segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Nasrudin no banho Turco


Nasrudin foi a um banho turco. Como ele estava mal vestido, os dois homens que o atenderam deram muito pouca importância para ele. Só recebeu uma toalha velha e um sabonete que estava no final.
Ao sair, Nasrudin deu a cada homem uma moeda de ouro. Surpresos eles imaginaram que se tivessem tratado aquele homem melhor, certamente teriam ganho mais.
Passado uma semana, Nasrudin retornou ao banho turco. Desta vez, independente de suas roupas velhas, Nasrudin foi tratado como um rei. Toda a atenção lhe foi dada pelos dois homens. Massagens, toalhas macias e novas, sabonetes deliciosamente perfumados, e toda espécie de mordomias que poderia receber.
Ao sair, Nasrudin deu a cada homem uma pequena moeda de pouco valor.
Os dois homens olharam para Nasrudin decepcionados. Nasrudin então explicou:
“Essas moedas são pelo serviço da semana passada. Pelo serviço de hoje vocês já receberam”.
Autor desconhecido

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Sirene Corporal


Era uma vez um corpo que estava sempre doente... vivia no médico e tomava tanto remédio até sem prescrição. Um dia quando transportado de um hospital ao outro... ouviu a sirene da ambulância que lhe dizia:
- "Ei amigo... de novo... porque você não faz como eu?"
- "Como assim?" disse ele achando que estava sonhando.
- "Sim... você não vê que eu tenho um painel aqui na frente que está sempre a me sinalizar?"
- "Ainda não estou entendendo!" meio dormindo o corpo falou.
- "Veja, quando acende a luz do meu painel sei que algo preciso melhorar. Seja a bateria, o motor, o combustível, basta eu investigar. Se eu não parar e atender... poderei pifar e nunca mais lhe ajudar."
- "Humm... e eu também tenho uma luzinha?" o;corpo então perguntou.
- "Descubra agora mesmo... o que aqui o levou."
- "Ah... senti dores e fui logo tomando um monte de remédio. Mas isto não é o certo?"
- "Raramente, corpo amigo, precisamos do remédio... porque a MAIORIA das VEZES podemos fazer algo MUITO MAIS NATURAL... já pensou nisto?"
- "Ahhh... um dia eu vi minha vizinha, dizendo que ela quando sente tensão ou dores, logo respira, ou bebe água... ou deita e relaxa... e o mal logo se vai."
- "Viu que sabedoria sua vizinha tem? Sabe ouvir e sentir suas luzinhas a piscar. Todos têm... é só se calibrar."
- "Obrigada amiga sirene... vou logo me recuperar."
Contam que este corpo aprendeu a se escutar.
E vive hoje brincando e ensinando a todos que querem a saúde conquistar.
Vânia Lúcia Slaviero
Do livro a ser publicado: A Cura pelas Metáforas - Editora Artêra / Appris - 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Meio Termo


Certo dia, alguns candidatos a discípulos procuraram o Mullá e pediram-lhe que lhes fizesse uma palestra.
— "Muito bem" — disse ele —, "sigam-me até o salão, do outro lado da praça, onde existe espaço para eu falar a todos vocês.".
Obedientes, eles se alinharam atrás de Nasrudin, que montou no burro às avessas, e começou a afastar-se.
A princípio, os jovens se sentiram confusos, depois se lembraram de que não deviam contestar o menor gesto do Mullá. Finalmente, reconheceram-se incapazes de suportar por mais tempo as zombarias dos transeuntes.
Percebendo-lhes o embaraço, o Mullá se deteve e olhou-os fixamente. O mais atrevido dentre os rapazes aproximou-se:
— "Mulla, não compreendemos direito por que o senhor montou nesse burro às avessas."
— "É muito simples" — replicou o Mullá. — "Vejam bem, se vocês andassem à minha frente, seria uma desconsideração a mim. Por outro lado, e se eu lhes desse as costas, seria uma desconsideração a vocês. Esse é o único meio-termo possível".
Autor desconhecido

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O Tesouro Inestimável

Era uma vez um andarilho muito sábio que vagava de vila em vila pedindo esmolas e compartilhando os seus conhecimentos nas praças e nos mercados.
Ele estava em uma praça em Akbar quando um homem chegou perto dele e disse:
- "Ontem, uma mago muito poderoso me disse que aqui nesta praça eu encontraria um mendigo, que apesar de sua miserável aparência me daria um tesouro de valor inestimável e que isto mudaria completamente a minha vida. Quando vi você percebi de imediato que era o homem que eu procurava. Por favor, me dê o seu tesouro".
O mendigo olhou para ele sem falar nada, enfiou a mão em um alforje de couro bem desgastado e em seguida estendeu a mão para o homem, dizendo:
- "Deve ser isto então!" Entregando-lhe um diamante enorme.
O outro levou um grande susto e exclamou:
- "Mas! Esta pedra deve ter um valor enorme!"
- "É mesmo? Pode ser. Eu a encontrei no bosque." Disse o mendigo.
- "Muito bem, quanto devo dar por ela?
- "Nada! Para mim ela não serve. Não preciso dela. Se ela lhe serve, leve-a. Não foi isto que o mago lhe disse?". Perguntou o mendigo.
- "Sim, foi isto que ele me disse. Obrigado". Muito confuso, o homem guardou a pedra e foi embora.
Meia hora mais tarde ele voltou. Procura o mendigo na praça e encontrando-o diz:
- "Tome sua pedra e me dê o tesouro".
- "Não tenho nada para lhe dar", disse o mendigo.
- "Tem sim! Quero que me ensine como pôde abrir mão dela sem que isso o incomodasse".
O homem então passou anos ao lado do mendigo até que aprendeu o que era o desapego.
Autor desconhecido

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Uma lição do Meu Pai


Existe uma tendência natural para os negócios na minha família. Todos os sete filhos trabalharam na loja do meu pai, a “Nossa Loja de Móveis e Ferramentas”, em Mott, Dakota do Norte, uma pequena cidade nas planícies. Começamos fazendo pequenos serviços, como tirar o pó, arrumar as prateleiras e fazer pacotes, e mais tarde, começamos a atender os clientes. Trabalhando e observando, aprendemos que trabalhar significava mais do que fazer uma venda e sobreviver.
Uma lição eu guardei comigo. Aconteceu pouco antes do Natal. Eu estava na 8ª série e trabalhava todos os fins de tarde, arrumando a seção de brinquedos. Um garotinho de 5 ou 6 anos entrou na loja. Estava vestindo um casaco marrom surrado, com os punhos gastos. O cabelo estava despenteado, e tinha um redemoinho levantado que saía bem no meio da cabeça. Apenas um dos sapatos velhos e gastos tinha cadarço, e mesmo assim estava rasgado. Parecia ser pobre – pobre demais para poder comprar qualquer coisa. Olhava pela seção de brinquedos, pegava isto ou aquilo e depois, com cuidado, colocava de volta no seu devido lugar.
Papai desceu as escadas e foi até ele. Seus olhos azuis sorriram e as covinhas do rosto se tornaram visíveis, enquanto perguntava em que poderia ser útil. O garoto disse que estava procurando um presente de Natal para o irmão. Fiquei impressionada ao ver que papai o tratava com o mesmo respeito que a um adulto. Ele lhe disse para dar uma olhada com calma, e foi o que o garoto fez.
Depois de mais ou menos vinte minutos, o garotinho pegou cuidadosamente um avião de brinquedo, foi até meu pai e disse:
- Quanto custa, senhor?
- Quanto você tem? – papai perguntou.
O garotinho estendeu a mão suada de tanto segurar o dinheiro. Nela havia duas moedas de dez centavos, uma de cinco e duas de um – vinte e sete centavos. O avião de brinquedo custava três dólares e noventa e oito centavos.
- Isto é o suficiente – disse papai, fechando o negócio.
Ainda posso ouvir a resposta do meu pai. Enquanto fazia o pacote, pensei sobre o que tinha visto. Enquanto o garotinho saía da loja, não notei o casaco sujo e surrado, o cabelo despenteado ou o único cadarço rasgado. O que vi foi uma criança radiante segurando um tesouro.
LaVonn Steiner
Do livro: Espírito de Cooperação no Trabalho