quarta-feira, 5 de junho de 2013

Como nasce um hábito

Estudos realizados pelo cirurgião plástico americano Maxwell Maltz durante a década de 1960 revelaram que o cérebro de pessoas amputadas leva 21 dias para assimilar que seu corpo não possui mais o membro extirpado. É por isto que durante algum tempo elas continuam a cumprir alguns gestos corriqueiros, como estender a mão para tocar um objeto, mesmo não contando mais com esta parte do corpo.

Foi a partir daí que surgiu a chamada teoria ou princípio dos 21 dias na qual estudiosos defendem que se repetirmos um comportamento durante três semanas, ininterruptamente, ele acabará se tornando um hábito. Logo, a ideia básica é: quando precisar aderir a uma nova conduta, reproduza-a durante 21 dias a fim de que o seu cérebro desaprenda o antigo modus operandi e assimile o novo, concretizando o processo de mudança.

Mais recentemente, a psicóloga britânica Phillippa Lally conduziu um experimento na Universidade College, de Londres, na qual solicitou a 96 alunos que abraçassem um novo hábito diário - como comer uma fruta após o almoço ou praticar 15 minutos de exercícios físicos - e o repetissem durante doze semanas. Os resultados publicados na European Journal of Social Psychology revelam que a linha de automaticidade alcançou uma constante após 66 dias. Ou seja, após esse período as atividades que antes eram estranhas passaram a ser naturais para os voluntários.

Tais estudos provam o senso comum de que muitas pessoas não conseguem mudar hábitos simplesmente porque lhes falta tenacidade, desistindo antes que os resultados apareçam. É o caso de quem começa a frequentar uma academia e, diante dos precários resultados das primeiras semanas, acaba desistindo sem perceber que a mudança em seu corpo já estava em curso.

Portanto, a palavra-chave é consistência. Se você quer testemunhar transformações rápidas e fundamentadas apenas em euforia prepare-se para o fracasso, afinal a empolgação é um combustível de baixa octanagem e consumo rápido. As grandes mudanças que operamos na vida ocorrem sem alarde e são construídas por meio da melhoria contínua dia após dia.

Lembre-se das crianças de dez anos. Quando alguma delas começa a estudar um instrumento como o violão, mal consegue apoiá-lo em seus braços, no entanto seis meses depois já se sente confortável para tocar as primeiras canções e em dois anos algumas evoluem a olhos vistos. Enquanto isto, o adulto que iniciou as aulas ao lado dela desistiu após três meses e conserva o sentimento de "não nasci para isto", se estiver na média da população.

Quanto mais jovens somos mais nos abrimos às mudanças e quanto mais experientes nos tornamos mais nos prendemos à lei da inércia e às rotinas. É por isto que respeito quem decide operar transformações sensíveis em suas vidas mesmo quando tudo está caminhando bem. Ele sabe que até para permanecer no mesmo lugar, é necessário se pôr em movimento e desafiar as verdades que carrega dentro de si.

Da mesma forma que os animais são orientados pelos seus instintos, somos dirigidos pelos nossos hábitos. Isto explica a dificuldade para realizar até mesmo pequenas transformações, como utilizar o relógio no outro pulso. O problema é que algumas práticas que carregamos podem ser extremamente danosas à carreira, à vida conjugal e aos relacionamentos com os outros e conosco mesmos.

Como vimos, a resistência à mudança de hábito advém das crenças pessoais e êxitos ou fracassos passados, mas é possível facilitar as coisas com a repetição diária da conduta desejada e ao correlacioná-la a uma meta clara e significante. Algum tempo atrás um amigo largou o cigarro após tragá-lo durante três décadas e, segundo ele, uma frase do seu médico foi decisiva: "Ou você para de fumar agora ou morrerá em dois anos". Creio não haveria argumento mais sensível para quem tem filhos pequenos.

terça-feira, 4 de junho de 2013

A Caridade

O que é a caridade? É a maior de todas as virtudes.
Mórmon nos diz: “Portanto, apegai-vos à caridade, que é, de todas, a maior (...) é o puro amor de Cristo”. A caridade vem de dentro do coração. Quando temos caridade, enchemo-nos de sentimentos bons por todas as pessoas. Podemos observar algumas características que se fazem presentes naqueles que são possuidores dessa virtude:

Bondade. É a capacidade de continuar dando amor, mesmo quando nos sentimos sós, magoados ou frustrados. A pessoa bondosa é compreensiva e gentil com as outras. Tem consideração pelos sentimentos alheios, é capaz de perdoar as fraquezas e faltas alheias. Possui uma natureza solícita, seja com os idosos ou os jovens, com os pouco favorecidos, ou os mais favorecidos. Até com os animais tem uma atitude de gentileza!
Não tem inveja. O Senhor ordenou “que (…) não [tenhamos] inveja”. (2 Néfi 26:32) Todos os dias, enfrentamos situações nas quais podemos invejar ou mesmo cobiçar alguma coisa que outra pessoa possui. Talvez invejemos sua casa, a boa condição financeira, talentos, habilidades, posição, ou até mesmo a vida familiar. Essa inveja pode consumir nossa alma. Se percebermos que estamos invejando algo ou alguma coisa, devemos buscar a ajuda de nosso Pai Celestial. Em Sua misericórdia, Ele nos abençoará com a capacidade de superarmos o poder destrutivo da inveja, e de nos alegrarmos com as bênçãos e oportunidades a nós concedidas.
Procura a retidão sem sentir orgulho. O Presidente Ezra Taft Benson disse: “O orgulho é, essencialmente, encarar a vida com atitude de ‘minha vontade’ em lugar de ‘Tua vontade’”. Mas existem outras formas de orgulho. Uma delas é quando aceitamos reconhecimento por algo que não fizemos. Outra ocorre quando alguém culpa a Deus, quando as coisas vão mal em sua vida, mas atribui crédito a si mesmo, quando as coisas vão bem, ignorando o fato de que seus talentos, habilidades e bens materiais são dádivas de Deus.
Exemplo positivo. Todos nós temos oportunidade de ser bons exemplos: em casa, no trabalho, na escola, em nossa vizinhança ou na comunidade. Dar um bom exemplo significa também amar e respeitar os outros, tendo tolerância por suas crenças e respeito por seus sentimentos, opiniões, bens e seu tempo. Esse respeito demonstra que estamos preocupados com o próximo. A maneira como tratamos as pessoas mostra quem somos e em quê acreditamos. Pode ser um grande desafio amar outras pessoas, especialmente se elas nos magoam ou maltratam. O respeito e a tolerância andam de mãos dadas com a reverência pela própria vida. Podemos honrar e respeitar todos os filhos de Deus, assim como todas as Suas criações.
Evita a ira e a contenda. Muitos de nós às vezes nos sentimos frustrados ou impacientes; mas quando externamos esses sentimentos, zangando-nos com alguém, ofendemos o Espírito. Embora muitos de nós não tenhamos de enfrentar grandes perseguições, freqüentemente somos “provocados” por coisas pequenas. Rudeza, desobediência, espera, discórdias, decepções e expectativas frustradas podem irritarnos, especialmente se estivermos cansados, doentes ou com pressa. Nessas ocasiões, nosso primeiro sentimento pode ser de raiva. Podemos concentrar-nos em como controlar nossa raiva ou impaciência. Uma coisa que ajuda é respirar bem fundo, contar até dez, parar e pensar por um momento, antes de falar. Isso sempre funciona. A oração e o arrependimento curam igualmente nosso espírito, enchendo nosso coração de amor, quando buscamos ser mais semelhantes ao Salvador.
Virtude em pensamentos. Como distinguir os bons pensamentos dos maus? Morôni nos ensina que: “Aquilo que é de Deus convida e impele a fazer o bem continuamente; portanto, tudo o que convida e impele a fazer o bem e a amar a Deus e a servi-lo, é inspirado por Deus”. (Morôni 7:13) Para desenvolver a pureza mental, precisamos fazer mais do que rejeitar ou evitar pensamentos maus, negativos ou impuros. Precisamos também aprender a ter pensamentos virtuosos. As escrituras nos orientam na escolha daquilo em que devemos pensar: “Tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, (...) nisso pensai”. (Filipenses 4:8)
À medida que aprendermos a ter pensamentos virtuosos, nossa vida se encherá de virtude, e nos tornaremos mais semelhantes a Cristo.

Amor à verdade. Em D&C 93:37 lemos: “A luz e a verdade rejeitam o ser maligno”. Deuteronômio 32:4 nos diz que Deus é “a verdade e não há nele injustiça”. Quando a iniqüidade floresce, a verdade morre; quando a verdade floresce, a iniqüidade perde o poder. Para buscar a verdade e evitar a iniqüidade, devemos examinar nossas ações do dia-a-dia, como por exemplo, assistir a imagens de iniqüidade na televisão ou no cinema, ou procurá-las em livros e revistas.
A crítica também pode ser uma forma de iniqüidade. Podemos fazer muito para ressaltar a verdade que cada um de nós faz parte da família de Deus e, como tal, merece respeito e necessita de bondade. Quando elogiamos mais freqüentemente, quando oramos reconhecendo as contribuições individuais, mesmo que pequenas, podemos nos tornar mais positivos e menos críticos. O hábito de falar mal ou comentar os pecados ou imperfeições de outras pessoas afasta-nos de Deus e pode até mesmo nos impedir de amar e ter amizade por aqueles que mais precisam de amor e amizade. Quando buscamos a verdade, aprendemos a sentir caridade por todos os nossos irmãos e irmãs.
Compaixão, humildade, coragem e fé. Vivemos num tempo em que, como o Senhor predisse, o coração dos homens falharia, não só fisicamente, mas em espírito. Satanás está se esforçando cada vez mais para vencer os santos, instilandolhes desespero, desânimo, desalento e depressão, comentou o Presidente Benson na A Liahona de março de 1987, “Não Se Desespere”, p. 2. Não devemos ser sobrepujados por nossas provações. Elas, de fato,
podem ensinar-nos humildade, fé, coragem e compaixão, ajudandonos, no final das contas, a nos tornar mais semelhantes a Cristo. É necessário ter muita fé para perseverar até o fim, e confiar no Senhor, apesar das dores, do desânimo, sofrimento ou perseguição. A caridade é o coração do Evangelho. Aprender a ser como o Salvador deve ser nosso principal objetivo.

Desenvolver um amor cristão exige tempo e paciência. Em nossa tentativa de desenvolver a caridade, o exemplo do Salvador pode nos dar orientação. Seu amor não conhece restrições. Ele observou as necessidades dos outros e os alimentou, curou, confortou, e abençoou. Em Seu grande amor por nós, expiou pelos pecados do mundo todo, tornando a imortalidade e a vida eterna possível para cada um de nós. De todos os atributos da divindade, a caridade é o que devemos buscar com maior fervor. A caridade é mais que amor, muito mais; é um amor eterno, perfeito, o puro amor de Cristo, que perdura para sempre. Que possamos ser motivados por esse amor em nossas ações diárias, é o meu desejo e minha busca, que compartilho com meus amigos e irmãos em Cristo.
 
 

domingo, 2 de junho de 2013

Um Estranho em Nosso lar ou "O Monstro de Um Olho Só".


Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família.
O estranho aceitou e desde então tem estado conosco. Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial.
Meus pais eram instrutores complementares: minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer. Mas o estranho era nosso narrador. Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias. Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência. Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro!
Levou minha família ao primeiro jogo de futebol. Fazia-me rir, e me fazia chorar. O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava.
Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las.
As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa? Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que, às vezes, queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar.
Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente. Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos.
Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram, às vezes, evidentes, outros sugestivos, e geralmente vergonhosos. Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho.
Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar. Passaram-se mais de cinquenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao princípio.
Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia... Seu nome?
Nós o chamamos Televisão, mas alguns especialistas o chama de o "O Monstro de Um Olho Só".
Agora ele tem uma esposa que se chama Computador, e um filho que se chama Celular!

Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.

sábado, 1 de junho de 2013

Está remando ou torcendo para o barco afundar?

Ou será que é você quem tem feito furos neste  barco, chamado “empresa”?  Viu alguém fazendo furinhos e achou melhor não dizer nada, para não se comprometer – afinal, você não tem nada a ver com isso? Ou faz parte da maioria, que  está remando, remando,  mas sem saber pra onde?

Minha reflexão de hoje é :
Quais são as razões que levam algumas  pessoas a  furar o barco aonde estão,  a serem coniventes com quem fura ou a perceberem que o barco pode afundar, mas não acham que devem pegar o baldinho para tirar a água, que não  é com elas?
A letargia e a omissão são bons antônimos de engajamento. Se você vê o problema e não faz nada de objetivo para eliminá-lo ou minimizá-lo, você faz parte do problema.   E só reclamar não é exatamente “fazer alguma coisa”.
Estou terminando um curso chamado Grow to Greatness, com o excelente  professor Ed Harris, pela University of Virginia.   Este professor afirma que há alguns fatores que contribuem enormemente para que as pessoas se envolvam. Discuti com eles alguns dos que eu percebo na Companhia de Idiomas e chegamos a uma lista interessante.
Primeiro você precisa sentir que está aplicando seus talentos na sua função, área e empresa. Você está?  Ou será que seus talentos não foram escondidos por você mesmo, para ficar aí, em sua zona de conforto, fazendo o que sempre fez, exatamente como foi treinado?  Pense nisso, pois muitas vezes somos nós que evitamos os desafios por medo de não sermos “perfeitos” – e depois reclamamos que a empresa não nos dá uma chance.
O envolvimento também se dá quando você sente que está se preparando para algo maior que a sua função atual.  Quando você sabe que há mais desafios e posições a almejar em sua empresa, isso é altamente envolvente.  Mas não adianta querer colher sem plantar.  Como disse Jean Molière:  “é comprida a estrada que vai da intenção à execução”. Querer é fazer, então prepare-se hoje para aquilo que quer ser amanhã.
Também sabemos que o grau de envolvimento de um colaborador com sua empresa está diretamente relacionado à forma como ele é tratado por seus pares e líderes.   Se ele se sente importante para o negócio, ele age como dono.  Se ele é quase invisível, seu comprometimento é baixo.  E você?  Como trata seus pares, líderes e liderados? Lembre-se de que o descaso é o pior dos castigos. A indiferença (e não o ódio) é o oposto do amor.
Por outro lado, o  relacionamento,  clima organizacional e ambiente até podem ser “como uma família”.  Mas a busca por aperfeiçoamento, alta performance, qualidade e crescimento tem de ser contínua. O feedback tem de ser frequente e sem melindres – sem omissão, sem agressividade.  Eis um segredo do barco sem furos ou sabotadores:  todos estão cantando  e remando muito, na mesma direção, claro.
Este artigo não é para aquele tipo de profissional que quer apenas “estabilidade no emprego” (isso ainda existe?).  É para aqueles  que já entenderam que, para  se manterem no mercado de trabalho, terão de se envolver e se comprometer:  com seus sonhos,  com sua disciplina para fazer o que é necessário, com a empresa, com seus líderes e pares, com suas funções no dia a dia, com aquele lado de você que quer realizar.
Então hoje é dia de pensar se você, quase sempre,  adora estar no barco em que está, e se remar é prazeroso, mesmo que cansativo.  Se a resposta for “não” ou “quase nunca” , inicie agora seu plano de voo, porque você pode estar fazendo furinhos inconscientemente para este barco afundar.  A água entra e, pior, você está dentro.  Melhor ir remar em outro barco.
Sem envolvimento, sem paixão, sem busca constante por desenvolvimento pessoal e profissional, sem disciplina para o que se quer, a gente vai se tornando mediano, e aí o tempo e a rotina se encarregam de nos deixar medíocres.  É… ter sorte dá muito trabalho!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Teus Amigos Apoiam-te

Élder Ronald A. Rasband
Da Presidência dos Setenta 
Serão do SEI para Jovens Adultos • 1º de março de 2010 • Universidade Brigham Young
Meus queridos jovens amigos, é um privilégio e uma honra poder falar a vocês neste serão do SEI. Sinto-me grato por estar no Marriott Center no campus da Universidade Brigham Young e por falar aos que se reuniram em todo o mundo e em muitas circunstâncias e idiomas diferentes. Obrigado pela visita. Vocês honram o Senhor Jesus Cristo ao porem de lado outros assuntos pessoais para reunirem-se neste momento. Sou grato por estar aqui com minha esposa, Melanie, e vários familiares e amigos queridos.
Oro para que eu seja guiado pelo Espírito Santo e que vocês sintam no coração que minhas palavras são relevantes aos problemas que vocês enfrentam neste período de sua vida.

A Importância de Ter Amigos Retos

Há muitos anos, em março de 1839, o Profeta Joseph Smith, com vários de seus companheiros, havia sido aprisionado injustamente durante meses na Cadeia de Liberty. Muitos escritores da História da Igreja têm dito que essa experiência foi com certeza um dos períodos mais difíceis e sombrios em toda a vida do Profeta Joseph Smith. Suas palavras “O Deus, onde estas? (D&C 121:1) — conforme registrado na Seção 121 de Doutrina e Convênios — fala de uma solidão desesperadora no mais desolado dos lugares.
O Senhor não apareceu ou enviou um anjo; não feriu os guardas ou escancarou as portas da cela úmida e suja. Visto de modo simples, Ele não mudou as circunstâncias, mas consolou e tranquilizou Joseph como ninguém mais poderia ter consolado: “Meu filho, paz seja com tua alma; tua adversidade e tuas aflições não durarão mais que um momento” (D&C 121:7). Foi como se o Senhor colocasse seu braço no ombro de Joseph ao dizer “meu filho”. Essas foram palavras preciosas e carinhosas. E depois Ele definiu a duração das adversidades de Joseph: “não (…) mais que um momento”. Que lição para todos nós nos lembrarmos. Nossas adversidades serão breves — em termos eternos — e o Senhor estará bem ali.
Depois o Senhor disse: “Teus amigos apoiam-te e tornarão a saudar-te com coração caloroso e com mãos amistosas” (D&C 121:9).
Lá estava Joseph trancado na cadeia pelos mais traiçoeiros dos homens, alguns dos quais haviam sido amigos próximos. Mas o Senhor foi claro ao afirmar: “teus amigos apoiam-te”. Que declaração consoladora para o Profeta Joseph Smith; e também para nós. Pensem por um minuto no significado de ter alguém pronto para nos apoiar, alguém em quem podemos confiar como nosso amigo nos dias de felicidade ou de dor, alguém que nos dá valor e nos apoia, mesmo quando estamos distantes.
Nosso amigo mais querido é o próprio Jesus Cristo. Existe garantia maior que esta: “Estarei a vossa direita e a vossa esquerda e meu Espírito estará em vosso coração e meus anjos ao vosso redor para vos suster” (D&C 84:88). Muito frequentemente esses “anjos ao (…) redor” são nossos amigos.
Minha mensagem esta noite está centrada na importância dos amigos justos na vida de cada um de nós. Em minha juventude, um patriarca inspirado pôs as mãos sobre minha cabeça e, por revelação, abriu-me o entendimento para meu potencial — quem eu realmente sou, e deu orientação para minha vida, assim como um patriarca fez com a maioria de vocês. Foi-me dito que eu sempre teria amigos e companheiros; que a amizade deles seria uma bênção especial para mim, tanto temporal quanto espiritualmente. Foi-me aconselhado escolher como meus amigos mais próximos os que fossem retos e tivessem o desejo de guardar os mandamentos de Deus.
Essa parte de minha bênção patriarcal e esse versículo da Seção 121 têm sido como um manto consolador protegendo-me por toda a vida. Algumas vezes — principalmente quando estava longe de casa — tais palavras deram-me paz e força; meus amigos apoiavam-me, apesar de estarmos a quilômetros de distância. E nesses momentos aprendi uma das lições mais importantes da vida; que não importava quanto tempo estivesse fora, ou distante, sempre que meus amigos e eu nos encontramos novamente, é como se nada tivesse mudado. Recomeçávamos a vida exatamente de onde havíamos parado, como se o tempo não tivesse passado.
Por que estou enfatizando isso? Porque no mundo de hoje, muitos estão dispostos a trocar essas amizades por personagens de vídeo caracteres e mensagens rápidas de texto. Gastam o tempo identificando-se com personalidades da televisão, que, para eles, são apenas rostos em uma tela. Preferem apenas atividades em grupo em vez de se comprometerem em um relacionamento significativo que pode levá-los ao selamento no templo para a eternidade. Pensem nisso.  Amizades verdadeiras têm como base o amor de Deus e o compartilhar desse amor com os outros. Essa foi uma das mensagens na Cadeia de Liberty.
Desde o início de minha vida, quando crescia na Estaca Cottonwood, no Vale do Lago Salgado, os amigos têm sido uma bênção especial para mim. Meus amigos mais próximos da juventude são meus amigos até hoje. Alguns estão aqui esta noite. Sempre foi assim; sempre apoiamos uns aos outros. E sou grato por ter feito novos amigos que também têm sido uma força e uma bênção para mim.
Quando penso em amizade, penso no exemplo do Presidente Thomas S. Monson. Considerem este ensinamento de nosso amado Profeta. Ele disse:
“Os amigos ajudam a determinar nosso futuro. Temos a tendência de sermos como eles e de sermos encontrados aonde eles decidem ir. Lembrem-se, o caminho que seguimos nesta vida leva ao caminho que seguiremos na próxima.
Uma pesquisa realizada em algumas alas e estacas selecionadas da Igreja mostrou-nos um fato muito significativo: as pessoas cujos amigos casaram-se no templo geralmente também se casaram no templo, enquanto que as pessoas cujos amigos não se casaram no templo também não se casaram no templo. O mesmo também se aplica aos missionários de tempo integral. A influência dos amigos parece ser um fator altamente dominante, até mesmo igual ao estímulo dos pais, às instruções de sala de aula ou a proximidade a um templo.
Os amigos que vocês escolhem os ajudam a progredir ou obstruem seu sucesso”.1 Essas são palavras a se ponderar.
Quem não escolheria o Presidente Monson como amigo? Ele doa seus trenzinhos no Natal; ele doa as roupas que veste e os sapatos dos pés para pessoas que não os têm; doa horas incontáveis a pessoas esquecidas em asilos ou lutando pela vida em hospitais; e compartilha sua alegria pela vida conosco quando mexe as orelhas. Como não gostar dele? Quando perguntaram a um grupo de missionários que identificasse o maior atributo do Presidente Monson, quase todos escolheram seu amor pelas pessoas. Um deles até sugeriu que gostaria de ser vizinho do profeta, pois sabia que se tornariam bons amigos.
Descobri que os conselhos das Autoridades Gerais são consistentes com minha própria experiência e especialmente aplicáveis hoje. O Élder Neal A. Maxwell disse: “Quer sejamos jovens ou idosos, precisamos ser bons amigos, mas também precisamos escolher cuidadosamente as nossas amizades. Se escolhermos o Senhor em primeiro lugar a escolha dos amigos se tornará mais fácil e mais segura. Pensem no contraste existente entre as amizades feitas na cidade de Enoque e nas cidades de Sodoma e Gomorra! Os cidadãos da cidade de Enoque escolheram Jesus e Seu modo de vida, tornando-se amigos eternos. Muito depende de quem e do que escolhemos em primeiro lugar2.

Aconselhar os Amigos

Alguns amigos são mestres sábios e confiáveis; eles são um tipo especial de amigo, estão adiante de nós e conhecem o caminho. E eles também nos “apoiam”. Quem foram os mestres de Joseph Smith? Penso logo em Morôni. João Batista, Pedro, Tiago, João e Paulo, discípulos do passado, o pai e a mãe de Joseph, o irmão Alvin — a lista é impressionante. É justo dizer que ele se encontrava em boa companhia.
Pensem por um minuto naqueles que os aconselharam. Vocês desejam aconselhar outros quando surgirem as oportunidades? Estão-se preparando para compartilhar seu testemunho do evangelho e sua compreensão de como ter sucesso em suas buscas do cotidiano?
A história e as escrituras estão repletas de exemplos de homens e mulheres que serviram como conselheiros retos. O mais óbvio talvez seja nosso Senhor Jesus Cristo, quando estabeleceu Sua Igreja no meridiano dos tempos. No início de Seu ministério Ele escolheu doze homens aparentemente comuns que abandonaram sua profissão normal e passaram três anos na companhia Dele. Viajaram com Ele, ouviram Seus sermões, comeram com Ele, testemunharam os milagres que Ele fez e tiveram vários momentos de instrução individual. Que bênção ímpar foi para eles ser pessoalmente ensinados por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Cada um deles foi pessoalmente modificado por essa convivência privilegiada.
Outro exemplo em uma inversão incomum de papéis é Joseph Smith, que se tornou um guia espiritual para seu irmão mais velho, Hyrum. Hyrum, humilde e ensinável, permaneceu ao lado de Joseph. Ele estava na Cadeia de Liberty e foi o primeiro a cair em Carthage. Hyrum escolheu o profeta de Deus como conselheiro, e escolheu bem.
Em nossos dias, e em meu serviço como Autoridade Geral, os membros do Quórum dos Doze têm um profundo interesse em nossa vida, generosamente passando a nós suas experiências, ensinando-nos de modo eficiente a cumprir nosso chamado sagrado neste ministério. Também me lembro de um comentário feito por Brigham Young quando disse ao Profeta Joseph Smith: “Tenho vontade de gritar, aleluia, toda vez que penso que conheci Joseph Smith, o Profeta”.3 Sinto dessa forma a respeito de vários dos líderes atuais.
Em cada caso, uma pessoa mais experiente e confiável serve como um eficiente guia e conselheiro a outra pessoa menos experiente, ajudando a moldar seu entendimento e a ensinar-lhe princípios que tornaram aquela pessoa mais eficiente, mais forte, mais sábia e mais valiosa como servo de Deus.
Parem por um minuto agora e pensem: “Quais foram seus mestres?” O que aprenderam com eles que mudou sua vida? Como cuidaram de vocês? Como usarão o exemplo deles e cuidarão, vocês mesmos, de seus irmãos mais jovens, de seus amigos e colegas, daqueles que poderão precisar e desejar tal relacionamento?

Exemplo de um Conselho Amigo

Vou dar-lhes um exemplo de minha própria vida. Tenho sido abençoado por um desses relacionamentos de amigo e mestre, o Élder Jon M. Huntsman, Setenta de Área, filantropo, benfeitor e fundador das empresas do grupo Huntsman; e meu amigo.
Conheci Jon Huntsman em 1975, quando eu tinha 24 anos de idade. Eu era o presidente do quórum de élderes de uma ala de estudantes casados da Universidade de Utah, e Jon Huntsman era o membro do sumo conselheiro responsável por meu quórum. Tornamo-nos amigos e, em meu último ano na faculdade, quando eu me preparava para concluir meus estudos na universidade, o irmão Huntsman contratou-me como representante de vendas de sua empresa de plásticos.
Uma de minhas primeiras contas foi a Avon, a gigante dos cosméticos, com sede na Cidade de Nova York. Para me apresentar a esse cliente tão importante, o irmão Huntsman acompanhou-me à Cidade de Nova York. Empolgado com a nova carreira e ansioso para causar uma boa impressão, usei meu melhor terno colegial marrom, uma gravata borboleta e meu mocassim marrom. Quando nos encontramos no aeroporto, percebi que o Sr. Huntsman me olhou de um modo peculiar, mas não disse nada!
Quando chegamos a Nova York City, ele disse que precisávamos passar em um lugar antes de visitar a Avon. Fomos direto para a famosa loja de roupas masculinas Brooks Brothers na sofisticada Madison Avenue. Lembro-me das palavras de Jon no caminho: “Agora Ron, se você vai trabalhar como vendedor em minha empresa, e se vai representar-me na Avon, vai precisar aprender a se vestir, a agir e como servir nessa nova função”. E disse mais: “Não se usa terno marrom no meio empresarial da Cidade de Nova York!” Ao menos não para representar Jon Huntsman!
Jon conhecia as pessoas na Brooks Brothers e os observou enquanto provavam em mim um belo terno cinza escuro de risca de giz. O mais belo terno que já tinha visto e certamente o mais belo que já tivera. Depois que tirei o terno para os ajustes, escolhemos uma camisa, algumas gravatas, um cinto e todos os acessórios. Depois, fomos ao departamento de calçados onde Jon me apresentou meu primeiro par de sapatos pretos sociais.
Creio que a conta do irmão Huntsman na Brooks’ Brothers dava-lhe privilégios especiais, pois depois de almoçarmos, ele voltou comigo à loja e encontramos meu guarda-roupa de negócios pronto, cortesia de Jon Huntsman.
Lembro-me de minha gratidão a Jon por me livrar do constrangimento desnecessário de aparecer na Avon vestindo roupas colegiais. Quando joguei — é isso mesmo — joguei meu terno marrom em uma sacola, percebi que ele fez questão de que eu estivesse vestido de modo adequado! Depois, seguimos para a Avon, onde o Jon me apresentou como o novo representante de sua conta com a Huntsman. Jon estava-me ensinando muito mais do que a importância de me adequar ao trabalho. Ele estava-me apresentando a um modo totalmente novo de pensar, de fazer as coisas e de me apresentar aos outros. Estava sendo meu mestre. Aquela foi a primeira das muitas lições valiosas que aprendi com ele com o passar dos anos.
Anos mais tarde, enquanto eu trabalhava como executivo sênior na empresa do irmão Huntsman, assumi responsabilidades que me levaram por todo o mundo. Ao voltar de uma dessas viagens de negócios, o irmão Huntsman, que na época servia como presidente de estaca,  perguntou-me o que eu fazia na Igreja. Contei-lhe que servia com alegria como professor na classe de Doutrina do Evangelho na Escola Dominical. Ele perguntou que tipos de experiências eu tivera como líder na Igreja. Contei que estava feliz por ter servido em várias presidências, mas que a maioria dos chamados eram, com muita alegria, como professor.
Depois de explicar isso ao irmão Huntsman, ele me contou sobre uma experiência semelhante em sua vida quando foi chamado para servir em uma estaca de estudantes, primeiro no sumo conselho e depois como bispo. Ele achou isso ideal para sua agenda apertada. De fato, como mencionei anteriormente, foi nessa época que conheci o Jon Huntsman.
Ele disse que conhecia um irmão na Universidade de Utah que servia como presidente de uma das estacas para casados da universidade e que poderia chamar irmãos de todo o Vale do Lago Salgado para cargos na Igreja. O irmão Huntsman perguntou se poderia telefonar para esse presidente da estaca e apresentar-me a ele. Concordei e não pensei mais no assunto, ciente de que o irmão Huntsman era muito ocupado.
Algum tempo mais tarde, recebi um telefonema de Robert Fotheringham, o presidente da Estaca 1 da Universidade de Utah. Perguntou-me se ele e seus conselheiros poderiam conversar comigo e minha esposa em nossa casa. Poucos dias mais tarde, todos os três da presidência da estaca estavam sentados em nossa sala de estar, perguntando sobre nossa situação e verificando nosso testemunho. Depois de uma breve entrevista de avaliação com cada um de nós, os três homens se entreolharam e o presidente da estaca chamou-me para servir como membro do Sumo Conselho da Estaca 1 da Universidade. Disseram que já tinham conversado com o presidente de minha estaca de origem e que ele concordou com o chamado, caso eles quisessem seguir adiante.
Aceitei o chamado e comecei a servir na Estaca 1 da Universidade. Como parte de minhas responsabilidades, a irmã Rasband e nossa jovem família desfrutamos uma maravilhosa oportunidade de desenvolver ótimos relacionamentos centrados em Cristo com os jovens alunos casados. Depois de servir por certo tempo no sumo conselho, fui chamado para ser o bispo da Ala 10 na mesma estaca.
Mais tarde descobri, é claro, que o irmão Huntsman telefonou para o Presidente Fotheringham e apenas sugeriu que conhecia alguém que poderia servir bem no campus de uma universidade. Assim, meu querido amigo e mestre, Jon Huntsman, ao apenas mencionar meu nome para uma possível entrevista, providenciou outro tipo de experiência para que eu servisse na Igreja.
Penso nos maravilhosos jovens que conheci no ambiente daquela Ala Universitária e na oportunidade que tive de ajudar vários deles a encontrar um emprego. Um deles está aqui conosco. E mais importante ainda, tive o privilégio de prestar testemunho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e estabelecer amizades virtuosas, algo de certa forma semelhante ao que o irmão Huntsman fez por mim.
Mais tarde, quando a irmã Rasband e eu fomos chamados para presidir a Missão Nova York, Nova York Norte, tivemos o privilégio de trabalhar com muitos missionários fiéis. Pudemos ajudá-los não apenas a serem mais eficientes em seu chamado de servos do Senhor Jesus Cristo, mas nossa ligação continua até hoje quando os ajudamos com cartas de recomendação, conselhos e incentivo e todo o nosso amor. Admito que não comprei um terno novo e sapatos sociais para nenhum deles… ainda!
Como esses poucos exemplos mostram, creio firmemente nos relacionamentos de amizade e aconselhamento.

Aceitar Conselhos dos Mestres

O Élder Neal A. Maxwell, que serviu como mestre por tantos anos — inclusive para mim — disse: “Cada um de nós, de tempo em tempo, é ensinado e tem a oportunidade de ensinar. Em minha experiência, afirmações verdadeiras e afetuosas que ocorrem nesses relacionamentos sadios duram muito tempo! Vocês talvez se lembrem de três ou quatro exemplos de como as pessoas disseram algo — talvez uma frase ou duas — e vocês ainda se lembram. E elas continuam a tocá-los”.4
Penso na jovem mãe que sempre dizia aos filhos quando as coisas ficavam difíceis: “Nós vamos conseguir”. Eles creram nela. Ou no missionário que disse ao novo companheiro recém-chegado do CTM: “Conte com um milagre todos os dias”. Ele o fez e sua fé determinou o curso da missão do novo élder. Ou no Presidente Monson, ao concluir sua mensagem e reconhecer um jovem oito fileiras distante num oceano de 5.000 jovens em uma reunião de escoteiros na costa leste dos EUA. Aquele jovem era meu filho de 12 anos de idade que ele havia encontrado várias vezes. Podem acreditar, meu filho nunca vai esquecer que o Presidente Monson o chamou pelo nome e disse: “Chris Rasband, suba aqui e diga olá”. E que maior exemplo há que o do Salvador que olhou para um grupo de pescadores humildes e disse estas simples palavras: “Vinde após mim” (Mateus 4:19).
Nesta época, descrita pelo Apóstolo Paulo como de “tempos trabalhosos” (II Timóteo 3:1), registrada pelo Profeta Joseph Smith como um dia de “calamidade” (D&C 136:35), descrita por Néfi no Livro de Mórmon como um dia em que o adversário “se enfurecerá no coração dos filhos dos homens” (2 Néfi 28:20), sugiro a todos vocês, meus caros jovens amigos, a importância de desenvolverem amizades sadias e maravilhosas, com mestres sábios e confiáveis.
Algumas vezes relutamos em receber conselhos. Afastamo-nos de alguém que nos oferece sugestões. Temos a noção de que já sabemos o que precisamos e abrimos o caminho para o orgulho. Quando isso acontece, abrimos mão da sabedoria, das informações ou experiências que de outra forma abençoariam nossa vida. Imaginem a diferença em meu relacionamento com o irmão Huntsman, ou em minha carreira, se eu deixasse meu orgulho recusar sua generosa oferta de um terno novo.
Geralmente esse é o caso em nossos relacionamentos da juventude com nossos pais, que algumas vezes achamos antiquados, mal-informados ou simplesmente não muito “legais”. Então às vezes é fácil dispensar seus ensinamentos como sendo irrelevantes para nós. Muitos de nós já ouviram a declaração: “Quando eu era um garoto de catorze anos, meu pai era tão ignorante que eu mal podia suportar sua presença. Mas quando completei 21, fiquei surpreso com o quanto meu velho aprendeu em sete anos”. Embora não saibamos quem escreveu esta declaração, sua mensagem é muito instrutiva para nós. Mães e pais, avós e avôs têm muito a oferecer. Não menosprezem o que as experiências lhes ensinaram e o amor que têm por vocês. Talvez sejam seus mestres terrenos mais importantes. A irmã Rasband e eu estimamos a oportunidade de sermos avós. Que alegria quando nossos netos fazem uma pergunta ou buscam orientação sobre algum assunto importante em sua vida.
Outros que podem oferecer conselhos importantes, mas a quem tendemos a ignorar, são nossos sogros. Suas experiências são em geral tão pertinentes quanto às de nossos pais. Fazemos bem em respeitar suas opiniões e considerar seus conselhos. Muitos de vocês ainda não têm sogros, mas tenho certeza de que os terão algum dia! Aprendam com eles e peçam suas opiniões. Com isso vocês certamente crescerão em sabedoria.
Para cada um de vocês, ao alcance de minha voz, e àqueles que lerão esta mensagem mais tarde, há muitos outros mestres em potencial a sua disposição. Deixem-me sugerir alguns. Bispos, presidentes de estaca, presidentes de missão, líderes de quórum, professores, professores do seminário e do instituto, amigos e colegas de confiança, irmãs da Sociedade de Socorro e outros. Tenho sido muito abençoado pelos muitos exemplos e ensinamentos deles, e vocês também o foram! Tirem todo o proveito de suas ideias e permitam que sua influência os inspire e abençoe sua vida também.

Sermos Bons Amigos

Nunca é demais frisar a importância de sermos bons amigos. Nem sempre é fácil nos tornarmos esse tipo de amigo. Ralph Waldo Emerson deu um bom conselho ao comentar: “A única maneira de se ter um amigo é ser um amigo”5. E o velho clichê “dize-me com quem andas e direi quem és” ainda é verdadeiro. Para ter amigos com padrões elevados, que defendam a virtude e a bondade, que sejam fiéis aos convênios, vocês precisam ser esse tipo de pessoa.
Em um mundo em que existe imundície, tanta permissividade e imoralidade, ter bons amigos ajudará muito a garantir nossa habilidade de resistir ao males de nossos dias. Aos que ainda estão solteiros, ter bons amigos os colocará na posição de atrair o tipo de companheiro ou companheira eterna que esperam encontrar. Foi esse o caso com a irmã Rasband. Começamos como grandes amigos. O convite para o casamento veio mais tarde.

Jesus Cristo É Nosso Modelo de Amizade

Ao falarmos sobre a amizade, pensem no que o Profeta Joseph Smith registrou sobre os apóstolos que pregavam na Inglaterra: “Vi os Doze Apóstolos do Cordeiro que se encontram na Terra agora, que portam as chaves deste último ministério em terras estrangeiras, de pé, juntos em um círculo, exaustos, com suas roupas esfarrapadas e os pés inchados, com os olhos caídos, e Jesus pôs-se de pé no meio deles, mas não O viram. O Salvador olhou para eles e chorou”.6
Embora não O vissem, Jesus os “apoiou”. Ciente de sua condição e empático com suas dificuldades, foi Seu apoio amoroso que os susteve no campo missionário e trouxe centenas e milhares de novos conversos para a Igreja. Foi o Salvador que disse a Seus discípulos: “Sois meus amigos” (D&C 84:63). Foi o Salvador que ensinou: “Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos” (João 15:13). E foi o Salvador que fez o convite: “Vinde a mim” (Mateus 11:28). Na amizade, assim como em todos os outros princípios do evangelho, Jesus Cristo é nosso Modelo.
Agora, meus caros jovens novos amigos, reunidos em todo o mundo, presto-lhes meu testemunho de que este é o evangelho de Jesus Cristo. Testifico-lhes que um elemento muito importante de sua experiência no evangelho são os amigos que fazem e os mestres que seguem assim como me foi prometido em minha Bênção Patriarcal quando tinha dezenove anos de idade.
Encerro nesta noite por onde comecei, com o versículo das escrituras dito por Deus ao Profeta Joseph Smith quando ele se encontrava na Cadeia de Liberty, e lembro que isso pode ser dito a vocês e a mim, em qualquer situação em que nos encontremos agora. “Teus amigos apoiam-te e tornarão a saudar-te com coração caloroso e com mãos amistosas” (D&C 121:9).
Reafirmo a promessa feita pelo Senhor nos dias da restauração desta Igreja. Oro para que cada um de vocês tenha o privilégio de desfrutar da companhia de amigos e mestres justos ao crescerem juntos no evangelho de Jesus Cristo.
Deixo-lhes esses pensamentos e palavras no Nome do Senhor Jesus Cristo, nosso amigo. Amém.
© 2010 Intellectual Reserve, Inc. Todos os direitos reservados. Aprovação do inglês: 10/09. Aprovação da tradução: 10/09. Tradução de Thy Friends Do Stand by Thee. Portuguese. PD50020993 059