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terça-feira, 12 de novembro de 2013

Descomplicando a Vida

Perdoa esta franqueza exagerada
que vês jorrar aqui no meu cantar.
Perdoa se o seu tudo é quase nada
no meu que já passou do despertar.
 
Perdoa o meu sorriso sem barreira
e a voz que não se cala censurada,
o não da minha tarde passageira
vingando o sim da nossa madrugada
 
Perdoa se esqueço o importante
que dizes, em encontros casuais,
se acho que o pouco é bastante
em meio a tantos falas informais.
 
Perdoa se me atenho a este momento
buscando um só acerto nos errados,
se pago muito só por um lamento
e pouco por dezenas de pecados.
 
Perdoa! Não te ofendas se a ousadia
permeia cada passo sem tropeço.
Perdoa se esta ausência de euforia
demonstra que não ligo ao que mereço.
 
Perdoa! Nosso tempo é meu amigo
e já me perdoou  pela demora.
Entende o meu anseio tão antigo
e sopra-me bons ventos num agora,.

Cleide Canton.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Sinto Vergonha...




Sinto vergonha de mim
por ter sido educadora de parte desse povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
 
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o "eu" feliz a qualquer custo,
buscando a tal "felicidade"
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos "floreios" para justificar
atos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre "contestar",
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.
Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar  meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo brasileiro!



Cleide Cantom