa. Não custava nada, não é mesmo? Quanta gente não faz isso?
Vicky topou e a vida seguiu. Seguiu bem. Huhne tornou-se ministro do Meio Ambiente e Vicky, economista chefe do governo de David Cameron. No pessoal, porém, as coisas se complicaram. Huhne se encantou com uma assessora de campanha e separou-se da mulher com quem estava havia 26 anos.
Acontece, não é mesmo? Vicky, porém, parece não ter se conformado. Não se sabe se por vingança ou por descuido, em 2011, contou em uma entrevista ao jornal Sunday Times aquele episódio da troca da multa.
Para encurtar a história: Huhne teve de renunciar ao cargo de ministro, foi processado por obstrução à justiça e condenado, no início deste ano, a oito meses de prisão.
Ministros não podem se comportar desse modo, mesmo antes de serem ministros, tal foi a conclusão política e ética. Parece meio sem sentido,  mas, lembrem-se: pelas regras de nosso Congresso, se o parlamentar cometeu um crime antes de ser parlamentar, não tem nada demais, não é caso de quebra do decoro parlamentar.
Por isso mesmo, contamos esta história. No último sábado, o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, mandou chamar um jatinho da FAB para Natal e lá mandou embarcar, na sua companhia, a namorada, um cunhado, uma concunhada, um filho e dois enteados. Toca para o Rio de Janeiro, ordenou.
No Rio, a comitiva passeou e no domingo foi ao Maracanã ver o Brasil ser campeão. Todos embarcaram de volta à noite, incluindo-se na comitiva um amigo do cunhado.
Ontem, a Folha de S. Paulo contou a história. O deputado Henrique Eduardo Alves respondeu ainda de manhã. Disse que ele tinha serviço no Rio - um almoço com o prefeito Eduardo Paes e o senador Aécio Neves, no sábado - por isso tinha direito ao jatinho. Mas disse que embarcar todo aquele pessoal foi um "equívoco" e que "por dever, imediatamente, o corrige". Como? Vai pagar as passagens. Do próprio bolso!
Quer dizer que ele não sabia que não podia levar a turma no jatinho? E que só ficou sabendo depois que a história saiu na imprensa?
Imaginemos a cena. O assessor leva o jornal ao deputado e ele, intrigado: mas por que essa publicidade toda? Não posso levar ninguém no jatinho do FAB? E o assessor: Infelizmente, não pode, senhor presidente. E ele: puxa, por que não me avisaram antes? Mas não tem problema, eu pago as passagens.
O deputado acrescentou que já mandara apurar o "valor médio" das passagens e que reembolsaria a FAB. E tudo resolvido. Qual é? Não tem nada demais, pessoal, está pago.
Reparem: depois de todas as manifestações que colocaram os políticos na marca do pênalti, o presidente da Câmara acha que não tem nada demais usar o jatinho da FAB, pago com o dinheiro dos manifestantes, numa viagem do seu pessoal no final de semana.
Mostra como o patrimonialismo está na alma dos políticos. Se você não pode usar o dinheiro público, de que serve ser autoridade, não é mesmo?
Apanhado, o deputado classifica o uso do dinheiro público em benefício pessoal como um simples "equívoco", a ser resolvido ali no ato, "por dever".
Quer dizer que se um homem público desviar o uso de dinheiro público - pois é disso que se trata - admitir o erro e pagar, conforme a conta que ele mesmo faz, fica tudo bem?
O britânico Chris Huhne deveria ter consultado os políticos brasileiros. Diriam a ele: admita o erro, pague a multa de novo, devolva a carteira num ato solene e deixe a cena do crime, quer dizer, do caso, com ar altivo.
Também pelos padrões de Henrique Eduardo Alves, os dois ministros do governo alemão que se demitiram depois de terem sido acusados de plágio em teses acadêmicas, apresentadas muitos anos atrás, foram dois idiotas. Era só admitir o equívoco. e devolver os títulos universitários.
A sério: nesse ambiente de resposta às ruas, cabe um boa moralização no uso de veículos pelas autoridades. As regras atuais são vagas o suficiente para permitir qualquer farra. Mas a ética política deve ou deveria valer mesmo sem regras escritas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Estou Farto

Como cidadão brasileiro, ciente de minhas obrigações e de meus direitos. Ainda tenho a liberdade de dizer o que penso, de me indignar,  mesmo que isso contrarie a muitos.       

        Pois estou farto dessa mistificação com que encobrem descaradamente a realidade brasileira. Estou farto desses discursos demagógicos, dessas pesquisas que não condizem com a verdade que vivenciamos no dia a dia, farto de estatísticas que colocam falsamente a minha Pátria num patamar fictício como se, realmente, ela estivesse crescendo.

               Sinceramente, a cada vez que me deparo com a realidade, mais me convenço que não temos vontade, que não temos vergonha, que não temos objetivos claros, que somos um povo desprovido de capacidade de agir, com uma visão deturpada pelo egoísmo, voltado cada qual exclusivamente para os seus problemas, engajados numa luta para ter mais, usando de todos os vícios para justificar ações fraudulentas, culpando uns aos outros sem assumir sua culpa pelo que acontece ao seu redor.
       
        Ora, meus queridos compatriotas ( também estou farto do termo "companheiro" porque tenho a sensação de que esse vocábulo, independente de seu real significado, serve mais para designar cada qual que pertença a uma corja cujos ideais afrontam de maneira vil a sociedade como um todo), não acredito que essa passividade egoísta, que parece dominar a todos, esteja sendo aplaudido pelo que resta de bom senso que eu "ainda" acredito haver dentro de nós mesmo.
       
         Reclamamos, mas fazemos nada. Culpamos, mas não assumimos nossa culpa. Julgamos o outro mas não permitimos que nos julguem, exigimos respeito mas sequer respeitamos regras imprescindíveis para o bom convívio, reclamamos da corrupção mas não enxergamos que nós somos responsáveis pela sua existência, somos fracos e covardes quando, na gana de encobrirmos nossas falhas, alegamos que o mundo inteiro esta assim. Perdemos, meus compatriotas, a nossa vergonha, o nosso brio. Perdemos o elo com o cantado "varonil" daqueles que ainda vislumbravam a brasilidade.
       
        Estou farto de ligar os aparelhos de comunicação para saber o que está acontecendo no mundo. E o que vejo? Desgraças contadas nos seus detalhes mais sórdidos, crimes torpes sendo alardeados e verdadeiras aulas de como executá-los (outra Universidade do Crime), repórteres policiais comprando audiência com o escabroso, vangloriando-se do auto índice de audiência porque o "maravilhoso povo brasileiro" gosta dessa sordidez", e ainda sendo enaltecidos pelo seu compromisso em divulgar a "verdade". Não percebem que, a cada relato ou milhões de repetições do relato, mais o povo vai aceitando aquela barbárie como natural. Chora, esperneia, desmaia na primeira vez que assiste, mas, na décima, vai até achar natural. Acostuma-se, incorpora ao seu contexto de vida. Visão caótica que contribui para a aceitação tácita dos fatos como se nada pudesse ter sido feito para evitar essa catástrofe. É claríssimo que poderia ter sido evitada, com um mínimo de inteligência e lógica, se houvesse apenas uma centelha de amor à Pátria. E por falar nisso, até hoje não "entendi" porque as matérias de moral e civismo, estudo de problemas brasileiros e similares foram retirados do currículo escolar. Não entendi como é que uma sociedade aceitou sem reservas, esse fato. Será mesmo que consideraram fundamentos de somenos relevância?
       
        Também não "entendi" porque as nossas forças de defesa da Pátria foram tão relegadas a segundo plano. Por que nossos jovens não tem mais um espaço, aos dezoito anos para "servir à Pátria" numa demonstração de amor, de civilidade? Lembro-me, com saudade, do tempo em que os “meninos” iam para o “Tiro de Guerra” e, após um ano, “estavam” homens.  Perdão, acho que isso não seria tão importante nos dias de hoje. Demonstrar ou treinar qual civilidade? Nossos jovens nem mais sabem o que é isso! Ainda sem falar que, quando não assistimos as notícias da violência, estamos sujeitos a programas explorando o sexo sem necessidade alguma ( mas se não houver sexo não dá IBOPE ), filmes idem, ou então, desenhos deseducativos. Ah! Bendita TV! Quanto poderia fazer em benefício do povo! Mas alegam que produzem apenas o que o povo gosta de ver. Então, devo ser burro mesmo! Sempre pensei que esse gosto fosse imposto, que o povo tivesse sido levado a engolir. Mas é justamente o contrário?
       
        Vejamos a Amazônia, a maior maravilha da natureza, a fonte da continuidade da vida. Estamos aí, gritando que ela é nossa. Já faz muito tempo que não é. O que temos de fazer agora é lutar para recuperá-la. Fico aqui, pensando com meus botões, tentando "perceber" ( desculpem-me, sou "lento demais" para entender as coisas) o "porquê de chegarmos a estes extremos. Já ouviram falar nas "forças ocultas"? Houve um tempo em que pensei que elas fossem mais uma expressão fantasmagórica, usada para justificar falhas que não souberam evitar ou consertar. Hoje, "desconfio" que não são fantasmas e até tem nome próprio. Pior! Estão aí, sem mais a preocupação do oculto. Afinal, o brasileiro é um povo tão tolerante!... Aceita tudo, é tão "pacífico"! Hoje até usa como chavão o "rouba mas faz", "estupra mais não mata", "relaxa e goza". Lá fora até fomos exaltados como um povo que aceita a corrupção. Mas o que importa isso, não é? Estamos crescendo tanto! Que mal poderia haver nessa "aceitação"? Os nossos pobres estão comendo mais, tem escolas para os filhos, bolsas para tudo. Gente! Vejam que maravilha! O Brasil está sendo cotado lá fora como o país que mais trabalha para diminuir as diferenças sociais. E aí, novamente me pergunto:como é que se opera este milagre? Vou além...O pobre, com uns míseros reais a mais no bolso, vai sobreviver a uma doença? Se precisar de uma cirurgia para sobreviver, é operado de pronto? Se precisar do remédio indispensável, encontra-o sempre? Não vai mais morrer com uma bala perdida ou arrastado por veículos conduzidos pelos "do mal" ou pelos "de menor" inimputáveis? Vai poder circular pelas ruas sem a preocupação de ser assaltado? O bolsa-escola, afinal, é usado para que os pobres tenham acesso ao conhecimento, à formação esmerada, à cultura, ou é apenas mais uma camuflagem para diminuir essa vergonha que é o índice de analfabetismo? O que adianta essa bolsa, se o que é oferecido por ela é um ensino medíocre? E não venham dizer que isso é invenção.
Faça um teste com seus filhos, sobrinhos, vizinhos... Melhor ainda, com os menos favorecidos...       
        Se eles tiverem a sorte de não serem corrompidos pelos grupos a que pertencem, se forem levados a ter "Interesse" para conhecer sempre o máximo, se tiverem exemplos de que o saber é primordial para o crescimento pessoal, que um diploma não vale apenas pelo papel timbrado e o canudo, mas pelo aprendizado que ele proporciona, quem sabe suas cabeças comecem a funcionar para o que é lógico, comecem, por si mesmo, a exigir o que lhes é de direito: aprendizado de qualidade. Já que nós não percebemos essa verdade, pelo menos devemos aos nossos jovens a oportunidade de poder perceber.
       
        Agora nós temos a realidade e não podemos fugir dela. Do jeito como andam as coisas, nossos profissionais serão cada vez piores. Depois, como reclamar do médico que errou no diagnóstico, do advogado que nos permitiu ser injustiçados, do técnico que não consegue encontrar solução para o problema que se lhe apresenta, do caixa que erra na sua conta, do serviço que necessita e que não encontra, do político que discursa sem conhecer o mínimo de sua língua, de um governo que engana, de uma igreja que só pensa em lucros (vendem até o seu lugar no céu)?...
       
        Enfim, como exigir que um povo enxergue a verdade, que dirija seu destino, que lute pelos seus ideais, pelos seus direitos, que possa analisar com sabedoria os fatos sem se deixar levar pelas falsas verdades que lhe são impostas?
       
        Aqui, deixo para você pensar: qual o agente causador de tamanha parafernália?
       
        Para mim, se não começarmos a atacar o mal pela raiz, de nada servirão essas ações todas. Nada se consegue se ficarmos apenas na preocupação com as consequências, sem nada mudarmos na sua causa. E a causa é única: falta-nos EDUCAÇÃO, falta-nos MORAL, falta-nos ÈTICA.
       
      
Um boa semana.