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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Alegria na Jornada


President of the Church

Vamos desfrutar a vida, ter alegria na jornada e compartilhar nosso amor com amigos e familiares.
Meus queridos irmãos e irmãs, sinto-me muito humilde por estar diante de vocês nesta manhã. Peço sua fé e suas orações, ao falar sobre coisas que têm ocupado minha mente e que fui inspirado a compartilhar com vocês.
Começo mencionando um dos aspectos mais inevitáveis de nossa vida aqui na Terra, que é amudança. Em algum momento da vida, todos nós ouvimos uma variação do conhecido adágio: “Nada é tão constante quanto a mudança”.
Na vida, precisamos aprender a lidar com a mudança. Algumas mudanças são bem-vindas, outras, não. Há mudanças em nossa vida que são súbitas, como o inesperado falecimento de um ente querido, uma doença imprevista, a perda de algo que tínhamos e de que gostávamos muito. Mas a maioria das mudanças ocorre de modo sutil e lento.
Esta conferência marca os 45 anos desde que fui chamado para o Quórum dos Doze Apóstolos. Como membro mais novo dos Doze, na época, olhei com admiração para 14 homens excepcionais, que eram mais antigos do que eu nos Doze e na Primeira Presidência. Um por um, cada um daqueles homens voltou para casa. Quando o Presidente Hinckley faleceu, há oito meses, dei-me conta de que me havia tornado o Apóstolo mais antigo. As mudanças ocorridas nesse período de 45 anos, que foram progressivas, parecem-me agora monumentais.
Na próxima semana, minha mulher e eu comemoraremos 60 anos de casados. Ao relembrar o início de nosso casamento, vejo o quanto nossa vida mudou desde aquela época. Nossos amados pais, que estavam ao nosso lado quando começamos nossa jornada juntos, já faleceram. Nossos três filhos, que preencheram completamente nossa vida por tantos anos, estão crescidos e têm sua própria família. Nossos netos, em sua maioria, são adultos, e temos agora quatro bisnetos.
Dia a dia, minuto a minuto, segundo a segundo, saímos de onde estávamos para onde estamos hoje. A vida de todos nós, evidentemente, passa por alterações e mudanças semelhantes. A diferença entre as mudanças em minha vida e as mudanças na vida de vocês está apenas nos detalhes. O tempo nunca pára. Ele precisa prosseguir constantemente e, com essa marcha, vêm as mudanças.
Esta é nossa única chance na vida mortal — aqui e agora. Quanto mais vivemos, maior é nossa compreensão de que ela é breve. As oportunidades chegam e depois se vão. Creio que, entre as maiores lições que devemos aprender nesta breve jornada na Terra, estão as lições que nos ajudam a distinguir o que é importante daquilo que não é. Peço a vocês que não deixem as coisas mais importantes passarem por vocês, enquanto planejam um futuro ilusório e não existente, enquanto vocês têm todo o tempo do mundo para fazer o que quiserem. Em vez disso, procurem ter alegria na jornada — agora.
Minha esposa diz que sou fanático por espetáculos. Gosto imensamente de muitos musicais, e um dos meus favoritos foi escrito pelo compositor americano Meredith Willson, chamado “The Music Man”. O professor Harold Hill, um dos personagens principais desse espetáculo, faz uma advertência que quero compartilhar com vocês. Ele diz: “Se você empilhar amanhãs em quantidade, descobrirá que colecionou muitos ontens vazios”. 1
Não haverá nada para lembrar no futuro, se não fizermos algo hoje.
Compartilhei, anteriormente, com vocês um exemplo dessa filosofia. Creio que vale a pena repetir. Há muitos anos, Arthur Gordon escreveu em uma revista de âmbito nacional:
“Quando eu tinha uns 13 anos e meu irmão 10, papai prometeu levar-nos ao circo. Mas na hora do almoço, ele recebeu um telefonema: um negócio urgente exigia que ele fosse para o centro da cidade. Preparamo-nos para ficar desapontados. Então, nós o ouvimos dizer ao telefone: ‘Não, eu não vou. Isso terá que esperar’.
Quando ele voltou para a mesa, minha mãe sorriu e disse: ‘O circo está sempre voltando para a cidade, você sabe’.
‘Eu sei’, disse meu pai, ‘mas a infância não’”. 2
Se vocês têm filhos que já cresceram e se mudaram, provavelmente já sentiram ocasionalmente a dor da perda e o reconhecimento de que não deram o devido valor a essa fase de sua vida. Evidentemente, não há como voltar, apenas seguir em frente. Em vez de reviver o passado, devemos aproveitar ao máximo o presente, aqui e agora, fazendo tudo o que pudermos para garantir lembranças agradáveis no futuro.
Se ainda estão criando seus filhos, estejam cientes de que as marcas de dedinhos que quase sempre aparecem nas superfícies que acabaram de ser limpas, os brinquedos espalhados pela casa, as pilhas e pilhas de roupa suja para ser lavada, desaparecerão muito em breve e — para sua surpresa — vocês sentirão falta disso tudo, profundamente.
Há momentos estressantes na vida, seja qual for nossa situação. Precisamos lidar com eles da melhor maneira possível. Mas não devemos permitir que atrapalhem o que é mais importante; e o mais importante quase sempre envolve as pessoas a nosso redor. Freqüentemente, presumimos que elas devem saber o quanto as amamos. Mas não devemos presumir, precisamos fazer com que saibam. William Shakespeare escreveu: “Quem não demonstra seu amor, não ama”. 3Jamais nos arrependeremos das palavras bondosas proferidas ou do afeto demonstrado. Em vez disso, vamos arrepender-nos, se omitirmos tais coisas em nosso relacionamento com aqueles que mais significam para nós.
Enviem um bilhete para aquele amigo que vocês têm negligenciado; dêem um abraço em seu filho; dêem um abraço em seus pais. Digam mais: “Amo você”; expressem sempre sua gratidão. Nunca permitam que um problema a ser resolvido se torne mais importante do que uma pessoa a ser amada. Os amigos se mudam, os filhos crescem e os entes queridos morrem. É muito fácil negligenciarmos as pessoas, até o momento em que elas saem da nossa vida e ficamos com o sentimento de que as coisas poderiam ter sido diferentes. A escritora Harriet Beecher Stowe disse: “As lágrimas mais amargas derramadas junto aos túmulos decorrem das palavras que não proferimos e das coisas que deixamos de fazer”. 4
Na década de 1960, durante a guerra do Vietnã, o membro da Igreja Jay Hess, que servia na força aérea, foi derrubado quando sobrevoava o Vietnã do Norte. Durante dois anos, sua família ficou sem saber se ele estava vivo ou morto. Seus captores, em Hanói, acabaram permitindo que ele escrevesse para casa, mas limitaram sua mensagem a menos de 25 palavras. O que diríamos para nossa família se estivéssemos nessa situação — sem poder vê-los, há mais de dois anos, e sem saber se os veríamos novamente? Querendo oferecer algo que sua família reconhecesse como sendo dele, e também querendo dar-lhes um valioso conselho, o irmão Hess escreveu: “Estas coisas são importantes: casamento no templo, missão, faculdade. Sigam em frente, estabeleçam metas, escrevam sua história, tirem fotos duas vezes por ano”.5
Vamos desfrutar a vida, ter alegria na jornada e compartilhar nosso amor com amigos e familiares. Um dia, para todos nós, não haverá mais amanhãs.
No livro de João, no Novo Testamento, capítulo 13, versículo 34, o Salvador nos admoesta: “Como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis”.
Alguns de vocês devem conhecer a clássica obra de Thornton Wilder: Our Town. Se conhecem, devem lembrar a cidade de Grover’s Corners, onde acontece a história. Na peça, Emily Webb morre ao dar à luz, e lemos a respeito da solitária tristeza de seu jovem marido, George, que fica com o filho de quatro anos. Emily não quer repousar em paz, quer sentir novamente as alegrias de sua vida. É-lhe concedido o privilégio de voltar para a Terra e reviver o dia de seu aniversário de doze anos. A princípio, foi emocionante ser jovem de novo, mas o entusiasmo logo esfriou. O dia não tinha alegria, porque Emily sabia o que o futuro reservava. Era insuportável ver como ela estava alheia ao significado e à maravilha da vida, enquanto estava viva. Antes de voltar ao seu lugar de descanso, Emily lamentou: “Será (…) que os seres humanos se dão conta da vida que têm, enquanto a vivem, (…) a cada minuto?”
Nossa compreensão do que é mais importante na vida caminha de mãos dadas com a gratidão por nossas bênçãos.
Um conhecido escritor disse: “Tanto a abundância como a escassez existem simultaneamente em nossa vida, como realidades paralelas. É sempre nossa escolha consciente que determina qual jardim vamos cultivar. (…) Quando optamos por não enfocar o que está faltando em nossa vida, mas somos gratos pela abundância presente — amor, saúde, família, amigos, trabalho, as alegrias da natureza e os objetivos pessoais que nos proporcionam [felicidade] — o deserto da ilusão se desfaz e vivenciamos o céu na Terra”. 6
Em Doutrina e Convênios, seção 88, versículo 33, lemos: “Pois de que vale a um homem ser-lhe conferida uma dádiva e não a receber? Eis que ele não se regozija no que lhe foi dado nem se regozija naquele que faz a doação”.
O antigo filósofo romano Horácio advertiu: “Seja qual for o momento com que Deus lhe tenha abençoado, aceite-o com gratidão. Não adie suas alegrias de ano para ano, para que, onde quer que tenha estado, você possa dizer que viveu alegremente”.
Há muitos anos, fiquei tocado com a história de Borghild Dahl. Ela nasceu em Minnesota, em 1890, de pais noruegueses e, desde a infância, sofria de grave deficiência visual. Tinha imenso desejo de participar da vida cotidiana, apesar de sua limitação e, por meio de firme determinação, foi bem-sucedida em quase tudo que decidiu fazer. Contrariando o conselho de educadores, que achavam que sua deficiência era por demais intensa, ela cursou a faculdade, conquistando um diploma da Universidade de Minnesota. Mais tarde, estudou na Universidade Columbia e na Universidade de Oslo. Acabou tornando-se diretora de oito escolas na parte oeste de Minnesota e em Dakota do Norte.
Ela escreveu o seguinte, em um dos 17 livros de sua autoria: “Minha visão se limitava a uma pequena abertura no olho esquerdo, que estava coberto de cicatrizes profundas. Eu só conseguia ver um livro se o segurasse bem perto do rosto e forçando meu único olho o máximo possível para a esquerda”. 7
Milagrosamente, em 1943, quando ela estava com mais de 50 anos, um procedimento revolucionário foi desenvolvido e, finalmente, restaurou grande parte da visão que lhe faltara por tanto tempo. Abriu-se diante dela um mundo novo e emocionante. Ela sentia grande prazer nas pequenas coisas que passam despercebidas para a maior parte das pessoas, como ver um pássaro voando, perceber a luz refletida nas bolhas de sua lavadora de louça ou observar as fases da lua a cada noite. Ela encerrou um de seus livros com estas palavras: “Querido (…) Pai Celestial. Eu Te agradeço. Eu Te agradeço”. 8
Borghild Dahl, tanto antes, como depois de sua vista ser restaurada, tinha imensa gratidão por suas bênçãos.
Em 1982, dois anos antes de falecer, aos 92 anos de idade, seu último livro foi publicado com o título Happy All My Life [Fui Feliz a Vida Inteira]. Sua atitude de gratidão permitiu-lhe valorizar as bênçãos e levar uma vida plena e rica, apesar dos desafios.
Em I Tessalonicenses, no Novo Testamento, capítulo 5, versículo 18, o Apóstolo Paulo nos diz: “Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus”.
Relembrem comigo a história dos dez leprosos:
“E, entrando [Jesus] numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe;
e levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós.
E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos.
E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz;
E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano.
E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove?
Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro”? 9
Em uma revelação dada por intermédio do Profeta Joseph Smith, o Senhor disse: “E em nada ofende o homem a Deus ou contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas”. 10 Que sejamos encontrados entre os que expressam gratidão a nosso Pai Celestial. Se a ingratidão é um dos pecados graves, então a gratidão é uma das virtudes mais nobres.
Apesar das mudanças que ocorrem em nossa vida, sejamos gratos e preenchamos nossos dias ao máximo com as coisas que mais importam. Que tratemos com carinho aqueles a quem amamos e que lhes expressemos nosso afeto, e que façamos isso por meio de palavras e ações.
Para encerrar, oro para que todos nós expressemos gratidão a nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Seu glorioso evangelho tem a resposta para as maiores questões da vida: De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde irá meu espírito quando eu morrer?
Ele nos ensinou a orar. Ele nos ensinou a servir. Ele nos ensinou a viver. Sua vida é um legado de amor. Os enfermos, Ele curou. Aos oprimidos, Ele deu alento. O pecador, Ele salvou.
Chegou um momento em que Ele ficou sozinho. Alguns Apóstolos duvidaram Dele e um deles O traiu. Os soldados romanos traspassaram-Lhe o lado. Uma multidão enraivecida exigiu Sua vida. Ainda ressoam do Monte do Calvário Suas palavras compassivas: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. 11
Antes disso, talvez sentindo que chegava o momento culminante de Sua missão terrena, Ele lamentou: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”. 12“Não há lugar na estalagem” 13 não foi uma expressão única de rejeição — foi apenas a primeira. Ainda assim, Ele nos convida — a mim e a vocês — a recebê-Lo. “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” 14
Quem foi esse Homem de dores, experimentado nos trabalhos? Quem é o Rei da glória, o Senhor das hostes? Ele é o nosso Mestre. É o nosso Salvador. Ele é o Filho de Deus. Ele é o autor de nossa salvação. Ele nos chama: “Segue-me”. 15 Ele nos instrui: “Vai, e faze da mesma maneira”. 16 Ele nos pede: “Guarda meus mandamentos”. 17
Vamos segui-Lo. Vamos imitar Seu exemplo. Vamos obedecer a Sua palavra. Ao fazê-lo, daremos a Ele a dádiva divina da gratidão.
Irmãos e irmãs, minha sincera oração é de que nos adaptemos às mudanças em nossa vida, que reconheçamos o que é mais importante, que expressemos sempre nossa gratidão e que, assim, encontremos alegria na jornada. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Ocultar Referências 

  1.  
    1. Meredith Willson e Franklin Lacey, The Music Man,1957.
  2.  
    2. Arthur Gordon, A Touch of Wonder, 1974, pp. 77–78.
  3.  
    3. William Shakespeare, Os Dois Cavalheiros de Verona, ato 1, cena 2, linha 31.
  4.  
    4. Harriet Beecher Stowe, Gordon Carruth e Eugene Erlich, comp., The Harper Book of American Quotations,1988, p. 173.
  5.  
    5. Correspondência pessoal.
  6.  
    6. Sarah Ban Breathnach, The Book of Positive Quotations, 2ª ed. John Cook, compilado por John Cook,, 2007, p. 342.
  7.  
    7. Borghild Dahl, I Wanted to See, 1944, p.1.
  8.  
    8.  I Wanted to See, p. 210.
  9.  
    9. Lucas 17:12–18.
  10.  
    10. D&C 59:21.
  11.  
    11. Lucas 23:34.
  12.  
    12. Mateus 8:20.
  13.  
    13. Ver Lucas 2:7.
  14.  
    14. Apocalipse 3:20.
  15.  
    15. Marcos 2:14.
  16.  
    16. Lucas 10:37.
  17.  
    17. D&C 11:6.

domingo, 19 de outubro de 2014

Informação, Por Favor!

Quando eu era criança, meu pai comprou um dos primeiros telefones da vizinhança. Lembro-me bem daquele velho aparelho preto, em forma de caixa, bem polido, afixado à parede. O receptor brilhante pendia ao lado da caixa. Eu ainda era muito pequeno para alcançar o telefone, mas costumava ouvir e ver minha mãe enquanto ela o usava, e ficava fascinado com a cena!
Então, descobri que em algum lugar dentro daquele maravilhoso aparelho existia uma pessoa maravilhosa - o nome dela era "informação, por favor" e não havia coisa alguma que ela não soubesse. "Informação, por favor" poderia fornecer o número de qualquer pessoa e até a hora certa.
Minha primeira experiência pessoal com esse "gênio da lâmpada" aconteceu num dia em que minha mãe foi na casa de um vizinho. Divertindo-me bastante mexendo nas coisas da caixa de ferramentas no porão, machuquei meu polegar com um martelo.
A dor foi horrível, mas não parecia haver qualquer razão para chorar, porque eu estava sozinho em casa e não tinha ninguém para me consolar. Eu comecei a andar pelo porão, chupando meu dedão que pulsava de dor, chegando finalmente à escada e subindo-a.
Então, lembrei-me: o telefone! Rapidamente peguei uma cadeira na sala de visitas e usei-a para alcançar o telefone. Desenganchei o receptor, segurei-o próximo ao ouvido como via minha mãe fazer e disse:
"Informação, por favor!", com o bocal na altura de minha cabeça.
Alguns segundos depois, uma voz suave e bem clara falou ao meu ouvido:
"Informação."
Então, choramingando, eu disse:
"Eu machuquei o meu dedo..."
Agora que eu tinha platéia: as lágrimas começaram a rolar sobre o meu rosto.
"Sua mãe não está em casa?", veio a pergunta.
"Ninguém está em casa a não ser eu", falei chorando.
"Você está sangrando?" Ela perguntou.
"Não." Eu respondi. "Eu machuquei o meu dedão com o martelo e está doendo muito!"
Então a voz suave, do outro lado falou:
"Você pode ir até a geladeira?"
Eu disse que sim. Ela continuou, com muita calma:
"Então, pegue uma pedra de gelo e fique segurando firme sobre o dedo."
E a coisa funcionou! Depois do ocorrido, eu chamava "Informação, por favor" para qualquer coisa. Pedia ajuda nas tarefas de geografia da escola e ela me dizia onde Filadélfia se localizava no mapa. Ajudava-me nas tarefas de matemática. Ela me orientou sobre qual tipo de comida eu poderia dar ao filhote de esquilo que peguei no parque para criar como bichinho de estimação.
Houve também o dia em que Petey, nosso canário de estimação, morreu. Eu chamei "Informação, por favor" e contei-lhe a triste estória. Ela ouviu atentamente, então falou-me palavras de conforto que os adultos costumam dizer para consolar uma criança.
Mas eu estava inconsolável naquele dia e perguntei-lhe:
"Por que é que os passarinhos cantam de maneira tão bela, dão tanta alegria com sua beleza para tantas famílias e terminam suas vidas como um monte de penas numa gaiola?"
Ela deve ter sentido minha profunda tristeza e preocupação pelo fato de haver dito calmamente:
"Paul, lembre-se sempre de que existem outros mundos onde se pode cantar!" Não sei porquê, mas me senti bem melhor.
Numa outra ocasião, eu estava ao telefone: "Informação, por favor".
"Informação," disse a já familiar e suave voz.
"Como se soletra a palavra consertar?" Perguntei.
Tudo isso aconteceu numa pequena cidade da costa oeste dos Estados Unidos. Quando eu estava com nove anos, nos mudamos para Boston, na costa leste. Eu senti muitas saudades de minha voz amiga!
"Informação, por favor" pertencia àquela caixa de madeira preta afixada na parede de nossa outra casa; e eu nunca pensei em tentar a mesma experiência com o novo telefone diferente que ficava sobre a mesa, na sala de nossa nova casa. Mesmo já na adolescência, as lembranças daquelas conversas de infância com aquela suave e atenciosa voz nunca saíram de minha cabeça.
Com certa freqüência, em momentos de dúvidas e perplexidade, eu me lembrava daquele sentimento sereno de segurança que me era transmitido pela voz amiga que gastou tanto tempo com um simples menininho.
Alguns anos mais tarde, quando eu viajava para a costa oeste a fim de iniciar meus estudos universitários, o avião pousou em Seattle, região onde eu morava quando criança, para que eu pegasse um outro e seguisse viagem. Eu tinha cerca de meia hora até que o outro avião decolasse. Passei então uns 15 minutos ao telefone, conversando com minha irmã que na época estava morando lá. Então, sem pensar no que estava exatamente fazendo, eu disquei para a telefonista e disse:
"Informação, por favor".
De um modo milagroso, eu ouvi a suave e clara voz que eu tão bem conhecia!
"Informação."
Eu não havia planejado isso, mas ouvi a mim mesmo dizendo: "Você poderia me dizer como se soletra a palavra consertar?"
Houve uma longa pausa. Então ouvi a tão suave e atenciosa voz responder:
"Espero que seu dedo já esteja bem sarado agora!"
Eu ri satisfeito e disse:
"Então, ainda é realmente você? Eu fico pensando se você tem a mínima idéia do quanto você significou para mim durante todo aquele tempo de minha infância!"
Ela disse:
"E eu fico imaginando se você sabe o quanto foram importantes para mim as suas ligações!"
E continuou:
"Eu nunca tive filhos e ficava aguardando ansiosamente por suas ligações."
Então, eu disse para ela que muito freqüentemente eu pensava nela durante todos esses anos e perguntei-lhe se poderia telefonar para ela novamente quando eu fosse visitar minha irmã. "Por favor, telefone sim! É só chamar por Sally".
Três meses depois voltei a Seattle. Uma voz diferente atendeu:
"Informação".
Eu perguntei por Sally.
"Você é um amigo?" Ela perguntou.
"Sim, um velho amigo". Respondi.
Ela disse:
"Sinto muito em dizer-lhe isto, mas Sally esteve trabalhando só meio período nos últimos anos porque estava adoentada. Ela morreu há um mês."
Antes que eu desligasse ela disse:
"Espere um pouco. Seu nome é Paul?"
"Sim" Respondi.
"Bem, Sally deixou uma mensagem para você. Ela deixou escrita caso você ligasse. Deixe-me ler para você."
A mensagem dizia:
"Diga para ele que eu ainda continuo dizendo que existem outros mundos onde podemos cantar. Ele vai entender o que eu quero dizer".
Eu agradeci emocionado e muito tristemente desliguei o telefone. Sim, eu sabia muito bem o que Sally queria dizer.
Autor desconhecido

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Não mate o Mensageiro.

Era uma vez um rei que recebeu um mensageiro de uma terra distante. O mensageiro trouxe a notícia de que a filha preferida do rei estava prestes a se casar com o filho de um de seus mais odiados inimigos. O rei ficou tão irritado que na hora matou o mensageiro. Quando os guardas do rei chegaram para remover o corpo, ele descobriu, para seu horror, que o mensageiro era a sua filha disfarçada. Muito tarde, ele percebeu que ela havia se disfarçado na esperança de prepará-lo e diminuir a sua reação furiosa de modo que pudesse, eventualmente, reconciliar todos com o seu casamento e receber as suas bênçãos – eles que se amavam profundamente.

Qual é a sua primeira reação a uma emoção desconfortável ou difícil? É procurar a maneira - às vezes qualquer maneira – de fazê-la parar, de ficar longe dela, de neutralizá-la!
O que é uma emoção? Esses sentimentos que podem dirigir a nossa vida, são a cola que nos mantém juntos ou a força que pode nos destruir. A emoção é um pensamento ou ideia acompanhada por uma sensação corporal. Ela é experimentada como uma forma de energia. Frequentemente nós não temos a consciência do pensamento original ou a consciência é de curta duração e fugaz. Com emoções intensas e dramáticas, como alegria ou o terror, as sensações corporais são óbvias; porém, quando a emoção é mais mundana e ordinária, como acontece com o tédio ou aborrecimento, as sensações físicas podem ser muito sutis e não serem notadas.

Não há emoções ruins; há emoções desejáveis e indesejáveis, mas não emoções ruins. Porque uma emoção é dolorosa ou desconfortável não a torna ruim. Quando um ente querido faz algo contra você, é humano e adequado se sentir magoado e decepcionado - você seria menos do que humano, se não ficar.

Você pode não querer sentir a dor emocional, mas quando você se encontra em uma situação dolorosa é apropriado sentir que dói. A questão essencial sobre as emoções não é se elas são boas ou más, mas se a emoção é apropriada para a situação. Isto é, a emoção combina com as circunstâncias. Por exemplo, uma mulher inteligente, bem-educada, que volta para a faculdade e, às vezes, se sente confusa e sobrecarregada, está sentindo emoções que combinam ou são apropriadas para essa situação. Se, contudo, ela for da confusão ao pânico ou ao terror, essa emoção é inapropriada para essa situação; a emoção não combina com as circunstâncias. Quando você está passando por um divórcio é apropriado sentir a perda e a dor, mas não é apropriado sentir essas emoções cada vez que o seu companheiro sair para trabalhar. Isso não torna essas emoções ruins - apenas inapropriadas.

Por ser humano, você pode, muitas vezes, ter essas emoções "impróprias". O que isso significa? Você está sendo avisado com urgência! Qualquer emoção recorrente que não combina com a situação é um sinal - uma mensagem sobre algum aspecto de sua vida.
Um jovem trabalha como vice-presidente na empresa da família. Ele sofre de depressão, ainda que as circunstâncias não pareçam justificar essa reação. Ele é casado com uma mulher que ele ama, seu primeiro filho é feliz e saudável e ele ganha o suficiente para proporcionar conforto para a sua família. Essa emoção é um mensageiro. Um mensageiro que está tentando lhe dizer algo sobre a sua vida. Normalmente, ele iria ignorar a sensação, esperando que ela fosse embora, beberia ou tomaria antidepressivos, teria um caso, trabalharia o triplo do tempo - qualquer coisa para não sentir a depressão. Encorajado a sentir essa emoção dentro da disposição de aprender sobre a mensagem sob a depressão, ele começa a perceber que essa emoção é sobre como e onde ele gasta a sua vida de trabalho. No fundo, ele nunca quis estar na empresa e trabalhar na cidade, em um arranha-céu, em um escritório estéril. Ele realmente quer trabalhar com a liberdade do ar fresco, em contato com a terra e a natureza - coisas que crescem. Ele quer ser fazendeiro. Agora, se ele tivesse matado o mensageiro - enterrado a depressão com remédios, bebida, sexo, trabalho, ele nunca teria percebido essa verdade essencial sobre si mesmo e provavelmente acabaria divorciado, separado de seu filho, com uma úlcera ou pior, insatisfeito e desperdiçando o seu potencial para uma vida plena.

As emoções são uma dádiva que nos torna e nos mantém humanos - você tem o direito de sentir cada uma e qualquer emoção que você experimentar. Quando as emoções combinam com as circunstâncias, elas expressam a sua humanidade, curam e completam a experiência, de modo que você possa ir em frente com sua vida de uma forma limpa, sem a excessiva bagagem de emoções não reconhecidas ou não expressas. Quando elas não combinam com as circunstâncias, elas se tornam oportunidades para se aprender algo importante sobre a própria pessoa e a sua vida. É aí quando você precisa ouvir - essas emoções são seus professores, não fuja delas. Pergunte-se: "o que essa emoção está tentando me dizer sobre a minha vida?" Uma mulher de meia idade constantemente se sentia culpada pela limpeza da sua casa. Ela era excessivamente cuidadosa com a limpeza, de modo que estava sempre cansada e negligenciando a sua família. Quando ela tentou relaxar e limpar um pouco menos a casa a fim de desfrutar da sua família, mais se atormentava com a culpa. Ela foi incentivada a procurar a mensagem por baixo da emoção da culpa – já que isso certamente era inapropriado para a situação. A mensagem universal de culpa é que você violou os seus próprios padrões. Essa mulher descobriu que ela não estava usando seus padrões de limpeza; ela estava usando os padrões da sua mãe e sempre falhando. Quando ela desenvolveu e usou os seus próprios padrões, ela começou a passar menos tempo na limpeza, se sentia bem sobre a sua casa e a sua família, e estava livre de culpa.

A mensagem é diferente para cada pessoa. Entretanto, existem certas mensagens universais contidas em algumas das emoções mais comuns, as emoções frequentemente experimentadas. A lista a seguir é um guia para ajudá-lo a explorar e aprender com as suas emoções.

CULPA: uma mensagem de que você violou os seus próprios padrões. Certifique-se de que você está usando realmente os seus padrões, e de que eles são apropriados para a situação. Você pode modificar e ajustar os padrões e aprender para o futuro.

DECEPÇÃO: uma mensagem para mudar as expectativas. A decepção resulta por não termos satisfeito as nossas expectativas.

DEPRESSÃO: uma mensagem de que você precisa mudar algo sobre você mesmo e/ou na sua vida.

DESANIMADO: uma mensagem para abrir mão de alguma coisa.

CIÚME: Uma mensagem de que o seu bem-estar emocional está ameaçado.

INVEJA: uma mensagem de que existe algo que você quer. É "algo" que vale a pena o suficiente para ir atrás?

PRESO: uma mensagem para olhar fora de você e reunir mais informações e recursos.

RAIVA: uma mensagem sobre a necessidade de parar o abuso - de você em relação a você mesmo ou de outros em relação a você.

PROCRASTINAÇÃO: uma mensagem de que você, ou não sabe como fazer alguma coisa ou não quer.

As emoções são seus amigos, seus aliados - não devem ser utilizadas como desculpa para evitar pensar ou agir, mas para respeitar e aprender com elas. Quando você se permite sentir algo que está em processo em você e que o processo o move para a frente, de modo que logo você estará sentindo alguma coisa a mais e se movimentando. Às vezes as pessoas têm medo de que irão se afogar nas emoções se "cederem'' a elas. O verdadeiro é exatamente o oposto; no final é "cedendo" às emoções que vai conduzi-lo pelo túnel para a luz da aprendizagem e da mudança. As emoções não nos criam problemas - são as emoções que temos sobre as nossas emoções que nos aprisionam e nos mantém em um redemoinho de negatividade e de estagnação.

As emoções são os nossos professores e oportunidades para aprender e mudar. Ouça a mensagem e não mate o mensageiro.


Anné Linden fundou e é diretora do New York Training Institute for NLP (NYTI/NLP) em Manhattan. Anné foi testemunha e participante da criação da PNL. Ela criou um Programa de Treinamento e Certificação de Hipnose Ericksoniana usando a PNL para tornar mais clara e mais acessível o gênio do Dr. Milton Erickson.

domingo, 14 de abril de 2013

Os Sons do Silêncio

Um rei mandou seu filho estudar no templo de um grande mestre com o objetivo de prepará-lo para ser uma grande pessoa.
Quando o príncipe chegou ao templo, o mestre o mandou sozinho para uma floresta.
Ele deveria voltar um ano depois, com a tarefa de descrever todos os sons da floresta.
Quando o príncipe retornou ao templo, após um ano, o mestre lhe pediu para descrever todos os sons que conseguira ouvir.
Então disse o príncipe:
"Mestre, pude ouvir o canto dos pássaros, o barulho das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo na grama, o zumbido das abelhas, o barulho do vento cortando os céus..."
E ao terminar o seu relato, o mestre pediu que o príncipe retornasse a floresta, para ouvir tudo o mais que fosse possível.
Apesar de intrigado, o príncipe obedeceu a ordem do mestre, pensando:
"Não entendo, eu já distingui todos os sons da floresta..."
Por dias e noites ficou sozinho ouvindo, ouvindo, ouvindo..., mas não conseguiu distinguir nada de novo além daquilo que havia dito ao mestre.
Porém, certa manhã, começou a distinguir sons vagos, diferentes de tudo o que ouvira antes.
E quanto mais prestava atenção, mais claros os sons se tornavam.
Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz.
Pensou: "Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse..."
E sem pressa, ficou ali ouvindo e ouvindo, pacientemente.
Queria ter certeza de que estava no caminho certo.
Quando retornou ao templo, o mestre lhe perguntou o que mais conseguira ouvir.
Paciente e respeitosamente o príncipe disse:
"Mestre, quando prestei atenção pude ouvir o inaudível som das flores se abrindo, o som do sol nascendo e aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da noite..."
O mestre sorrindo, acenou com a cabeça em sinal de aprovação, e disse:
"Ouvir o inaudível é ter a calma necessária para se tornar uma grande pessoa.
Apenas quando se aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos mudos, seus medos não confessados e suas queixas silenciosas, uma pessoa pode inspirar confiança ao seu redor; entender o que está errado e atender as reais necessidades de cada um.
A morte do espírito começa quando as pessoas ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem se atentarem no que vai no interior das pessoas para ouvir os seus sentimentos, desejos e opiniões reais.
É preciso, portanto, ouvir o lado inaudível das coisas, o lado não mensurado, mas que tem o seu valor, pois é o lado mais importante do ser humano..."